"Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim."
Mário de Sá-Carneiro
20 abril, 2004
Dúvida
Organizei, há já algum tempo, um CD de música. Tem uma camélia na capa. Chamei-o música variada porque lá dentro há Zeca Afonso, Madredeus, Rui Veloso, Sérgio Godinho, música brasileira, sul-americana... Tem música e letras de que gosto muito, que me dizem muito. São um pedaço de mim.... E gosto que gostem do meu CD...
Hoje, dia 19 de Abril, segunda-feira, quando, no final da tarde, regressava a casa, houve músicas/letras do CD que ganharam uma nova dimensão.
O Sérgio Godinho dizia:
“Hoje é o primeiro dia
do resto da tua vida…”
E os Madredeus:
“Ai que ninguém volta
ao que já deixou…”
Cheguei a casa e senti uma imensa vontade de ir ver o rio. E fui, pois ele fica mesmo aqui à minha beira. Encontrei-o excessivamente nublado e pardo, como aqui se documenta. E pensei: é possível que tenha acabado a primavera?
Hoje, dia 19 de Abril, segunda-feira, quando, no final da tarde, regressava a casa, houve músicas/letras do CD que ganharam uma nova dimensão.
O Sérgio Godinho dizia:
“Hoje é o primeiro dia
do resto da tua vida…”
E os Madredeus:
“Ai que ninguém volta
ao que já deixou…”
Cheguei a casa e senti uma imensa vontade de ir ver o rio. E fui, pois ele fica mesmo aqui à minha beira. Encontrei-o excessivamente nublado e pardo, como aqui se documenta. E pensei: é possível que tenha acabado a primavera?
19 abril, 2004
Pais e filhos
Estive a ler a entrevista que o Dani deu ao Expresso. Fi-lo não pelo Dani, de que mal me lembro, mas pelo Zé Carvalho, o pai, velho colega de curso e de outras andanças.
Diga-se que foi um texto que me incomodou. Ao lê-lo, pensei muitas vezes no Zé a na Luísa, nas alegrias e nas tristezas que aquele filho já lhes deu....
Diga-se que foi um texto que me incomodou. Ao lê-lo, pensei muitas vezes no Zé a na Luísa, nas alegrias e nas tristezas que aquele filho já lhes deu....
17 abril, 2004
Estou de volta
Cheguei, depois de um périplo por terras nacionais.
Viajei acalentado por sonhos, desejos e esperanças, que amenizaram estes dias primaveris. No regresso, tinha os plátanos da minha rua, que por sinal se chama Rua Ilha dos Amores, todos de verde cobertos.
Viajei acalentado por sonhos, desejos e esperanças, que amenizaram estes dias primaveris. No regresso, tinha os plátanos da minha rua, que por sinal se chama Rua Ilha dos Amores, todos de verde cobertos.
05 abril, 2004
Bagagem
Parto amanhã, 3ª feira, dia 6 de Abril, para umas mini férias, com o regresso previsto a Lisboa no dia 17. No percurso estão: Porto, Viseu, Paradelinha (muito próximo do Pinhão, no rio Douro) e Castelo Branco.
Na bagagem vão uns quantos livros, a saber: O Manuel Alegre com a Praça da Canção; O Herberto Helder com os Passos em Volta (lembram-se do texto "Os comboios que vão para Antuérpia"?), as Poesias Completas do Alexandre O'Neill. E quando procurava o Manuel Alegre, que não foi nada fácil encontrar na empoeirada estante, redescobri A invenção do Amor do Daniel Filipe e a Queda de um Anjo do Camilo.
A propósito de uma exposição que se vai realizar lá na escola, urge produzir um texto sobre a minha memória do 25 de Abril. Em Abril de 74 eu não estava na cadeia, como escreve o Manuel Alegre, mas quase. Jabadá, algures na Guiné, era um cárcere de uma outra natureza. É sobre isso que vou escrever.
Os livros, para além de nos servirem de mote, são sempre uma companhia. E, por vezes, dizem o que não conseguimos....
Na bagagem vão uns quantos livros, a saber: O Manuel Alegre com a Praça da Canção; O Herberto Helder com os Passos em Volta (lembram-se do texto "Os comboios que vão para Antuérpia"?), as Poesias Completas do Alexandre O'Neill. E quando procurava o Manuel Alegre, que não foi nada fácil encontrar na empoeirada estante, redescobri A invenção do Amor do Daniel Filipe e a Queda de um Anjo do Camilo.
A propósito de uma exposição que se vai realizar lá na escola, urge produzir um texto sobre a minha memória do 25 de Abril. Em Abril de 74 eu não estava na cadeia, como escreve o Manuel Alegre, mas quase. Jabadá, algures na Guiné, era um cárcere de uma outra natureza. É sobre isso que vou escrever.
