14 junho, 2009

Ministério da Educação manda dar posse a director de escola cuja eleição foi suspensa pelo tribunal


14.06.2009, José Augusto Moreira, no Público

Aumentam as denúncias sobre a intromissão dos poderes autárquicos na eleição dos novos directores escolares. Celorico de Basto é o caso mais recente

O Ministério da Educação deu ordens para que seja empossado o director de um agrupamento escolar cuja eleição está judicialmente suspensa por efeito de uma providência cautelar. À suspensão judicial junta-se também uma reclamação para a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) que não foi ainda analisada, mas os responsáveis pelo ministério entendem que a situação "é gravemente prejudicial para o interesse público" e, como tal, o novo director deve ser já empossado.
Este será o primeiro caso a chegar aos tribunais, mas as denúncias sobre a intromissão dos poderes autárquicos no processo de eleição dos novos directores escolares fazem prever que venham a multiplicar-se os processos de contestação.
No caso do Agrupamento de Escolas da Gandarela de Basto, no concelho de Celorico de Basto, às queixas sobre a manipulação do processo por parte da Câmara de Celorico de Basto junta-se ainda uma alegada falta de requisitos do candidato para preencher o cargo. A política parece, no entanto, ser o ponto mais sensível da polémica.
O processo eleitoral foi conduzido por um conselho geral transitório (que também empossa o director) presidido pelo vereador da Educação, Joaquim Mota e Silva, e o candidato eleito, Carlos Peixoto, é o actual presidente da assembleia municipal, cargo em que sucedeu a Marcelo Rebelo de Sousa. Ambos pertencem ao PSD e Mota e Silva é também o líder concelhio do partido, tendo ontem sido apresentado como o próximo candidato à presidência da câmara. Carlos Peixoto é tido como um dos nomes a indicar nos primeiros lugares na lista candidata às eleições autárquicas.
"O objectivo é atingir-me politicamente, só porque estamos em ano de eleições e sou candidato", resume Mota e Silva, desvalorizando as acusações de irregularidades e de instrumentalização do processo para a eleição do director do agrupamento escolar.
Censura pública
A eleição para o cargo decorreu a 14 de Abril, tendo Carlos Peixoto recolhido 11 votos contra dez do outro candidato. Na acta ficou registada a objecção do presidente do conselho executivo da escola, que invocou o Código do Procedimento Administrativo para concluir que Mota e Silva estaria impedido de participar na votação, dado o interesse objectivo na eleição do seu correligionário do PSD. A questão terá servido de fundamento a uma reclamação que foi então endereçada à DREN, mas que não obteve ainda qualquer resposta.
Antes da eleição, já o comportamento do vereador tinha sido alvo de censura pública. Foi acusado de ter protelado sem justificação a instalação do conselho geral da escola, de modo a que o processo eleitoral fosse condizido pelo conselho geral provisório, e também de instrumentalizar o processo com objectivos políticos, tal como ficou registado numa moção de censura votada pelo concelho pedagógico da escola no início de Março.
A matéria política não consta, no entanto, da fundamentação apresentada pelo outro candidato, António Magalhães Costa, na providência cautelar que requereu no Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga. O pedido de anulação do acto eleitoral baseia-se no facto de Carlos Peixoto não ter anteriormente completado um mandato em órgão de gestão de escola, um dos requisitos necessários para se candidatar ao cargo.
Tal mandato tem a duração de três anos, mas Peixoto apenas terá cumprido dois, uma vez que integrava a direcção do Agrupamento Horizontal de Escolas de Celorico de Basto, que foi extinto pelo ministério ao fim de dois anos.

13 junho, 2009

Contra a avaliação dos docentes enquanto mistificação


13.06.2009, Vários autores*, no Público

Os subscritores desta declaração recusam participar numa mistificação e não vão entregar a sua ficha de auto-avaliação

Esta é a declaração de uma intenção tomada em consciência e coerência com as atitudes e posições por nós assumidas num passado recente. Não é um apelo a um qualquer movimento de desobediência civil, nem o seu contrário, assim como também não é uma recusa em nos submetermos à avaliação da qualidade do nosso desempenho enquanto docentes.
É apenas a manifestação pública da impossibilidade, de acordo com princípios de coerência e responsabilidade de que nos orgulhamos, de aceitarmos seguir as directrizes de um modelo de avaliação do nosso desempenho que de forma alguma cumpre os objectivos afirmados pela tutela, em particular no regime simplificado em vigor, de constitucionalidade duvidosa e escassa qualidade técnica.
Em conformidade com posições adoptadas por todos nós em momentos anteriores, os subscritores desta declaração afirmam a sua indisponibilidade para entregar a ficha de auto-avaliação nos moldes predeterminados pelo Ministério da Educação.
Esta posição implica rejeitar a transformação do biénio 2007-09 numa pseudo-avaliação com base em objectivos definidos entre três a cinco meses do final das actividades lectivas deste período. Esta atitude significa a recusa frontal em participar de forma activa numa mistificação pública cujo objectivo é fazer passar por verdadeira uma avaliação falseada do mérito profissional dos docentes, mistificação esta que sabemos ter objectivos meramente eleitoralistas mas que terá consequências profundamente negativas para a qualidade da educação em Portugal.
Estamos conscientes das potenciais consequências da nossa tomada de posição, nomeadamente quanto à ameaça da não progressão na carreira por um período de dois anos lectivos, assim como de um eventual procedimento disciplinar que todos contestaremos em seu devido tempo. Esta é uma atitude cujas implicações apenas recaem sobre nós, estando todos preparados para continuar a lutar pela demonstração da ilegalidade do regime da chamada avaliação simplex.
Estamos ainda conscientes de algumas críticas que nos serão dirigidas de diversos quadrantes. Todas elas serão bem-vindas, venham de onde vierem, desde que se baseiem em argumentos e não em meras qualificações destituídas de conteúdo.
Aos que nos queiram apontar que não compete a cada cidadão definir a forma de cumprimento das leis que se lhe aplicam, poderíamos evocar o artigo 21º da Constituição da República Portuguesa, mas bastará sublinhar o que acima ficou explicitado sobre a forma como encaramos as consequências dos nossos actos.
A todos os que considerarem que esta é uma radicalização excessiva do nosso conflito com o Ministério da Educação reafirmamos que o fazemos em consciência e coerência com os nossos princípios éticos, sem calculismos ou outros oportunismos de circunstância.
Por último, salientamos que esta declaração não é um apelo a qualquer tomada de posição semelhante por ninguém, mas tão-só a afirmação da nossa. Não podemos, porém, deixar de constatar que a força de qualquer atitude é tão mais poderosa quanto consciente e esclarecida a convicção de quem a toma.


*Ana Mendes da Silva, Armanda Sousa, Fátima Freitas, Helena Bastos, Maria José Simas, Mário Machaqueiro, Maurício de Brito, Paulo Guinote, Paulo Prudêncio, Pedro Castro, Ricardo Silva, Rosa Medina de Sousa e Teodoro Manuel (professores).

Ministério da Educação diz que não vai mudar política


O Ministério da Educação (ME) considera que chegou o momento da "consolidação de propostas" no âmbito das negociações para a revisão do Estatuto da Carreira Docente, iniciadas em Janeiro passado, anunciou ontem, em conferência de imprensa, o secretário de Estado adjunto Jorge Pedreira. O encontro com os jornalistas, em que participou também o secretário de Estado Valter Lemos, foi convocado na véspera, dia feriado, e suscitou expectativas entre representantes dos professores. Mas tudo continua essencialmente na mesma.
Da parte do ME, Pedreira avisou: as "propostas consolidadas" que irão ser apresentadas aos sindicatos "têm na base aquelas que já fizemos".


Médicos vão ser obrigados a regime de exclusividade


O novo diploma das carreiras médicas, que resulta do acordo obtido na semana passada entre o Governo e os sindicatos, vai obrigar os médicos a trabalhar em regime de exclusividade no Serviço Nacional de Saúde.

Já não era sem tempo!

12 junho, 2009

Fenprof acusa Ministério de estar ao “seu pior nível”, mas mantém-se nas negociações


A Federação Nacional de Professores vai prosseguir as negociações com o Ministério da Educação, apesar de considerar que na ronda de hoje este se mostrou “ao seu pior nível”.

Na véspera, a Fenprof anunciara que poderia abandonar o processo negocial caso o ME não desse, durante a reunião de hoje, sinais de ter mudado de posição em relação ao Estatuto da Carreira Docente e ao modelo de avaliação de desempenho.

“A Fenprof avalia de extremamente negativa a reunião de hoje em que o secretário de Estado adjunto e da Educação, mantendo-se inflexível, reafirmou a defesa das posições mais negativas do ME em relação à carreira docente, designadamente a sua fractura e a divisão dos docentes em categorias hierarquizadas”, afirma-se numa nota da federação divulgada há pouco.

A organização vai agora esperar por dia 16, data da nova ronda negocial. A partir daí, se o ME não der “uma resposta clara sobre a sua disponibilidade para uma revisão será do Estatuo da carreira Docente”, a Fenprof “passará a avaliar, reunião a reunião, a importância de estar presente, admitindo não comparecer nos casos em que as mesmas se limitarem a simular a existência de um processo negocial”.

Fenprof ameaça abandonar negociações com o Ministério da Educação


A Federação Nacional de Professores anunciou hoje que poderá abandonar as negociações com o Ministério da Educação (ME) se na nova ronda, marcada para amanhã, este não der sinais de ter mudado de posição em relação ao Estatuto da Carreira Docente e ao modelo de avaliação de desempenho.

Se tal acontecer, “a Fenprof admite ser inútil e, até, negativa a participação em reuniões que apenas serviriam para iludir os professores, fazendo parecer que há negociação sem, de facto, haver", afirma-se numa nota enviada à comunicação social.

Mas a federação frisa que, dada a derrota do PS nas eleições de domingo, “parte para esta reunião com uma natural expectativa positiva”, já que está “criado um novo cenário político que abre perspectivas reais de mudança e, no imediato, de alteração da postura anti-negocial do Ministério da Educação".

O ME convocou hoje uma conferência de imprensa para amanhã, às 11 horas, trinta minutos antes do início das negociações com os vários sindicatos de professores.

11 junho, 2009

Os deuses devem estar loucos!



Cristiano Ronaldo vai jogar no Real Madrid, anunciou o Manchester United. É a transferência mais cara da história do futebol: 93 milhões de euros.

10 junho, 2009

Avalição normativa e criterial



Uma distinção essencial: De Rerum Natura

Então e as cotas? E só são avaliados alguns?


Com o título "91% dos juízes avaliados com 'bom' e 'muito bom'", o DN de hoje afirma:

Segundo o documento do Conselho Superior da Magistratura, relativo a 2008, apenas 259 dos 1932 juizes existentes foram inspeccionados e, desses, apenas um foi considerado como 'medíocre' e pode vir a deixar de exercer.

Do total de juízes inspeccionados em 2008, 91% foram avaliados com 'bom', 'bom com distinção' e 'muito bom'. Sendo que só 13% dos magistrados foram inspeccionados. Ou seja, apenas 259 dos 1932 juízes existentes em Portugal.

Como a quase totalidade dos portugueses tem uma imagem péssima da justiça é caso para nos interrogarmos sobre a essência desta avaliação, que só avalia alguns, que não está sujeita a cotas e que só encontra um "medíocre"....


