30 novembro, 2008

Imparável

Tocante ou chocante?

Sob o título "Estou cansada como muitos portugueses estão cansados. Não dramatizo", o Público, na sua edição de 28.11, brindou-nos com uma entrevista à Ministra da Educação, cujo desfecho não resistimos a transcrever:
Garante, contudo, que também tem tido bons momentos. "Muitos." Pede-se-lhe que partilhe um. "Uma carta que recebi de um menino que recebeu um computador para ter em casa, não sei já em que circunstância, e escreveu-me a dizer: 'Quando for grande, vou inscrever-me no PS.' É tocante."

Palavras para quê?

A brincar.... a brincar...

A oeste nada de novo

Ontem, de acordo com o Público, o PS reafirmou o apoio à ministra da Educação e à reforma da avaliação.
Por sua vez o secretário de Estado afirmou que a "esperança" do Governo é que "os sindicatos se sentem à mesa e negoceiem sem condições prévias".
Segundo o JN de hoje, o Governo admite negociar movo modelo.

28 novembro, 2008

Afinal o que é que ainda se vai avaliar?

As alterações propostas pela Ministra ao modelo de avaliação são, apesar de ela ainda não ter tido a humildade de reconhecer, a falência do seu modelo.
Cede-se um pouco em toda a linha. O que fica já nem se percebe muito bem o que é. Seguramente que avaliação do desempenho não é.
Porque, sejamos claros:
· uma coisa é avaliar a qualidade do professor (a competência do professor - teacher competency);
· uma outra é avaliar a qualidade do ensino (o desempenho do professor - teacher performance);
· e uma terceira é avaliar o professor ou o seu ensino por referência aos resultados dos alunos (a eficácia do professor - teacher effectiveness).

. A competência professor refere-se a qualquer conhecimento específico, aptidão, ou posição de valor profissional, cuja posse se crê ser relevante para uma prática de ensino com sucesso. As competências referem-se a coisas específicas que os professores sabem, fazem, ou acreditam mas não aos efeitos destes atributos nos outros. A qualidade do professor aparece sempre referenciada em relação ao reportório de competências que ele possui.

· O desempenho do professor diz respeito ao seu comportamento no trabalho. O desempenho refere-se mais ao que o professor faz do que ao que pode fazer isto é, ao quão competente é. Sendo específico à situação de trabalho, o desempenho depende da competência do docente, do contexto em que o professor trabalha e da sua habilidade para aplicar as competências em qualquer momento. Deste modo, o desempenho aparece associado à qualidade do acto de ensinar.

· A eficácia do professor refere-se ao efeito que o desempenho do professor tem nos alunos. A eficácia depende não só da competência e do desempenho, mas também das respostas dos alunos. Do mesmo modo que a competência não pode predizer o desempenho em diferentes situações, também o desempenho não pode predizer os resultados em situações distintas.

Outros autores acrescentam, a este tríplice enfoque, um outro, que denominam a produtividade do professor (teacher productivity), que distinguem da eficácia. À semelhança desta trata-se de avaliar a contribuição do professor em relação aos ganhos de aprendizagem dos alunos, mas em múltiplas áreas, em todos os cursos ministrados e num espaço de tempo mais lato (vários anos escolares).

As alterações entretanto sugeridas acabaram com a parte do modelo em que havia, de facto, avaliação do desempenho: a observação do professor em sala de aula. Não se fazendo isso, não se pode falar, com rigor, em avaliação do desempenho.

Felizmente, e em boa hora, a questão da eficácia docente ficou, para já, sem efeito (visível nos resultados dos alunos e no abandono escolar). Ainda bem porque isso não é avaliação do desempenho e as variáveis em jogo são muitas.

Depois de tudo isto é caso para perguntarmos: o que é que afinal se vai ainda avaliar?
Pelos vistos, uma mão chão de intenções.... Não havia necessidade (como diria o diácono Remédios)!

O projecto de decreto regulamentar com as alterações que aí vêm pode ser lido aqui.

25 novembro, 2008

Recauchutagem? Não obrigado!

