19 janeiro, 2009

Hoje é o primeiro dia




O título deste post retoma a melodiosa canção de Sérgio Godinho, que sempre serviu de mote para muitas causas, momentos e sentimentos.
Um nó górdio será hoje desfeito. Para o bem ou para o mal, consoante o ponto de vista em que nos colocarmos, é claro.
No dia em que a guerra dos números vai ser um dos pomos da discórdia (e desta vez até é um dos cernes da questão, já que o outro ocorrerá com a entrega dos OIs), retomo (parte) do editorial do DN de hoje, subordinado ao tema:

A primeira avaliação da guerra da avaliação


Hoje pode ser o dia D para a luta dos professores portugueses contra a avaliação. Depois dos recuos do ministério - que se recusa a falar em recuos - e da promulgação do regime simplifcado pelo Presidente da República, o movimento ficou sem grande margem de manobra. Foi, também ele, recuando para os redutos mais radicais da luta. E é essa radicalização que hoje será avaliada.

É óbivo que o ambiente e a opinião pública já mudaram - se é que alguma vez estiveram do lado dos que não pretendem nenhum tipo de avaliação. Resta agora perceber que efeitos que isso teve nos próprios professores - são 140 mil ao todo, e desses muitos há que precisam da avaliação deste ano para subirem de escalão, outros haverá que estão cansados (económica e psicologicamente) desta luta tão comprida.

Em todo o caso, até ao final do ano, que é como quem diz até ao final da legislatura e eleições, haverá dois números-chave para a ministra da Educação e para todo este processo. Um será a adesão da greve de hoje. Aqui, os sindicatos levam uma certa desvantagem analítica, porque este estará sempre em comparação com o estrondoso número da greve de Dezembro. O outro número é mais real: será no final deste mês quando se souber quantos professores entregaram os objectivos individuais para serem avaliados.

Esta equação permitir-nos-á avaliar, com toda a certeza, quantos professores já estão contentes com o modelo simplificado, quantos querem de facto ser avaliados. E no final se perceberá quam ganhou esta guerra. Se os professores ou o ministério. Ou ainda, e mais importante, os alunos.

(...)


18 janeiro, 2009

Em Português Correcto

Ora aqui está um óptimo site ao serviço do bom uso da língua portuguesa.

Por exemplo, qual é a forma correcta?

a Tenho que me ir embora.
b)Tenho de me ir embora.

Veja a explicação e a resposta.

Aqui

Dois pesos e duas medidas

Já aqui se fez referência ao facto de o site do Ministério da Educação parecer, por vezes, um verdadeiro Ministério da Propaganda, pelas coisas que aí são publicadas.
Mas como se isso não fosse suficiente, há por ali tratamentos completamente diferenciados.

Repare-se no tratamento preferencial que foi dado quando o Ministério recebeu 13 professores que apoiavam o actual modelo de avaliação. Vaje-se aqui o destaque.
Recentemente, no passado dia 16, a Ministra recebeu 139 presidentes dos conselhos executivos que discordam do actual modelo e da sua implementação. E onde é que está essa notícia no site? Não está, é claro.
Só é notícia o que convém, não é?

Os melhores do mundo. E os piores

18.01.2009, António Barreto, no Público

A tentativa de socialização do êxito de Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo foi considerado, pela FIFA, o melhor jogador de futebol do mundo no ano de 2008. O título segue-se a vários outros de importância e prestígio crescente. O homem tem talento. É reconhecido. Talvez tenha mesmo génio a fazer o que faz. Muito bem. Entre os portugueses, Eusébio e Luís Figo tinham alcançado êxitos semelhantes. São homens de excepção e jogadores extraordinários. Mesmo quem não goste ou não frequente os desafios de futebol rende-se facilmente perante a chispa, o engenho e o merecimento daquele futebolista. E de seus dois pares. Numa altura em que centenas de jogadores de futebol portugueses, naquela que é uma verdadeira nova indústria de "nicho", se exibem nos estádios de todos os países europeus, um deles chegou ao cume. Sendo o futebol o que é, muitos foram os que jubilaram com este triunfo. É natural.

Não faltou quem tentasse de imediato generalizar o mérito. Ou socializar o êxito. A família, os amigos, o clube da Madeira, os "olheiros", os treinadores, o Sporting, as escolas de futebol, os professores, as equipas técnicas, a Federação, o inevitável secretário de Estado, o Governo e os jornalistas desportivos: todos passaram a merecer honras de genialidade. Todos reivindicaram uma quota-parte de responsabilidade. Ouvindo e lendo o que se disse, o talento do homem quase desaparecia. Considerar que se trata do triunfo de um sistema, de uma organização e de um povo é um puro esbulho. A verdade é que estamos perante uma aptidão individual excepcional e que, como tal, deve ser aplaudida. Mas há, entre nós, quem tenha por hábito enriquecer sem justa causa, para não dizer à custa de outrem. Misérias do mundo, nada de novo.

Mais interessante e muito mais deprimente foi a maneira como a discussão e os comentários que se seguiram procuraram de seguida alargar o problema e divagar sobre "este país". Há um grande partido, formado por optimistas bacocos, que deu largas à sua cantilena. O raciocínio, se assim se pode dizer, é simples: em muitos sectores, somos os ou dos melhores do mundo. Um Nobel, um cientista, uma fadista, um jogador de futebol, um arquitecto e um atleta: aí estão exemplos do que somos e podemos ser. Sendo assim, por que razão anda por aí tanta gente a dizer mal de nós? Por que gastam os portugueses tanto tempo a flagelar-se e a queixar-se quando a glória está ao alcance da mão? Cita-se um conjunto incerto e não identificado de pirrónicos invejosos que não suportam o êxito de alguém e que supostamente consideram que somos os piores do mundo. Por que há tantos políticos, comentadores, intelectuais, economistas, trabalhadores e "gente normal" a dizer mal do país? As suas perguntas ficam sem resposta. Mas logo acrescentam os crédulos: em vez disso, temos é de dar sinais de esperança, pensar positivo, puxar para cima e mostrar a toda a gente que podemos estar entre os melhores do mundo. Podemos todos ser Cristianos Ronaldos! Podemos todos ganhar o Nobel!

Estes profissionais do optimismo não resistem. Uns são pagos para isso, nas redacções, nos gabinetes dos ministros ou nas agências de comunicação. Outros sonham com glórias vistosas, efémeras sejam elas. Sonham com uma voz que se ouça no mundo. Sonham com uma excepção que não merecem. Qualquer derrota, normal e frequente no mundo inteiro, é motivo para as mais obscuras lucubrações sobre o destino fatal do país. Do mesmo modo, a vitória de um concidadão presta-se aos mais surpreendentes desvarios sobre o génio português. É uma maneira de se ser infeliz. É o modo de ser dos saloios. No próprio dia em que Cristiano Ronaldo foi ungido do seu título, a RTP oferecia-nos um fantástico debate, dito de Prós e Contras, durante o qual foram pronunciados todos os disparates imagináveis. Na presença, como sempre, de um angélico e extasiado secretário de Estado, um conjunto de pessoas serviram-nos os lugares-comuns habituais. Todos podemos fazer igual. Há, em Portugal, génios e talentos de sobra. A ninguém ocorre, evidentemente, aludir a um êxito excepcional, mil vezes mais importante do que qualquer prémio, como seja a descida brutal da mortalidade infantil, que colocou Portugal, nesse domínio, num dos primeiros lugares no mundo. A diferença entre esta vitória e a de Cristiano Ronaldo é que a última é um feito de talento pessoal e de excepção, enquanto a primeira resulta do trabalho de centenas ou milhares de pessoas, de organização, de trabalho meticuloso, de planeamento cuidado e de sacrifício humilde. Este é um feito de muitos médicos e enfermeiros, de paramédicos e condutores de ambulâncias, de analistas e administradores. E, sobretudo, de vários Governos, que fizeram o que de melhor deles se espera: deixar trabalhar, não pretender meter-se em tudo e não procurar louros eleitorais.

Durante décadas, Portugal foi um país singular. Distinguia-se dos outros. Pelo analfabetismo, pela pobreza, pela duração de uma ditadura, pela censura, pela polícia política e por outros feitos de igual calibre. Gradualmente, o país foi-se transformando e foi ficando "um país como os outros". Com cada vez menos "história", que, como terá dito Tolstoi, é o próprio das pessoas felizes. Com bons e maus, excelentes e péssimos. Com estúpidos e inteligentes, como em todo o sítio. Com êxitos e falências, como deve ser. Só se espera que seja sempre assim. Sempre e cada vez mais. Que os portugueses não queiram de novo distinguir-se! Que ambicionem pelo dia em que, sem prémio Nobel, a maior parte dos alunos tenham notas decentes a Matemática e Português. Que lutem pelo dia em que um processo no tribunal não dê, durante anos, notícias em todos os jornais do mundo, mas que, simplesmente, chegue à sentença sem ter história. Que trabalhem o necessário para que não tenham os mais baixos rendimentos da Europa. Que sejam habitualmente recompensados ou punidos, quando merecem. Nesse dia, talvez outro Cristiano volte a ganhar. E outros indispensáveis heróis surgirão. Mas o disparate que se seguirá será bem menor.

Morre lentamente

Pablo Neruda

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar,
morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoínho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida a fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante...
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio pleno de felicidade.