António Barreto exorta o poder a dar “o exemplo”


Nas comemorações do 10 de Junho, o sociólogo António Barreto exortou hoje os diversos poderes, do político ao empresarial, a serem exemplos para o resto da sociedade portuguesa.

No discurso na sessão solene do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Europeias, o presidente da comissão organizadora das comemorações fez várias críticas a algumas opções de Estado — como a guerra colonial —, ao funcionamento das instituições e ao facto de a sociedade portuguesa ainda não ter sabido aplicar parte dos ideais com que fez a democracia.

O resto da notícia.

Legislar em causa própria


Cavaco Silva vetou a lei que aumentava os limites dos fundos privados e a entrada de "dinheiro vivo" nos partidos.
O primeiro-ministro disse que entende o veto do Presidente da República à lei do financiamento dos partidos.
Disse ainda ser «uma boa notícia» os partidos querem fazer alterações à lei de acordo com as opiniões de Cavaco Silva.

Pelo tom dos discursos percebe-se que a lei que foi aprovada pelos partidos era mesmo uma boa marosca. Algo vai mal no reino da Dinamarca... quando as leis que se fazem só podem beneficiar os seus autores....

Por que colapsou o centro-esquerda


10.06.2009, Rui Tavares, no Público

Quem olha para o mapa da Europa que saiu das eleições de domingo passado dificilmente imaginaria que ainda há dez anos, dos quinze países que a UE então tinha, quatorze eram governados por partidos socialistas e afins. Esses partidos de centro-esquerda foram os principais castigados das eleições. Ninguém de esquerda pode ir para o Parlamento Europeu de ânimo leve: o que nos espera é uma oposição dura, duríssima, numa União Europeia cada vez mais conservadora e perante uma crise que vai ser longa e pesada.
A questão é: porquê? E a resposta começa precisamente nesses anos em que os governos socialistas dominavam. As esperanças de muita gente - eu incluído - era a de que então se desse uma refundação do modelo social europeu e de que a União se democratizasse e simplificasse. E em que andavam eles ocupados nessa altura? Com o pacto a que eles mesmos chamaram "estúpido" na sua obsessão dos três por cento de défice, com um Banco Central Europeu indiferente ao desemprego, e com uma crescente burocratização e mesquinhez nas discussões europeias. O Partido Trabalhista inglês foi o precursor da "terceira via", o Partido Socialista português lá seguiu a moda.

Por muita voz grossa que agora façam eles, andavam embevecidos com as mitologias do mercado e remetiam as ideias de esquerda para umas franjas mais ou menos inócuas. Essa atitude está na raiz da crise actual. Criação de um sistema bancário sombra? Foi nos últimos anos de Clinton. Produtos tóxicos fora dos livros de contas? A União Europeia, maioritariamente socialista, estava a dormir no ponto.

Não é por as eleições europeias já terem passado que estes temas desaparecem. Ainda por cima, esta descrição abreviada aplica-se a Portugal e explica o factor relevante destas eleições para nós portugueses: a transformação do nosso panorama político acelerou--se. Onde antes tínhamos meros sinais (metodicamente anotados nesta coluna) temos agora uma dinâmica evidente e talvez inevitável que vai acabar com a bipolarização e confrontar o país com o seu pluralismo.
Aquilo que Mário Soares, Manuel Alegre e outros socialistas têm pedido aos seus líderes é uma verdadeira oposição às ideias que estão por detrás da crise. Mas em vão: isso é o que líderes como José Sócrates e Gordon Brown não estão dispostos a dar--lhes. Isso implicaria romper com o centro-direita (e eles querem apoiar Durão), reconhecer a subalternidade ideológica em que têm vivido, e implicaria confessar: "esquecemo-nos das razões por que éramos de esquerda". Da vitória de Obama nos EUA, só aprenderam o folclore; escapou--lhes a ruptura com um Partido Democrático acomodado, centrista, e sem debate - tão parecido com os partidos deles agora. Ao invés, os actuais líderes socialistas cada vez mais se refugiam na agressividade e na mania da perseguição. E assim não impedem, antes aceleram, a sangria da sua ala esquerda.
Sim, a votação no Bloco de Esquerda (e também, em parte, no PCP) é uma ilustração deste processo. Mas, registados os votos, os contadores voltam agora a zeros, que os eleitores não pertencem a ninguém. Se a esquerda, toda ela, for tão combativa quanto antidogmática, pluralista e aberta, tem agora as pessoas - mesmo as que não são de esquerda - disponíveis para ouvir as suas ideias. Enquanto o CDS discute com as sondagens de ontem e o PSD arranja tácticas dilatórias para que não se veja como estão implicados na crise, este tempo de debate é precioso.

Historiador. Deputado eleito pelo Bloco de Esquerda ao Parlamento Europeu.


09 junho, 2009

Modernices


A Presidência da República inaugurou hoje no mundo virtual Second Life o espaço 10 de Junho.

Zmar: Eco-Camping Resort (Zambujeira do Mar)


O maior e mais ecológico parque de campismo português e um dos maiores da Europa, abriu hoje ao público e com lotação esgotada para os próximos dez dias, aceitando de momento reservas apenas para chegadas a partir de dia 19.

O Zmar, situado na zona da Zambujeira do Mar (Odemira), ocupa cerca de 80 hectares de parque natural e oferece alojamentos e serviços cinco estrelas em forma de Eco-Camping Resort, o primeiro do género na Península Ibérica: tem ETAR própria, chapéus-de-sol de plástico reciclado, painéis de energia solar, painéis térmicos, isolamento acústico, etc., etc.
Os preços (por noite, por pessoa) oscilam, conforme a época, entre os €20 e €50 nos alvéolos, €100 e €220 nas Zvillas, €60 e €150 nos chalés, €30 e €85 no Hotelmóvel. De momento, as reservas encontram-se com 5% de desconto.





Os votos do nosso descontentamento


09.06.2009, José Vítor Malheiros, no Público

Uma enorme quantidade de portugueses politicamente conscientes quis mandar as eleições e os partidos à fava.


Se há alguma coisa que se pode concluir das eleições deste domingo é a extensão e a profundidade do descontentamento dos portugueses - para ficarmos apenas pelas eleições em Portugal. Descontentamento com o Governo, com o partido do Governo, com os partidos em geral, com as eleições e, provavelmente, até com a vida.

O descontentamento com o Governo e o partido no Governo é o dado que mais salta à vista e não precisa de justificação. Há uma nítida vontade de castigar o Governo e/ou o PS e/ou José Sócrates e as razões vão desde a crise financeira e o desemprego aos desastres da Justiça ou da Educação e às dúvidas sobre a lisura do comportamento de Sócrates e aos seus tiques autoritários. O mau resultado do PS não se pode ler como uma derrota pessoal do próprio Vital Moreira. Mesmo que o cabeça de lista do PS tivesse sido o/a candidato/a ideal, seria pouco provável que a empatia que pudesse despertar se sobrepusesse à antipatia que o Governo/PS/Sócrates desperta actualmente num sector maioritário dos cidadãos.
O PSD ganhou, mas, apesar de a sua vitória ser inegável, os números também não reflectem o entusiasmo que poderiam revelar - basta verificar que, em 1999, o PSD sofreu uma clamorosa derrota, apesar de ter obtido exactamente a mesma percentagem de votos que no domingo passado.
O Bloco de Esquerda mais do que duplicou os seus votos, triplicou a sua representação parlamentar e passou a ser a terceira força partidária, o que representa uma estrondosa vitória - mas seria ilusório considerar que a votação no BE destas eleições é um resultado consolidado. Há certamente aqui votos de eleitores que querem mudar e dar mais poder ao BE, mas é provável que haja aqui muito voto socialista de protesto, que quer apenas mostrar o seu descontentamento, puxar a governação europeia (e nacional) para a esquerda e que regressará ao PS na primeira oportunidade de voto útil.
O PCP (PCP-PEV para os puristas) viu a sua votação dar um salto de 70.000 votos, também numa expressiva vitória - e é provável que este crescimento se revele mais estável do que o do BE. E este é, por excelência, um voto de descontentamento com o statu quo.
O mesmo se passa com o CDS-PP, que subiu, resistindo à ameaça da força gravítica do PSD - o que diz alguma coisa do débil entusiasmo que o voto social-democrata foi capaz de suscitar fora da sua área natural.
Os pequenos partidos - apesar do entusiasmo do Movimento Esperança Portugal - revelaram-se, no conjunto, uma desilusão, sem conseguirem entusiasmar senão um número insignificante de eleitores.
Os votos em branco e nulos, por seu lado, representam um dos dados mais significativos desta eleição: nunca foram tantos (com a excepção de 1975). Houve 236.000 pessoas que se deram ao trabalho de ir votar, mas votaram em branco (164.877) ou nulo (71.151). Mesmo descontando os enganos, é ineludível que uma enorme quantidade de portugueses politicamente conscientes quis mandar as eleições e os partidos à fava. Não se pode estar muito mais descontente do que isto.
Finalmente, a abstenção recorde (a segunda mais alta desde a adesão à EU) representa se não uma recusa activa de participação política, pelo menos indiferença relativamente às escolhas ou ignorância quanto à sua utilidade - e nenhum destes cenários sugere um particular optimismo. Para além das leituras parcelares (partido a partido) que se podem fazer destas eleições, uma coisa parece evidente: os portugueses não estão contentes com o país que têm e não vêem grandes soluções para isso.

Porque é que a direita ganhou?


09.06.2009, Teresa de Sousa, no Público

1. Foi a direita que ganhou ou foi a esquerda que ruiu? Podem tirar-se ilações europeias de realidades políticas tão distintas como a alemã e a britânica, a italiana ou a francesa, a sueca ou a grega? O que é que há de comum entre Angela Merkel e David Cameron ou entre Nicolas Sarkozy e Mariano Rajoy? E o que fazer com os valores recorde da abstenção?
Interpretar as grandes tendências do voto nas eleições para o Parlamento Europeu exige alguma humildade.
António Costa Pinto, historiador, aconselha também prudência: " É preciso perceber se estamos a falar da soma das partes ou de uma tendência europeia". A vitória de Sarkozy "talvez seja melhor explicada pela conjuntura francesa". A crise do Partido Socialista francês vem de muito longe. José Luis Zapatero perdeu "porque a Espanha vive o fim de um ciclo de mais de 10 anos de crescimento contínuo". O impacte psicológico da crise é maior.
Muitos analistas europeus preferem dizer que, se há uma tendência geral, ela tem mais a ver com a queda do centro-esquerda do que com a vitória do centro-direita. "Mais do que a vitória da direita, o sinal político destas eleições parece ser o eclipse político dos socialistas", escreve o editorialista do La Stampa, Cesare Martinetti. António Vitorino, dirigente do PS, diz que "a esquerda democrática não conseguiu apresentar um perfil comum sobre a crítica da crise". Nesta medida, "e se alguma coisa se pode dizer a nível europeu, terá dado de si própria uma imagem de maior desunião política do que o PPE".
"Jack Lang disse que o Partido Socialista já não sabe como dar voz à esperança", escreve de novo o La Stampa. Para concluir que a afirmação pode generalizar-se à Europa. "A esquerda deixou de ter um horizonte político."
Problema que não é de hoje. Nasceu com a queda do Muro de Berlim e a globalização. Encontrou na "terceira via" o caminho do seu aggiornamento político. Entre 1996 e 2004, 13 dos 15 governos europeus eram liderados pelo centro-esquerda, lembra o analista francês Henri Weber.
A crise do capitalismo poderia ter-lhe dado um novo fôlego. "A esquerda foi igualmente atingida pela moda liberal e paga, também ela, o seu preço", responde à AFP Jean-Dominique Giuliani da Fundação Robert Schuman.