Houve, no tempo devido, oportunidade para o Ministério da Educação sair de face lavada deste imbróglio da avaliação dos professores. Agora é demasiado tarde. Por mais que tente. A teimosia e a falta de visão política levou a um extremar de posições e à separação das águas. O Ministério conduziu este processo de modo tão desastroso que até conseguiu pôr contra ele aqueles que até determinado momento estiveram do seu lado.
A recauchutagem que agora se quer fazer vem demonstrar que o que estava não serve, que não é exequível, por mais malabarismos que se façam. E, se não serve, não vale a pena estar a remendar o que não presta.
Urge (re)construir algo de novo. Partindo do princípio que a grande maioria dos docentes são bons profissionais, e que, portanto, ainda vale a pena melhorar o que já é bom; eventualmente, dar a mão a alguns (talvez não muitos) que dela necessitam; outros (seguramente uma ínfima minoria) terão de ficar pelo caminho.
Mas a pedra de toque aqui é ao serviço de que é que a avaliação está. Ou seja, avaliar para quê? Não é possível misturar modelos de avaliação que visam objectivos tão díspares como a prestação de conta ou a promoção na carreira docente procurando conjugar isso com o desenvolvimento profissional. Não é possível. Os métodos são distintos, assim como os critérios.
Urge, dizíamos, (re)construir algo de novo. De cariz mais formativo e menos sumativo; mais espaçado no tempo; que tenha em conta a (in)experiência profissional de cada um; mais ligado ao trabalho de equipa e de pares; que não aposte em mecanismos burocráticos e de controle; mais ligado ao reconhecimento do mérito e à, eventual, despistagem da incompetência.

Pen USB chega às farmácias

De acordo com a notícia publicada na Exame Informática, o ePCI promete revolucionar a saúde em Portugal. O sistema permite juntar análises, radiografias e diagnósticos num único dispositivo.

Esta pen destina-se ao cidadão comum e é um arquivo confidencial para toda a história do paciente, com eventos clínicos, alertas, receitas médicas e problemas de saúde. A Mobilwave, que criou o dispositivo, afirma que este pode integrar imagens, ecografias, endoscopias, radiografias e outro tipo de ficheiros relacionados com a saúde.

A pen está disponível em 3500 farmácias de todo o país, com um custo de 38 euros e tem 1 GB de armazenamento, podendo ir até aos 8 GB.


O vídeo

24 novembro, 2008

L'important c'est la rose

Gilbert Bécaud

Prémios e cotas

O Ministério da Educação premiou hoje cinco professores. Um com o
Prémio Nacional de Professores e os restantes em quatro categorias de mérito: Carreira, Inovação, Liderança e Integração.
Se estes docentes pertencessem todos à mesma escola e tivessem sido sujeitos ao modelo de avaliação que a Ministra propôs, sucedia que não poderiam ter todos a menção de Excelente, porque as cotas não davam para todos... O que nos leva à conclusão seguinte: Só podem ser professores Excelentes pelo facto de não pertencerem à mesma escola. O que é uma aberração.

23 novembro, 2008

Cavalgar a onda

Segundo o DN de hoje, os sindicatos têm uma proposta para apresentar à Ministra relacionada com a resolução do problema da avaliação para o corrente ano lectivo.
A notícia acrescenta que "o presidente da Fenprof não adianta mais pormenores, uma vez que a proposta a apresentar ainda não foi aprovada por todos os sindicatos da plataforma".
Não terão os professores uma palavra a dizer sobre essa proposta? Porque é que ela não é revelada? Afinal os sindicatos representam alguém ou só se representam a si mesmos? Há aqui um evidente jogo do gato e do rato...

A sensação que os acontecimentos mais recentes nos deixam é que anda demasiada gente a cavalgar esta onda. Servem-se dos professores e das fragilidades e incongruências do nefasto modelo de avaliação para fins muito diversos.

22 novembro, 2008

Personalizar resultados no Google

Os utilizadores do motor de busca Google podem a partir de agora personalizar os resultados das suas pesquisas, graças ao desenvolvimento de uma nova ferramenta, denominada SearchWiki.
Os utilizadores podem retirar alguns resultados e trocá-los por outros que lhe pareçam mais correctos. Sempre que é feita uma alteração os novos resultados daquela pesquisa específica aparecem no browser do utilizador que a fez.

Hillary



Hillary Clinton, a ex-rival de Barack Obama para a corrida à presidência e ex-primeira-dama dos Estados Unidos, aceitou o cargo de Secretária de Estado, dando assim a cara pelo Governo do homem que a venceu dentro do Partido Democrata.

E depois da maré vazar?


E depois da maré vazar?