Versão Youtube

16 janeiro, 2009

19 Janeiro: Greve nacional dos professores

Transparência na Administração Pública

Esta é uma proposta da Associação Nacional para o Software Livre (ANSOL) para apoiar a transparência na administração pública portuguesa.

Este site particular permite saber tudo o que o portal das compras públicas não mostra. Há, como aí se diz, "valores absurdamente elevados ou aparentemente duplicados"...

Na elaboração do site foram utilizados os programas lighttpd (web server), WordPress (gestor de conteúdos) e a base de dados MySQL; todos são Software Livre.

O custo total foi o seguinte: 18€ + 7h54 min

Para ver aqui.

15 janeiro, 2009

Cidadania

Foi aprovado pela Assembleia Municipal de Lisboa, no passado dia 6 de Janeiro, o Orçamento e o Plano Anual de Actividades para 2009. Estao agora reunidas as condições para a Câmara Municipal de Lisboa implementar os projectos seleccionados pelos cidadãos através do Orçamento Participativo.

No site do Orçamento Participativo (www.cm-lisboa.pt/op) está disponível um questionário para todos os que quiserem colaborar nesta avaliação, incluindo aqueles que não participaram no processo.

Assim, Câmara Municipal de Lisboa solicita que se divulgue esta possibilidade de participação, para que todos possam pronunciar-se sobre esta matéria.

Com o contributo de todos, a Câmara Municipal de Lisboa poderá melhorar este processo a fim de corresponder às verdadeiras aspirações e necessidades da sua população, aprofundando o seu envolvimento na gestão da nossa cidade.

Aviso às navegações amorosas

Na terça-feira à noite, numa tertúlia na Figueira da Foz, D. José Policarpo advertiu as jovens portuguesas para o "monte de sarilhos" que podiam ter se se casassem com muçulmanos: "Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam".
A partir daqui parece que caiu o Carmo e a Trindade.... pois surgiu um enorme coro de protestos em que o Bispo foi apelidado de intolerante, sectário, etc, etc...
Há por aqui muita hipocrisia, pois todos sabemos como as mulheres são tratadas a (médio) Oriente. É preferível prevenir. Porque depois já não há remédio!
E já lá diz o ditado: quem te avisa, teu amigo é!

Auto-avaliação

A brincar.... a brincar....

13 janeiro, 2009

Espanha promove a imagem dos professores

Esta sim é uma forma, entre outras, de olhar correctamente a Educação, valorizar a imagem dos professores e, consequentemente, da Escola Pública. Vejam/oiçam:

http://www.educarex.es/documentos/anuncio/anuncio.html


Português exacto

Conversor para o novo acordo ortográfico.
Aqui.


12 janeiro, 2009

Guia da avaliação de desempenho docente

O Ministério da Educação disponibilizou hoje o guia da avaliação de desempenho docente, para o ano lectivo em curso. Aí está tudo muito explicadinho. Como convém, para que não haja equívocos.
E aí se diz em determinado momento: É aconselhável que os objectivos individuais, salvo em situações excepcionais e devidamente justificadas, não ultrapassem o número de seis.
Isto só pode ter sido escrito por duas razões: ou porque o ano já vai a meio, ou para poupar os presidentes das CEs a fastidiosas leituras. É a versão simplex dos objectivos.
Porquê seis e não cinco (que é o número dos parâmetros), sete, ou uma dúzia? Estamos no reino do puro arbítrio....

Aqui.

Procriação

Ora aí está um claro sinal de que pelo menos em matéria de procriação não somos nada maus. Pelos vistos a crise ainda não chegou ao truca-truca. Ainda bem!
Segundo o Diário Digital, Portugal é um dos oito países europeus onde o número de nascimentos aumentou entre 1997 e 2006 graças à comunidade imigrante, indica um estudo publicado domingo pelo instituto alemão Max Planck.

Crise? Qual crise!

Segundo o Público de hoje Armando Vara foi promovido na Caixa Geral de Depósitos (CGD) um mês e meio depois de ter abandonado os quadros do banco público para assumir a vice-presidência do Banco Comercial Portugal (BCP). O ex-administrador da CGD e ex-quadro da instituição, com a categoria de director, foi promovido ao escalão máximo de vencimento, ou seja, o nível 18, o que terá reflexos para efeitos de reforma.
Isto é o que verdadeiramente se pode chamar um "salto à Vara"!

Isto é uma fantochada!

Medina Carreia comenta a situação do país.



10 janeiro, 2009

EUA: Mulheres preferem navegar na web a fazer sexo

Segundo o Expresso, ter acesso à Internet é uma prioridade para 71% dos adultos norte-americanos. Ter relações sexuais ou ir jantar fora são actividades que podem ficar para segundo plano quando há uma ligação à rede. Quase metade das mulheres inquiridas chegou mesmo a afirmar que prefere navegar na web do que manter relações sexuais.
Há duas posssíveis explicaçãoes para um resultado desta natureza:
1ª - O estudo foi realizado nos Estados Unidos.
2ª - O estudo foi patrocinado pela Intel.

O mês das fracturas

Janeiro de 2009 será seguramente a mãe de todas as cisões, tendo em conta:
- dia 19 de Janeiro: o número de adesões à greve.
- nos próximos tempos (que conincidirão com os finais de Janeiro): o número de professores que vão entregar os objectivos individuais e os que vão requerer a observação de aulas.
A partir daqui, e consoante os números, nada será como dantes. Ou será?

09 janeiro, 2009

Educação: os critérios da excelência

09.01.2009, Lídia Jorge, no Público

A titularidade foi dada a professores bons, excelentes, maus e muito maus. Não premiou nada, porque baralhou tudo.

1.Ficarão por muito tempo célebres os braços-de-ferro que Margaret Thatcher manteve com os sindicatos do Reino Unido, como conseguiu vencê-los, e como à medida que os humilhava, mais ia ganhando o eleitorado do seu país. Na altura a primeira-ministra britânica era a voz da modernidade liberal, criou discípulos por toda parte, e ainda hoje, apesar do negrume da sua era, há quem se refira à sua coragem como protótipo da determinação governativa. Mas neste diferendo que opõe professores e Governo, está enganado quem associa o seu perfil ao de Maria de Lurdes Rodrigues. Se alguma associação deve ser feita - e só no plano da determinação -, é bom que o faça directamente com a pessoa do primeiro-ministro.
De facto, a equipa deste Ministério da Educação tem-se mantido coesa, iniciou reformas aguardadas há décadas, soube transferir para o plano da realidade as mudanças que em António Guterres foram enunciadas como paixão, conseguiu que o país discutisse a instrução como assunto de primeira grandeza, fez habitar as escolas a tempo inteiro, fez ver aos professores que o magistério não era mais uma profissão de part-time, arrancou crianças de espaços pedagógicos inóspitos, e muitos de nós pensámos que a escola portuguesa ia partir na direcção certa. Quando José Sócrates saía com todos os ministros para a rua, nos inícios dos anos lectivos, via-se nesse gesto uma determinação reformista que augurava um caminho de rigor. Não admira que o primeiro-ministro várias vezes tenha falado do óbvio - que era necessário determinar quem eram, na escola portuguesa, os professores de excelência. Era preciso identificá-los, promovê-los, responsabilizá-los, outorgar-lhes credenciais de liderança. Era fundamental que se procedesse à sua escolha. Mas a sua equipa legislou sobre o assunto e infelizmente errou.

2.Errou ao criar, de um momento para o outro, duas categorias distintas, quando a escola portuguesa não se encontrava preparada para uma diferenciação dual. A escola portuguesa tinha o defeito de não diferenciar, mas tinha a virtude de cooperar. O prestígio do professor junto dos alunos e dos colegas não era contabilizado, mas era a medida da sua avaliação. Pode dizer-se que era uma escola artesanal que necessitava de uma outra sofisticação. Mas, para se proceder a essa modificação com êxito, era preciso compreender os mecanismos que a sustentavam há décadas, e tomar cuidado em não humilhar uma classe deprimida, a sofrer dia a dia o efeito de uma erosão educacional que se faz sentir à escala global. Só que em vez da aplicação cuidadosa e gradual de um processo de mudança, a equipa do Ministério da Educação resolveu criar um quadro de professores titulares, a esmo, à força e à pressa. No afã de encontrar a excelência, em vez de se aplicar critérios de escolha pedagógica e científica, aplicaram-se critérios administrativos, de tal modo aleatórios que deixaram de fora grande percentagem de professores excelentes, muitas vezes os responsáveis directos pelo êxito pedagógico das escolas.
O alvoroço que essa busca de um quadro de excelência criou está longe de ser descrito devidamente. Basta visitar algumas escolas para se perceber como a titularidade está distribuída a professores bons, excelentes, mas também a maus e muito maus, e foi negada a professores competentes. Isto é, criou-se um esquema que não premiou nada, porque baralhou tudo. Os erros foram detectados por muita gente de boa fé, em devido tempo, mas o processo avançou, a justiça não foi reposta, nem sequer a nível da retórica política. Pelo contrário, aquilo que a razão mostrava à evidência foi sendo desmentido, adiado, ridicularizado, ou desviado para o campo da luta sindical dita de inspiração comunista.

