12 janeiro, 2009

Procriação

Ora aí está um claro sinal de que pelo menos em matéria de procriação não somos nada maus. Pelos vistos a crise ainda não chegou ao truca-truca. Ainda bem!
Segundo o Diário Digital, Portugal é um dos oito países europeus onde o número de nascimentos aumentou entre 1997 e 2006 graças à comunidade imigrante, indica um estudo publicado domingo pelo instituto alemão Max Planck.

Crise? Qual crise!

Segundo o Público de hoje Armando Vara foi promovido na Caixa Geral de Depósitos (CGD) um mês e meio depois de ter abandonado os quadros do banco público para assumir a vice-presidência do Banco Comercial Portugal (BCP). O ex-administrador da CGD e ex-quadro da instituição, com a categoria de director, foi promovido ao escalão máximo de vencimento, ou seja, o nível 18, o que terá reflexos para efeitos de reforma.
Isto é o que verdadeiramente se pode chamar um "salto à Vara"!

Isto é uma fantochada!

Medina Carreia comenta a situação do país.



10 janeiro, 2009

EUA: Mulheres preferem navegar na web a fazer sexo

Segundo o Expresso, ter acesso à Internet é uma prioridade para 71% dos adultos norte-americanos. Ter relações sexuais ou ir jantar fora são actividades que podem ficar para segundo plano quando há uma ligação à rede. Quase metade das mulheres inquiridas chegou mesmo a afirmar que prefere navegar na web do que manter relações sexuais.
Há duas posssíveis explicaçãoes para um resultado desta natureza:
1ª - O estudo foi realizado nos Estados Unidos.
2ª - O estudo foi patrocinado pela Intel.

O mês das fracturas

Janeiro de 2009 será seguramente a mãe de todas as cisões, tendo em conta:
- dia 19 de Janeiro: o número de adesões à greve.
- nos próximos tempos (que conincidirão com os finais de Janeiro): o número de professores que vão entregar os objectivos individuais e os que vão requerer a observação de aulas.
A partir daqui, e consoante os números, nada será como dantes. Ou será?

09 janeiro, 2009

Educação: os critérios da excelência

09.01.2009, Lídia Jorge, no Público

A titularidade foi dada a professores bons, excelentes, maus e muito maus. Não premiou nada, porque baralhou tudo.

1.Ficarão por muito tempo célebres os braços-de-ferro que Margaret Thatcher manteve com os sindicatos do Reino Unido, como conseguiu vencê-los, e como à medida que os humilhava, mais ia ganhando o eleitorado do seu país. Na altura a primeira-ministra britânica era a voz da modernidade liberal, criou discípulos por toda parte, e ainda hoje, apesar do negrume da sua era, há quem se refira à sua coragem como protótipo da determinação governativa. Mas neste diferendo que opõe professores e Governo, está enganado quem associa o seu perfil ao de Maria de Lurdes Rodrigues. Se alguma associação deve ser feita - e só no plano da determinação -, é bom que o faça directamente com a pessoa do primeiro-ministro.
De facto, a equipa deste Ministério da Educação tem-se mantido coesa, iniciou reformas aguardadas há décadas, soube transferir para o plano da realidade as mudanças que em António Guterres foram enunciadas como paixão, conseguiu que o país discutisse a instrução como assunto de primeira grandeza, fez habitar as escolas a tempo inteiro, fez ver aos professores que o magistério não era mais uma profissão de part-time, arrancou crianças de espaços pedagógicos inóspitos, e muitos de nós pensámos que a escola portuguesa ia partir na direcção certa. Quando José Sócrates saía com todos os ministros para a rua, nos inícios dos anos lectivos, via-se nesse gesto uma determinação reformista que augurava um caminho de rigor. Não admira que o primeiro-ministro várias vezes tenha falado do óbvio - que era necessário determinar quem eram, na escola portuguesa, os professores de excelência. Era preciso identificá-los, promovê-los, responsabilizá-los, outorgar-lhes credenciais de liderança. Era fundamental que se procedesse à sua escolha. Mas a sua equipa legislou sobre o assunto e infelizmente errou.

