08 novembro, 2010
Em dívida
No tempo das manifestações na Praça Tiananmen, em junho de 1989, quase ninguém sabia o que era a Internet. O email era também praticamente desconhecido; ainda não havia web, muito menos Twitter ou Facebook. Raras pessoas tinham visto um telemóvel, e ninguém adivinharia que enviar mensagens de texto viria a ser um dos seus usos mais populares. Mesmo a televisão de notícias, com o seu ciclo de 24 horas por dia, estava apenas a começar. Era muito mais fácil encerrar um país e fazer com que as notícias pingassem a intervalos cada vez mais reduzidos.
Mesmo assim, seguimos os acontecimentos na China com invulgar intensidade, primeiro, e ansiedade depois. Muitos talvez - como eu - pela rádio, nos noticiários de hora a hora - ou já seriam de meia em meia hora? -, enquanto uma minoria talvez tivesse televisão por satélite e canais internacionais. A informação não era contínua; era aos soluços, intermitente e escassa. Irão ser tolerados os manifestantes? Não estarão eles demasiado audaciosos? Conseguirão vergar o regime? O que explicará este compasso de espera? O que fará o exército? Está confirmado que já há tanques nas avenidas?
Foram chegando então as notícias, cada vez mais seguras, de que tinha havido um massacre na praça.
O movimento foi, porém, mais vasto do que os acontecimentos daqueles dias. Os "mártires de Tiananmen", como lhes chama o Nobel Liu Xiaobo, pediam apenas aquilo que a nenhum cidadão pode ser negado: liberdade de associação, de manifestação, de expressão e de informação. Isso faz deles património não só do povo chinês mas da humanidade inteira.
Restou-nos a fotografia - e um filme curto - do "homem do tanque", no qual um desconhecido segurando dois sacos de compras se posiciona calma e metodicamente em frente a uma coluna de tanques. Os tanques desviam-se, ele acompanha. Os tanques ameaçam, ele insiste. E depois os tanques param, porque algum soldado lá dentro terá sentido que não conseguiria matar ali aquele homem. Houve muitas tentativas para encontrar a identidade e confirmar o seu destino, que eu saiba sempre infrutíferas. Será melhor assim; seria bom que o "dissidente desconhecido" fosse simplesmente a corporização de algo que existe em cada um dos humanos.
Trata-se, quanto mais pensamos nisso, de um documento simples e muito perturbador. A realidade lembra-nos todos os dias que nós humanos estamos predispostos à obediência; e ali está a prova em contrário, contra todas as evidências mesmo, de que afinal um desobediente consegue deter um império. Coisa difícil de acreditar.
Nos anos seguintes, a China mudou muito. Ficou mais rica e poderosa; os ingénuos do capitalismo acreditaram que com o dinheiro viria a democracia, que "a China ficaria mais parecida connosco". Afinal, foi o contrário que aconteceu. Nós é que estamos agora mais parecidos com a China, mais dispostos a trocar democracia por dinheiro - por exemplo, dispostos a deslocar uma manifestação, em Lisboa, para que os dirigentes chineses possam viver no seu mundo de deferência e fantasia.
Sim, eu sei. Estamos endividados e os dirigentes chineses fazem o favor de comprar a nossa dívida. Por mim, podem comprar toda a dívida que quiserem. Isso não apagará a dívida maior, mais profunda e impossível de pagar que temos ao homem do tanque.
07 novembro, 2010
Uma triste figura
Será que Manuel Alegre acredita, de facto, em tudo o que diz de si próprio e do mundo? Numa semana em que se falou tanto de Cavaco, talvez valha a pena examinar este candidato da "esquerda". Comecemos pelo que ele não é. Não é o candidato do PC, porque é ostensivamente o candidato do PS e de Sócrates. Não é, no fundo, o candidato do PS e de Sócrates, porque é o candidato do Bloco. E não é, tanto quanto se percebe por um protesto ou outro mais severo, o candidato incondicional do Bloco inteiro. O que lhe fica, fora Louçã e meia dúzia de socialistas desirmanados, não chega para o levar a parte nenhuma, a não ser provavelmente a um grande desgosto. De resto, pouco se tem visto e o país não mostrou até agora um especial entusiasmo pelo género de salvação que ele promete.
Isto, aparentemente, não o abala. Anteontem, andou pela Beira a distribuir uma curiosa profecia. "Se eu perder", preveniu ele o PS, "perdemos todos". Não bastava ao misérrimo PS o peso da crise, o peso da dívida, o peso do défice e o peso do nosso bem-amado primeiro-ministro. Alegre também o carregou agora com o fardo, não inconsiderável, do seu apetite por Belém. O PS, presumo, está espalmado; e já não consegue respirar. Mas nem a falta de audiência (50 melancólicos militantes) dissuadiu Alegre de fazer ameaças. A direita, acha ele, quer a maioria (absoluta, claro), o Governo e o Presidente para "desmantelar o Estado social". O que o leva de repente a brandir a iminência desta horrível catástrofe perante o assombrado povo de Lamego ninguém ainda conseguiu saber.