3.O segundo instrumento ao serviço da excelência não teve melhor sorte. Era preciso inaugurar nas escolas uma cultura de responsabilidade que até agora fora relegada para determinismos de vária ordem, menos os estritamente pedagógicos, o que era um vício da escola portuguesa, pelo menos até à publicação dos rankings. Mas aí, de novo, a equipa do Ministério da Educação funcionou mal. Se os campos de avaliação do desempenho dos professores estão mais ou menos fixados, e começam a ser universais, os parâmetros em questão foram pensados por mentes burocráticas sem sentido da realidade, na pior deturpação que se pode imaginar em discípulos de Benjamin Bloom, porque um sistema que transforma cada profissional num polícia de todos os seus gestos, e dos gestos de todos os outros, instaura dentro de cada pessoa um huis clos infernal de olhares paralisantes. Ninguém melhor do que os professores sabe como a avaliação é um logro sempre que a subjectividade se transforma em numerologia. Claro que não está em causa a tentativa de quantificação, está em causa um método totalitário que se transforma num processo autofágico da actividade escolar. Aliás, só a partir da divulgação das célebres grelhas é que toda a gente passou a entender a razão da pressa na criação dos professores titulares - eles estavam destinados a ser os pilares dessa estrutura burocrática de que seriam os pivots. Isto é, quando menos se esperava, e menos falta fazia, estavam lançadas as bases para uma nova desordem na escola portuguesa. Como ultrapassá-la?

4.Não restam muitos caminhos. Ultimamente, almas de boa fé falam de cedência de parte a parte. Negociação, bondade, comissões de sábios. A questão é que não há, neste campo, nenhuma justiça salomónica a aplicar. O objecto em causa não é negociável. Tendo em conta uma erosão à vista, só a Maria de Lurdes Rodrigues, que sabe que foi longe de mais, competiria dizer "Não matem a criança, prefiro que a dêem inteira à outra", mas já se percebeu que não o vai fazer. Obcecada pela sua missão, que começou tão bem e está terminando mal, quererá ir até ao fim, mesmo que do papel dos mil quesitos que alguém engendrou para si só reste um farrapo. É pena. Depois de ter tido a capacidade de pôr em marcha uma mudança estrutural indispensável para a modernização do ensino, acabou por não ser capaz de ultrapassar o desprezo que desde o início mostrava ter em relação aos professores. E, no entanto, numa política de rosto humano, seria justo voltar atrás, reparar os estragos, admitir o erro sem perder a face. Ou simplesmente passar o mandato a outros que possam reiniciar um novo processo.
De facto, em Portugal existem vários vícios na ascensão ao poder. Um deles consiste em não se saber entrar no poder. Pessoas sem perfil técnico, ou humano, aceitam desempenhar cargos para os quais não foram talhados. Parece que toda a gente gosta de um dia dizer ao telefone, no telejornal, "Papá, sou ministro!", com o resultado que se conhece. Outro é não se saber sair do poder. Houve um tempo em que Mário Soares ensinou ao país como os políticos saem no tempo certo, para retomarem, quando voltam a ser úteis. Os grandes políticos conhecem a lei do pousio. E o objecto da disputa deve ser sempre mais alto do que a própria disputa. É por isso estranho e desmedido o que está a acontecer.

5.José Sócrates deverá estar a pensar que pode ter pela frente um golpe de sorte - Margaret Thatcher teve a guerra das Falklands - e até pode vir a ter uma maioria absoluta outra vez. Aliás, pelo que se ouve e vê, a frase da ministra da Educação "Perco os professores mas ganho o país", cria efeitos de grande admiração junto duma população ansiosa por ver braços-de-ferro no ar, sobretudo se eles vierem do corpo de uma mulher. Não falta quem faça declarações de admiração à sua coragem, como se a coragem prescindisse da razoabilidade. E até é bem possível que a Plataforma Sindical um dia destes saia sorridente da 5 de Outubro com um acordo qualquer debaixo do braço, como já aconteceu.
Mas a verdade é que, a insistir-se neste plano, despropositado, está-se a fomentar uma cadeia de injustiças e inoperâncias que só a alternância democrática poderá apagar. Se José Sócrates pediu boas soluções e lhe ofereceram estas, foi enganado, e deveria repensar nos seus contratos. Mas se ele mesmo acredita neste processo kafkiano, é uma desilusão, sobretudo para os que confiaram na sua capacidade de ajudar o país a mudar. Neste momento, entre nós, a educação tornou-se uma fábula.

Sem calças


Vai realizar-se no dia 10 de Janeiro às 15h00, no Jardim de Telheiras, ao lado do metro, o Sem Calças 09 Lisboa.

O No Pants! é uma missão pública que é realizada anualmente em várias cidades do mundo; a primeira decorreu no Metro de Nova Iorque em 2002.

Aqui está um vídeo da última No Pants.

Mais informações aqui

Gato escaldado....

Chumbo, é claro

Por vezes somos assim: acreditamos que o impossível aconteça, não é? Mas a realidade aí está para provar que nesta coisa de causas, nem sempre prevalecem os princípios. Os tachos soam mais alto!

Vem tudo sito a propósito das votações, hoje realizadas no Parlamento, relativas à suspensão da avaliação dos docentes, tendo por base propostas do PSD, BE e PEV. É claro que o PS cerrou, de certo modo, fileiras e fez-lhes um grande manguito...
E um simples voto pode fazer toda a diferença.

Humor (mesmo) negro

05 janeiro, 2009

Suplementos remuneratórios

O Decreto Regulamentar n.º 1-B/2009, hoje publicado, fixa o suplemento remuneratório a atribuir pelo exercício de cargos de direcção em escolas ou agrupamentos de escolas, bem como prevê a atribuição de um prémio de desempenho pelo exercício de cargos ou funções de director, subdirector e adjunto de agrupamento de escolas ou escola não agrupada.
Esta é uma estratégia de sucesso, pois há sempre alguém que precisa de (mais) dinheiro, não é?

Aqui.


O fim das águas turvas

Foi publicado hoje o Decreto Regulamentar n.º 1-A/2009, que estabelece um (mais um!) regime transitório de avaliação de desempenho do pessoal docente.
O decreto regulamentar entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação, ou seja, amanhã, dia 6 de Janeiro. Os presidentes dos conselhos executivos têm agora dez dias úteis para fixar um prazo limite para a apresentação e fixação dos objectivos individuais.
A partir de agora é que deixa de haver águas turvas.

O Decreto Regulamentar.


04 janeiro, 2009

Transparência

Ora aí está uma medida já há muito esperada: o preço dos combustíveis online.
Muito embora só se encontre a funcionar plenamente a partir do dia 16 de Fevereiro, é já possível usar alguma da informação existente. Aqui.
Já este ano a equipa masigasolina tinha lançado uma iniciativa deste tipo.
Por outro lado, nas autoestradas é possível já encontrar umas placas que dizem: “Brevemente informação do preço do combustível”. Esperemos que seja mesmo em breve.

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


Carlos Drummond de Andrade


02 janeiro, 2009

Mais provas

o Presidente da República promulgou na 4ª feira o novo decreto que legisla o regime simplificado de avaliação dos professores, que já pode ser consultado aqui.
Aguarda-se, agora, a respectiva publicação.
Todavia, como está agendada para o dia 8/1/2009, na Assembleia da República, a votação de uma proposta do PSD que visa a suspensão da avaliação... a ver vamos o que vai suceder... Será que nenhum deputado vai faltar à sessão? E como é que vão votar alguns deles?
Por outro lado, para o dia 10/1/2009 está agendada uma reunião, de âmbito nacional, dos presidentes dos Conselhos Executivos, que terá lugar em Coimbra.

Evidências

O Presidente da República, no discurso de ano novo,:
Há uma verdade que deve ser dita: Portugal gasta em cada ano muito mais do que aquilo que produz.
La Palisse não diria melhor.

28 dezembro, 2008

A crise na educação

O que eu penso é que os professores - o paradigma do cidadão útil e consciente de uma sociedade – são gente que não protesta sem ter razões muito fortes para o fazer. Uma crise nesta área tem sempre qualquer coisa de suicidário. Não são agentes puramente patológicos de uma sociedade. São sintomas de que há uma crise do tipo de educação que temos. É verdade que tem sempre que existir um mínimo de crise, porque, senão, significa que a educação não se está a pensar a si própria. Desde Maio de 1968 que o lugar de ministro da Educação é o lugar mais horrível que existe…

Eduardo Lourenço, Visão nº 825, 25/12/2008


25 dezembro, 2008

Silent Night

Mais uma cena em sala de aula

Ao que isto chegou... ou ao que deixámos que isto chegasse?
Estamos no Natal ou já chegámos ao Carnaval?

Para ler e ver. Aqui.


17 dezembro, 2008

Prendas de Natal

Já que estamos no Natal, aí estão os presentes do Ministério da Educação.
O Governo aprovou hoje o regime transitório e simplificado do modelo de avaliação docente, o famoso Simplex.
Alguns viram o sapatinho mais recheado. Como convém.
Assim, segundo o Público, os professores que estiverem em condições de pedir a reforma nos próximos três anos serão dispensados da avaliação de desempenho, se assim o quiserem.
Além destes, também os professores contratados pelas escolas para leccionar áreas profissionais, tecnológicas e artísticas, que não estejam integrados em qualquer grupo de recrutamento, poderão igualmente pedir a dispensa da avaliação.

Eu diria que em condições de pedir a reforma estamos todos. Desde já. Bora lá!


Que saudades que eu já tinha

Isto estava a ficar demasiado calmo em termos de legislação...
Eis senão quando... aí estão eles de novo, os despachos... para aquecer as hostes.
Estes dois... e, como não há dois sem três, ainda mais este.