2.Errou ao criar, de um momento para o outro, duas categorias distintas, quando a escola portuguesa não se encontrava preparada para uma diferenciação dual. A escola portuguesa tinha o defeito de não diferenciar, mas tinha a virtude de cooperar. O prestígio do professor junto dos alunos e dos colegas não era contabilizado, mas era a medida da sua avaliação. Pode dizer-se que era uma escola artesanal que necessitava de uma outra sofisticação. Mas, para se proceder a essa modificação com êxito, era preciso compreender os mecanismos que a sustentavam há décadas, e tomar cuidado em não humilhar uma classe deprimida, a sofrer dia a dia o efeito de uma erosão educacional que se faz sentir à escala global. Só que em vez da aplicação cuidadosa e gradual de um processo de mudança, a equipa do Ministério da Educação resolveu criar um quadro de professores titulares, a esmo, à força e à pressa. No afã de encontrar a excelência, em vez de se aplicar critérios de escolha pedagógica e científica, aplicaram-se critérios administrativos, de tal modo aleatórios que deixaram de fora grande percentagem de professores excelentes, muitas vezes os responsáveis directos pelo êxito pedagógico das escolas.
O alvoroço que essa busca de um quadro de excelência criou está longe de ser descrito devidamente. Basta visitar algumas escolas para se perceber como a titularidade está distribuída a professores bons, excelentes, mas também a maus e muito maus, e foi negada a professores competentes. Isto é, criou-se um esquema que não premiou nada, porque baralhou tudo. Os erros foram detectados por muita gente de boa fé, em devido tempo, mas o processo avançou, a justiça não foi reposta, nem sequer a nível da retórica política. Pelo contrário, aquilo que a razão mostrava à evidência foi sendo desmentido, adiado, ridicularizado, ou desviado para o campo da luta sindical dita de inspiração comunista.

3.O segundo instrumento ao serviço da excelência não teve melhor sorte. Era preciso inaugurar nas escolas uma cultura de responsabilidade que até agora fora relegada para determinismos de vária ordem, menos os estritamente pedagógicos, o que era um vício da escola portuguesa, pelo menos até à publicação dos rankings. Mas aí, de novo, a equipa do Ministério da Educação funcionou mal. Se os campos de avaliação do desempenho dos professores estão mais ou menos fixados, e começam a ser universais, os parâmetros em questão foram pensados por mentes burocráticas sem sentido da realidade, na pior deturpação que se pode imaginar em discípulos de Benjamin Bloom, porque um sistema que transforma cada profissional num polícia de todos os seus gestos, e dos gestos de todos os outros, instaura dentro de cada pessoa um huis clos infernal de olhares paralisantes. Ninguém melhor do que os professores sabe como a avaliação é um logro sempre que a subjectividade se transforma em numerologia. Claro que não está em causa a tentativa de quantificação, está em causa um método totalitário que se transforma num processo autofágico da actividade escolar. Aliás, só a partir da divulgação das célebres grelhas é que toda a gente passou a entender a razão da pressa na criação dos professores titulares - eles estavam destinados a ser os pilares dessa estrutura burocrática de que seriam os pivots. Isto é, quando menos se esperava, e menos falta fazia, estavam lançadas as bases para uma nova desordem na escola portuguesa. Como ultrapassá-la?