2. Tanto mais que não se pode dizer que houve uma resposta de esquerda e uma resposta de direita à crise económica global. "A forma como os governos responderam à crise revela muito poucas diferenças naquilo que tradicionalmente pode separar a direita da esquerda", considera Costa Pinto. Intervenção do Estado, nacionalizações, protecção ao emprego. Pode ter variado a retórica ou a filosofia política. A chanceler alemã resistiu mais ao recurso aos cofres do Estado do que o seu parceiro social-democrata de coligação. A brutalidade da crise encarregou-se de aproximar as soluções. O Presidente francês é mais proteccionista e intervencionista do que a maioria dos governos de centro-esquerda europeus. As receitas para a regulamentação dos mercados financeiros aproximam mais Gordon Brown do seu rival David Cameron do que este de Angela Merkel.
A explicação para o fracasso de uns e o sucesso de outros poderá estar naquilo que os eleitores esperam deles. Se a esquerda não lhes consegue dar um horizonte de esperança, a direita pode dar-lhes alguma segurança. É assim tradicionalmente. Pode ter sido, em parte, assim nestas eleições.
A questão da Turquia e tudo o que ela simboliza é paradigmática. "Nicolas Sarkozy e Angela Merkel fizeram da sua oposição à entrada de uma nação maioritariamente muçulmana uma das bandeiras das respectivas campanhas", escreve no Guardian Denis MacShane. O Presidente francês e o chefe do Governo de Roma não hesitaram em colocar a questão da imigração e da segurança no centro das suas campanhas. A esquerda tem maior abertura em relação à Turquia e à imigração e o seu forte não tem sido a coerência sobre a segurança.
Estas eleições decorreram também num ciclo político que reflecte o aggiornamento do centro-direita. "O segredo de 'Sarko' é ter uma imagem reformista e saber falar à direita", diz António Missiroli, do European Policy Centre de Bruxelas à AFP. Merkel é a chanceler que conciliou Leste e Oeste. Cameron o pós-thatcheriano de rosto mais humano. Só que, sinal deste tempo de incerteza, se os grandes vencedores das eleições foram os partidos anti-sistema, a extrema-direita e os populistas conseguiram capitalizar melhor o voto de protesto do que a extrema-esquerda.
A América enfrentou a crise elegendo Obama. A Europa virando à direita. Quanto a isto, pelo menos, não haverá divergências.

The day after


Depois do desaire de domingo começou a discussão interna no PS, pois Outubro está a chegar. A questão é: manter o rumo ou mudar de estratégia?

Será que o PS vai saber ler o recado que lhe foi dado no domingo?

08 junho, 2009

Michelle Brito confirmada no top-100



A tenista portuguesa Michelle Larcher de Brito figura hoje no 90.º posto do ranking mundial de ténis, após ter alcançado a terceira ronda do torneio francês Roland Garros, segundo Grand Slam da temporada.

Assaltar bancos pela Internet


Hoje em dia pode comprar-se um vírus informático, daquelas que roubam os códigos do cartão de crédito de um utilizador, por apenas mil euros. Alguém que queira causar danos no servidor de uma empresa concorrente durante uma hora, ou dedicar-se à espionagem industrial, pode comprar este tipo de serviços a partir dos 30 euros. As redes organizadas de cibercrime funcionam como as máfias clássicas, com um chefe, vários intermediários e um punhado de “mulas”. O negócio está tão bem montado que estas redes criminosas, de distribuição de software malicioso, chegam a fornecer assistência técnica por telefone e garantia pelos serviços. Se o vírus for detectado devolvem o dinheiro.

Fonte: Público

Docente suspensa por falar das aulas no Facebook


Uma professora britânica foi suspensa durante mais de dois meses por ter feito comentários na rede social Facebook sobre o comportamento dos seus alunos.

Só podem ter sido comentários muito íntímos!!!


Fonte: Sol

07 junho, 2009

Quem com ferros mata...



Ora aí está: o PS acaba de ser contemplado com uma momumental derrota nas eleições europeias, para a qual contribuiram algumas das medidas que tomou nos últimos tempos, nomeadamente em termos de classe docente.
Os professores, e seguramente grande parte dos seus familiares, tornaram-se nuns verdadeiros carrascos. A bem da democracia!

Sócrates admitiu que o resultado era “decepcionante” mas disse que o Governo ia manter rumo.

Pois que mantenha!... Em Setembro cá estaremos para a estocada final!

06 junho, 2009

"Podem sair"


05.06.2009, Carlos Fiolhais, no Público

A herança que a actual equipa do Ministério da Educação vai deixar é bem pesada.

Agora que o tempo de exames está a chegar, a pergunta "Para que servem os exames?" foi colocada pelo Guia do Estudante, distribuído com o Expresso de 29 de Maio, à dr.ª Leonor Santos, que é apelidada de "uma das maiores especialistas em avaliação das aprendizagens" e apresentada como coordenadora científica do Mestrado em Desenvolvimento Curricular na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Que resposta dá essa especialista à pergunta? Num estilo socrático (o do pensador grego, não haja confusões), responde com uma outra pergunta: "Os exames têm por função seriar. Mas até que ponto é que essa seriação permite ter alguma confiança?" Conforme o lead resume, a entrevistada "questiona, ponto por ponto, os pressupostos que sustentam a existência de exames, tal como os conhecemos actualmente". Um estudante que consulte o Guia para obter informações sobre os exames e a melhor maneira de os preparar ficará decerto confundido ao ser informado de que eles afinal não servem para nada, uma vez que não se pode confiar nos seus resultados. E, se pouca vontade tinha de estudar, fica logo sem nenhuma. Por seu lado, a política ministerial de desvalorizar os exames encontra, vinda de uma autoridade académica, uma sustentação teórica. Imagino que o referido mestrado seja frequentado por técnicos do Ministério da Educação...
O leitor benévolo poderá pensar que, embora da autoria de uma académica, se trata de uma opinião frívola de fim-de-semana. Pois nem isso. O jornalista informa-nos que a entrevistada "sentiu necessidade de impor a si própria que jamais trabalharia ao domingo. E, ao sétimo dia, aproveita para jogar golfe e tentar melhorar o seu actual handicap de 22 pancadas". Para que serve o handicap? Serve para fornecer uma seriação dos jogadores conforme o seu desempenho. Essa seriação permite medir o desenvolvimento realizado e proporciona aos jogadores metas a atingir. Fiquei a pensar se o progresso desportivo que a referida professora justamente ambiciona não terá alguma semelhança com o progresso escolar que os alunos, em geral, perseguem. E também se o treino que é absolutamente necessário para melhorar no desporto, salvaguardadas as devidas diferenças, não será comparável com o estudo que é indispensável para passar num exame.
O Ministério da Educação, com a maioria do seu pessoal formado por uma cartilha pseudopedagógica, dá a ideia de que não sabe para que servem os exames. Não existem verdadeiros exames nos primeiros nove anos de escolaridade uma vez que as chamadas provas de aferição não o são ("aferição" é eduquês puro!). Os exames finais do ensino básico, restritos a duas disciplinas e "bué" de fáceis, podem, mesmo assim, ser substituídos pela via das Novas Oportunidades, com a avaliação limitada a uma "história de vida" e, portanto, de uma banalidade escandalosa. E também os exames no final do secundário podem ser substituídos por provas para maiores de 23 anos de acesso ao ensino superior, onde a fasquia é baixa porque algumas instituições, com a corda na garganta, escancaram as portas com provas que de exame só têm o nome. Que haja alunos que ainda estudem alguma coisa não pode deixar de suscitar a nossa admiração.
A herança que a actual equipa do Ministério da Educação vai deixar é bem pesada. O pior de tudo não foi, porém, a continuada desvalorização do conhecimento, e do esforço que é preciso para o adquirir, na ilusão de disfarçar estatísticas que nos envergonham. Foi o apoucamento dos professores, que causou um dano grave na educação que vai levar anos a sarar. Para degradar o papel dos professores o ministério não se contentou com a sr.ª D. Margarida Moreira, o Magalhães e a avaliação "simplex". Também criou o Manual do Aplicador das provas de aferição, que achincalha o corpo docente de uma maneira que ultrapassa o imaginável. Os professores têm de ler aos alunos: "Podem sair." Como eu compreendo aqueles a quem apetece aplicar essa frase do Manual à equipa que escreveu e divulgou tal documento!

Obviamente


O Conselho Nacional de Educação (CNE) considera que para alargar o ensino obrigatório a 12 anos de escolaridade é necessário que o ensino básico tenha mais qualidade e seja mais exigente, assim como deve haver maior diversidade de oferta no secundário.

05 junho, 2009

Premonitório


O cabeça-de-lista do Partido Socialista ao Parlamento Europeu foi o docente menos votado nas eleições para o Conselho Científico da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Vital Moreira não recebeu nenhum voto no escrutínio de terça-feira.

Fonte: Sol

Timing


A proposta governamental de alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos será votada amanhã no Parlamento.

É oportuno relembrar que a Maria de Lurdes Rodrigues, ainda não há muito tempo, tinha considerado que não era uma decisão prioritária, nem o país estava preparado para isso. De repente, a 4 meses do final da legislatura, a medida é prioritária e o país está mais do que preparado.
Esta é mais uma bandeira. Que urge hastear!

04 junho, 2009

Campanha de trocas




Défices


"Há um défice de qualificação, de formação mas também de reconhecimento das competências que as pessoas têm e um défice de certificação de toda a formação que fizeram ao longo das suas vidas e que não contava para a certificação escolar", afirmou a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues.

Mas não parece que seja com as "Novas Oportunidades" que se dê a volta ao problema. Ou melhor, a certificação resolve-se. O resto nem por isso.

Perspectivas


Se as eleições europeias fossem hoje o PSD venceria o escrutínio, ainda que a sondagem da Marktest para a TSF e “Diário Económico” aponte para uma situação de empate técnico. Pela primeira vez os social-democratas têm uma vantagem, conquistando 32,5 por cento dos votos, contra os 29,4 do PS.

Bing ou bingo?




Acaba de chegar e chame-se Bing. É a aposta da Microsoft para destronar o Google.

http://www.bing.com/

Hackers espalham vírus com supostas fotos da queda de avião


O acidente que envolveu o voo 447 da Air France, que viajava de Rio de Janeiro a Paris e caiu perto das ilhas de Fernando de Noronha, está a ser utilizado por hackers em mensagens de spam que prometem fotos dos destroços.
A táctica é semelhante à de outros casos, em que os cibernautas recebem mensagens de e-mail que prometem fotografias e vídeos de acontecimentos trágicos ou com celebridades.
Desta vez os responsáveis afirmam que têm imagens dos destroços da aeronave, captadas por um site francês.
Na mesma mensagem é apresentado um link para uma lista das pessoas que se encontravam a bordo, que esconde malware.
Tal como em situações semelhantes, as fabricantes de anti-vírus aconselham a não abrir e apagar mensagens deste tipo enviadas por contactos desconhecidos

03 junho, 2009

Recados


“Quem tem de decidir são os deputados e mais alguém que os deputados, porque há aqui um problema de responsabilidade política dos líderes partidários”, afirmou o provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, que renunciou hoje ao cargo.

Recorde-se que está há um ano, à espera de ser substituído!