PSL está de volta

A Comissão Política do PSD anunciou hoje que Pedro Santana Lopes será o candidato para Lisboa.
Manuela Ferreira Leite, indicou que os candidatos às câmaras não concorrem para deputados. Ora aqui está uma boa notícia. Finalmente vamos ver-nos livres do PSL.
Marcelo Rebelo de Sousa considera Santana Lopes o melhor candidato. Esquceu-se de dizer que era o melhor candidato para perder.

16 dezembro, 2008

Falha grave de segurança no IE

De acordo com o Público de hoje, uma falha no Internet Explorer permite tomar controlo de um computador e roubar-lhe as senhas, revela a BBC Online. Especialistas aconselham os utilizadores a mudarem de navegador até o problema estar resolvido.
É uma boa oportunidade para migrar para o Firefox.

11 dezembro, 2008

Estratégia para uma vitória pírrica

Na tentativa de fazer passar a sua mensagem, o site do Ministério da Educação tem-se vindo a transformar no Minsitério da propaganda. É uma profusão de informação, ou melhor, de "clarificações", sobre a temática da avaliação dos professores que parece estarmos perante um Ministério da Avaliação e não da Educação. Porque desta já não se fala.

Leia-se o texto "10 mitos sobre a avaliação do desempenho docente" e percebe-se como facilmente se metem no mesmo saco as opiniões e os factos. Bem misturadinhos, que é para confundir ainda mais.

Há que vencer a qualquer preço! Que, pelo que já se percebeu, vai ser elevado.


Dois dedos de música

09 dezembro, 2008

A sala de aula do futuro

A evolução de uma sala de aula em: 2008, 2015, 2025 e 2035.
Simples ficção ou muito mais do que isso?

Para ver aqui.

05 dezembro, 2008

O papel social da escola

Afinal, os professores são dispensáveis.
Para ler no Blasfémias

Os animais salvam o planeta

Parece feito para os mais novos. Mas serve para todas as idades..

Aqui


Debaixo do meu guarda chuva

Revista

Acaba de ser colocado online o segundo número da revista Educação, Formação & Tecnologias.
O aceso pode ser feito a partir daqui.

Praxar a praxe

Já não era sem tempo!
Segundo o Público "O Tribunal da Relação do Porto condenou o Instituto Piaget a pagar uma indemnização de cerca de 40 mil euros a uma aluna vítima de actos de praxe, considerados degradantes e humilhantes".

04 dezembro, 2008

Manual de Ferramentas Web 2.0

Está acessível o Manual de Ferramentas da Web 2.0 para Professores, no endereço da DGIDC.


Perder a face

MLR admitiu hoje no parlamento que está disponível para alterar e até substituir o actual modelo de avaliação dos professores no próximo ano lectivo.
«Uma vez iniciada este ano uma avaliação séria dos professores, estarei totalmente aberta à discussão de alterações a este modelo e até à sua substituição, mas em anos seguintes, não neste».
Isto só prova a sua própria descrença em algo que já não tem pernas para andar.
É o descrédito total, sustentado por uma tonta teimosia.

Para ouvir na TSF

Comentário sonoro de JMF do Público (que parece que também percebeu, finalmente, alguma coisa do que se passa!).


03 dezembro, 2008

O Natal que eu quero

"O Natal que eu quero"
Daniel Sampaio
Público (revista "Pública")
30.10.2008


Ninguém me pediu opinião, eu sei. Na escola é costume não ligar muito ao que pensam os alunos. Mas eu gramo a escola, gosto dos meus amigos e há uma data de professores que até são fixes.Ando no 8.º, tenho bué de disciplinas, algumas não dá para entender. Estudo acompanhado para um gajo de 14 anos? Formação Cívica? Não percebo bem, é uma coisa de 90 minutos por semana em que o stôr, que é o director de turma (nós dizemos DT), está sempre a mandar vir, a dizer para nos portarmos bem. Da Matemática não me apetece falar, o stôr tem pouca pachorra para tirar dúvidas. História é um bocado seca e percebo mal o livro, faço confusão porque não contam a vida dos reis como o meu avô me explicava, por isso estudo para os testes e depois esqueço tudo.Não, não pensem que venho aqui criticar a escola, já disse que gosto de lá andar. O problema é que aquilo anda mesmo esquisito, podem crer. Já o ano passado os stôres andavam às turras com a ministra e apareciam nas aulas chateados, um gajo mandava uma boca e levava logo um sermão, às vezes diziam mesmo para nos queixarmos à ministra, como se chibar fosse coisa que desse jeito. Mas este ano está bem pior: falamos com os professores nos intervalos, "olá, stôr!" e eles andam mesmo tristes, a minha stôra de Inglês, que eu curto bué, diz que está "desmotivada" e que está farta de grelhas de avaliação e de pensar em objectivos. Eu de grelhas não percebo nada e, quanto aos objectivos, os meus são divertir-me uma beca e passar o ano, não quero mesmo ficar para trás porque os meus pais dão-me nas orelhas e fico sem os meus amigos, que é uma das coisas porreiras que a escola tem.Por isso peço a todos que se entendam. Ver os professores aos berros na rua é uma coisa que eu compreendo, têm todo o direito porque nós às vezes também andamos, o problema é que assim ainda há menos gente a preocupar-se connosco. Os nossos pais não têm tempo, andam sempre a trabalhar e ficam descansados porque estamos na escola a aprender e a lutar pelo nosso futuro, mas agora a coisa está preta, os nossos stôres estão cansados, o que é mau para nós: quem nos ajuda quando estamos aflitos? Eu sempre contei com um ou dois dos meus stôres, o ano passado quando me achava um monstro (cheio de borbulhas e a sentir que as miúdas não olhavam para mim) foi a stôra de Português que me chamou no fim da aula e conversou comigo, bastou ela ouvir com atenção e dizer que compreendia o que eu sentia para me sentir muito melhor. E quando o Tavares disse que se ia matar porque a rapariga com quem andava foi vista a curtir com um gajo qualquer, foi o nosso DT que falou com ele e lhe arranjou uma consulta no psicólogo.Não percebo nada da guerra dos professores, só sei que deve ser justa porque eles esforçam-se muito, já pensaram no que é aturar a malta, sobretudo alguns que só querem fazer porcaria, põem-se aos berros nas aulas e não obedecem, às vezes até palavrões dizem para os stôres? Muitos de nós querem aprender, mas o barulho é grande e há muita confusão, há lá gajos, repetentes e isso, que só lá estão porque são obrigados, depois há outros que são de fora e não percebem bem português, outros ainda têm problemas em casa e passam mal, a Vanessa que tem um pai alcoólico e que chora quase todos os dias ainda por cima foi empurrada na aula por um colega que só lá está a armar confusão... o DT disse que nós devíamos ser responsáveis e que tínhamos de acabar com isso, mas eu acho que a ministra devia era dar força aos professores para serem melhores, o meu pai diz que ela às vezes está certa mas eu não concordo, se vejo todos, mesmo todos os stôres da minha escola contra ela devem ter razão, os professores às vezes erram mas são importantes para nós, precisamos de estudar para ver se nos livramos do desemprego, isso é que é verdade!Por isso espalhem este mail, façam forward para quem quiserem. Digam aos que mandam para terminarem com as discussões que já estamos fartos e como na minha escola somos todos contra isso dos ovos (uma estupidez), digam à ministra e aos sindicatos que já chega! Façam uma escola melhor, ajudem os professores a resolver todos os problemas das aulas (ninguém pode fazer isso em vez dos stôres) e arranjem maneira de nós aprendermos mais, para ver se percebemos melhor o mundo e nos safamos, o que está a ser difícil.
Quem quiser dê opinião, o meu mail é brunovanderley@gmail.com, sou do 8.º E da Escola Básica 2/3 do Lá Vai Um.

Convicções

A propósito de convicções, vale apena ler, no Memórias Soltas de Prof, este texto de Rubem Alves

Quizás quizás quizás

Quizás, como canta Nat King Cole.... hoje dia 3 de Dezembro...com os índices de adesão à greve a baterem todos os recordes, estaremos seguramente perante a mãe de todas as batalhas...


02 dezembro, 2008

Greve, pois claro!

Em momento nenhum o Ministério da Educação admitiu que o modelo de avaliação era impraticável. Em momento nenhum reconheceu que errara. Em momento nenhum admitiu que teve que recuar.
Pelo contrário, procurou sempre passar a mensagem de que são as escolas e os professores que complicam o que é simples, e que não sabem aplicar o modelo.
O mesmo sucedeu relativamente ao estatuto dos aluno. A explicação dada, para justificar uma lei mal feita, foi a de que as escolas estavam a interpretar mal.
Esta atitude sistemática de querer passar um atestado de menoridade à classe docente é absolutamente inaceitável.
Se outras razões não houvesse (e todos sabemos que há imensas!) bastaria este tipo de tratamento para justificar a minha opção de amanhã, dia 3/12/2008.
Faço greve, é claro!
E convém dizer que há já muitos anos que não fazia uma greve...

Avaliar a Educação

Maria Regina Rocha opina sobre a avaliação do desempenho dos professores de que se fala, que se tenta implementar, que se altera... e de como ela constitui, no presente, um sério problema do e no sistema educativo.

Vale a pena ler no De Rerum Natura. Aqui.

