No dia 24 de Junho, o Procurador-geral da Republica foi informado pessoalmente das escutas. A partir desse dia, as conversas mudam de tom e há troca de telemóveis. Quem avisou os visados?
No dia 24 de Junho, o Procurador-geral da Republica foi informado pessoalmente das escutas. A partir desse dia, as conversas mudam de tom e há troca de telemóveis. Quem avisou os visados?
O lóbi das farmácias
As escutas interceptam Armando Vara a diligenciar ao mais alto nível para que o Conselho de Ministros fizesse decreto como o presidente da Associação de Farmácias exigia, avança a edição do SOL desta sexta-feira.
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Chama-se a Pordata e é um projecto da Fundação Francisco Manuel dos Santos. É uma base de dados com estatísticas sobre os vários sectores da sociedade Portuguesa. É gratuita e estreou-se hoje na Internet.
António Barreto, responsável pelo projecto, lembra que a Pordata pretende pôr em prática a regra dos três cliques - precisamente o número de vezes que um urtilizador terá de tocar nas teclas do rato para cruzar variáveis, produzir gráficos ou estimar variações a partir dos dados fornecidos "em bruto" pela nova base de dados estatísticos.
O portal que já está disponível para consulta contempla ainda as pesquisas por temas, sectores e intervalos temporais ou aritméticos.
Pedro Lomba, Público
Um país tem obrigação de se conhecer a si próprio. Ainda por cima, sendo velho de carga e experiências como nós somos. Já conhecemos de ginjeira as nossas condições geográficas e climatéricas para nos deixarmos enganar tão facilmente pela natureza. Deveria ser ao contrário. Não era a natureza que, ingrata, deveria estar a enganar-nos; nós é que deveríamos estar preparados para a fintar.
É mais ou menos aquilo que acontece a um homem de idade que, conhecendo com exactidão aquilo de que padece, persevera nos mesmos erros. Portugal é esse ser ancião. Se quiser, pode perfeitamente tirar da algibeira uma lista dos desastres maiores que lhe aconteceram no último século, para perceber melhor as suas vulnerabilidades. Sabendo os riscos a que está sujeito, poderia igualmente poupar-se mais.
Porque a natureza que temos é também a que sempre tivemos. Portugal não é como aqueles países desgraçados que todos os anos precisam de artes elaboradas para se protegerem contra vulcões, monções e tufões cada vez mais imprevisíveis. A natureza portuguesa, talvez por ser portuguesa, concede-nos o privilégio de ser pacífica e respeitadora. Quase não damos por ela. Não incomoda. Se tem dias, tem-nos muito espaçadamente. Aí, conforme aconteceu na Madeira, rebela-se e pode fazer estragos a sério.
É por ser tão essencialmente previsível que a natureza portuguesa não é de fiar. Corremos sempre o risco de andar distraídos se confiarmos nela em demasia. Os lisboetas e os algarvios vivem sob a ameaça de sofrer um tremor de terra e um maremoto que mais dia, menos dia pode dar cabo deles. As cidades costeiras e de baixa altitude são permeáveis à ocorrência de cheias e inundações. As ilhas atlânticas são naturalmente mais vulneráveis a intempéries e ao mau ordenamento do território.
Desconheço se a tempestade que assolou a Madeira poderia ter sido antecipada e não foi; nem se os seus danos poderiam ter sido minimizados. Também não é a altura certa para apurar responsabilidades e responsáveis, se é que eles existem.
Só estou a lembrar que temos de aprender a enganar a natureza. Existem cada vez mais formas e métodos científicos para o podermos fazer. Temos de investir nisso. A natureza portuguesa, apesar de traiçoeira, não é assim tão esperta. Não é tão esperta como nós. Devemo-lo às vítimas do desastre madeirense.
Ao mesmo tempo, na República começaram as hostilidades presidenciais. Fernando Nobre, o mais recente candidato às eleições do próximo ano, largou este comentário ontem em entrevista ao i: "Não podemos ter um senhor que foi durante 34 anos deputado do PS, vice-presidente da Assembleia da República indicado pelo PS, que pertence a um partido de que continua a ser deputado, diga que quer dinamizar um movimento de cidadania."
Quem pensava que as eleições à esquerda iriam ser Manuel Alegre e ponto final, enganou-se absurdamente. Já se percebeu que Alegre não cria o consenso nas esquerdas. Pior: que Alegre se precipitou na apresentação da sua candidatura, arrastando consigo o Bloco de Esquerda. O estado difícil de Sócrates também não o ajuda. Em circunstâncias normais, Alegre deveria ter comentado as suspeitas sobre a conduta do primeiro-ministro no caso TVI. Precisando do PS e de Sócrates, opta por manter o silêncio.