Ao que isto chegou!


O Presidente da República, Cavaco Silva, revelou hoje aos jornalistas que está a perder muito dinheiro com as poupanças que tem nos bancos e que parte delas “estão desaparecidas”.

... e o que é que nós temos a ver com isso?
Mas talvez o Dias Loureiro possa responder, não?

Ministra da Educação no Parlamento em clima de crispação


Crispação do princípio ao fim. Foi desta forma que a ministra da Educação se despediu hoje dos deputados nesta legislatura, numa audição parlamentar que serviu para fazer o balanço dos últimos quatro anos, mas em que Maria de Lurdes Rodrigues esteve sempre debaixo do fogo da oposição.

Às críticas, a ministra respondeu que a Educação está hoje melhor do que quando assumiu a pasta, com novas valências na escola, espaços requalificados e um modelo de gestão que envolve de forma mais participada outros parceiros.

O deputado do PCP Miguel Tiago acusou a ministra de responder “sempre com um chorrilho de propaganda política”, no que foi secundado pela deputada não inscrita Luísa Mesquita. A indignação de Ana Drago, do Bloco de Esquerda, levou mesmo o presidente da Comissão de Educação, António José Seguro, a fazer uma pausa nos trabalhos, após a parlamentar questionar a ministra se aceitaria de novo a pasta num futuro governo. A ministra respondeu que tinha mais respeito do que a deputada pelo sistema eleitoral e que primeiro era necessário haver eleições e contar “os votozinhos”.

O PSD também acusou a ministra de não ter respondido “a nada”, enumerando questões como o estatuto do aluno e as provas de recuperação, que classificou como um motivo “de enorme confusão nas escolas”. Para o CDS-PP, o Governo falhou na gestão das escolas. O PS considerou, por seu lado, que as reformas são irreversíveis e que escolas e autarquias têm hoje mais poder de decisão, com a “diminuição do peso do Ministério da Educação”.

A ministra anunciou, ainda, estar em preparação a introdução de um programa de formação para professores titulares, no âmbito da formação contínua dos docentes.
"Aquilo que existe é um trabalho que tem vindo a ser feito há muitos meses com o Conselho Científico (para a Avaliação dos Professores), com a equipa do gabinete do secretário de Estado e até com a equipa que prepara e acompanha as negociações no sentido de se introduzir um programa de formação de professores titulares", disse.

"É uma matéria na qual estamos a trabalhar, mas isso não significa que os professores são incompetentes. Essa conclusão não se pode retirar", declarou a ministra, frisando que a formação contínua existe porque os professores precisam de actualizar conhecimentos, informação e competências. "É por isso que existe toda uma estrutura para a formação contínua de professores, é por isso que existe uma linha de financiamento para essa área de intervenção", disse a governante, sublinhando que estão em causa os professores com mais experiência.

Perante os deputados e fortes críticas da oposição, Maria de Lurdes Rodrigues afirmou que as reformas que se fizeram na Educação correspondem a uma melhoria da escola em muitas vertentes: das refeições ao aumento da Acção Social Escolar, passando pelas actividades de enriquecimento curricular e as novas tecnologias, como o computador Magalhães.


Quase que apetece o escárnio: foi o adeus da virgem...

01 junho, 2009

SERRALVES 2009 - "A Colecção"




De 30 Mai a 27 Set 2009

Esta exposição da Colecção da Fundação de Serralves apresentará um balanço do trabalho desenvolvido com o acervo ao longo desta última década. Ocupando todo o Museu e o Parque, esta exposição irá apresentar obras maiores, representativas quer do núcleo histórico da Colecção (abrangente das décadas de 60 e de 70) quer das constelações de artistas identificáveis no acervo desde a década de 80 até à actualidade. Esta exposição será um importante momento onde se tornará visível o programa da colecção, assim como as incorporações recentemente efectuadas, que serão mostradas ao público pela primeira vez.

"Vivemos uma democracia de audiência"


Portugal tem uma sociedade civil anestesiada, os partidos estão longe do povo e as suas direcções controlam a constituição das listas eleitorais, cujo processo é o jardim secreto da política, diz Conceição Pequito

O sistema político português está bloqueado e uma larga maioria dos cidadãos deixou de se reconhecer nos partidos políticos existentes, que funcionam de forma oligárquica e sonegaram a soberania popular, que lhes é delegada pelo voto e que deveriam representar. Este diagnóstico é a conclusão que ressalta da obra O Povo Semi-Soberano. Partidos Políticos e Recrutamento Parlamentar em Portugal, que identifica e analisa as especificidades portuguesas da crise dos sistemas políticos representativos.
"Vivemos uma democracia de audiência, feita de comunicação social, sondagens e líderes, em que há uma espécie de sondocracia, de videocracia e de lidercracia", resume Conceição Pequito, explicando as novas condições em que é exercida a política: "As sondagens funcionam como um escrutínio permanente ao eleitorado e é desse escrutínio que saem as ofertas políticas que os partidos direccionam, como produtos no mercado, para rentabilizar votos. Depois há a questão da videocracia, com o peso da comunicação social, que personaliza, por sua vez, os líderes. Tudo isto se vai afunilando, até que torna a sociedade civil claustrofóbica".
Esta situação é geral, mas Conceição Pequito considera que "nos outros países é menos preocupante, porque há sociedade civil". E explica que "nas democracias consolidadas a crise dos partidos tem sido compensada com o alargamento do repertório das formas de participação política, que reforça a participação na representação".
Mas em Portugal "a componente participativa só começa a existir com a introdução do referendo na Constituição em 1997". A democracia nasceu "com uma componente de democracia participativa nula, a que há é recente e os cidadãos não se mostraram receptivos. Até à data, não tem corrido muito bem". E lembra a história dos referendos e a altíssima abstenção que os tornou não-vinculativos.
"Envelhecimento precoce"
As "tendências transversais" a todos os sistemas políticos europeus são agravadas em Portugal pelo facto de ser "uma democracia demasiado jovem, mas com traços de envelhecimento precoce". Conceição Pequito considera que "é preocupante" que o sistema político português esteja "a dar saltos qualitativos para limitações do sistema democrático consolidado, mas em fase precoce". Ou seja, a sociedade está distanciada dos partidos e o povo não se sente neles representado.
Apontando as causas da especificidade portuguesa, Conceição Pequito refere em primeiro lugar a "democratização tardia", que fez com que os partidos políticos fossem "criados de cima para baixo nessa altura ou próximo, "à excepção do PCP, que existe desde 1921 com um longo passado de clandestinidade". Ora, prossegue esta investigadora, o processo é assim inverso ao dos partidos europeus que "nascem para dar voz a grupos ou classes sociais pré-existentes, para politizar clivagens que existem na sociedade, são na esfera institucional uma espécie de correia de transmissão do tecido social".
Em Portugal, "os partidos são autores e actores da democracia, todo o sistema é feito pelos partidos", vão para o Governo, vão para o Parlamento, vão para o poder local e, "só depois de instalados na esfera institucional, vão à procura da representação popular", em meados dos anos 80.
Exemplo é a ligação que os dois maiores partidos têm com as organizações sindicais ou patronais. "O PCP entra na CGTP e o PSD e o PS ficam ali dois anos hesitantes para criar um movimento representativo dos trabalhadores para responder ao avanço do PCP", lembra, prosseguindo: "E tiveram de concordar numa criação conjunta da UGT, porque a UGT é uma espécie de prestação de serviços; quando o PSD está no Governo, presta-se a assinar os acordos, e com o PS o mesmo".
Recorda o facto de "o PS e o PSD nascerem já como partidos de eleitores" que pretendem acesso ao poder, fazendo-o com a conquista do voto e através de um apelo transversal, "procurando não estar muito à esquerda, não estar muito à direita, estar ao centro". Daí "falar-se de bloco central de interesses, quando se fala da partilha dos despojos do poder político entre o PS e o PSD", o que, "ao nível da sociedade, teve um efeito perverso, que foi situar o eleitorado muito ao centro, o eleitorado moderado que está mais disponível para um discurso mais ambíguo, mais definido por factores de curto prazo como sejam a situação económica o desempenho do Governo, o apelo carismático do líder".
A segunda especificidade portuguesa é que os partidos foram também criados "em torno das figuras dos líderes e cada saída de um líder dá quase uma crise de sucessão e de perda de eleitorado e de descaracterização", o que "mostra a fragilidade, como os partidos acabam por ser quase sinónimo dos líderes conjunturais e não instituições com implantação social e ideologia sólida". Alem disso, os partidos portugueses nascem "em época mediática" e a "mediatização da política junta-se à personalização, são fenómenos que se alimentam mutuamente". E Conceição Pequito pergunta: "Quando o que interessa é o líder e os dirigentes de topo e o palco é a TV, os partidos servem para quê?"
Há uma outra particularidade portuguesa que é "um funcionalismo público partidarizado", o que, aliás, é tradição da história portuguesa e não uma particularidade da democracia pós-25 de Abril. "Há os despojos de partido, há um clientelismo partidário e estatal que dá a possibilidade de colocar pessoal no aparelho de Estado", afirma Conceição Pequito, acrescentando que Portugal "não é como a Inglaterra, que tem um serviço público autónomo da classe política".

O Povo Semi-Soberano. Partidos Políticos e Recrutamento Parlamentar em Portugal, publicada pelas Edições Almedina, divulga para o grande público a tese de doutoramento em Ciência Política defendida em 2008 por Maria da Conceição Pequito Teixeira. Esta investigadora de 37 anos é professora de Ciência Política do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa e da Universidade Aberta. A tese foi elaborada sob orientação de Adriano Moreira, professor catedrático jubilado, ex-ministro da Educação e do Ultramar de Salazar e antigo líder do CDS, que, aliás, é autor do prefácio. O co-orientador foi Julían Santamaria Ossorio, director do Departamento de Ciência Política na Universidade Complutense de Madrid.

Fonte: Público

31 maio, 2009

A marcha de Maio e o voto de Junho


31.05.2009, Nuno Pacheco, no Público

José Sócrates faz o que julga competir-lhe: encosta a marcha dos professores aos apetites da oposição por mais votos nas eleições. Mas quem veio de novo à rua em protesto sabe que a realidade é bem mais amarga e está a deixar marcas profundas

A uma semana do voto nas eleições para o Parlamento Europeu, é muito difícil dissociar a manifestação de ontem, que voltou a trazer à rua muitos milhares de professores (80 mil, segundo os sindicatos, 50 a 55 mil segundo a PSP), das disputas políticas próprias do momento. E foi o que fez, aliás, José Sócrates, quando, ao discursar em Braga, num comício do PS, ao mesmo tempo que os professores marchavam em Lisboa, afirmou que viu por lá (nas imagens que a televisão mostrou) "vários dirigentes partidários". A conclusão, óbvia, é a de que os professores se terão posto ao serviço da oposição ou, invertendo a lógica, que a oposição se tinha colado ao seu descontentamento. Quem acompanhou este desgastante processo desde o início, ou seja, desde Janeiro de 2008, saberá que a alegada instrumentalização partidária dos professores, embora conveniente ao discurso governamental em tempo de voto, não passa de demagogia. A manifestação dos 120 mil, a 8 de Novembro do ano passado, não tinha nenhumas eleições por perto e teve uma participação-recorde. Esta, fique-se pelos 60 ou 80 mil participantes reais, é, ainda assim, reveladora de um mal-estar que não sarou e que contaminou, nestes longos e difíceis meses, o ambiente nas escolas, a relação entre a tutela e os professores e entre estes últimos e os alunos. O número de reformas antecipadas (cinco mil, num ano) e, sobretudo, a caracterização dessas baixas (estão a sair muitos professores de entre os mais qualificados, como tem sido noticiado) mostram que só por visão estreita ou descaramento político se pode afirmar que temos, hoje, "uma melhor educação".