01 dezembro, 2008

Protecção

Ainda não fui contemplado, ao contrário da maior parte dos meus colegas, com dois e-mails provenientes do Ministério da Educação/DGRHE/DGIDC. Um a convidar-me a preencher os objectivos individuais online; o outro a explicar as alterações entretanto propostas sobre o modelo de avaliação.
Só posso concluir que tenho o meu computador bem protegido contra determinado tipo de Spam. Ainda bem!

A epidemia



Assinala-se hoje, pela vigésima vez em todo o mundo, o Dia Mundial da Sida. Desde então algo tem mudado no modo como as pessoas se relacionam em termos afectivos e sexuais. Mas seguramente não tanto como seria desejável, tal como demonstram os números.
Em Portugal, desde 1983, já foram atingidas mais de 33 mil pessoas.
Notícia no Público.

30 novembro, 2008

Imparável

Tocante ou chocante?

Sob o título "Estou cansada como muitos portugueses estão cansados. Não dramatizo", o Público, na sua edição de 28.11, brindou-nos com uma entrevista à Ministra da Educação, cujo desfecho não resistimos a transcrever:
Garante, contudo, que também tem tido bons momentos. "Muitos." Pede-se-lhe que partilhe um. "Uma carta que recebi de um menino que recebeu um computador para ter em casa, não sei já em que circunstância, e escreveu-me a dizer: 'Quando for grande, vou inscrever-me no PS.' É tocante."

Palavras para quê?

A brincar.... a brincar...

A oeste nada de novo

Ontem, de acordo com o Público, o PS reafirmou o apoio à ministra da Educação e à reforma da avaliação.
Por sua vez o secretário de Estado afirmou que a "esperança" do Governo é que "os sindicatos se sentem à mesa e negoceiem sem condições prévias".
Segundo o JN de hoje, o Governo admite negociar movo modelo.

28 novembro, 2008

Afinal o que é que ainda se vai avaliar?

As alterações propostas pela Ministra ao modelo de avaliação são, apesar de ela ainda não ter tido a humildade de reconhecer, a falência do seu modelo.
Cede-se um pouco em toda a linha. O que fica já nem se percebe muito bem o que é. Seguramente que avaliação do desempenho não é.
Porque, sejamos claros:
· uma coisa é avaliar a qualidade do professor (a competência do professor - teacher competency);
· uma outra é avaliar a qualidade do ensino (o desempenho do professor - teacher performance);
· e uma terceira é avaliar o professor ou o seu ensino por referência aos resultados dos alunos (a eficácia do professor - teacher effectiveness).

. A competência professor refere-se a qualquer conhecimento específico, aptidão, ou posição de valor profissional, cuja posse se crê ser relevante para uma prática de ensino com sucesso. As competências referem-se a coisas específicas que os professores sabem, fazem, ou acreditam mas não aos efeitos destes atributos nos outros. A qualidade do professor aparece sempre referenciada em relação ao reportório de competências que ele possui.

· O desempenho do professor diz respeito ao seu comportamento no trabalho. O desempenho refere-se mais ao que o professor faz do que ao que pode fazer isto é, ao quão competente é. Sendo específico à situação de trabalho, o desempenho depende da competência do docente, do contexto em que o professor trabalha e da sua habilidade para aplicar as competências em qualquer momento. Deste modo, o desempenho aparece associado à qualidade do acto de ensinar.

· A eficácia do professor refere-se ao efeito que o desempenho do professor tem nos alunos. A eficácia depende não só da competência e do desempenho, mas também das respostas dos alunos. Do mesmo modo que a competência não pode predizer o desempenho em diferentes situações, também o desempenho não pode predizer os resultados em situações distintas.

Outros autores acrescentam, a este tríplice enfoque, um outro, que denominam a produtividade do professor (teacher productivity), que distinguem da eficácia. À semelhança desta trata-se de avaliar a contribuição do professor em relação aos ganhos de aprendizagem dos alunos, mas em múltiplas áreas, em todos os cursos ministrados e num espaço de tempo mais lato (vários anos escolares).

As alterações entretanto sugeridas acabaram com a parte do modelo em que havia, de facto, avaliação do desempenho: a observação do professor em sala de aula. Não se fazendo isso, não se pode falar, com rigor, em avaliação do desempenho.

Felizmente, e em boa hora, a questão da eficácia docente ficou, para já, sem efeito (visível nos resultados dos alunos e no abandono escolar). Ainda bem porque isso não é avaliação do desempenho e as variáveis em jogo são muitas.

Depois de tudo isto é caso para perguntarmos: o que é que afinal se vai ainda avaliar?
Pelos vistos, uma mão chão de intenções.... Não havia necessidade (como diria o diácono Remédios)!

O projecto de decreto regulamentar com as alterações que aí vêm pode ser lido aqui.

25 novembro, 2008

Recauchutagem? Não obrigado!

Houve, no tempo devido, oportunidade para o Ministério da Educação sair de face lavada deste imbróglio da avaliação dos professores. Agora é demasiado tarde. Por mais que tente. A teimosia e a falta de visão política levou a um extremar de posições e à separação das águas. O Ministério conduziu este processo de modo tão desastroso que até conseguiu pôr contra ele aqueles que até determinado momento estiveram do seu lado.
A recauchutagem que agora se quer fazer vem demonstrar que o que estava não serve, que não é exequível, por mais malabarismos que se façam. E, se não serve, não vale a pena estar a remendar o que não presta.
Urge (re)construir algo de novo. Partindo do princípio que a grande maioria dos docentes são bons profissionais, e que, portanto, ainda vale a pena melhorar o que já é bom; eventualmente, dar a mão a alguns (talvez não muitos) que dela necessitam; outros (seguramente uma ínfima minoria) terão de ficar pelo caminho.
Mas a pedra de toque aqui é ao serviço de que é que a avaliação está. Ou seja, avaliar para quê? Não é possível misturar modelos de avaliação que visam objectivos tão díspares como a prestação de conta ou a promoção na carreira docente procurando conjugar isso com o desenvolvimento profissional. Não é possível. Os métodos são distintos, assim como os critérios.
Urge, dizíamos, (re)construir algo de novo. De cariz mais formativo e menos sumativo; mais espaçado no tempo; que tenha em conta a (in)experiência profissional de cada um; mais ligado ao trabalho de equipa e de pares; que não aposte em mecanismos burocráticos e de controle; mais ligado ao reconhecimento do mérito e à, eventual, despistagem da incompetência.

Pen USB chega às farmácias

De acordo com a notícia publicada na Exame Informática, o ePCI promete revolucionar a saúde em Portugal. O sistema permite juntar análises, radiografias e diagnósticos num único dispositivo.

Esta pen destina-se ao cidadão comum e é um arquivo confidencial para toda a história do paciente, com eventos clínicos, alertas, receitas médicas e problemas de saúde. A Mobilwave, que criou o dispositivo, afirma que este pode integrar imagens, ecografias, endoscopias, radiografias e outro tipo de ficheiros relacionados com a saúde.

A pen está disponível em 3500 farmácias de todo o país, com um custo de 38 euros e tem 1 GB de armazenamento, podendo ir até aos 8 GB.


O vídeo

24 novembro, 2008

L'important c'est la rose

Gilbert Bécaud

Prémios e cotas

O Ministério da Educação premiou hoje cinco professores. Um com o
Prémio Nacional de Professores e os restantes em quatro categorias de mérito: Carreira, Inovação, Liderança e Integração.
Se estes docentes pertencessem todos à mesma escola e tivessem sido sujeitos ao modelo de avaliação que a Ministra propôs, sucedia que não poderiam ter todos a menção de Excelente, porque as cotas não davam para todos... O que nos leva à conclusão seguinte: Só podem ser professores Excelentes pelo facto de não pertencerem à mesma escola. O que é uma aberração.

23 novembro, 2008

Cavalgar a onda

Segundo o DN de hoje, os sindicatos têm uma proposta para apresentar à Ministra relacionada com a resolução do problema da avaliação para o corrente ano lectivo.
A notícia acrescenta que "o presidente da Fenprof não adianta mais pormenores, uma vez que a proposta a apresentar ainda não foi aprovada por todos os sindicatos da plataforma".
Não terão os professores uma palavra a dizer sobre essa proposta? Porque é que ela não é revelada? Afinal os sindicatos representam alguém ou só se representam a si mesmos? Há aqui um evidente jogo do gato e do rato...

A sensação que os acontecimentos mais recentes nos deixam é que anda demasiada gente a cavalgar esta onda. Servem-se dos professores e das fragilidades e incongruências do nefasto modelo de avaliação para fins muito diversos.

22 novembro, 2008

Personalizar resultados no Google

Os utilizadores do motor de busca Google podem a partir de agora personalizar os resultados das suas pesquisas, graças ao desenvolvimento de uma nova ferramenta, denominada SearchWiki.
Os utilizadores podem retirar alguns resultados e trocá-los por outros que lhe pareçam mais correctos. Sempre que é feita uma alteração os novos resultados daquela pesquisa específica aparecem no browser do utilizador que a fez.

Hillary



Hillary Clinton, a ex-rival de Barack Obama para a corrida à presidência e ex-primeira-dama dos Estados Unidos, aceitou o cargo de Secretária de Estado, dando assim a cara pelo Governo do homem que a venceu dentro do Partido Democrata.

E depois da maré vazar?


E depois da maré vazar?