22.11.2008, São José Almeida, no Público

Todas as boas intenções de Sócrates para o ensino público, se alguma vez existiram, esboroaram-se

A grande dúvida é perceber qual a real dimensão dos danos que provocará a batalha campal que se vive na sector da educação. O problema político de fundo já nem é o de saber quais os danos que esta guerra terá sobre o Governo - esses são públicos, notórios e difíceis de digerir até pelo PS -, é sim o de saber as consequências que ela irá ter sobre a sociedade portuguesa, ou melhor, sobre o ensino público em Portugal.
Desde que entrou no Ministério da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues procurou protagonizar o que foi assumido pelo primeiro-ministro, José Sócrates, como a reforma do ensino público, com o objectivo de não só melhorar, como assegurar o futuro desse mesmo ensino público. Sem tencionar questionar aqui a validade e a verdade dos propósitos dessa promessa, o que é facto é que a atitude intolerante, impositiva e autoritária que a ministra adoptou desde a primeira hora deitou a perder qualquer bondade e mérito que existissem nas intenções do Governo socialista em prol do ensino público.
Durante mais de três anos Maria de Lurdes Rodrigues, com absoluto apoio de José Sócrates, foi esticando a corda, forçando a pressão sobre os professores. Sempre com uma táctica de afronta directa. Sempre insistindo na demagogia de que o mau funcionamento da escola era responsabilidade dos professores. Sempre assumindo um tom de insulto de quem considera que os professores são pessoas mal formadas, que estão de má-fé nas escolas, que escolheram ou aceitaram leccionar apenas para fazerem uma carreira fácil (?), relativamente bem remunerada (?) e que permite estar de papo para o ar (?), gozando a vida.
Quando é sabido que o Ministério da Educação é uma mastodôntica estrutura de poder que envia directivas em cascata para as escolas. Quando é sabido que nada se passa numa escola sem que haja autorização, ordens, licença da 5 de Outubro ou da 24 de Julho. Quando é sabido que o Ministério da Educação é uma espécie de Titanic à beira de se afundar, ingovernável e cheio de pequenos poderes autoritários e de tiranetes patéticos, como já afirmei aqui (PÚBLICO 17/06/2006). Maria de Lurdes Rodrigues achou que podia atirar-se aos professores, como se eles fossem a origem de tudo o que corre mal no mundo da educação, como se fossem bandidos, que é preciso admoestar.
Ou seja, Maria de Lurdes Rodrigues elegeu os professores como bodes expiatórios de um sistema de ensino, apontando-os como uma cambada de preguiçosos e calões, aproveitadores dos dinheiros públicos e que se estão nas tintas para os alunos. E assumiu-se a si como a salvadora do sistema, que ia moralizar a classe docente, impor regras, acabar com a balda da escola pública. Ora, ao fim de três anos, a esquizóide cruzada de Maria de Lurdes Rodrigues resultou naquilo que era previsível. Os professores fartaram-se de ser insultados, fartaram-se de ser tratados como párias. E Maria de Lurdes Rodrigues bateu contra a parede.
Todas as boas intenções de Sócrates para o ensino público, se alguma vez existiram, esboroaram-se no embate da atitude suicidária de Maria de Lurdes Rodrigues contra o muro de mais de cem mil professores em luta. Nenhuma reforma se fará ou será lançada esta legislatura. E a verdade nua e crua é que, mesmo que José Sócrates insista em manter Maria de Lurdes Rodrigues no Ministério da Educação, ela já não é de facto ministra. E não é de facto ministra porque as escolas ignoram-na, os professores não aceitam a sua autoridade e não a respeitam, o país assiste incrédulo ao dilapidar da credibilidade da política por quem a devia dignificar.
É pena que Maria de Lurdes Rodrigues avance na táctica de pescar à linha escolas e interlocutores neste ou naquele sindicato, nesta ou naquela associação de pais, procurando até comprar o silêncio dos alunos com uma alteração menor no Estatuto do Aluno. É pena que Maria de Lurdes Rodrigues dê o dito por não dito e vá abastardando o seu modelo de avaliação, que garantia perfeito, com pequenas alterações tácticas, que não resolvem nada do problema de fundo, só mostram a sua incapacidade para o lugar que ocupa. É pena que o Governo não perceba que não se governa satisfazendo as reivindicações da rua, mas também não se pode governar ignorando o pulsar da rua. É pena que o PS tenha esquecido que é Governo. Como dizia António José Seguro, quando está "em causa a qualidade da escola pública", é certo que "não há lugar para posições inflexíveis".
Quanto à reforma de José Socrátes e do PS para a educação: qual era mesmo o objectivo? Melhorar a escola pública? Era?