Mas foi o que fez, ontem, o primeiro-ministro, em Braga. Secundado pela ministra da Educação, que acrescentou que a reforma está ganha. Só se for a reforma, por desânimo, de quem já não suporta o estado a que se chegou. Como a professora que, ontem, se queixava nestas páginas de "cada vez mais burocracia, cada vez mais leis sem sentido, cada vez mais limites à criatividade e autonomia". Por isso retirou-se, aos 54 anos, com 34 anos de trabalho. José Gil, na entrevista publicada ontem (e que pode ainda ser lida em www.publico.pt) dizia que o Governo quis, com este sistema de avaliação, "matar dois coelhos": reduzir despesas e pessoal e levar ao afastamento dos professores com menores qualificações, "os que não eram bons". O efeito, contudo, está a ser o inverso, como ele próprio, professor e filósofo, constata: "Muitos dos que eram bons é que saíram. Porquê? Não aguentam. E o que é que eles não aguentam? Não aguentam não poder ensinar, não aguentam não poder ter uma relação em que precisamente se construa um grupo em que o professor age, em aprender ensinando." A avaliação, que ele defende, vê-a a decorrer dos conteúdos e não o contrário, como na prática determina a "reforma" em curso, que menoriza o ensino e valoriza a burocracia. A curiosidade do aluno desaparece, diz José Gil, e, no lugar dela, "aparecem as arrogâncias da ignorância, que é o pior que há." Neste estado de coisas, o que menos interessa é saber se de tais manifestações haverá aproveitamento político. Porque da herança do Governo na educação já há um aproveitamento. Que é péssimo e está à vista de todos.

A "revolução" na educação






A união dos professores merece ser avaliada



Fonte: DN

A greve de quarta-feira fracassara e o momento escolhido para a manifestação era arriscado. O fim de ano lectivo e o período de exames eram, só por si, factores que podiam demover os professores de participarem no protesto. Depois, sendo sábado, implicava a concessão de um dia de descanso e, ainda por cima, com as temperaturas a convidarem muito para a praia, a esplanada, e muito pouco a uma marcha lenta sob um calor acima de 30 graus centígrados.

É por tudo isto que o número de manifestantes que ontem percorreram a Avenida da Liberdade - cerca de 70 mil - não só acaba por surpreender um pouco, como se trata de um sinal de união forte que o Governo deve saber interpretar.

Não está em causa a aplicação da reforma promovida por Maria de Lurdes Rodrigues, que todos, incluindo os sindicatos, já reconheceram ser globalmente positiva para o nosso ensino. Trata-se apenas de reflectir sobre o que significa a mobilização de tantos manifestantes, alguns dos quais garantem, inclusive, estar a produzir a avaliação imposta pelo Ministério da Educação, e continuar a procurar uma base de entendimento sólida com uma classe profissional tão importante para o futuro de qualquer nação, como é a dos professores.

Procura que tem de passar também pelos sindicatos, os quais não devem usar a dimensão da mobilização para tentarem desenterrar alguns radicalismos que os próprios professores já deram sinais de reprovar. E, muito menos, usarem o descontentamento dos professores para fazer campanha política. Mário Nogueira, no entanto, voltou a fazê-lo ontem, demonstrando mais uma vez que os seus interesses estão muito para além do Estatuto da Carreira e da avaliação de desempenho.

Um comportamento reprovável e que prejudica os professores nas negociações com o Governo.



Correio da Manhã:
80 mil chumbam política da ministra
Cerca de 80 mil professores, metade da classe docente, de todo o País, manifestaram-se ontem em Lisboa. Durante duas horas, a avenida da Liberdade, entre o Marquês de Pombal e os Restauradores, voltou a encher-se de docentes, insatisfeitos com as políticas educativas.

Imagens da manif



30 maio, 2009

Filósofo José Gil diz que o Ministério da Educação “virou todos contra todos”


PÚBLICO - No seu último livro apresenta o “homem avaliado” como sendo a “figura social do século XXI”. Trata-se de facto de uma alteração radical? Ser-se avaliado não é propriamente uma novidade destes tempos.
José Gil - Estamos a falar de uma situação generalizada na sociedade dita da modernização. Não é só em Portugal, é em toda a Europa. Não há duvida que não pode haver aprendizagem sem haver avaliação e que toda a aprendizagem, a mais arcaica que se conheça, a aprendizagem do discípulo que tinha um mestre na Renascença, na pintura, ou na Índia com um yogui que ensinava um discípulo. Em todas essas práticas há avaliação. Quer dizer a avaliação é inerente, necessária, à própria aprendizagem.

O resto da entrevista

É hoje!







29 maio, 2009

A queda de um senhor do Universo


29.05.2009, José Miguel Júdice, no Público

O wonder kid do cavaquismo, que exprimiu de modo sublime a epopeia from rags to riches, acabou politicamente

A renúncia de Dias Loureiro ao lugar de conselheiro de Estado foi um acto muito mal coreografado, que demonstra como pode ficar "enferrujado" um político de excepção após alguns anos sem praticar o ofício. De facto, se me tivessem perguntado qual era o pior momento para esta renúncia, não teria dúvida em dizer que seria após a (previsível, e aliás prevista por Loureiro) presença de Oliveira Costa na Assembleia da República para abrir o saco, e em plena campanha eleitoral (prejudicando o PSD, ainda que a este partido nenhuma culpa possa ser atribuída).
Em minha opinião, o melhor momento deveria ter sido após Cavaco Silva lhe ter afirmado a confiança. Se nesse momento renunciasse, sempre poderia afirmar que o fazia, apesar da (inequívoca) expressão presidencial, como um elegante gesto para lhe evitar hipotéticos incómodos. Chego a admitir que havia da parte do Presidente uma subtil sugestão, talvez não percebida. Também não estaria mal se tivesse renunciado logo após as primeiras imputações, com a clássica afirmação de que o faria para se poder defender melhor. Ou que o fizesse quando, sem sensatez (incompreensível num homem que geria a comunicação com enorme maestria), foi explicar-se e defender-se à RTP: se renunciasse em cima do programa marcaria pontos, pelo menos no plano mediático, e poderia beneficiar da lógica do "coitadinho", tão cara à generosa e lacrimejante alma portuguesa.
Nada do que atrás escrevo é original. Como dizer que ele se presume inocente e até que pode não ter cometido nenhum crime. Só que não há ninguém - mesmo os que afirmam ser seus amigos - que não afirme, pelo menos, que ele cometeu erros de julgamento muito graves. Agora, como se diz no Brasil, Inês é morta. Dias Loureiro, o wonder kid do cavaquismo, alguém que exprimiu de modo sublime a epopeia from rags to riches em que se realçaram alguns como Duarte Lima ou o próprio Oliveira Costa, acabou politicamente. E isso é que talvez mereça alguma reflexão adicional.
Tenho estigmatizado a forma pelintra e miserabilista como são remunerados os políticos; tenho realçado que nada justifica que se censure um quadro político que, tendo chegado aos pináculos da fama, faça a transição para a vida empresarial; não me canso de criticar a presunção pública, mais ou menos iniludível, de falta de seriedade e de ética quando ex-políticos ganham dinheiro (ainda que em negócios especulativos ou que são viabilizados apenas devido a contactos que se mantiveram após a saída do poder). Nunca estive nesse mundo, nunca fiz esses negócios, nunca ganhei dinheiro que não fosse com trabalho árduo.
Penso, por tudo isso ter legitimidade para olhar para este fenómeno de um ponto de vista sociológico, dir-se-á. Para concluir que, com a desgraça de Dias Loureiro, acabou simbolicamente uma época, o tempo do cavaquismo. Então, à sombra do rigor ético de Cavaco Silva, assistiu-se a um acumular súbito de riqueza, a um conjunto de oportunidades para quadros dirigentes da máquina do Estado e a um conúbio entre poder político e poder económico, como não tenho memória de presenciar nem provavelmente voltarei a conhecer.
Estas pessoas, de um modo geral, chegaram ao exercício da política sem grandes recursos, que não fosse o sentido de oportunidade, a inteligência prática, a determinação de parvenus, a dedicação de ambiciosos, a resistência à fadiga, o facto de pouco ou nada terem a perder. Em parte à sombra de Cavaco, mas também muito por mérito próprio, tiveram um sucesso para além de tudo o que poderiam imaginar. E tiveram sorte: a cornucópia de fundos comunitários, os novos grupos económicos (à procura de contactos, de acessos, de respeitabilidade), as privatizações, a acumulação de riqueza na bolsa, tudo isto - numa época de media menos enervados com falta de vendas e, por isso, que os não sujeitavam a escrutínio - abriu portas e futuros insuspeitados.
Na fase formativa da sua vida política, de um modo geral jovens, vindos de cidades de província, provaram o fruto encantatório e embriagante do poder e de tudo o que a ele se liga. Ganharam eleições, destruíram oposições, comandaram legiões, conspiraram, foram recebidos nos salões da alta burguesia e nos "montes" da velha aristocracia, acreditaram que Portugal mudara, que era um país novo e diferente e que eles estavam destinados - ungidos pela deusa da Oportunidade ou bafejados pela deusa da Fortuna - a ser a nova elite que se perpetuaria no poder e nos poderes.
Para sua protecção faltou-lhes algum cinismo, algum pessimismo histórico, alguma formação cultural. Acreditaram que era só mérito o que - sendo-o, sem dúvida - foi sobretudo acaso, sorte, conjugação de factores favoráveis. Ficaram arrogantes, auto-suficientes, vingativos. Lembro-me de um que, perante algumas notícias que lhe desagradaram no Semanário, a cujo Conselho de Administração eu presidia, me espetou o dedo ameaçador: ainda hoje sorrio, com a ternura que o tempo nos dá quando o medo dos poderosos não esteja imbuído nos nossos genes.
O grande erro - o principal erro - de Dias Loureiro foi essa arrogância de predestinado, essa convicção de quem se habituou a ser um "Senhor do Universo". Como há dias o seu amigo Luís Delgado explicou, referindo-se à sua primeira audição na Assembleia da República, chegou lá sem uma nota, sem um papel, desleixadamente, sem preparação, pois no fundo da sua alma sabia que iria sair vencedor daquela maçada, devido à sua experiência, à sua inteligência, ao seu poder e até ao seu spleen.
Não foi assim. Já não podia ser assim. Mesmo os eternos vencedores acabam por perder. Ficam melhores depois disso, mas essa é outra história. Mas escolher Loureiro para o Conselho de Estado foi já um erro de Cavaco. A melhor forma de o corrigir, fica a sugestão, é nomear Fernando Nogueira.

Quase metade das escolas vai falhar o prazo para eleger directores


Afinal... era como tinhamos supeitado.
Conforme comprova o Público de hoje: "Mais de 500 agrupamentos abriram o concurso demasiado tarde. E muitos ainda nem sequer o fizeram".

Portanto, aquela história de a Ministra vir dizer que foram só 4 ou 5 escolas que não cumpriram o prazo... é uma grande tanga.