Bem sei que muita água ainda irá correr pelas pontes. Para começar, as águas são turvas. Estranhamente, sobre o melhor candidato que a esquerda e o centro-esquerda poderiam apresentar nas próximas presidenciais - Jaime Gama - e o único que talvez ameace Cavaco Silva, ninguém ainda disse uma palavra.
Nos últimos meses, a Parque Escolar adjudicou as obras em três escolas da Zona Centro a um consórcio constituído por duas empresas de construção civil de Braga. Uma das parceiras, a Britalar, foi durante seis anos dirigida por um dos administradores da empresa pública. O valor global dos contratos ascende a 35 milhões de euros.
Vasco Pulido Valente, Público
O primeiro-ministro, por estranho que pareça, anda em campanha no seu próprio partido. Já reuniu o Secretariado Nacional, a Comissão Nacional e o grupo parlamentar; e vai reunir a também os "companheiros de caminho" das "Novas Fronteiras". Tudo isto é mau sintoma: é o sintoma de que ele começa a perder a confiança da gente a que deve o poder. Mas, como de costume, Sócrates fez de mais. Esta despropositada reafirmação de autoridade não o fortalece. Pelo contrário, revela pública e dramaticamente a sua fraqueza. Claro que será sempre apoiado por órgãos que ele mesmo em grande parte formou e que ninguém vai dizer agora o que, de facto, pensa. Quem está contra ele, não levantará um dedo até o ver perdido. Por enquanto, espera em silêncio e segurança atrás da "lealdade" à seita: uma desculpa inatacável.
Tanto para fora como para dentro, o exercício é frívolo. Principalmente, porque Sócrates nem sequer escondeu a sua verdadeira preocupação: a hipótese (de resto, longínqua) de que o PS, com a cumplicidade de Cavaco, o substitua como primeiro-ministro, continuando no Governo. Fora as piedades da praxe sobre a urgência de pensar nos genuínos "problemas" do país (por outras palavras, de não pensar, nem discutir os sarilhos em que ele alegadamente se meteu), a mensagem desta peregrinação às fontes é muito simples: suceda o que suceder, "o líder sou eu". Sócrates nunca se afasta da sua pessoa e do seu destino, que evidentemente confunde com a pessoa e o destino dos portugueses. Não lhe serviu de emenda o desastre a que essa obsessão pouco a pouco levou.
Foi o ilimitado ego que Deus lhe deu que o provocou a uma guerra com os média, inteiramente nociva e desnecessária. E que, no fundo, explica o desprezo e a fúria com que trata o mais leve obstáculo à sua vontade. Na gabarolice simplória de provinciano como no desrespeito pela oposição, no insulto imperdoável e gratuito como na fantasia de que é uma pura vítima da mentira e da calúnia, há invariavelmente um ponto comum: a ideia de que Sócrates não é comparável à multidão de metecos da política indígena. Que um belo dia os metecos se fartassem dele não lhe passou pela cabeça; e muito menos que pedissem um socialista qualquer mais suportável para o lugar dele. Ele é o líder, o líder sem substituto concebível. Ele é o único Sócrates de Portugal e do universo. O PS que fique ciente
O Governo entrega quarta-feira aos sindicatos uma nova versão do projecto de alteração ao Estatuto da Carreira Docente (ECD), mas não se comprometeu a traduzir nesse diploma alguns dos aspectos acordados ...
Os deputados franceses estão impedidos de navegar em sites pornográficos nos computadores da Assembleia Nacional.
Os responsáveis pelo sistema informático do parlamento francês activaram um filtro, tendo os parlamentares sido informados através de um comunicado interno onde se pode ler que o principal objectivo é impedir o acesso a sites com conteúdos "ilícitos e perversos" e susceptíveis de alojar vírus informáticos.

O projecto ENCONTROS percorreu Moçambique com a apoio do Programa INOV-ARTE, dgARTES e da Unesco. Durante 8 meses viajei por Moçambique com uma mochila cheia de livros em branco, que foram pouco a pouco ganhando vida. Desenhei um projecto de literacia comunitária com base na ideia que a experiência de construir um livro (literalmente) com a nossa história de vida fornece-nos mais ferramentas para entendermos quem somos e o mundo que nos rodeia. Em algumas situações limite ajuda a sobreviver: treinando competências cognitivas que podem ser determinantes no desenvolvimento social e económico de comunidades muito pobres. A partir da ideia de planificação e de story board, todos os participantes trabalharam comigo num ritmo diário, recebendo um livro em branco, lápis, pincéis e tintas. A partir daí com uma grande liberdade de expressão, escreviam em português ou em línguas locais e ilustravam a sua história. No final, os livros eram apresentados à comunidade numa exposição/festa e passavam a pertencer uma “biblioteca comunitária”. Um dos lugares por onde passei e que mais marcou a minha “história” foi o campo de refugiados da UNHCR, em Nampula, com refugiados provenientes maioritariamente da República Democrática do Congo, Ruanda e Burundi (Margarida Botelho).