De qualquer maneira, Alegre sente o perigo. O perigo de Cavaco, mais precisamente, que só pensa em "fomentar" o retrocesso civilizacional através do cálculo (económico?), do politicamente correcto (?) e da "manobra", com certeza maquiavélica e secreta, de alguns comentadores. Se um tal ogre prevalecer, acaba o ensino público, acaba o Serviço Nacional de Saúde e acabam, evidentemente, as "conquistas de Abril". Que resistência ele prepara a este "ataque da direita" Alegre não revela. Não se pronunciou sobre o orçamento ou sobre a greve geral (suponho que para não irritar o PS). E, apesar do futuro apocalíptico que espera a pátria, o silêncio paira. Manuel Alegre poupa as palavras como nunca as poupou. Só não nos poupa a figura triste de uma candidatura sem sentido ou destino.
06 novembro, 2010
05 novembro, 2010
Twittar e googlar passam a estar no dicionário
A doer
04 novembro, 2010
Governo vai proibir acumulação de pensões com salários na Função Pública
03 novembro, 2010
Pordata
A partir de hoje passam a estar disponíveis para consulta os dados estatísticos referentes a 31 países europeus.
Os dados mais antigos são referentes a 1960 e vão até à actualidade.
Os dados podem ser pesquisados pelos seguintes temas: população, educação, saúde, protecção social, emprego, contas nacionais, empresas, ambiente e território, ciência e tecnologia e habitação. A pesquisa pode ser efectuada por país ou por um conjunto de países.
Symbian
A cor do horto gráfico
já aprovado pela nova Ministra do saber
Última actualização do dicionário de língua portuguesa - novas entradas:
Testículo: Texto pequeno
Abismado: Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor: Colocar preço em alguma coisa
Biscoito: Fazer sexo duas vezes
Coitado: Pessoa vítima de coito
Padrão: Padre muito alto
Estouro: Boi que sofreu operação de mudança de sexo
Democracia: Sistema de governo do inferno
Barracão: Proíbe a entrada de caninos
Homossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente: Acto de prender seres humanos
Eficiência: Estudo das propriedades da letra F
Conversão: Conversa prolongada
Halogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes
Expedidor: Mendigo que mudou de classe social
Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
Tripulante: Especialista em salto triplo
Contribuir: Ir para algum lugar com vários índios
Aspirado: Carta de baralho completamente maluca
Assaltante: Um 'A' que salta
Determine: Prender a namorada do Mickey Mouse
Vidente: Aquilo que o dentista diz ao paciente
Barbicha: Bar frequentado por gays
Ortográfico: Horta feita com letras
Destilado: do lado contrário a esse
Pornográfico: O mesmo que colocar no desenho
Coordenada: Que não tem cor
Presidiário: Aquele que é preso diariamente
Ratificar: Tornar-se um rato
Violentamente: Viu com lentidão
E
Língua "perteguesa"... PORQUE O SABER NÃO OCUPA LUGAR!
Prontus
Usar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um 'prontus'! Fica sempre bem.
Númaro
Também com a vertente 'númbaro'. Já está na Assembleia da República uma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, a qual está em claro desuso. Por mim, acho um bom númaro!
Pitaxio
Aperitivo da classe do 'mindoím'.
Aspergic
Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina
Alevantar
O acto de levantar com convicção, com o ar de 'a mim ninguém me come por parvo!... alevantei-me e fui-me embora!'.
Amandar
O acto de atirar com força: 'O guarda-redes amandou a bola para bem longe'
Assentar
O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento.
Capom
Tampa de motor de carros que quando se fecha faz POM!
Destrocar
Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.
Disvorciada
Mulher que se diz por aí que se vai divorciar.
É assim...
Talvez a maior evolução da língua portuguesa. Termo que não quer dizer nada e não serve para nada. Deve ser colocado no início de qualquer frase. Muito utilizado por jornalistas e intelectuais.
Entropeçar
Tropeçar duas vezes seguidas.
Êros
Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses.
Falastes, dissestes...
Articulação na 4ª pessoa do singular. Ex.: eu falei, tu falaste, ele falou, TU FALASTES...
Fracturação
O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial. Casa que não fractura... não predura.
Há-des
Verbo 'haver' na 2ª pessoa do singular: 'Eu hei-de cá vir um dia; tu há-des cá vir um dia...'