A maior exposição de arte contemporânea em Portugal


A Fundação de Serralves inaugura hoje a primeira parte da exposição “A Colecção”, que pretende ser a maior mostra de arte contemporânea de sempre.

“Será, sem dúvida, a maior exposição de arte contemporânea nacional ou internacional alguma vez feita em Portugal”, disse à Lusa o presidente da Fundação de Serralves, António Gomes de Pinto.

A Fundação de Serralves apresenta pela primeira vez uma exposição que contempla uma colecção de obras de arte recolhida ao longo dos dez anos de existência do Museu.

A exposição é o principal evento das comemorações do seu décimo aniversário, em conjunto com o vigésimo aniversário da Fundação de Serralves.

Serralves em Festa nos dias 30 e 31 de Maio.


28 maio, 2009

O PTE é que está a dar!


Uma comitiva de cerca de 20 autarcas suecos visita amanhã duas escolas de Lisboa para conhecer os projectos integrados no Plano Tecnológico da Educação (PTE) e perceber a utilização do computador Magalhães na sala de aula.

Fonte do PTE disse à Agência Lusa que a delegação começa por visitar uma escola do primeiro ciclo do ensino básico para perceber os mecanismos do programa "e-escolinha", bem como a utilização do computador Magalhães pelos alunos e professores em sala de aula.

Depois, os autarcas, que pediram a visita, seguem para a Escola Secundária D. Dinis para conhecer outros projectos do Plano Tecnológico da Educação (PTE), o seu funcionamento, implementação, metodologias e investimento realizado.


"Quatro ou cinco escolas" não cumprirão prazo


A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, disse hoje que "quatro ou cinco escolas" não vão cumprir o prazo de eleição dos respectivos directores, que termina a 31 de Maio.

"Há quatro, cinco escolas em que não apareceram candidaturas ou que houve problemas de outra natureza, em que os concursos abertos acabaram por não ter resultados positivos, mas são quatro ou cinco escolas, não mais do que isso em todo o país", afirmou, à margem da tomada de posse da nova directora do Agrupamento de Escolas Gualdim Pais.

Os números parecem parcos. A ver vamos...

Obviamente, demita-se!


Manuel Dias Loureiro recusou hoje a ideia de que renunciou ao cargo de conselheiro de Estado devido às acusações que lhe foram ontem feitas pelo ex-presidente do BPN, José Oliveira e Costa, no Parlamento. O ex-ministro da Administração Interna de Cavaco Silva afirmou que esta era uma decisão que já andava a amadurecer há 15 dias e decorre "da ideia que estava a passar [para a opinião pública] de que o Conselho de Estado me estava a proteger".

É preciso ter lata!!!!

27 maio, 2009

Governo avança com fibra óptica para 136 concelhos rurais


Foi lançado ontem o concurso para a criação de redes de fibra óptica no Centro do País.
É o primeiro de cinco concursos que o Governo vai lançar para levar fibra a 136 concelhos.

Agora é que se vai navegar a sério!!!!!

Zangam-se as comadres...


Manuel Dias Loureiro, ex-ministro da Administração Interna de Cavaco Silva e membro do Conselho de Estado, mente quando diz que foi ao Banco de Portugal para se queixar da gestão de Oliveira Costa.
A afirmação partiu do ex-presidente do grupo SLN/BPN, José Oliveira Costa que adiantou que quem fala verdade é o ex-vice-governador do BdP. "A verdade está com António Marta", assegurou ontem o antigo presidente do BPN aos deputados da comissão de inquérito. Quando foi ouvido pelos deputados, Marta explicou-lhes que na reunião com Dias Loureiro este foi queixar-se de o Banco de Portugal estar "sempre em cima" do BPN e não manifestar preocupação com a gestão do banco.

Mais um coelho da cartola


Depois de ter "descoberto" a "revolução" na educação, o cabeça de lista do PS, Vital Moreira, admitiu a possibilidade de criar um imposto europeu sobre transacções financeiras, ou, em alternativa, de proceder à transferência de fatias suplementares dos orçamentos nacional.

É só achas para a fogueira...que o vai consumindo em lume brando...

26 maio, 2009

Encontramo-nos Sábado




1) Este governo desfigurou a escola pública. O modelo de avaliação docente que tentou implementar é uma fraude que só prejudica alunos, pais e professores. Partir a carreira docente em duas, de uma forma arbitrária e injusta, só teve uma motivação economicista, e promove o individualismo em vez do trabalho em equipa. A imposição dos directores burocratiza o ensino e diminui a democracia. Em nome da pacificação das escolas e de um ensino de qualidade, é urgente revogar estas medidas.

2) Os professores e as professoras já mostraram que recusam estas políticas. 8 de Março, 8 de Novembro, 15 de Novembro, duas greves massivas, são momentos que não se esquecem e que despertaram o país. Os professores e as professoras deixaram bem claro que não se deixam intimidar e que não sacrificam a qualidade da escola pública.

3) Num momento de eleições, em que se debatem as escolhas para o país e para a Europa, em que todos devem assumir os seus compromissos, os professores têm uma palavra a dizer. O governo quis cantar vitória mas é a educação que está a perder. Os professores e as professoras não aceitam a arrogância e não desistem desta luta: sair à rua em força é arriscar um futuro diferente. Saír à rua, todos juntos outra vez, é o que teme o governo e é do que a escola pública precisa. Por isso, encontramo-nos no próximo sábado.


Texto com a chancela de vários bloguistas, em trânsito na blogosfera.

A "revolução" na educação


O cabeça de lista do PS às europeias, Vital Moreira, defendeu hoje a ideia de que está em curso uma "revolução" no ensino e na formação profissional em Portugal, que atinge sobretudo as regiões do interior.

Vital Moreira falava no final de uma visita à Escola Básica Paulo Quintela de Bragança, o primeiro ponto de campanha do PS em Trás-os-Montes.

Por sua vez o cabeça-de-lista do PSD às eleições europeias, Paulo Rangel, afirmou hoje que se há uma revolução em curso na educação em Portugal, então o país está a atravessar há ano e meio o "período do terror".


Plataforma Sindical dos Professores espera "grande manifestação" no sábado


O porta-voz da Plataforma Sindical dos Professores, Mário Nogueira, disse hoje esperar "uma grande manifestação" no sábado em Lisboa, considerando que "há razões fortíssimas" para o protesto.

"Esperamos uma grande manifestação ou não a teríamos convocado para o Marquês de Pombal, para descer até aos Restauradores. Serão dezenas de milhares de professores. Há inúmeros autocarros" já organizados para transportar os professores até Lisboa, disse Mário Nogueira aos jornalistas.

25 maio, 2009

Clickjacking é o novo perigo da Internet


Depois dos trojans e outros códigos maliciosos, a tendência do momento é o clickjacking. Ainda não há correcções definitivas para este problema.

O responsável tecnológico da Whitehat Security, Jeremiah Grossman, explicou à Cnet o funcionamento do clickjacking. O utilizador nem se apercebe, mas todos os seus cliques na Internet podem estar a ser monitorizados por um atacante.

Numa demonstração, Grossman explicou como é simples a um atacante espiar todos os movimentos de um utilizador, recorrendo ao Flash para ligar a sua webcam, sem que este se aperceba.

O atacante cria uma iFrame que coloca no site que pretende atacar. Esse código não é perceptível ao utilizador e é inserido numa parte do site. O utilizador pode estar a clicar em “comprar”, em vez de “cancelar”, se for isso que o atacante tiver escrito no código (o hacker programa os códigos precisamente com o objectivo de ludibriar os utilizadores).

Até agora, há pouco a fazer para evitar este tipo de ataques. As páginas que estiverem optimizadas para Internet Explorer 8 podem não correr estes códigos, mas Grossman adverte que os utilizadores ddo browser da Microsoft devem ter o JavaScript desactivado. No caso do Firefox, basta instalar o add on NoScript, para que se bloqueie o código iFrame.

Fonte: Exame Informática.

O património dos candidatos à europa


Sob o título "Rangel é quem ganha mais e Melo é o mais rico" o DN noticia :
Cabeça de lista do PSD é quem aufere mais rendimentos entre os candidatos às Europeias, enquanto Nuno Melo tem a garagem mais valiosa. À esquerda, Miguel Portas não declara qualquer bem patrimonial e Ilda Figueiredo é a única com segunda casa. Os rendimentos de Vital Moreira não são públicos, mas o DN apurou que este é proprietário de três apartamentos.

Movimentos independentes de professores associam-se à manifestação nacional


O Movimento para a Mobilização e Unidade dos Professores (MUP) e a Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE) juntam-se à manifestação nacional do próximo sábado “contra as políticas de um ministério e de um Governo que tudo fizeram para desprestigiar e humilhar a profissão docente”, mas dizem que “esta forma de luta de pouco valerá se não for integrada num plano mais vasto, coerente e determinado”.

Chegou, viu e venceu


João Salaviza acaba de receber em Cannes, a Palma de Ouro da curta-metragem.
John Boorman, o presidente do júri das curtas, disse que "Arena" anuncia a "emergência de um talento cinematográfico".
A sua curta-metragem venceu o Grande Prémio da competição de curtas-metragens, lançando para o centro das atenções a obra deste jovem realizador de 25 anos, ainda estudante de cinema no Conservatório.

"Eu sabia que queria fazer filmes. Agora sei que há outros que querem que eu faça filmes"

24 maio, 2009

Aplicadores


24.05.2009, António Barreto, no Público

Todos sentem que o ano foi em grande parte perdido. Pior: todos sabem que a escola está, hoje, pior do que há um ano.

A publicação, pelo Ministério da Educação, do Manual de Aplicadores não passou despercebida. Vários comentadores se referiram já a essa tão insigne peça de gestão escolar e de fino sentido pedagógico. Trata-se de um compêndio de regras que os professores devem aplicar nas salas onde se desenrolam as provas de aferição de Português e Matemática. Mais precisos e pormenorizados do que o manual de instruções de uma máquina de lavar a roupa. Mais rígidos do que o regimento de disciplina militar, estes manuais não são novidade. Podem consultar-se os dos últimos quatro anos. São essencialmente iguais e revelam a mesma paranóia controladora: a pretensão de regulamentar minuciosamente o que se diz e faz na sala durante as provas.