4.Não restam muitos caminhos. Ultimamente, almas de boa fé falam de cedência de parte a parte. Negociação, bondade, comissões de sábios. A questão é que não há, neste campo, nenhuma justiça salomónica a aplicar. O objecto em causa não é negociável. Tendo em conta uma erosão à vista, só a Maria de Lurdes Rodrigues, que sabe que foi longe de mais, competiria dizer "Não matem a criança, prefiro que a dêem inteira à outra", mas já se percebeu que não o vai fazer. Obcecada pela sua missão, que começou tão bem e está terminando mal, quererá ir até ao fim, mesmo que do papel dos mil quesitos que alguém engendrou para si só reste um farrapo. É pena. Depois de ter tido a capacidade de pôr em marcha uma mudança estrutural indispensável para a modernização do ensino, acabou por não ser capaz de ultrapassar o desprezo que desde o início mostrava ter em relação aos professores. E, no entanto, numa política de rosto humano, seria justo voltar atrás, reparar os estragos, admitir o erro sem perder a face. Ou simplesmente passar o mandato a outros que possam reiniciar um novo processo.
De facto, em Portugal existem vários vícios na ascensão ao poder. Um deles consiste em não se saber entrar no poder. Pessoas sem perfil técnico, ou humano, aceitam desempenhar cargos para os quais não foram talhados. Parece que toda a gente gosta de um dia dizer ao telefone, no telejornal, "Papá, sou ministro!", com o resultado que se conhece. Outro é não se saber sair do poder. Houve um tempo em que Mário Soares ensinou ao país como os políticos saem no tempo certo, para retomarem, quando voltam a ser úteis. Os grandes políticos conhecem a lei do pousio. E o objecto da disputa deve ser sempre mais alto do que a própria disputa. É por isso estranho e desmedido o que está a acontecer.

5.José Sócrates deverá estar a pensar que pode ter pela frente um golpe de sorte - Margaret Thatcher teve a guerra das Falklands - e até pode vir a ter uma maioria absoluta outra vez. Aliás, pelo que se ouve e vê, a frase da ministra da Educação "Perco os professores mas ganho o país", cria efeitos de grande admiração junto duma população ansiosa por ver braços-de-ferro no ar, sobretudo se eles vierem do corpo de uma mulher. Não falta quem faça declarações de admiração à sua coragem, como se a coragem prescindisse da razoabilidade. E até é bem possível que a Plataforma Sindical um dia destes saia sorridente da 5 de Outubro com um acordo qualquer debaixo do braço, como já aconteceu.
Mas a verdade é que, a insistir-se neste plano, despropositado, está-se a fomentar uma cadeia de injustiças e inoperâncias que só a alternância democrática poderá apagar. Se José Sócrates pediu boas soluções e lhe ofereceram estas, foi enganado, e deveria repensar nos seus contratos. Mas se ele mesmo acredita neste processo kafkiano, é uma desilusão, sobretudo para os que confiaram na sua capacidade de ajudar o país a mudar. Neste momento, entre nós, a educação tornou-se uma fábula.

Sem calças


Vai realizar-se no dia 10 de Janeiro às 15h00, no Jardim de Telheiras, ao lado do metro, o Sem Calças 09 Lisboa.

O No Pants! é uma missão pública que é realizada anualmente em várias cidades do mundo; a primeira decorreu no Metro de Nova Iorque em 2002.

Aqui está um vídeo da última No Pants.

Mais informações aqui

Gato escaldado....

Chumbo, é claro

Por vezes somos assim: acreditamos que o impossível aconteça, não é? Mas a realidade aí está para provar que nesta coisa de causas, nem sempre prevalecem os princípios. Os tachos soam mais alto!

Vem tudo sito a propósito das votações, hoje realizadas no Parlamento, relativas à suspensão da avaliação dos docentes, tendo por base propostas do PSD, BE e PEV. É claro que o PS cerrou, de certo modo, fileiras e fez-lhes um grande manguito...
E um simples voto pode fazer toda a diferença.

Humor (mesmo) negro

05 janeiro, 2009

Suplementos remuneratórios

O Decreto Regulamentar n.º 1-B/2009, hoje publicado, fixa o suplemento remuneratório a atribuir pelo exercício de cargos de direcção em escolas ou agrupamentos de escolas, bem como prevê a atribuição de um prémio de desempenho pelo exercício de cargos ou funções de director, subdirector e adjunto de agrupamento de escolas ou escola não agrupada.
Esta é uma estratégia de sucesso, pois há sempre alguém que precisa de (mais) dinheiro, não é?