Inclusiver
Forma de expressar que percebemos de um assunto. E digo mais: eu inclusiver acho esta palavra muita gira. Também existe a variante 'Inclusivel'.
Mô
A forma mais prática de articular a palavra MEU e dar um ar afro à língua portuguesa, como 'bué' ou 'maning'. Ex.: Atão mô, tudo bem?
Nha
Assim como Mô, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA. Para quê perder tempo, não é? Fica sempre bem dizer 'Nha Mãe' e é uma poupança extraordinária.
Parteleira
Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.
Perssunal
O contrário de amador. Muito utilizado por jogadores de futebol. Ex.: 'Sou perssunal de futebol'. Dica: deve ser articulada de forma rápida.
Prutugal
País ao lado da Espanha. Não é a Francia.
Quaise
Também é uma palavra muito apreciada pelos nossos pseudo-intelectuais... Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu.
Stander
Local de venda. A forma mais famosa é, sem dúvida, o 'stander' de automóveis. O 'stander' é um dos grandes clássicos do 'português da cromagem'...
Tipo
Juntamente com o 'É assim', faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa. Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo. É assim... tipo, tás a ver?
Treuze
Palavras para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze.
02 novembro, 2010
Assim vai o programa de reconstrução das escolas
A austera, apagada e vil tristeza da retórica
Que Cavaco Silva tenha sido Presidente da República e que queira reincidir é algo que os portugueses não merecem.
É difícil escrever isto, porque toda a gente vai pensar que a minha opinião se deve apenas ao facto de não concordar com as ideias do homem (não é verdade que ele não tenha ideias. Tem. São ideias simples, tacanhas e egoístas, ideias pequeninas, mas tem). E vão pensar que a minha ausência de simpatia me tolda o espírito crítico. Apesar disso, correndo o risco de não ser acreditado, arrisco-me a garantir que a minha avaliação é eminentemente técnica. E é dessa perspectiva que avalio o discurso de recandidatura de Cavaco Silva como uma das peças retóricas mais tristes que já me passaram pela frente.
Podem pensar que isso me compraz, porque não vou votar no homem e nunca aderi às suas "ideias". Mas de facto, não. Teria gostado que um candidato à Presidência da República - em princípio a fina flor da política - nos mostrasse uma visão mobilizadora, um entusiasmo genuíno, capacidade de liderança, brilho intelectual, compreensão do mundo e das pessoas, uma viva inteligência e compaixão e conseguisse acender uma chama de esperança nos corações dos que o ouvem. Isso era o que teria gostado - mesmo que não fosse votar no homem. Isso dar-me-ia esperança. Mostrar-me-ia que a paixão da causa pública ainda pode atrair os melhores e que há na política aquele debate de ideias e de visões que gostamos de acreditar que pode garantir as melhores escolhas. Mas, em vez disso, apareceu-me Aníbal Cavaco Silva. Repito que o digo sem a mínima acrimónia. Com tristeza, com uma austera, apagada e vil tristeza, quase com desespero, mas sem acrimónia. Cavaco Silva poderia certamente ter sido um excelente contabilista, talvez um bom acordeonista e tenho todas as razões para pensar que é um exemplar pai de família. Mas que tenha sido ministro e primeiro-ministro e Presidente da República e que queira reincidir é algo que os portugueses não merecem.
A culpa não é toda dele. Afinal o homem tem um staff (dois staffs, de facto), assessores, conselheiros, funcionários, amigos, correligionários, vizinhos, primos e friends do Facebook que lhe podiam dizer qualquer coisinha, mas não disseram e não dizem e não vão dizer.
Transformar Cavaco Silva em Barack Obama não é possível, mas não será que podiam ter arranjado um discurso para o homem ler? Um discurso - como dizer - que alguém tivesse escrito depois de ter pensado? Tiveram cinco anos de mandato para pensar e saíram-se com isto? Tiveram meses de reflexão sobre a recandidatura e saíram-se com isto? Que Cavaco Silva não sabe falar já sabíamos - abençoados tabus, quanta platitude nos pouparam -, mas o homem sabe ler. Não há ninguém que não veja a tonelada de lugares-comuns e de auto-elogios confrangedores naquelas páginas? Não há ninguém que não tenha reparado que a ideia forte do discurso era "eu já cá estou há muito tempo por isso acho que era melhor deixarem-me continuar"?