Os livros, para além de nos servirem de mote, são sempre uma companhia. E, por vezes, dizem o que não conseguimos....
04 abril, 2004
28 março, 2004
A maratona e as coisas da vida
Não sei se sabem como é, mas eu tento explicar: em determinadas situações, e presumo que só acontece a partir de determinada idade, as coisas fazem-se pelo prazer que nos dão, não é? Asssim sendo, quando hoje me levantei às sete da manhã para participar na maratona e vi o tempo que estava, houve uma constatação que me pareceu óbvia: certamente que o gozo que daí pudesse advir seria superado pelo desprazer. Por isso, baldei-me e não fui.
Mas não pensem que foi uma decisão pacífica e tranquila, pois tem estado durante todo o dia a inquietar-me... A vida tem destas surpresas: como é que há coisas na vida que não fazemos e que nos inquietam tanto? Sabem explicar-me?...
Mas não pensem que foi uma decisão pacífica e tranquila, pois tem estado durante todo o dia a inquietar-me... A vida tem destas surpresas: como é que há coisas na vida que não fazemos e que nos inquietam tanto? Sabem explicar-me?...
21 março, 2004
Ilações
Os acontecimentos de 11 de Março provocaram uma série de inquietações... que não legitimam (Dr. Mário Soares!) o diálogo com a barbárie...
De Espanha fica-nos a lição: não há perdão para aqueles que ostensiva e deliberadamente mentem. O princípio deve ser igualmente válido para PP ou PSOE...
E cuidemo-nos todos, pois não seremos demasiados para estarmos vigilantes...
De Espanha fica-nos a lição: não há perdão para aqueles que ostensiva e deliberadamente mentem. O princípio deve ser igualmente válido para PP ou PSOE...
E cuidemo-nos todos, pois não seremos demasiados para estarmos vigilantes...
12 março, 2004
11 de Março de 2004
Ontem, em Madrid, aconteceu uma nova forma de holocausto. Quase duas centenas de mortos.... e muitos mais seriam se... se... se...
Que novas tragédias se preparam? Até onde vai chegar o extermínio, em massa, de simples e anónimos cidadãos?
Há uma inquietação que subsiste: não estará o cidadão anónimo a colher a tempestade dos ventos que outros, menos anónimos e menos simples, semearam?
A nossa indignação e a nossa revolta não são certamente as armas mais eficazes para lidar com esta cambada de bárbaros.
Que novas tragédias se preparam? Até onde vai chegar o extermínio, em massa, de simples e anónimos cidadãos?
Há uma inquietação que subsiste: não estará o cidadão anónimo a colher a tempestade dos ventos que outros, menos anónimos e menos simples, semearam?
A nossa indignação e a nossa revolta não são certamente as armas mais eficazes para lidar com esta cambada de bárbaros.
11 março, 2004
A espuma dos dias
Desejo, ardentemente, o desabrochar da Primavera. Mas ele continua a resistir...
Na espuma destes dias, em que a ausência imperou, ficaram à tona circunstâncias,episódios, percursos e memórias: a promessa da nova escola feita pelo próprio ministro (com o inerente regozijo), o re-encontro do Pedro, Palma e Teodoro, os anos da Margarida, a adesão à iniciativa Primavera na Europa (e todos os condicionalismos daí oriundos), a minha homérica permanência no 2º lugar do torneio de ténis, e... e... e...
Na espuma destes dias, em que a ausência imperou, ficaram à tona circunstâncias,episódios, percursos e memórias: a promessa da nova escola feita pelo próprio ministro (com o inerente regozijo), o re-encontro do Pedro, Palma e Teodoro, os anos da Margarida, a adesão à iniciativa Primavera na Europa (e todos os condicionalismos daí oriundos), a minha homérica permanência no 2º lugar do torneio de ténis, e... e... e...
10 março, 2004
Uma escrita invisível
Tenho andado distante destas paragens...Suponho que por boas razões, mas não tenho a certeza.
Não é fácil "alimentar" um blog, quando se tem com ele uma relação mais de intimidade que de janela aberta ao mundo. Não faço disto, ao contrário de muitos outros, um modo de estar na vida...
Assim, tenho "escrito" só para mim, sem necessitar de traduzir via teclado aquilo que me vai no peito...que vai!
Não é fácil "alimentar" um blog, quando se tem com ele uma relação mais de intimidade que de janela aberta ao mundo. Não faço disto, ao contrário de muitos outros, um modo de estar na vida...
Assim, tenho "escrito" só para mim, sem necessitar de traduzir via teclado aquilo que me vai no peito...que vai!
22 fevereiro, 2004
Só nos faltava esta!