22.11.2008, São José Almeida, no Público

Todas as boas intenções de Sócrates para o ensino público, se alguma vez existiram, esboroaram-se

A grande dúvida é perceber qual a real dimensão dos danos que provocará a batalha campal que se vive na sector da educação. O problema político de fundo já nem é o de saber quais os danos que esta guerra terá sobre o Governo - esses são públicos, notórios e difíceis de digerir até pelo PS -, é sim o de saber as consequências que ela irá ter sobre a sociedade portuguesa, ou melhor, sobre o ensino público em Portugal.
Desde que entrou no Ministério da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues procurou protagonizar o que foi assumido pelo primeiro-ministro, José Sócrates, como a reforma do ensino público, com o objectivo de não só melhorar, como assegurar o futuro desse mesmo ensino público. Sem tencionar questionar aqui a validade e a verdade dos propósitos dessa promessa, o que é facto é que a atitude intolerante, impositiva e autoritária que a ministra adoptou desde a primeira hora deitou a perder qualquer bondade e mérito que existissem nas intenções do Governo socialista em prol do ensino público.
Durante mais de três anos Maria de Lurdes Rodrigues, com absoluto apoio de José Sócrates, foi esticando a corda, forçando a pressão sobre os professores. Sempre com uma táctica de afronta directa. Sempre insistindo na demagogia de que o mau funcionamento da escola era responsabilidade dos professores. Sempre assumindo um tom de insulto de quem considera que os professores são pessoas mal formadas, que estão de má-fé nas escolas, que escolheram ou aceitaram leccionar apenas para fazerem uma carreira fácil (?), relativamente bem remunerada (?) e que permite estar de papo para o ar (?), gozando a vida.
Quando é sabido que o Ministério da Educação é uma mastodôntica estrutura de poder que envia directivas em cascata para as escolas. Quando é sabido que nada se passa numa escola sem que haja autorização, ordens, licença da 5 de Outubro ou da 24 de Julho. Quando é sabido que o Ministério da Educação é uma espécie de Titanic à beira de se afundar, ingovernável e cheio de pequenos poderes autoritários e de tiranetes patéticos, como já afirmei aqui (PÚBLICO 17/06/2006). Maria de Lurdes Rodrigues achou que podia atirar-se aos professores, como se eles fossem a origem de tudo o que corre mal no mundo da educação, como se fossem bandidos, que é preciso admoestar.
Ou seja, Maria de Lurdes Rodrigues elegeu os professores como bodes expiatórios de um sistema de ensino, apontando-os como uma cambada de preguiçosos e calões, aproveitadores dos dinheiros públicos e que se estão nas tintas para os alunos. E assumiu-se a si como a salvadora do sistema, que ia moralizar a classe docente, impor regras, acabar com a balda da escola pública. Ora, ao fim de três anos, a esquizóide cruzada de Maria de Lurdes Rodrigues resultou naquilo que era previsível. Os professores fartaram-se de ser insultados, fartaram-se de ser tratados como párias. E Maria de Lurdes Rodrigues bateu contra a parede.
Todas as boas intenções de Sócrates para o ensino público, se alguma vez existiram, esboroaram-se no embate da atitude suicidária de Maria de Lurdes Rodrigues contra o muro de mais de cem mil professores em luta. Nenhuma reforma se fará ou será lançada esta legislatura. E a verdade nua e crua é que, mesmo que José Sócrates insista em manter Maria de Lurdes Rodrigues no Ministério da Educação, ela já não é de facto ministra. E não é de facto ministra porque as escolas ignoram-na, os professores não aceitam a sua autoridade e não a respeitam, o país assiste incrédulo ao dilapidar da credibilidade da política por quem a devia dignificar.
É pena que Maria de Lurdes Rodrigues avance na táctica de pescar à linha escolas e interlocutores neste ou naquele sindicato, nesta ou naquela associação de pais, procurando até comprar o silêncio dos alunos com uma alteração menor no Estatuto do Aluno. É pena que Maria de Lurdes Rodrigues dê o dito por não dito e vá abastardando o seu modelo de avaliação, que garantia perfeito, com pequenas alterações tácticas, que não resolvem nada do problema de fundo, só mostram a sua incapacidade para o lugar que ocupa. É pena que o Governo não perceba que não se governa satisfazendo as reivindicações da rua, mas também não se pode governar ignorando o pulsar da rua. É pena que o PS tenha esquecido que é Governo. Como dizia António José Seguro, quando está "em causa a qualidade da escola pública", é certo que "não há lugar para posições inflexíveis".
Quanto à reforma de José Socrátes e do PS para a educação: qual era mesmo o objectivo? Melhorar a escola pública? Era?

O campo de batalha em que se transformou o ensino público trouxe à ribalta um outro protagonista: Mário Nogueira, que lidera a Fenprof e a plataforma de sindicatos de professores e que tem tentado puxar por toda a sua capacidade para se manter a surfar na crista da onda que foi formada pela revolta e indignação de professores na rua.
É importante que ninguém esqueça que não há sindicalismo em parte nenhuma do mundo que consiga o que a atitude sistemática de afronta à dignidade dos professores seguida pela ministra da Educação conseguiu em Portugal: colocar a classe docente na rua com manifestações sucessivas e um calendário de acções reivindicativas que passa pela greve nacional e pelo boicote às notas do primeiro período.
De facto, os sindicatos assinaram um acordo com a ministra e aceitaram um tipo de avaliação que foi lançada e posta a funcionar. Só que os sindicatos não são as escolas. Os sindicatos representam professores, não são os professores. E é evidente em toda esta guerra que os sindicatos foram ultrapassados pela rua. E só resta aos dirigentes sindicais engolir em seco, rasgar o acordo que assinaram e tentar navegar na crista da onda da contestação da rua, sob pena de serem afogados pela voragem da rebentação e acabarem a não representar ninguém. E, por mais que a posição de Mário Nogueira e dos outros dirigentes sindicalistas seja de pura sobrevivência política, é bom que sobrevivam e que o poder negocial não caia de todo na rua. A bem do ensino público e do que restar da escola, quando a maré vazar. Jornalista (sao.jose.almeida@publico.pt)

Estratégias para a cultura em Lisboa

Segundo a vereadora da Cultura, Rosália Vargas, o debate será transversal e abrangerá as mais variadas áreas sociais.
A ideia é olhar a cultura como um trampolim para a liberdade, povoar a cidade com ideias culturais "loucas", aproximar o conhecimento científico do cidadão e apostar no debate de ideias são passos diferentes num mesmo sentido: definir Estratégias para a Cultura de Lisboa, uma iniciativa da autarquia lisboeta, anteontem apresentada nos paços do concelho.
Um projecto onde todos podem participar...

O site do projecto

20 novembro, 2008

Avaliação: simplex ou divisex?

Ora aí estão as primeiras propostas de alteração ao modelo de avaliação. Parece evidente que a saída foi a do passo para a frente. Com alguma cosmética à mistura, pelo que já se percebe, o que aí vem é suficiente para dividir as hostes.
Nada será como dantes a partir de agora. Fechou-se um ciclo.

«Tenho de reconhecer que a forma como estávamos a concretizar a dimensão relativa aos resultados escolares não era confortável, nem razoável, mas excessiva, desajustada e com erros técnicos», disse Maria de Lurdes Rodrigues, em entrevista à RTP. É caso para dizer: Eureka!

As declarações da Ministra

A reacção dos sindicatos

Reunião extraordinária do conselho de ministros

Está a realizar-se esta tarde uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros sobre o processo de avaliação dos professores.
Será que finalmente o governo decidiu parar para analisar o que se está a passar?

Entretanto vai crescendo a lista de escolas que suspenderam a avaliação.
Ver site da Fenprof.

Ler devia ser proibido

19 novembro, 2008

O programinha informático

Retomo do Terrear uma explicitação sobre o e-mail que cada professor está a receber(ainda não chegou a minha vez!)relacionado com o programinha informático destinado a recolher online os objectivos individuais.
O Ministério continua a pescar à linha.

Vamos fazer-lhe um grande manguito!

Bola de neve...

Segundo o Público de hoje, o descontentamento face ao modelo de avaliação do desempenho docente alastrou aos conselhos executivos das escolas.
Em Viseu, os presidentes de 43 conselhos executivos enviaram a Maria de Lurdes Rodrigues um documento em que admitem demitir-se ou pôr o lugar à disposição, caso a ministra insista no actual modelo.

O legalista

Vital Moreira consegue ser mais papista que o papa. Há quem diga que se perfila para suceder a MLR. O seu discurso legalista é também o estertor, de quem não tem outros argumentos para além do "dura lex sed lex". No Público de hoje diz dislates deste calibre:

De resto, o saldo eleitoral desta contenda pode ser neutro ou mesmo positivo, se cada voto perdido entre os professores que não querem ser avaliados for compensado por outros tantos, ou mais, entre os eleitores que pagam a escola pública e querem ver aumentar a sua qualidade e eficiência, não aceitando que as reformas sejam sacrificadas por causa da defesa sectária de interesses profissionais.

Quem viu o passado deste homem..... a volta que ele já deu...

18 novembro, 2008

Ainda (e sempre) as faltas dos alunos

Retomo do Paulo Guinote as palavras da Ministra, em Outubro de 2007:
Acabamos com o anterior conceito de falta justificada ou injustificadas. Há faltas.