A culpa não é de Cavaco Silva por outra razão. A retórica política não tem tradição em Portugal. À tristeza retórica do Presidente junta-se a tristeza do primeiro-ministro (com mais gritos mas a mesma vacuidade) e a tristeza da oposição. Recordam-se de algum bom discurso político nos últimos 30 anos? Algum que tenha ultrapassado a circunstância estreita em que foi escrito? Com ideias, com brilho, que mexesse de alguma forma connosco? Não se lembram porque não há. E também não os há do candidato-poeta Manuel Alegre, com responsabilidades mais sérias neste capítulo. Ou há e eu não os conheço. Se quiserem, provem-me que estou errado. Enviem-me as vossas propostas de discursos portugueses históricos para o mail.
01 novembro, 2010
Consuma produtos 560
28 outubro, 2010
PayPal lança serviço para micro pagamentos
Este novo sistema de micro pagamentos permite aos consumidores comprarem bens digitais e conteúdos em dois cliques, sem terem de sair do site onde estão.
Maioria dos lares portugueses tem banda larga
27 outubro, 2010
Uma biblioteca sem livros
É esta a visão da Biblioteca do Futuro, já tornada realidade pela mão dos ateliês de arquitectura Studio Roelof Mulder eBureau Ira Koers na Universidade de Amesterdão, na Holanda.
A nova biblioteca da Universidade já foi vencedora do Dutch Design Award 2010, pela forma inteligente como se adapta à nova realidade virtual.
26 outubro, 2010
O fim à vista da Área de Projecto e do Estudo Acompanhado
"O Estudo Acompanhado continuará a ser oferecido, mas no quadro de uma gestão mais flexível, para que a oferta se dirija aos alunos que têm efectivas necessidades de apoio e acompanhamento por parte dos professores", afirma o Ministério da Educação.
"O impacto da Área Projecto nos resultados de aprendizagem não ficou demonstrado em vários estudos que se realizaram sobre esta matéria. Acresce que a metodologia de projecto pode e deve ser usada no âmbito de cada disciplina", afirma o gabinete da ministra Isabel Alçada, na mesma nota.
25 outubro, 2010
Fundamentalismos
Nápoles: roupas e palavrões
24 outubro, 2010
Biblioteca Fernando Pessoa online
A digitalização deste espólio e a sua disponibilização online resulta de uma parceria entre a Fundação Vodafone e a Casa Fernando Pessoa e irá permitir o acesso ao legado do escritor em qualquer parte do mundo.
Esta é a primeira biblioteca portuguesa a ser integralmente digitalizada, e conta com 1140 volumes, para além de uma colecção de manuscritos (ensaios e poemas) deixados pelo próprio Fernando Pessoa.
Link para a Biblioteca
A Fnac vai lançar leitor de livros electrónicos
FnacBook é o nome do leitor de eBooks apresentado pela cadeia francesa, que pretende lançar o dispositivo já em Novembro, inicialmente apenas em França.
Quando o leitor de livros electrónicos chegar ao mercado, virá acompanhado com um catálogo de 80 mil títulos, na sua maioria em francês.
23 outubro, 2010
Isto é que vai uma crise!
A top model brasileira Adriana Lima vai exibir um sutiã decorado com 3000 pequenas pedras preciosas, no desfile de moda da Victoria's Secret, em Nova Iorque, a 30 de Novembro.
Esta peça de lingerie está avaliada em dois milhões de dólares (€1,4 milhões), e contém diamantes, topázios e safiras.
21 outubro, 2010
Excesso de zelo
Para poder controlar e registar as saídas e entradas de dois funcionários, a Junta de Freguesia de Coração de Jesus, no concelho de Viseu, decidiu adquirir, por aluguer, um aparelho de reconhecimento por impressão digital. Somando as 48 prestações mensais de 108 euros, a junta irá gastar, ao todo, 5184 euros ao longo dos próximos quatro anos.
20 outubro, 2010
Extinções virtuais
São pelo menos nove os organismos que o Governo anunciou que iria extinguir no próximo ano e que, afinal, já não existem ou cujo encerramento já estava previsto para este ano. Da lista de 50 organismos, cerca de 18% são, assim, extinções 'virtuais' - em 2011 já não existiriam, ou não deviam existir, por ordem do Governo.
Concurso de professores não será realizado em 2011
"A situação que vivemos actualmente impede o ministério de realizar o concurso extraordinário de docentes em 2011, mas serão colocados todos os docentes necessários nas escolas", disse Isabel Alçada durante uma audição da Comissão de Educação.
A rede
Até ao final deste ano mais de 2 mil milhões de pessoas vão ter acesso à Internet, o que representa quase um terço da população mundial.
Em Portugal, a percentagem de empresas com presença na Internet em 2009 era de 47,3%. Em 2003 essa percentagem era de 25,8%.
Por sua vez o número de SMS triplicou nos últimos três anos, ultrapassando os 1,8 biliões registados em 2007, tendo atingido no início de 2010 a assombrosa parcela de 6,1 biliões.