Aqui.


O fim das águas turvas

Foi publicado hoje o Decreto Regulamentar n.º 1-A/2009, que estabelece um (mais um!) regime transitório de avaliação de desempenho do pessoal docente.
O decreto regulamentar entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação, ou seja, amanhã, dia 6 de Janeiro. Os presidentes dos conselhos executivos têm agora dez dias úteis para fixar um prazo limite para a apresentação e fixação dos objectivos individuais.
A partir de agora é que deixa de haver águas turvas.

O Decreto Regulamentar.


04 janeiro, 2009

Transparência

Ora aí está uma medida já há muito esperada: o preço dos combustíveis online.
Muito embora só se encontre a funcionar plenamente a partir do dia 16 de Fevereiro, é já possível usar alguma da informação existente. Aqui.
Já este ano a equipa masigasolina tinha lançado uma iniciativa deste tipo.
Por outro lado, nas autoestradas é possível já encontrar umas placas que dizem: “Brevemente informação do preço do combustível”. Esperemos que seja mesmo em breve.

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


Carlos Drummond de Andrade


02 janeiro, 2009

Mais provas

o Presidente da República promulgou na 4ª feira o novo decreto que legisla o regime simplificado de avaliação dos professores, que já pode ser consultado aqui.
Aguarda-se, agora, a respectiva publicação.
Todavia, como está agendada para o dia 8/1/2009, na Assembleia da República, a votação de uma proposta do PSD que visa a suspensão da avaliação... a ver vamos o que vai suceder... Será que nenhum deputado vai faltar à sessão? E como é que vão votar alguns deles?
Por outro lado, para o dia 10/1/2009 está agendada uma reunião, de âmbito nacional, dos presidentes dos Conselhos Executivos, que terá lugar em Coimbra.

Evidências

O Presidente da República, no discurso de ano novo,:
Há uma verdade que deve ser dita: Portugal gasta em cada ano muito mais do que aquilo que produz.
La Palisse não diria melhor.

28 dezembro, 2008

A crise na educação

O que eu penso é que os professores - o paradigma do cidadão útil e consciente de uma sociedade – são gente que não protesta sem ter razões muito fortes para o fazer. Uma crise nesta área tem sempre qualquer coisa de suicidário. Não são agentes puramente patológicos de uma sociedade. São sintomas de que há uma crise do tipo de educação que temos. É verdade que tem sempre que existir um mínimo de crise, porque, senão, significa que a educação não se está a pensar a si própria. Desde Maio de 1968 que o lugar de ministro da Educação é o lugar mais horrível que existe…

Eduardo Lourenço, Visão nº 825, 25/12/2008


25 dezembro, 2008

Silent Night

Mais uma cena em sala de aula

Ao que isto chegou... ou ao que deixámos que isto chegasse?
Estamos no Natal ou já chegámos ao Carnaval?

Para ler e ver. Aqui.


17 dezembro, 2008

Prendas de Natal

Já que estamos no Natal, aí estão os presentes do Ministério da Educação.
O Governo aprovou hoje o regime transitório e simplificado do modelo de avaliação docente, o famoso Simplex.
Alguns viram o sapatinho mais recheado. Como convém.
Assim, segundo o Público, os professores que estiverem em condições de pedir a reforma nos próximos três anos serão dispensados da avaliação de desempenho, se assim o quiserem.
Além destes, também os professores contratados pelas escolas para leccionar áreas profissionais, tecnológicas e artísticas, que não estejam integrados em qualquer grupo de recrutamento, poderão igualmente pedir a dispensa da avaliação.

Eu diria que em condições de pedir a reforma estamos todos. Desde já. Bora lá!