O resto da notícia no DN

Oposição exige suspensão da avaliação

Os deputados da oposição na Comissão Parlamentar de Educação e Ciência pediram hoje a suspensão “imediata” do processo de avaliação dos professores, enquanto o PS se mostrou disponível para melhorar o actual modelo.

Notícia no Público

Pesca (à linha) aos objectivos individuais

Ora aqui está, no site da DGRHE, a conversa da treta destinada a pescar os objectivos individuais, através de uma aplicação informática.
Vamos fazer-lhes um grande manguito, não é?

Com o objectivo de apoiar as escolas na implementação do processo de Avaliação do Desempenho dos docentes, a Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação disponibiliza a presente aplicação informática a qual irá sendo preenchida à medida que os agrupamentos e escolas não agrupadas vão estruturando o processo.
A implementação do novo regime de avaliação do desempenho docente tem como um dos seus pilares a definição dos objectivos individuais. Este processo, inicia-se com a apresentação de uma proposta do docente ao avaliador. Nesta aplicação informática, esta área permite a inserção dos objectivos formulados, que podem vir a ser objecto de reformulação. Os objectivos serão posteriormente validados pelo avaliador.

17 novembro, 2008

Menos burocracia?

A Ministra da Educação garantiu hoje que o modelo de avaliação não será suspenso. Mas está disposta a tornar a avaliação menos burocrática.
Quantos papéis a menos? é caso para perguntar.

O som na TSF

Faltas justificadas

Lei 3/2008 - Artigo 22º

2 — Sempre que um aluno, independentemente da natureza das faltas, atinja um número total de faltas correspondente a três semanas no 1.º ciclo do ensino básico, ou ao triplo de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos 2.º e 3.º ciclos no ensino básico, no ensino secundário e no ensino recorrente, ou, tratando -se, exclusivamente, de faltas injustificadas, duas semanas no 1.º ciclo do ensino básico ou o dobro de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos restantes ciclos e níveis de ensino, deve realizar, logo que avaliados os efeitos da aplicação das medidas correctivas referidas no número anterior, uma prova de recuperação, na disciplina ou disciplinas em que ultrapassou aquele limite, competindo ao conselho pedagógico fixar os termos dessa realização.”
A não aprovação na prova de recuperação pode determinar "o cumprimento de um plano de acompanhamento especial e a consequente realização de uma nova prova", "a retenção" ou "a exclusão do aluno", estabelece o número 3 do artigo 22º.

Não se venha é agora dizer, como se disse, que são as escolas que não sabem interpretar a lei (o pajem Albino Almeida referiu-se à "incapacidade das escolas").

Afinal o despacho que este fim-de-semana foi cozinhado para resolver este imbróglio, vem pôr em causa uma lei...o que por si só é estranho.
Como tal não pode ser um simples esclarecimento como foi dito, porque vem alterar, de modo substantivo, o que estava estabelecido (que era, de facto, uma monstruosidade, acrescente-se!)

Mais uma pedrada no charco

O Conselho de Escolas (CE) votou hoje, por maioria, a suspensão deste modelo de avaliação.
Com esta é que a Ministra não contava, habituada que estava a que o CE fosse a voz do dono.
A notícia no Público.

A burocracia nas escolas (por Zé Carlos)

O humor é, por vezes, e sobretudo quando ridiculariza pelo extremo, uma forma lúcida de dizer verdades.

Matemática




A Conferência internacional sobre Educação deste ano será dedicada ao Ensino da Matemática: Questões e Soluções.

Vários especialistas nacionais e estrangeiros vão estar presentes no auditório 2 da Fundação Gulbenkian, nas próximas segunda e terça-feira, para discutirem as dificuldades e as soluções que se apresentam para um ensino mais eficaz da Matemática. Como refere o Comissário da Conferência, Nuno Crato, na apresentação do tema: “São vários os estudos internacionais que mostram que em países muito desenvolvidos existem dificuldades semelhantes às que existem em Portugal e que o atraso económico ou cultural não explica todas as falhas do sistema de ensino. Mas apesar das condicionantes sociais e culturais, é possível melhorar a educação e as práticas pedagógicas".


Dúvida: Não deveria ser o Ministério da Educação a promover uma iniciativa desta natureza, já que tão preocupado anda com os bons resultados nesta disciplina?

Carta do Sindicato dos Inspectores da Educação

Carta Aberta do

Sindicato dos Inspectores da Educação e do Ensino ao

Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Educação

Senhor Secretário de Estado

Não pode deixar de nos preocupar - enquanto inspectores da carreira técnica superior de inspecção da educação - a notícia inserta na página 9 do "Público" de hoje, 11 de Novembro, com o título "Governo não avança para já com processos disciplinares a quem recusar avaliação" - a serem autênticas as declarações que a agência "Lusa" lhe atribui, Senhor Secretário de Estado, e que o jornal transcreve. "O ministério da Educação não fará nada para aplicar esses processos [disciplinares] neste momento", terá dito o Senhor. Mesmo que tenha dito apenas isto, é óbvio que o Senhor Secretário de Estado já disse demais. Ao dizê-lo, faz recair sobre os docentes, ao mesmo tempo, uma ameaça e uma chantagem - e infecta com um acriterioso critério de oportunidade um eventual desencadeamento da acção disciplinar. Como se lhes dissesse: «"neste momento" ainda não vos posso apanhar, mas não esperam pela demora...». Por que é que "neste momento" o Ministério não fará nada?... Porque entende que "neste momento" a acção não é oportuna. E pode a tutela reger-se, nesta matéria, por critérios de oportunidade?... A resposta é: sim, pode. E quais são eles? Bem, as coisas aqui complicam-se, porque a resposta fica eivada de uma fortíssima carga subjectiva, uma vez que, nesta matéria, não estão taxativamente definidos limites que impeçam um elevado grau de discricionariedade. Digamos que, no essencial, mais do que por condicionantes legais, são as condicionantes éticas que devem filtrar a oportunidade do recurso a critérios de oportunidade. E é neste domínio que devem ser apreciadas as suas declarações, Senhor Secretário de Estado. Mesmo na hipótese de comportamentos de docentes poderem configurar infracção dolosa da lei - nada impede que, por critérios de oportunidade ou outros, se decida não agir disciplinarmente sobre eles, agora ou em qualquer altura. A própria lei consagra essa possibilidade. Mas para tal os critérios têm de ser transparentes e publicitáveis, sob pena de - no caso ora em apreço - a oportunidade servir de biombo ao oportunismo e a discricionariedade servir para esconder a arbitrariedade. Em rigor, não estando nós dentro da sua cabeça, não sabemos por que é que o Senhor Secretário de Estado entende que este não é "o momento", mas algo nos diz que este seu juízo de valor se relaciona com o facto de no passado dia 8 terem estado na rua 120.000 professores em protesto contra o Ministério da Educação...Por outro lado, quando e se "o momento" surgir, quem vai fazer o quê? Vão os Senhores Presidentes dos Conselhos Executivos, ou os Senhores Directores Regionais da Educação, ou a Senhora Ministra da Educação, instaurar processos disciplinares às centenas ou aos milhares?... Vamos nós, os Inspectores da Inspecção-Geral da Educação, instruir processos disciplinares às centenas ou aos milhares?... Isto é: vamos tentar resolver(!) pela via da acção disciplinar problemas que possuem a sua raiz claramente fora dela - correndo o risco de instrumentalizar e governamentalizar a Inspecção, sem honra nem glória para nenhuma das partes implicadas e, no limite, com prejuízos para todas elas? Não se pode pedir aos Inspectores da Inspecção-Geral da Educação que retirem do lume as castanhas que outros lá colocaram. Basta de alimentar fantasmas que Professores e Inspectores, e mesmo algumas tutelas, há muito lutam para que desapareçam, particularmente desde o 25 de Abril de 1974! O Senhor Secretário de Estado provavelmente desconhece - e para que o conhecesse bastava que lesse Camões - que uma lei não é justa porque é lei, mas porque é justa, e que o que há de mais permanente na lei é a sua permanente mudança, e que mesmo esta já não muda como "soía", e que, se assim não fosse, o Código do saudoso Hamurabi continuaria em vigor; o Senhor Secretário de Estado, se alguma vez o soube, esqueceu tudo o que leu do sempre presente Henry David Thoreau e da sua "desobediência civil" O que há de doloroso em tudo isto - e ainda mais num Ministério da Educação - é que, no fundo, estamos confrontados com um problema de cultura, ou de falta dela. Perante isto, os critérios de oportunidade, ou as suas declarações, Senhor Secretário de Estado, ou a potencial instrumentalização e governamentalização da Inspecção - tornam-se, a prazo, questões irrelevantes. Mas temos também a obrigação de, no imediato, sabermos lidar com a circunstância, e de compreendermos a gravidade que ela assume. Não questionando a legitimidade dos governos no quadro do Estado de direito democrático, a verdade é que, exactamente por esse quadro, as Inspecções da Educação são inspecções do Estado e não do governo, e não podem deixar de funcionar sob o registo de autonomia legalmente consagrado. Citando aquele que foi o primeiro Inspector-Geral (da então Inspecção-Geral do Ensino), "a Inspecção, isto é, cada Inspector, está condenada/o a ser a consciência crítica do sistema". Entre nós, Inspectores de todas as inspecções da educação, costumamos dizer que, não raramente, andamos "de mal com os homens por amor d'el-rei e de mal com el-rei por amor dos homens". Uma exigência, Senhor Secretário de Estado: os Inspectores da educação querem ser parte da solução, não querem ser parte do problema. O Senhor Secretário de Estado e o Ministério da Educação - o que é que querem?...