A cada segundo, são enviadas cerca de 200 mil mensagens escritas (SMS)
Lobbies
O sector da indústria farmacêutica declarou um volume de negócios que ultrapassou os 5300 milhões de euros entre 2005 e 2007, mas o que pagou, para efeitos de IRC, ficou "aquém dos nove milhões de euros", de acordo com um relatório de auditoria da Inspecção-Geral de Finanças.
19 outubro, 2010
BB
Brigitte Bardot, atriz e defensora dos direitos dos animais, pretende candidatar-se à Presidência francesa nas eleições de 2012.
Na carta que escreveu a Nicolas Sarkozy, dando-lhe conta da sua intenção, afirmou: "Alguém tem de ocupar-se dos animais".
E quem é que se ocupa das pessoas?
18 outubro, 2010
Assim vai a crise....
Em Portugal, o número de assinaturas de telemóvel em 2008, era de 14.909.595 para uma população residente de 10.627.250.
17 outubro, 2010
A vassourada
Vasco Pulido Valente, Público
O Governo entregou um Orçamento incompleto no último minuto. Os queixumes, como se esperava, foram gerais. A classe média - da classe média baixa à classe média alta - vai pagar a crise, como suspeitavam e agora proclamam, com indignação, os jornais de referência. Não se percebe o escândalo e a surpresa. A classe média que por aí anda - é necessária a paciência de repetir - não passa de uma emanação, torpe e maligna, do Estado democrático. A administração central e a administração local inventaram maneiras de a criar (e lhe pagar), a troco da fidelidade e do voto, para não fazer nada de útil e principalmente de produtivo. Desde o princípio que os partidos vivem dela e que ela, inerte e incapaz, tornou o país num covil de parasitas sem vergonha ou carácter. O desaparecimento do funcionalismo directo ou indirecto (ou, pelo menos, de quatro quintos dele) não prejudicaria ninguém.
Conheço pessoas que o PSD e o PS (e até o PC) a seu tempo instalaram em altas posições que mal sabem ler e, definitivamente, não sabem escrever. Conheço pessoas que se dedicam antes de mais nada a justificar a sua injustificável existência, pelo curioso meio de aumentar a "verba" e o pessoal do departamento onde por acaso caíram, com o único propósito de promover o seu estatuto, espatifando zelosamente o que lhe dão. Vejo dia a dia a obra das câmaras, que pouco a pouco se tornou num exercício de extravagância, megalomania e, desconfio, em muitos casos de puro latrocínio. Podia fazer uma longa lista da gente que o Estado persiste em sustentar em nome de actividades sem espécie de justificação possível. Como podia fazer uma longa listas dos "negócios" em que se meteram milhões, em exclusivo benefício de interesses que não sofrem descrição.
Que todo este mundo se afunde e desapareça, com os seus cartões de crédito de "representação" e os seus carros de empresa, com as suas casas no Recife e as suas férias na Tailândia não me comove. Portugal precisa duma grande vassourada e a tragédia será que a crise poupe (e talvez poupe) esta piolheira. Ontem descobri num restaurante que já se festeja intensamente o Natal. A degradação a que a nossa classe média chegou não se cura com menos de uma catástrofe. O primeiro-ministro, José Sócrates, não é um acaso, é um símbolo: o símbolo da vacuidade, da ambição e do oportunismo que o regime permitiu e protegeu.
16 outubro, 2010
Governo acaba com área de projecto
Do Conselho de Ministros desta quinta-feira saiu um decreto-lei que põe fim à área de projecto nos 2.º e 3.º ciclos do básico e permite às escolas ter aulas de 45 ou 90 minutos.
O Governo chegou à conclusão de que a área de projecto é «ineficaz». E decidiu retirá-la «do elenco de áreas curriculares não disciplinares».
No entanto, o comunicado que anuncia este decreto-lei não explica quando poderá entrar em vigor esta medida nem de que forma serão reorganizados os horários já existentes este ano lectivo.
14 outubro, 2010
12 outubro, 2010
Determinação
Liu Wei, um jovem músico, que perdeu os braços num acidente em criança, ganhou o concurso China s Got Talent ao tocar em piano a sua versão da música You're Beautiful de James Blunt, com uma audiência que encheu o Estádio de Xangai.
10 outubro, 2010
06 outubro, 2010
Google compra BlindType
Professores vão aprender a gerir conflitos
03 outubro, 2010
Orçamento participativo
Estará disponível on line, no site do orçamento participativo (www.cm-lisboa.pt/op), a lista dos projectos submetidos a votação, elaborados a partir das propostas apresentadas pelos cidadãos na primeira fase do OP.