A possibilidade de ver vídeos com som em jornais ou revistas parece ser uma ideia saída de Hollywood, mas não é. Em breve será possível em Portugal ler uma publicação e encontrar um vídeo na página, graças a uma tecnologia denominada Video in Print (VIP) que vai agora ser lançada pela empresa Pixel em Portugal, que se torna um dos primeiros países na Europa a utilizá-la.
Os vídeos nas páginas dos jornais portugueses podem surgir ainda na primeira metade do ano.
A taxa de penetração de telemóvel em Portugal ultrapassou os 90 pontos percentuais, revela um Barómetro de Telecomunicações publicado pela Marktest
De acordo com os dados divulgados pela empresa de estudos de mercado, no trimestre móvel de Dezembro de 2009, o número de portugueses com mais de 10 anos com acesso ao telemóvel rondava os 8,4 milhões.
O barómetro indica ainda que a penetração de telemóvel em Portugal é superior entre os jovens, onde atinge os 99 pontos percentuais na população com idades entre os 15 e 34 anos.
Também no intervalo etário anterior, que vai dos 10 aos 14 anos, a taxa de penetração de telemóvel é de 91 por cento.
O YouTube adiciou uma nova funcionalidade ao portal, que tem como finalidade funcionar como um sistema de controlo parental, que bloqueará os conteúdos relacionados as temáticas escolhidas pelos utilizadores.
Quando o modo de segurança estiver activado as pesquisas efectuadas não darão resultados relacionados com as palavras-chave escolhidas, como «nudez» ou «sexo».
A introdução desta ferramenta é um a resposta dos responsáveis da rede social de vídeos às crescentes preocupações com o acesso quase ilimitado das crianças a conteúdos considerados inapropriados.
Refira-se que o Youtube já bane do portal os vídeos de pornografia, sexo explícito e violência.
A China exigiu aos Estados Unidos a anulação imediata do encontro previsto para 18 de Fevereiro entre o presidente norte-americano, Barack Obama, e o Dalai Lama, o líder tibetano exilado, anunciou a agência noticiosa chinesa.
Rui Tavares, Público
Então é assim que Sócrates acaba.
Faz sentido. A imprensa foi sempre a sua grande fraqueza e - pelo menos após o "caso da licenciatura" - a sua grande causa de descontrolo emocional. Várias vezes ele foi prevenido, mas de nada serviu. E assim se perdeu.
Não gosto de ver isto acontecer. Tenho amizade por Sócrates - se é adequado escrevê-lo aqui, importa-me agora nada. Sócrates é de centro-esquerda, o que significa que estando eu muito à sua esquerda, significa também que ele não é completamente alheio à minha "família". Não retiro nenhum prazer da sua queda, e Zeus sabe como já me diverti a ver cair outros políticos. E, acima de tudo, sinto-me absolutamente exterior a uma agressiva arena feita de "anti-socráticos" para quem tudo vale desde que atinja em cheio o alvo do seu ódio e de "socráticos" para quem nunca se passa nada de errado, nada é irregular, nada se pode saber nem comentar. Nem esclarecer: se formalmente só há o "nada", como se pode esclarecer o nada?
Para uns nenhuma formalidade vale, para os outros só as formalidades valem.
Ouçam, uns e outros: eu não preciso de escutas - legais ou ilegais - para decidir sobre atos - legais ou ilegais - do primeiro-ministro. Nunca precisei. Quando critiquei o primeiro-ministro por causa da maneira como ele lidava com a imprensa, foi sempre até por causa de algo que ele tinha feito ou dito de forma inteiramente legal e legítima. E perguntavam-me: mas não tem um primeiro-ministro o direito de processar jornalistas ou a necessidade de exteriorizar a sua cólera quando se sente injuriado? Os processos ou os exabruptos contra jornalistas não são ilegais.
Mas há vários problemas, respondia eu. Nem tudo o que é legal é legítimo; nem tudo o que é legítimo é correto. Isto é verdade para o mais insignificante dos cidadãos, e muito verdade para um primeiro-ministro.
O primeiro e mais grave problema é que um primeiro-ministro dá ao resto da cadeia de comando - na administração, no seu partido e nas suas clientelas - o sinal de que é desejável assediar ou controlar a imprensa.