Alguns exemplos denotam a qualidade deste manual: "Não procure decorar as instruções ou interpretá-las, mas antes lê-las exactamente como lhe são apresentadas ao longo deste manual." "Continue a leitura em voz alta: Passo agora a ler os cuidados a terem ao longo da prova. (...) Estou a ser claro(a)? Querem fazer alguma pergunta?" "Leia em voz alta: Agora vou distribuir as provas. Deixem as provas com as capas para baixo, até que eu diga que as voltem." "Leia em voz alta: A primeira parte da prova termina quando encontrarem uma página a dizer PÁRA AQUI! Quando chegarem a esta página, não podem voltar a folha; durante a segunda parte, não podem responder a perguntas a que não responderam na primeira parte. Querem perguntar alguma coisa? Fui claro(a)?" Além destas preciosas recomendações, há dezenas de observações repetidas sobre os apara-lápis, as canetas, o papel de rascunho, as janelas e as portas da sala. Tal como um GPS ("Saia na saída"), o manual do aplicador não se esquece de recomendar ao professor que leia em voz alta: "Escrevam o vosso nome no espaço dedicado ao nome." Finalmente: "Mande sair os alunos, lendo em voz alta: Podem sair. Obrigado(a) pela vossa colaboração"!
A leitura destes manuais não deixa espaço para muitas conclusões. Talvez só duas. A primeira: os professores são atrasados mentais e incompetentes. Por isso deve o esclarecido ministério prever todos os passos, escrever o guião do que se diz, reduzir a zero quaisquer iniciativas dos professores, normalizar os procedimentos e evitar que profissionais tão incapazes tenham ideias. A segunda: a linha geral do ministério, a sua política e a sua estratégia estão inteiras e explícitas nestes manuais. Trata os professores como se fossem imaturos e aldrabões. Pretende reduzi-los a agentes automáticos. Não admite a autonomia. Abomina a iniciativa e a responsabilidade. Cria um clima de suspeição. Obriga os professores a comportarem-se como robôs.
A ser verdadeira a primeira hipótese, não se percebe por que razão aquelas pessoas são professores. Deveriam exercer outras profissões. Mesmo com cinco, dez ou 20 anos de experiência, estes professores são pessoas de baixa moral, de reduzidas capacidades intelectuais e de nula aptidão profissional. O ministério, que os contratou, é responsável por uma selecção desastrada. Não tem desculpa.
Se a segunda for verdade, o ministério revela a sua real natureza. Tem uma concepção centralizadora e dirigista da educação e da sociedade. Entende sem hesitação gerir directamente milhares de escolas. Considera os professores imbecis e simulados. Pretende que os professores sejam funcionários obedientes e destituídos de personalidade. Está disposto a tudo para estabelecer uma norma burocrática, mais ou menos "taylorista", mais ou menos militarizada, que dite os comportamentos dos docentes.

Oano lectivo chega ao fim. Ouvem-se gritos e suspiros. Do lado, do ministério, festeja-se a "vitória". Parece que, segundo Walter Lemos, 75 por cento dos professores cumpriram as directivas sobre a avaliação. Outras fontes oficiais dizem que foram 57. Ainda pelas bandas da 5 de Outubro, comemora-se o grande "êxito": as notas em Matemática e Português nunca foram tão boas. Do lado dos professores, celebra-se também a "vitória". Nunca se viram manifestações tão grandes. Nunca a mobilização dos professores foi tão impressionante como este ano. Cá fora, na vida e na sociedade, perguntamo-nos: "vitória" de quem? Sobre quê? Contra quem? Esta ideia de que a educação está em guerra e há lugar para vitórias entristece e desmoraliza. Chegou-se a um ponto em que já quase não interessa saber quem tem razão. Todos têm uma parte e todos têm falta de alguma. A situação criada é a de um desastre ecológico. Serão precisos anos ou décadas para reparar os estragos. Só uma nova geração poderá sentir-se em paz consigo, com os outros e com as escolas.

Olhemos para as imagens na televisão e nos jornais. Visitemos algumas escolas. Ouçamos os professores. Conversemos com os pais. Falemos com os estudantes. Toda a gente está cansada. A ministra e os dirigentes do ministério também. Os responsáveis governamentais já só têm uma ideia em mente: persistir, mesmo que seja no erro, e esperar sofridamente pelas eleições. Os professores procuram soluções para a desmoralização. Uns pedem a reforma ou tentam mudar de profissão. Outros solicitam transferência para novas escolas, na esperança de que uma mudança qualquer engane a angústia. Há muitos professores para quem o início de um dia de aulas é um momento de pura ansiedade. Foram milhares de horas perdidas em reuniões. Quilómetros de caminho para as manifestações. Dias passados a preencher formulários absurdos. Foram semanas ocupadas a ler directivas e despachos redigidos por déspotas loucos. Pais inquietos, mas sem meios de intervenção, lêem todos os dias notícias sobre as escolas transformadas em terrenos de batalha. Há alunos que ameaçam ou agridem os professores. E há docentes que batem em alunos. Como existem estudantes que gravam ou fotografam as aulas para poderem denunciar o que lá se passa. O ministério fez tudo o que podia para virar a opinião pública contra os professores. Os administradores regionais de Educação não distinguem as suas funções das dos informadores. As autarquias deixaram de se preocupar com as escolas dos seus munícipes porque são impotentes: não sabem e não têm meios. Todos estão exaustos. Todos sentem que o ano foi em grande parte perdido. Pior: todos sabem que a escola está, hoje, pior do que há um ano.

23 maio, 2009

Delação na sala de aula


23.05.2009, Manuel Carvalho, no Público

O episódio de Espinho é mais uma peça de um puzzle que gradual e paulatinamente vai corroendo o amor-próprio e a personalidade da docência

Numa semana, os professores recebem um manual de instruções para conduzir as provas de aferição que os coloca uns furos abaixo da indigência mental; na outra, ficam a saber que uma aluna pode gravar clandestinamente o que se passa na sala de aula e usar o material ilegalmente obtido como prova de inaptidão para o exercício das suas funções. Depois de dois anos de uma terrível guerra de nervos iniciada com o estatuto e aprofundada pela avaliação, os professores, principalmente do ensino público, têm cada vez mais estímulos para a descrença e a desmotivação. Por muita razão que a ministra tenha em algumas das suas reformas, e tem-
-na, pelo menos, ao nível da urgência e do conceito de avaliação, a soma de grandes afrontas e de pequenos ataques de que têm sido alvo os docentes ameaça desfazer o que resta de empenho e sentido de serviço público na classe.
Por uma vez, era bom que o caso de Espinho pudesse ser visto de uma forma global e não se resumisse à análise dos devaneios de uma professora que, manifestamente, merece ser punida pelo que disse na aula ou pelo que aí insinuou sobre matérias do foro privado das suas alunas. Encerrado, e bem, este caso com um processo disciplinar, esperava-se que o Ministério da Educação se preocupasse com o outro lado da questão: o método usado pelas alunas e assumido pelas suas encarregadas de educação. Ora, que se saiba, não haverá ao nível da escola nem da direcção regional qualquer diligência, o mínimo gesto, a mínima palavra de censura pelo acto. O que, para os cidadãos e, principalmente, para os professores, quer apenas dizer uma coisa: que a espionagem clandestina do que se passa na aula, o recurso a tecnologias para instigar a delação é um método que não causa o mínimo arrepio à tutela.

Haverá certamente quem se apoie no nexo de causalidade para justificar o emprego de gravadores digitais ocultos nas mochilas. Afinal, os resultados estão à vista: sem as declarações gravadas, jamais alguém poderia acreditar que uma professora, aquela professora, fosse capaz de proferir tantos disparates e tantos insultos à dignidade dos alunos. Mas, resolvida a situação a favor dos pais revoltados e das alunas insultadas, o problema principal que agora se coloca tem a ver com o futuro. Doravante, o recurso a gravações clandestinas que não têm qualquer valor probatório em sede de processo na justiça ordinária (exigem autorização de um juiz), passa a ser legitimado nas salas de aula. Os momentos de descontracção, de diálogo franco e aberto, de proximidade entre professor e aluno estarão condenados a desaparecer das nossas escolas. Nenhum professor deixará de ter medo ao pensar no fantasma da gravação oculta sempre que arriscar sair da matéria oficial para fazer o que lhe compete: abrir horizontes aos seus alunos.
Pode parecer um cenário excessivo, mas o facto é que o episódio de Espinho é mais uma peça de um puzzle que gradual e paulatinamente vai corroendo o amor-próprio e a personalidade da docência. A menos que queiramos professores-funcionários, apenas autorizados a ditar sebentas ou a transmitir sumários, não se pode estar de acordo com as instruções do ministério que os transformam em aprendizes ou a legitimação por falta de censura de gravações ocultas nas salas de aula. Se não for pelo clima de intimidação e medo que pode gerar nos docentes, ao menos haja o bom senso de as condenar por estimularem os alunos a cultivar práticas pidescas. Querer resumir o incidente à condenação da professora é por isso um insulto a todos os que consideram a bufaria um daqueles vírus que a escola tem o dever de extirpar dos hábitos dos jovens.


Limiano comemora meio século com exemplar de 50 quilos


O queijo Limiano, que esteve na origem de uma greve de fome do deputado do CDS Daniel Campelo e até deu nome a um Orçamento de Estado, comemorou este mês 50 anos, mantendo "orgulho em ser feio".

Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues recebidos em escola com protesto


Aconteceu ontem, em Lisboa:
No final da visita à Escola Secundária António Arroio, em Lisboa, José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues foram confrontados com um forte protesto dos alunos. Centenas de alunos classificaram o Governo de «fascista» e contestaram as obras na escola.

Para ouvir na TSF

Marinho Pinto VS Manuela Moura Guedes - TVI


Finalmente há alguém que diz a MMGuedes o que ela precisava de ouvir, mas que, pelos vistos, não ouve.
"Você faz um péssimo jornalismo"!


22 maio, 2009

Batata quente

Repersussões do caso passado numa escola de Espinho, em torno das questões de foro sexual...

Segundo o DN:
Gravação da Aula é ilegal e pode dar processo à aluna.

Segundo o JN:
À margem de um encontro de técnicos do programa Novas Oportunidades que decorreu, ontem, no Porto, Maria de Lurdes Rodrigues, citada pela Lusa, fez notar que "faltou escola de uma forma atempada, faltou uma resposta pronta", frisando, porém, que se trata de "um caso excepcional, de grande desequilíbrio".

É que, segundo o JN adiantou na edição de ontem, é agora também a própria direcção da escola que está a ser objecto de um inquérito, desta feita, por parte da Inspecção-Geral da Educação, inquérito este pedido pela Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) por suspeita de o caso ter sido encoberto. Uma nova perspectiva da situação que deixou muitos dos pais ouvidos, ontem, pelo JN, boquiabertos. A mãe de um aluno da turma do 7.º ano directamente envolvida no caso, que não se quis identificar por o filho já ter sido "ameaçado por alunos de outras turmas solidários com a professora Josefina Rocha", disse ter ficado surpreendida com a atitude do Conselho Executivo. "Como é possível terem escondido um problema tão grave? Se tivessem agido logo que souberam das queixas dos alunos, se calhar não tínhamos chegado a esta situação", comentou.

Comissão Europeia considera Magalhães ilegal



Notícia do jornal Sol:
Todos os programas ligados ao Plano Tecnológico da Educação, do qual o Magalhães é o mais emblemático, estão em causa. Para a Comissão Europeia, o Governo português não agiu de modo transparente, porque as empresas foram tratadas de modo desigual.
A Comissão Europeia (CE) considera que Portugal infringiu as leis comunitárias da concorrência ao adjudicar por ajuste directo, e não por concurso público, todos os programas governamentais ligados ao Plano Tecnológico da Educação. Está em causa a distribuição gratuita ou a preços reduzidos de mais de um milhão de computadores a alunos e professores – incluindo os 500 mil ‘Magalhães’ que o Executivo de José Sócrates prometeu distribuir pelos alunos do 1.º Ciclo.

21 maio, 2009

Autismo político


A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, considera que a avaliação de desempenho dos professores é "uma reforma ganha", afirmando compreender a insatisfação docente, tendo em conta a rotura introduzida num "marasmo" de 30 anos de "total indiferenciação".

"Do meu ponto de vista foi uma reforma ganha. Temos hoje milhares de professores a fazer a avaliação, o que significa que é hoje um adquirido nas escolas. (...) Oitenta mil professores entregaram os objectivos individuais e 30 por cento destes requereram uma componente da avaliação que era facultativa", afirma a ministra. Para Maria de Lurdes Rodrigues, esta reforma introduziu uma rotura "num marasmo de mais de 30 anos de total indiferenciação e pseudo igualitarismo", já que "a ausência total de princípios mínimos de competição" era "muito negativa para as escolas".