Tal como nos anos anteriores, a votação decorre on line, através do site do OP, mediante registo do participante. Assim, se ainda não o fez, faça o seu registo no site do orçamento participativo e escolha o seu projecto para a cidade. Se preferir, poderá participar numa Assembleia de Voto, utilizar o Autocarro do OP ou um dos espaços municipais com acesso gratuito à Internet para votar. Veja como no site do OP.
Para qualquer esclarecimento poderá contactar a CML, Direcção Municipal de Serviços Centrais, através do dos telefones 21 798 82 20 / 21 798 94 46 / 21 798 95 04 ou consultar o sítio Web www.cm-lisboa.pt/op.
Participe. Decida.
27 setembro, 2010
Magalhães: quase metade dos professores utiliza-o apenas uma vez por semana
Mais de 22 mil computadores Magalhães já foram distribuídos no 1.º ciclo desde o início do ano lectivo, sendo que quase metade dos professores inquiridos num estudo do GEPE assume que utiliza este equipamento na sala de aula apenas uma vez por semana.
Segundo este estudo, oito por cento dos professores do primeiro ciclo afirmam utilizar o portátil todos os dias, quatro por cento quatro vezes por semana, 14 por cento três dias por semana e 24 por cento duas vezes por semana.
25 setembro, 2010
Com as mãos
Aconteceu no dia 23 de Setembro, o dia em que o Luís faria 50 anos, o lançamento do seu último projecto: "Com as mãos - 24 artistas moçambicanos"
Alexandre Pomar, que apresentou a obra.
O Luís junto a uma das suas obras, uma fotografia de Maputo
23 setembro, 2010
Notícia do dia
Sai livro póstumo do fotógrafo Luís Abelard
Maputo, Quinta-Feira, 23 de Setembro de 2010:: Notícias
UM livro de fotografia retratando o trabalho de artistas plásticos moçambicanos é lançado hoje em Maputo, em evento a ter lugar na Associação Moçambicana de Fotografia (AMF). Da autoria de Luís Abelard, fotógrafo recentemente falecido, a obra é intitulada “Com as Mãos” e retrata o quotidiano de alguns dos principais intervenientes das artes plásticas do nosso país.
Quando concebeu e desenvolveu o projecto, Luís Abelard seleccionou 24 artistas plásticos moçambicanos enquanto trabalhavam nas suas obras, nas condições e nos seus locais habituais. Quis o fotógrafo registar a relação entre o criador e a sua obra, realçar a plasticidade da cor e a magia do movimento, os gestos e os momentos. Também pretendeu provocar o menor ruído possível e conseguir um resultado mais real e natural, mesmo tendo em conta os “riscos” em termos técnicos e estéticos.
As fotografias de cada artista estão acompanhadas por um texto de autores que conhecessem ou estivessem próximos dos modelos – contributos pessoais que, pela sua relação com a arte moçambicana, trazem o lado humano e emotivo de cada um deles.
Os artistas fotografados são Malangatana, Noel Langa, Samate, Bertina Lopes, José Pádua, Mankeu, Shikhani, Chichorro, Reinata, Victor Sousa, Ídasse, Naguib, Bata, Tomo, Gemuce, S. Dunduro, Sitoe, Ndlozy, Saranga, Jorge Dias, Gonçalo Mabunda, Anésia Manjate, Pekiwa e Pinto.
Os autores dos textos são Alda Costa, Álvaro Henriques, António Cabrita, António Sopa, Conceição Siopa, Jorge Dias, José Forjaz, José Luís Cabaço, Luís Carlos Patraquim, Marcelo Panguana, Maria Pinto de Sá, Mia Couto, Nataniel Ngomane, Paola Rolletta e Rita Chaves.
O livro, editado pela portuguesa Athena, uma chancela da editora Babel, será simultaneamente lançado em Lisboa.
O fotógrafo Abelard foi figura presente no panorama artístico nacional, tendo apresentado várias exposições em temáticas diversas, sendo a última das quais “Moçambique: a Ilha a Preto e Cor”, em que retratou a Ilha de Moçambique. A ideia de produzir este livro nasceu-lhe do contacto que foi tendo com as artes plásticas e com estes artistas moçambicanos, com quem cruzou caminhos e trocou impressões sobretudo em várias exposições que a capital do país vem acolhendo.
Falecido nos princípios do mês em Portugal, onde se encontrava em tratamento médico, Luís Abélard completaria hoje 50 anos.
Contra-senso
A escola de Lamego que, no ano passado, foi escolhida pela Microsoft para integrar a rede mundial de escolas inovadoras, fechou as portas. Os 32 alunos da EB1 de Várzea de Abrunhais - que dispunham de wireless e em cujas aulas os Magalhães trabalhavam conectados com o quadro interactivo - foram transferidos para um centro escolar onde não há telefone nem Internet.