O campo de batalha em que se transformou o ensino público trouxe à ribalta um outro protagonista: Mário Nogueira, que lidera a Fenprof e a plataforma de sindicatos de professores e que tem tentado puxar por toda a sua capacidade para se manter a surfar na crista da onda que foi formada pela revolta e indignação de professores na rua.
É importante que ninguém esqueça que não há sindicalismo em parte nenhuma do mundo que consiga o que a atitude sistemática de afronta à dignidade dos professores seguida pela ministra da Educação conseguiu em Portugal: colocar a classe docente na rua com manifestações sucessivas e um calendário de acções reivindicativas que passa pela greve nacional e pelo boicote às notas do primeiro período.
De facto, os sindicatos assinaram um acordo com a ministra e aceitaram um tipo de avaliação que foi lançada e posta a funcionar. Só que os sindicatos não são as escolas. Os sindicatos representam professores, não são os professores. E é evidente em toda esta guerra que os sindicatos foram ultrapassados pela rua. E só resta aos dirigentes sindicais engolir em seco, rasgar o acordo que assinaram e tentar navegar na crista da onda da contestação da rua, sob pena de serem afogados pela voragem da rebentação e acabarem a não representar ninguém. E, por mais que a posição de Mário Nogueira e dos outros dirigentes sindicalistas seja de pura sobrevivência política, é bom que sobrevivam e que o poder negocial não caia de todo na rua. A bem do ensino público e do que restar da escola, quando a maré vazar. Jornalista (sao.jose.almeida@publico.pt)

Estratégias para a cultura em Lisboa

Segundo a vereadora da Cultura, Rosália Vargas, o debate será transversal e abrangerá as mais variadas áreas sociais.
A ideia é olhar a cultura como um trampolim para a liberdade, povoar a cidade com ideias culturais "loucas", aproximar o conhecimento científico do cidadão e apostar no debate de ideias são passos diferentes num mesmo sentido: definir Estratégias para a Cultura de Lisboa, uma iniciativa da autarquia lisboeta, anteontem apresentada nos paços do concelho.
Um projecto onde todos podem participar...

O site do projecto

20 novembro, 2008

Avaliação: simplex ou divisex?

Ora aí estão as primeiras propostas de alteração ao modelo de avaliação. Parece evidente que a saída foi a do passo para a frente. Com alguma cosmética à mistura, pelo que já se percebe, o que aí vem é suficiente para dividir as hostes.
Nada será como dantes a partir de agora. Fechou-se um ciclo.

«Tenho de reconhecer que a forma como estávamos a concretizar a dimensão relativa aos resultados escolares não era confortável, nem razoável, mas excessiva, desajustada e com erros técnicos», disse Maria de Lurdes Rodrigues, em entrevista à RTP. É caso para dizer: Eureka!

As declarações da Ministra

A reacção dos sindicatos

Reunião extraordinária do conselho de ministros

Está a realizar-se esta tarde uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros sobre o processo de avaliação dos professores.
Será que finalmente o governo decidiu parar para analisar o que se está a passar?

Entretanto vai crescendo a lista de escolas que suspenderam a avaliação.
Ver site da Fenprof.

Ler devia ser proibido

19 novembro, 2008

O programinha informático

Retomo do Terrear uma explicitação sobre o e-mail que cada professor está a receber(ainda não chegou a minha vez!)relacionado com o programinha informático destinado a recolher online os objectivos individuais.
O Ministério continua a pescar à linha.

Vamos fazer-lhe um grande manguito!

Bola de neve...

Segundo o Público de hoje, o descontentamento face ao modelo de avaliação do desempenho docente alastrou aos conselhos executivos das escolas.
Em Viseu, os presidentes de 43 conselhos executivos enviaram a Maria de Lurdes Rodrigues um documento em que admitem demitir-se ou pôr o lugar à disposição, caso a ministra insista no actual modelo.

O legalista

Vital Moreira consegue ser mais papista que o papa. Há quem diga que se perfila para suceder a MLR. O seu discurso legalista é também o estertor, de quem não tem outros argumentos para além do "dura lex sed lex". No Público de hoje diz dislates deste calibre:

De resto, o saldo eleitoral desta contenda pode ser neutro ou mesmo positivo, se cada voto perdido entre os professores que não querem ser avaliados for compensado por outros tantos, ou mais, entre os eleitores que pagam a escola pública e querem ver aumentar a sua qualidade e eficiência, não aceitando que as reformas sejam sacrificadas por causa da defesa sectária de interesses profissionais.

Quem viu o passado deste homem..... a volta que ele já deu...