O segundo é que se tornam plausíveis todas as histórias sobre o primeiro-ministro e o desejo de controlar a imprensa. Para lá de todas as formalidades, as recentes especulações sobre uma rede em torno do primeiro-ministro, e com o objetivo de controlar a imprensa, são então isso: perfeitamente plausíveis.
E aí entra o terceiro problema. Uma história plausível não é nunca suficiente para condenar um cidadão, mas é mais do que suficiente para fazer um primeiro-ministro perder a confiança dos outros cidadãos.
Isto sempre foi uma possibilidade. E foi isto - cada um destes passos - que agora sucedeu.
Teoricamente, resta uma opção a Sócrates. Diz-se num parágrafo:
"Caros concidadãos: sem prejuízo da presunção de inocência das pessoas em concreto, quero repudiar aqui - no caso de se confirmar - a utilização do meu nome para quaisquer tentativas de compra ou controlo de grupos de media. Nunca dei, pessoalmente - sublinho, pessoalmente, já para não dizer política ou institucionalmente -, quaisquer indicações nesse sentido a Armando Vara, Paulo Penedos ou Rui Pedro Soares. Quaisquer diligências que eles possam ter feito com esse objetivo são gravíssimas e ilegítimas."
Se Sócrates não pode dizer isto - ou se em consciência sabe que não pode dizê-lo, o que deveria ir dar ao mesmo -, deve começar a preparar-se para não afundar consigo o seu partido, o seu Governo e o seu país.
Todas as escolas que estiveram, estão ou virão a estar em obras, no âmbito do programa de modernização dos seus edifícios tutelado pela Parque Escolar, vão deixar de integrar o património do Estado para passar a ser propriedade daquela entidade pública empresarial. Para já, está decidido que as obras, lançadas há três anos, abrangerão 332 das 445 escolas públicas de Portugal continental que têm ensino secundário, mas a intervenção poderá ser alargada a mais outras 38.
No próximo ano lectivo já não entram em vigor os programas de Língua Portuguesa dos 1.º, 2.º e 3.º ciclos. O Ministério da Educação decidiu adiar, uma vez que está prevista uma revisão curricular e a definição das metas de aprendizagem para o ensino básico.
Vasco Pulido Valente, Público
Paulo Rangel anunciou anteontem a sua candidatura à presidência do PSD. Parece que se "antecipou" a José Pedro Aguiar-Branco, com que andava a combinar não se percebe o quê. O gesto foi considerado "deselegante" e não lhe trouxe qualquer vantagem, excepto uma entrevista de minutos em que não disse nada de original ou de consequente. Como Aguiar-Branco se vai declarar, ou já se declarou, e Pedro Passos Coelho já anda por aí em campanha, o PSD tem agora três putativos "chefes". É mau? Parece que não. Manuela Ferreira Leite, pelo menos, não acha. "Quantos mais melhor", disse ela, como se estivesse a vender bilhetes para uma sessão de circo e não acreditasse muito no espectáculo. Cá de fora tudo aquilo cheira a improvisação e a desastre.
Porque a verdade é esta: nenhum dos três - ou serão quatro? - artistas que se apresentam entusiasma ninguém. Nunca nenhum fez nada que o recomendasse para inspirar e unificar o partido; ou para, eventualmente (e com muito azar nosso), ser primeiro-ministro. Pedro Passos Coelho é um jovem simpático, produto da JSD, sem peso, prestígio e maturidade, com ideias confusas sobre o mundo e o país. Paulo Rangel passou pela direcção do grupo parlamentar, em que se distinguiu por uma oratória bombástica, à século XIX, e conseguiu depois ganhar uma eleição para o Parlamento Europeu. E Aguiar-Branco, um advogado do Porto, substituiu agora Paulo Rangel em S. Bento, com alguma competência, mas sem grande brilho. Por que razão qualquer deles se imagina destinado a pastorear a Pátria é um puro enigma.
Não representam uma política, uma causa, um movimento. Portugal não os pediu e a esmagadora maioria dos portugueses nem sequer os conhece. De resto, apareceram em cena um pouco ao acaso. Pedro Passos Coelho, porque era da "casa" e as "distritais" gostam dele (coisa que, para o cidadão comum, só o prejudica). Paulo Rangel, porque Sócrates, que detesta toda a gente, o detesta também a ele. E Aguiar-Branco, porque no meio da algazarra vigente conseguiu conservar uma certa suavidade e um módico de boas maneiras. Não é muito. E, pior ainda, manifesta o vácuo em que se tornou o PSD. Um candidato forte corria o risco de abanar e dividir o partido. Estas três nulidades, por mais "rupturas" que prometam, não correm o riso de perturbar o estado comatoso do PSD. São um sintoma, não são uma saída.