22 setembro, 2010
Milhares em defesa da Suécia multicultural
As manifestações em Estocolmo foram desencadeadas por uma rapariga de 17 anos.
Felicia Margineanu está duplamente em choque. Primeiro, pelos avanços da extrema-direita no seu país; depois, porque desde que convocou uma manifestação de repúdio através do Facebook que o telefone não pára.
Aos 17 anos, ainda antes de poder votar, esta é a sua estreia na política.
Por causa dela, milhares de suecos (seis mil segundo a polícia) saíram à rua em Estocolmo na segunda-feira. Ouviam-se palavras de ordem como "Esmaguem os racistas", "Somos pela diferença" e "Sim à vida em conjunto, não ao racismo!". Vozes que antes tinham estado caladas e que agora desafiaram o conforto do sofá. "Depois das eleições havia muita gente a reagir com comentários furiosos. Em vez de ficar sentada, pensei no que poderíamos fazer", conta Felicia Margineanu. Em duas horas teve duas mil respostas e o movimento foi crescendo.
19 setembro, 2010
Com as mãos - 24 artistas moçambicanos de Luís Abélard
No dia 23 de Setembro, o dia em que o Luís celebraria os 50 anos, a Babel vai concretizar um dos projectos a que o Luís se dedicou e sobre uma coisa que ele sabia fazer muito bem: fotografar.
17 setembro, 2010
Os porquês do sexo esclarecidos no feminino
Bilhetes: 30€, à venda na Ticketline (www.ticketline.pt).
Site: sexualidadefeminina-mitoseverdades.blogspot.com
16 setembro, 2010
14 setembro, 2010
A guerra da música
Mais concorrência significa guerra de preços, melhores serviços e maior facilidade de acesso a músicas digitais por parte dos consumidores que não fazem parte do universo da Apple (as músicas do iTunes só tocam em leitores iPod).
A filosofia da Google será diferente da que é seguida pela Apple: a gigante dos motores de busca acredita que o futuro está na "nuvem" (isto é, que todos os conteúdos são guardados e estão disponíveis online, por exemplo em plataformas como o Gmail e o Google Docs). Isso mesmo ficou patente quando a empresa comprou a Simplify Media, que permite sincronizar as músicas que os utilizadores têm guardadas no PC com os seus telemóveis Android. Na verdade, este é o grande objectivo da Google. Aliar a guerra dos telemóveis à guerra da música, apresentando uma alternativa cada vez mais credível ao iPhone e à bateria de serviços que a Apple tem à sua volta. É por isso que o serviço da Google não se limitará a vender músicas, mas também funcionará como um "cacifo" digital, a que se pode aceder a qualquer hora, em qualquer lugar e com qualquer equipamento. No caso da Apple, é preciso ter acesso ao PC ou ao iPod em que estão alojadas as músicas.
09 setembro, 2010
Fidel
08 setembro, 2010
Mãe... só há uma
No dia seguinte chamou os alunos um a um para lerem as suas redacções.
O primeiro, Martim, filho de boas famílias lê o seu texto :
'No outro dia eu estava doente, espirrando, tossindo, febril, não conseguia comer nada, não podia brincar, nem vir à escola. Então,à noite, a minha mãe esfregou-me Vick Vaporub no peito, deu-me um leite bem quentinho com um comprimido, tapou-me com o meu edredon, dormi e no dia seguinte acordei bom.'
'Mãe... só há uma.'
Toda a classe aplaudiu, a professora elogiou, e deu-lhe um muito bom.
O segundo, Guilherme, típico representante da classe média, foi o aluno seguinte:
'No dia em que tivemos o último teste eu não sabia nada, não conseguia decorar nada, e comecei a chorar, a pensar que ia ter negativa.
Então a minha mãe sentou-se ao meu lado com o livro, explicou-me a matéria fez-me perguntas e já consegui dormir descansado.
Quando acordei senti que sabia tudo! Vim à escola, fiz a prova e tirei Muito Bom.'
'Mãe...... só há uma'.
A classe, emocionada, aplaudiu o Gui. A professora deu-lhe também um Muito Bom.
Chegou a vez do aluno representante das minorias étnicas, Makongo Ngombo:
'Ontem quando cheguei nos meus barraco, minha mãe estava na cama com um
homem que nem conheço, diferente do da semana passada. Quando me ouviu gritou para mim lá do quarto':
Makongo, seu preto filho da p........... , vai lá nos geladeira e traz duas cerveja.
Aí eu abri a geladeira, olhei lá dentro e gritei pra ela:
'Mãe...... há só uma!'