Miguel Sousa Tavares escreve no Público que "Se algum dia Santana Lopes for Presidente da República, eu, pelo menos, vou passar a ter vergonha de ser português. Quero ser bielorrusso, apátrida, monárquico, anarquista, qualquer coisa, menos cidadão de uma República de que ele seja Presidente". Já somos dois, Miguel!
Santana em Presidente da República? Só nos faltava mesmo esta!
Santana em Presidente da República? Só nos faltava mesmo esta!
15 fevereiro, 2004
Nemesianas 2004
Começam amanhã, dia 16 e prolongam-se até ao dia 20 as Nemesianas - Jornadas Culturais. O acontecimento, este ano na sua XV edição, tem lugar na Escola Secundária Vitorino Nemésio. O programa pode ser consultado aqui.
O Professor Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se, esta noite, na TVI, ao acontecimento.
O Professor Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se, esta noite, na TVI, ao acontecimento.
A lei do véu
A França acaba de dar um tiro no pé ao dar seguimento ao relatório Stasi, proibindo o uso de símbolos religiosos ostentatórios nas escolas públicas. Estão na mira o véu islâmico e o quipá hebraico.
O que é que são “símbolos religiosos ostentatórios”? Quem decide onde começa e onde acaba a ostentação?
O estado tem o dever de ser laico. Não pode, nem deve, é obrigar os cidadãos a sê-lo.
Estamos perante uma medida completamente imbecil.
O que é que são “símbolos religiosos ostentatórios”? Quem decide onde começa e onde acaba a ostentação?
O estado tem o dever de ser laico. Não pode, nem deve, é obrigar os cidadãos a sê-lo.
Estamos perante uma medida completamente imbecil.
13 fevereiro, 2004
Citações
A Visão de ontem é pródiga em citações. Vejamos algumas:
Jorge Coelho: “Sinto-me completamente preparado para um dia poder ser líder do Partido Socialista. Não tenho qualquer dúvida sobre isso” Nós também não ó Coelhone! O que é lamentável, pois mostra o estado a que o país chegou.
Júlia Pinheiro: "Ter de ser gira chateia-me”. Ela disse gira?
Luiz F. Scolari: “O futebol em Portugal é muito bonito mas muito pouco produtivo”. A julgar pelos acontecimentos mais recentes… está, de facto, muito, mas muito bonito. Boa Scolari!
Jorge Coelho: “Sinto-me completamente preparado para um dia poder ser líder do Partido Socialista. Não tenho qualquer dúvida sobre isso” Nós também não ó Coelhone! O que é lamentável, pois mostra o estado a que o país chegou.
Júlia Pinheiro: "Ter de ser gira chateia-me”. Ela disse gira?
Luiz F. Scolari: “O futebol em Portugal é muito bonito mas muito pouco produtivo”. A julgar pelos acontecimentos mais recentes… está, de facto, muito, mas muito bonito. Boa Scolari!
12 fevereiro, 2004
A gajinha
Cenário: consultório médico, algures na capital, dez horas e picos da manhã, dia 12, quinta feira. A televisão está ligada na SIC Notícias, e num registo tal que, se quisermos, não conseguimos ouvir. Era o caso.
Percebe-se, pelo que se vê, que os jornalistas interpelam Rita Blanco para que comente os jornais diários. Ela faz - faz sempre não é? - aquele ar de gozo, espelha um sorriso trocista e o ar de palhaço não se lhe descola da cara. Nunca conseguirá ter sequer um ar da gaja. Será sempre uma gajinha.
E dá para perceber que diz coisas com aquele ar de quem está sempre a dizer uma piada, de quem acha graça ao que diz.
Ela não se leva a sério. E nós muito menos.
Percebe-se, pelo que se vê, que os jornalistas interpelam Rita Blanco para que comente os jornais diários. Ela faz - faz sempre não é? - aquele ar de gozo, espelha um sorriso trocista e o ar de palhaço não se lhe descola da cara. Nunca conseguirá ter sequer um ar da gaja. Será sempre uma gajinha.
E dá para perceber que diz coisas com aquele ar de quem está sempre a dizer uma piada, de quem acha graça ao que diz.
Ela não se leva a sério. E nós muito menos.
10 fevereiro, 2004
Banda quê?
O Público de ontem noticiava que o Governo, a Comissão Europeia e a maior parte dos operadores privados defendem que é necessário mais concorrência na banda larga
para que Portugal possa aproximar-se dos níveis internacionais.
Isto parece anedótico!
para que Portugal possa aproximar-se dos níveis internacionais.
Isto parece anedótico!
05 fevereiro, 2004
O tempo... esse grande escultor
Este tempo... a quietude destes dias...
Certamente começou o florir das amendoeiras...
Certamente começou o florir das amendoeiras...
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