Fazendo as contas: se há cerca de 140 mil professores no país e 80 mil entregaram os OIs daqui resulta que 60 mil não entregaram. É isto que é "uma reforma ganha"?
Por outro lado, Jorge Pedreira afirmou, há pouco tempo, que 75% dos professores tinham entregue os objectivos individuais. Basta fazer contas: 80 mil em 140 mil não chega sequer a 60%...

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Reacção dos partidos

O cabeça de lista do PSD às eleições europeias acusou hoje a ministra da Educação de "lirismo político" sem remédio e considera que o conflito com os professores não tem solução com esta equipa governativa.

Paulo Rangel comentava declarações de Maria de Lurdes Rodrigues numa entrevista à agência Lusa segundo as quais a avaliação e o desempenho dos professores é "uma reforma ganha" pelo seu Ministério.

Para o dirigente do PSD, que acabava de receber uma delegação da Plataforma Sindical de Professores, "o que se verifica é uma grave insatisfação quanto ao estatuto da carreira docente".

Acrescentou que o balanço de todo o processo hoje feito pelos sindicatos é muito diferente daquilo que a ministra apresenta na entrevista.


Por sua vez o PCP considerou hoje que "só a cegueira provocada pela arrogância e prepotência" do Ministério da Educação pode levar a ministra a dizer que a avaliação de desempenho dos professores é uma "reforma ganha".

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, afirmou hoje que a avaliação de desempenho dos professores é "uma reforma ganha" e disse compreender a insatisfação dos professores, tendo em conta a rotura introduzida num "marasmo" de 30 anos de "total indiferenciação".

Em reacção às declarações, Jorge Pires, membro da Comissão Política do PCP, disse que "só a cegueira provocada pela arrogância e prepotência da equipa ministerial, particularmente da ministra da Educação, pode levá-la a afirmar que a avaliação de desempenho [dos professores] seja considerada 'uma reforma ganha'".

A Internet dá para tudo, como aqui se comprova


Uma jovem romena, Alina Percea, leiloou a sua virgindade na Net, com uma licitação de 8,8 mil libras, tendo um empresário italiano ganho o leilão.
Alina Percea esperava conseguir leiloar a virgindade por 50 mil libras (cerca de 56 mil euros), mas acabou por aceitar uma proposta cinco vezes menor.
Num caso que já não é totalmente inédito, a jovem de 18 anos deu agora a conhecer alguns detalhes sobre o leilão e o episódio que lhe seguiu.
A jovem informou o Daily Mail que, depois de fechar o leilão, viajou para Veneza, onde o empresário de nome ainda desconhecido a recebeu com um pacote de chocolates.
Alina Percea teve de ser sujeita exames ginecológicos e a suspeitas levantadas por uma professora antes de se entregar ao empresário italiano.
A jovem, anunciou que a soma angariada no leilão será aplicada nos estudos universitários.

Eu gravo-te, tu gravas-me, ele grava-o...


21.05.2009, Helena Matos no Público

De cada vez pensamos que já vimos tudo o que tínhamos para ver. Umas semanas depois descobre-se algo de muito pior


...E assim sucessivamente nos andamos a gravar uns aos outros.

- Se quiseres eu mostro-te as provas.
- Ai tem? E quer que lhe faça também um desenho?
Estas são algumas das frases trocadas entre a professora da escola de Espinho e uma das alunas que se ouve na gravação. Nada disto tem o mínimo de razoabilidade ou é sequer moralmente aceitável. Mas, se virmos bem, é assim que o país está, entre o demente e o acanalhado, com uns a dizerem "Se quiseres eu mostro-te as provas" e os visados a responderem "Ai tem? E quer que lhe faça também um desenho?"
Já tínhamos tido as imagens captadas por um telemóvel que mostravam uma professora a ser agredida dentro da sala de aula. Já tivemos também as gravações de gangs a dispararem e agredirem quem lhes apeteceu. E, claro, temos o folhetim das gravações do senhor Smith. De cada vez que uma destas gravações é revelada supõe-se que já se viu tudo o que se tinha para ver. Umas semanas depois descobre-se que temos para visionar algo de muito pior e assim vamos embalados em play nesta estranha forma de vida em que uns gravam, outros são gravados e o povo visiona.
Honestamente temos de admitir que as gravações clandestinas são o que de mais relevante a nossa memória guarda dos últimos anos em Portugal. Já não nos lembramos dos factos em si mesmos, mas não esquecemos o momento em que aquelas imagens, captadas às escondidas, passaram pela primeira vez diante dos nossos olhos. Tal como os voyeurs que só obtêm prazer observando o sexo dos outros, também os portugueses se satisfazem vendo imagens captadas clandestinamente e que na verdade não revelam nada que já não saibamos. Que existem professores que não têm condições para o ser é um dado incontornável. Que a indisciplina se instalou nas escolas é um facto. Que os gangs impõem as suas regras nuns bairros por ironia chamados sociais é óbvio. E quanto aos mecanismos para obter licenciamentos explicados ao vivo pelo senhor Smith também sabemos que pouco têm de original. Muito mais sofisticado e danoso para o país do que o Freeport foi o processo da Cova da Beira e dúvidas muito mais sérias se colocam nesse caso em relação ao procedimento de José Sócrates. Mas como não existem gravações clandestinas na Cova da Beira mas sim factos, o assunto não suscita interesse ao visionador a que está reduzido cada português. Digamos que não se perde grande coisa com o facto de não existirem gravações secretas do caso Cova da Beira. Ou seja, apenas se perde espectáculo, pois tal como os voyeurs não têm actividade sexual propriamente dita, satisfazendo-se em espreitar os outros, também os cidadãos-visionadores se esgotam na reacção de indignação aquando do visionamento. Em seguida, já satisfeitos, caem numa abulia da qual só serão brevemente despertos por uma gravação ainda mais alarve.
O que é grave nestas gravações não é portanto o que elas mostram acerca dos desgraçados que nelas surgem, mas sim o que elas mostram sobre nós. Sobre a nossa demissão em relação ao país. Por exemplo, o que é que já fizemos para flexibilizar a escolha das escolas pelas famílias? Recordo que as escolas têm tido de manter em funções professores não apenas perturbados como a senhora da gravação da escola de Espinho, mas também gente acusada de crimes graves, como a pedofilia, ou até condenada por eles. Se, no ensino público, os pais pudessem mudar os seus filhos de escola ou de turma, os professores problemáticos não desapareciam mas certamente que não se arrastariam anos e anos pelas escolas até que resolvessem concorrer para outro lado. O estranhíssimo universo revelado pelas gravações efectuadas nas salas de aula é o resultado inevitável daquilo que não temos tido coragem nem paciência para mudar na educação.
Em 2009, o país vive sob a perversão do voyeur, aquele que trocou o fazer pelo ver: o povo tornou--se não na razão de ser do regime mas sim no seu visionador. Não por acaso vemos os movimentos radicais interrogando-se todos os dias sobre o momento em que também em Portugal se verão essas imagens de pneus a arder, gente de cara tapada apedrejando sedes de empresas e gestores sequestrados. Isso não resolve nada e contribui para uma mais acelerada deslocalização das empresas. Obviamente quem anseia por esses acontecimentos sabe-o muitíssimo bem. Mas sabe também que essas imagens refrescariam o imaginário do cidadão--visionador. Infelizmente não é apenas a insolente gaiata da gravação que anda para aí a perguntar : "E quer que lhe faça também um desenho, s'tora?" Tanto quanto sei, estão dez milhões à espera para ver. (helenafmatos@hotmail.com)
a A polémica. "Para travar a polémica e procurar um consenso, o deputado Pedro Nuno Santos, secretário-geral da Juventude Socialista (JS), explica que a maioria socialista quer envolver as unidades de saúde nessa distribuição de contraceptivos" - elucidava a TSF num daqueles dias em que a voz de quem lê os noticiários tremelica na antecipação de mais uma questão fracturante que divida o país em progressistas inteligentes e reaccionários estúpidos. Cabe perguntar a que polémica se refere o secretário-geral da Juventude Socialista. Na verdade não existe polémica alguma, nem pode existir. Há décadas que as unidades de saúde distribuem gratuitamente em Portugal contraceptivos aos jovens. Convém que se recorde que nas cidades de Aveiro, Beja, Braga, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Figueira da Foz, Évora, Faro, Leiria, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Viseu, Vila Real, Caldas da Rainha e Pombal existem gabinetes específicos para esta questão. Regra geral são designados como Gabinetes de Apoio à Saúde e Sexualidade Juvenil e, segundo informação oficial disponível a qualquer um de nós, deputado ou não, 29 enfermeiros, 27 médicos, 26 psicólogos, cinco nutricionistas, dois assistentes sociais, um dietista e um psiquiatra atendem nos mais variados horários os jovens que aí os procuram. Se destes gabinetes citadinos passarmos para as unidades de saúde que cobrem todo o país, perceberemos que já há muitos anos foram criadas consultas de planeamento familiar às quais os jovens podem ter acesso independentemente do centro de saúde em causa estar ou não na sua área de residência (infelizmente, o mesmo princípio não se adapta aos adultos!) Esta possibilidade é muitíssimo importante sobretudo nos meios mais pequenos onde é mais difícil assegurar a privacidade dos utentes. Está estabelecido até que não é necessário fazer marcação prévia para ir a uma dessas consultas. E também em Portugal, devidamente apoiados pelo Ministério da Saúde, existem escolas onde funcionam gabinetes de promoção da saúde - cuja experiência e número deveriam ser muito mais alargados -, onde os alunos não só recebem contraceptivos como informação dada por técnicos qualificados sobre planeamento familiar, doenças sexualmente transmissíveis, alimentação, alcoolismo, etc.
Donde não conseguir perceber o que pretende o deputado Pedro Nuno Santos, secretário-geral da Juventude Socialista, quando afirma que a maioria socialista quer envolver as unidades de saúde nessa distribuição de contraceptivos. Isso e muito mais e melhor já é feito há muito tempo, e o resto é conversa. Ou procura dela.

a A ética republicana. A ética republicana é como o Espírito Santo: não se consegue explicar exactamente o que é, nunca se avista, mas acredita-se que opera milagres. Lembrei-me muito da ética republicana ao ver as imagens da demissão de Michael Martin, o speaker da Câmara dos Comuns. Tal como nos anos 70 era difícil explicar, em Portugal, as razões da demissão de Nixon, pois usar as polícias para espiar as campanhas dos partidos da oposição era então um direito adquirido do Governo, também hoje surge como bizarro que este homem se tenha demitido não porque ele mas sim alguns deputados tenham utilizado dinheiros públicos, ainda por cima em quantias irrisórias, em benefício próprio ou mais propriamente em benefício dos seus jardins e casas. Isto é o que acontece nos países onde a ética é simplesmente ética e não uma basófia do regime.

A tralha. A propósito ainda do pedido de demissão de Michael Martin, é interessante ver como o Pparlamento inglês apresenta uma pobreza tecnológica e até uma falta de conforto constrangedores quando comparados, por exemplo, com o Parlamento português. Nenhum daqueles parlamentares britânicos exibe computadores durante as sessões, até porque, à excepção dos joelhos, não teria onde colocá-lo. Mas questionam e discutem como compete a quem tem História e presta contas ao povo. Por cá exibem computadores, sempre ligados para dar um ar de ocupação, como os funcionários das repartições.