07 setembro, 2010
Portugal é o oitavo país mais perigoso para navegar na internet
Os técnicos da AVG analisaram os registos de incidentes com vírus em mais de 100 milhões de computadores em todo o mundo, durante a última semana de Julho e traçaram um mapa de risco. Portugal aparece assinalado a encarnado – com a probabilidade de ter o computador infectado uma em cada 43 vezes que navega na internet.
Portugal é o único país da União Europeia no top dos 10 países de risco elevado. A lista é liderada pela Turquia. Os Estados Unidos estão em 9º lugar.
Portugal gasta 5200 euros por ano por aluno
França vai pôr fim à igualdade perante a lei?
Os "criminosos de origem estrangeira" são as maçãs podres que contaminam a sociedade dos "verdadeiros franceses"
Os sindicatos franceses convocaram para hoje em todo o país manifestações de protesto contra as reformas da Segurança Social propostas pelo presidente Nicolas Sarkozy. A subida da idade de reforma dos 60 para os 62 anos constitui a principal razão da contestação sindical, mas os desfiles de rua irão certamente focar também outras razões de protesto, como as suspeitas de financiamento ilegal da campanha presidencial de Sarkozy em 2007, as suspeitas de favorecimento fiscal da multimilionária Liliane Bettencourt e de tráfico de influências envolvendo o ministro Eric Woerth e o escândalo do tratamento policial discriminatório dado aos ciganos - dos quais cerca de mil já foram expulsos para a Roménia e Bulgária nos últimos três meses.
As expulsões de ciganos têm sido o pico do icebergue da "política de segurança" de Sarkozy, que prometeu erradicar de França os "elementos criminosos de origem estrangeira". Estes "criminosos de origem estrangeira" são, de acordo com o discurso sarkozista, as maçãs podres que contaminam um tecido social francês de gema que é ordeiro e amante da paz.
Apesar da atenção que as expulsões de ciganos têm merecido - devido, em grande parte, às imagens pungentes captadas quando do desmantelamento de acampamentos de ciganos e da sua deportação -, existe outra medida anunciada, na mesma linha, que se revela ainda mais preocupante, não apenas devido às suas intenções, mas devido à fraca contestação que a oposição lhe tem dedicado.
Trata-se da alteração (i)legal que Sarkozy preconiza, no sentido de retirar a nacionalidade francesa aos franceses naturalizados que cometam crimes graves - nomeadamente contra elementos das forças da ordem. A medida, a ser aprovada, criará duas classes de cidadãos, definindo penas diferentes pelo mesmo crime para cidadãos "franceses de gema" e para "neofranceses", reinstaurando um sistema penal de base étnica de triste memória.
É irrelevante que o Sarkozy-filho-de-emigrantes acredite ou não nas patranhas da particular inclinação para o crime dos "ciganos de origem romena e búlgara" - ao longo do Verão foi preciso afinar o tiro e especificar etnias com cuidados de bordadeira, quando se descobriu que a esmagadora maioria dos chamados "ciganos nómadas" eram afinal... franceses. O que é relevante é que a estigmatização étnica seja possível no século XXI e se traduza em votos. O que Sarkozy pretende não é evidentemente aumentar a segurança, mas apenas garantir a sua reeleição em 2012 e conta com as tiradas e medidas xenófobas para recuperar uma popularidade que atingiu níveis mínimos desde a eleição.
As redes criminosas que existam no meio dos ciganos não são mais perigosas que a actividade dos banqueiros e não é por isso que se deportam os banqueiros - mas estes, como é sabido, são ricos.
Não está aqui em causa se existem redes de crime organizado entre os ciganos e se o nomadismo pode facilitar o seu encobrimento - há provas de que elas existem e a esquerda francesa faz mal em tentar recusar o óbvio. O que está em causa é o estabelecimento da equação cigano=criminoso e estrangeiro=criminoso que o Presidente e o Governo francês têm feito tudo para afirmar, alimentando os mais baixos sentimentos de uma classe média e baixa em perda de poder de compra e risco de desemprego. (Veja-se o apoio popular às declarações racistas do banqueiro Thilo Sarrazin na Alemanha.)
Hoje as ruas das cidades de França vão certamente encher-se de slogans anti-Sarkozy e os manifestantes vão congratular-se na sua solidariedade humanista com os emigrantes. Mas dentro de casa ficará uma camada considerável de pessoas, talvez crescente, para quem Sarkozy fala, que está pronta a aceitar leis diferentes para cidadãos conforme a sua origem geográfica ou a sua cor da sua pele, e que o estarão tanto mais quanto mais a situação social se degradar. Algo que teríamos considerado impensável em 1945.