Pel'A Direcção do S.I.E.E.

José Calçada

(Presidente)


Porto, Novembro, 11, 2008

Os três poderes


Os três poderes


António Barreto no Público de 16/11/2008

Nas próximas eleições, todos os partidos, com excepção do PS, vão sugerir a revogação das actuais leis da educação.

Duas teimosias. Dois fanatismos. Nos actuais termos, a guerra das escolas não tem saída. Mesmo que esta ministra consiga, pela lei da força, uma qualquer vantagem, terá, a prazo, uma grande derrota. Os professores, de futuro, não farão o que ela hoje pretende. Aliás, muitos já o não fazem. O próximo ministro da educação, até do mesmo partido, terá necessidade de alterar muita coisa e procurar um novo pacto. Se for de outro partido, a primeira coisa que fará será alterar este quadro legal e as práticas que são hoje impostas. Nas próximas eleições, poderá ver-se na campanha e nos respectivos programas: todos, com excepção do PS, vão sugerir a revogação das actuais leis e os mais imaginativos acabarão por propor um novo sistema de avaliação. O próprio PS fará uns "ajustamentos"...
Não se trata apenas de teimosia. Muito menos da força da razão. Há muito mais do que isso. A começar pela ideia de imagem, um dos maiores venenos da política contemporânea. Não se pode perder a face. Não se desiste. Não se devem reconhecer erros maiores. Não é bem visto recuar. A insistência, mesmo no erro, é sinal de carácter. Estes são alguns dos sentimentos que passam pela cabeça dos governantes e dos dirigentes dos sindicatos. Mas há mais. O governo recorda com especial carinho o episódio de Souselas. Já ninguém se lembra, mas Sócrates não esquece. Foi essa história menor da política portuguesa que criou Sócrates e lhe ofereceu um trampolim para o lugar que hoje ocupa. Nunca ceder, ir até ao fim, são imperativos.
Mas a superfície não explica tudo. Estas batalhas não se limitam a estilos e imagens. Está em curso uma luta entre três poderes. Luta verdadeira, de cujo resultado vai depender o futuro da educação e da escola. Quais são esses poderes? Em primeiro lugar, o do ministério (ou do Governo), em tentativa de reforço e consolidação. Segundo, o dos professores, em queda. Terceiro, o da escola, largamente fictício. O Governo quer centralizar ainda mais o sistema educativo, deseja reafirmar o seu poder sobre a escola e sobre os professores e pretende uniformizar regras e critérios. Procura manter as autarquias sob a sua alçada e transformar os professores em verdadeiro regimento fabril ou militar. Entende que, obedientes, as escolas e os professores darão melhor contributo para as suas estatísticas. De passagem, tem outros objectivos, eventualmente mais nobres: poupar dinheiro e obrigar os professores a trabalhar mais.
Os professores, tanto "os movimentos" como os sindicatos, não querem ser esbulhados da enorme parcela de poder que as reformas lhes deram durante as últimas décadas. Como não querem ser obrigados a seguir as ordens regimentais e as enxurradas de directivas que o ministério lhes envia regularmente. Não querem ver as suas carreiras transformadas em função burocrática e automática. Não desejam ser avaliados. Não querem perder os privilégios que os sucessivos governos e as modas pedagógicas lhes conferiram. Não aceitam ser, além de parte interessada, juízes, fiscais e polícias em nome do ministério que abominam. E não querem ser cúmplices desta nova ordem burocrática que se anuncia.
Quanto às escolas, coitadas! Não têm porta-voz, praticamente não existem como instituição. Não cultivam espírito de corpo. Não têm meios. Não têm relações verdadeiras e genuínas com os pais, nem com as comunidades. Não são entidades autónomas, com identidade e carácter. São fortalezas dos professores ou repartições do ministério. Não têm nada a perder com esta guerra, pela simples razão de que nada têm.

A ministra tem algumas razões. Mais trabalho, por parte de alguns que folgam. Um qualquer princípio de avaliação. Poupar recursos e dinheiro. E impedir que todos os professores tenham sempre as classificações de muito bom e excelente, pragas conhecidas em toda a função pública. Mas o Inferno está no pormenor. Como sempre. Os jornais já publicaram mil pormenores sobre o sistema de avaliação, dos formulários às regras e procedimentos. O escárnio é constante. A ministra queixa-se de que o seu sábio sistema foi ridicularizado! É verdade. Mas não merece menos do que isso. Além de absurdo e inútil, este exercício parece uma punição, a fazer lembrar os castigos infligidos, por praxe sádica ou despotismo, nas forças armadas de muitos países. Não é só este sistema que está errado: é o princípio mesmo de uma avaliação centralizada, de âmbito nacional e uniforme.
A avaliação ministerial, burocrática, formal e pseudocientífica é um enorme erro. A grande tradição centralista, integrada e unificada da educação pública em Portugal é responsável pela mediocridade de resultados e pelo desperdício de enormes recursos financeiros vertidos, desde há trinta anos, por cima do sistema, sem resultados proporcionais. É essa tradição que é responsável pela ausência de espírito comunitário nas nossas escolas. Pelo desdém que as autarquias dedicam às escolas. Pela apatia e impotência dos pais. Pelo facto de tantos professores desistirem do orgulho nas suas carreiras e do brio no exercício da sua profissão. É provável que muitos não queiram trabalhar quanto devem ou que tenham outros interesses. Como em todas as profissões. Mas o seu sentimento de dignidade ferida parece genuíno. E é compreensível.

São quase misteriosas as razões pelas quais não se permite que sejam as escolas, os seus directores e os seus conselhos de direcção, ajudados pela comunidade e pelos pais, a avaliar a escola no seu conjunto. E não se deixam os responsáveis das escolas observar e avaliar o desempenho profissional dos docentes. A República, o Estado Novo, a democracia, o socialismo e o comunismo coligam-se facilmente para manter a escola sob o punho do ministério, cuja proverbial incompetência é uma das raras constantes na história do século XX. Entre o ministério e o sindicato, parece haver terra queimada, campo de batalha. Não terão percebido os professores, desta vez, que a autoridade do ministério é o pior que lhes pode acontecer? Apetece dizer que chegou a hora de sair deste impasse, de quebrar a tenaz dos dois fanatismos. Uma visão optimista levar-nos-ia a pensar que, finalmente, os professores perceberam que a autoridade da escola pode ser a solução. Dá vontade de acreditar que este é o momento de deixar de escolher entre a guerra e a peste. Mas a esperança numa solução sensata e num esforço de imaginação criativa, em vésperas de eleições, é uma doença grave. Livremo-nos, ao menos, dessa. Sociólogo

Água mole em pedra dura...

Notícia no site da TSF, no final da manhã de hoje: "Ministério da Educação admite alterar sistema de avaliação dos professores"
Todavia, a Ministra da Educação ainda hoje afirmou que o processo de avaliação está "em curso em todas as escolas". Todos sabemos que isto é mentira! Além disso, reconheceu dificuldades das escolas na aplicação do modelo, prometendo apoios...
Para ouvir na tsf

Sensibilidades

De acordo com os recortes da imprensa de hoje (Jornal Público e Jornal de Notícias) a Ministrada Educação acaba de alterar o estatuto do aluno, voltando a aceitar as faltas justificadas sem ser necessária a realização da prova de recuperação.
Pelos vistos a Ministra é mais sensível aos apelos e às pressões dos alunos e dos pais que dos professores....
Espanta (se calhar não!) também que o energúmeno Albino Almeida venha falar em "incapacidade das escolas" para interpretar a lei. Só de uma cabeça tonta como a dele é que poderia sair um dislate deste calibre.

O principal e o acessório

No Ministério da Educação não deve haver muito que fazer. Por isso, uma das ocupações que agora descobriram foi a leitura, análise e comentário das notícias vindas a público quer em jornais, quer em conferências de imprensa.
A sensação que fica é que se confunde o que é essencial com o que não o é. E quando os números passam a ser a questão prioritária.... algo vai mal no reino da educação...
Sob o título "Fenprof admite que avaliação avança normalmente nas escolas" faz-se uma leitura exaustiva dos recortes da imprensa, que nos dispensamos de comentar, tal é o tom intimidatório que é usado.
Diz-se em determinado momento: "reuniões com votações por braço no ar não suspendem a aplicação de qualquer legislação, no caso a relativa à avaliação docente". A ver vamos se suspendem ou não!
E se, em vez de se ocupar com isto, o Ministério se ocupasse a alterar o que está mal na educação? Que não é nada pouco! (Parece que descobriram agora, que há alterações a fazer no estatuto do aluno. Eureka!).

16 novembro, 2008

Petição para a demissão

Se não vai a bem....

Petição para a demissão da Ministra da Educação. Aqui.

Chantagem

De acordo com o Diário de Notícias de hoje estão na forja novas medidas para obrigar os professores a porem em prática a avaliação, nomeadamente, impedindo o acesso à categoria de professor titular a todos aqueles que se recusarem a pô-la em prática.

E se Obama fosse africano?

E se Obama fosse africano?

por Mia Couto

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.

Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes.

O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano".

O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas - tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos.

Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política.

Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente.

É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.

Jornal "SAVANA" - 14 de Novembro de 2008

Os professores

Vasco Pulido Valente no Público (15/11/2008)

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Música anti-stress