19 novembro, 2008

O programinha informático

Retomo do Terrear uma explicitação sobre o e-mail que cada professor está a receber(ainda não chegou a minha vez!)relacionado com o programinha informático destinado a recolher online os objectivos individuais.
O Ministério continua a pescar à linha.

Vamos fazer-lhe um grande manguito!

Bola de neve...

Segundo o Público de hoje, o descontentamento face ao modelo de avaliação do desempenho docente alastrou aos conselhos executivos das escolas.
Em Viseu, os presidentes de 43 conselhos executivos enviaram a Maria de Lurdes Rodrigues um documento em que admitem demitir-se ou pôr o lugar à disposição, caso a ministra insista no actual modelo.

O legalista

Vital Moreira consegue ser mais papista que o papa. Há quem diga que se perfila para suceder a MLR. O seu discurso legalista é também o estertor, de quem não tem outros argumentos para além do "dura lex sed lex". No Público de hoje diz dislates deste calibre:

De resto, o saldo eleitoral desta contenda pode ser neutro ou mesmo positivo, se cada voto perdido entre os professores que não querem ser avaliados for compensado por outros tantos, ou mais, entre os eleitores que pagam a escola pública e querem ver aumentar a sua qualidade e eficiência, não aceitando que as reformas sejam sacrificadas por causa da defesa sectária de interesses profissionais.

Quem viu o passado deste homem..... a volta que ele já deu...

18 novembro, 2008

Ainda (e sempre) as faltas dos alunos

Retomo do Paulo Guinote as palavras da Ministra, em Outubro de 2007:
Acabamos com o anterior conceito de falta justificada ou injustificadas. Há faltas.

O resto da notícia no DN

Oposição exige suspensão da avaliação

Os deputados da oposição na Comissão Parlamentar de Educação e Ciência pediram hoje a suspensão “imediata” do processo de avaliação dos professores, enquanto o PS se mostrou disponível para melhorar o actual modelo.

Notícia no Público

Pesca (à linha) aos objectivos individuais

Ora aqui está, no site da DGRHE, a conversa da treta destinada a pescar os objectivos individuais, através de uma aplicação informática.
Vamos fazer-lhes um grande manguito, não é?

Com o objectivo de apoiar as escolas na implementação do processo de Avaliação do Desempenho dos docentes, a Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação disponibiliza a presente aplicação informática a qual irá sendo preenchida à medida que os agrupamentos e escolas não agrupadas vão estruturando o processo.
A implementação do novo regime de avaliação do desempenho docente tem como um dos seus pilares a definição dos objectivos individuais. Este processo, inicia-se com a apresentação de uma proposta do docente ao avaliador. Nesta aplicação informática, esta área permite a inserção dos objectivos formulados, que podem vir a ser objecto de reformulação. Os objectivos serão posteriormente validados pelo avaliador.

17 novembro, 2008

Menos burocracia?

A Ministra da Educação garantiu hoje que o modelo de avaliação não será suspenso. Mas está disposta a tornar a avaliação menos burocrática.
Quantos papéis a menos? é caso para perguntar.

O som na TSF

Faltas justificadas

Lei 3/2008 - Artigo 22º

2 — Sempre que um aluno, independentemente da natureza das faltas, atinja um número total de faltas correspondente a três semanas no 1.º ciclo do ensino básico, ou ao triplo de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos 2.º e 3.º ciclos no ensino básico, no ensino secundário e no ensino recorrente, ou, tratando -se, exclusivamente, de faltas injustificadas, duas semanas no 1.º ciclo do ensino básico ou o dobro de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos restantes ciclos e níveis de ensino, deve realizar, logo que avaliados os efeitos da aplicação das medidas correctivas referidas no número anterior, uma prova de recuperação, na disciplina ou disciplinas em que ultrapassou aquele limite, competindo ao conselho pedagógico fixar os termos dessa realização.”
A não aprovação na prova de recuperação pode determinar "o cumprimento de um plano de acompanhamento especial e a consequente realização de uma nova prova", "a retenção" ou "a exclusão do aluno", estabelece o número 3 do artigo 22º.

Não se venha é agora dizer, como se disse, que são as escolas que não sabem interpretar a lei (o pajem Albino Almeida referiu-se à "incapacidade das escolas").

Afinal o despacho que este fim-de-semana foi cozinhado para resolver este imbróglio, vem pôr em causa uma lei...o que por si só é estranho.
Como tal não pode ser um simples esclarecimento como foi dito, porque vem alterar, de modo substantivo, o que estava estabelecido (que era, de facto, uma monstruosidade, acrescente-se!)

Mais uma pedrada no charco

O Conselho de Escolas (CE) votou hoje, por maioria, a suspensão deste modelo de avaliação.
Com esta é que a Ministra não contava, habituada que estava a que o CE fosse a voz do dono.
A notícia no Público.

A burocracia nas escolas (por Zé Carlos)

O humor é, por vezes, e sobretudo quando ridiculariza pelo extremo, uma forma lúcida de dizer verdades.

Matemática




A Conferência internacional sobre Educação deste ano será dedicada ao Ensino da Matemática: Questões e Soluções.

Vários especialistas nacionais e estrangeiros vão estar presentes no auditório 2 da Fundação Gulbenkian, nas próximas segunda e terça-feira, para discutirem as dificuldades e as soluções que se apresentam para um ensino mais eficaz da Matemática. Como refere o Comissário da Conferência, Nuno Crato, na apresentação do tema: “São vários os estudos internacionais que mostram que em países muito desenvolvidos existem dificuldades semelhantes às que existem em Portugal e que o atraso económico ou cultural não explica todas as falhas do sistema de ensino. Mas apesar das condicionantes sociais e culturais, é possível melhorar a educação e as práticas pedagógicas".


Dúvida: Não deveria ser o Ministério da Educação a promover uma iniciativa desta natureza, já que tão preocupado anda com os bons resultados nesta disciplina?

Carta do Sindicato dos Inspectores da Educação

Carta Aberta do

Sindicato dos Inspectores da Educação e do Ensino ao

Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Educação

Senhor Secretário de Estado

Não pode deixar de nos preocupar - enquanto inspectores da carreira técnica superior de inspecção da educação - a notícia inserta na página 9 do "Público" de hoje, 11 de Novembro, com o título "Governo não avança para já com processos disciplinares a quem recusar avaliação" - a serem autênticas as declarações que a agência "Lusa" lhe atribui, Senhor Secretário de Estado, e que o jornal transcreve. "O ministério da Educação não fará nada para aplicar esses processos [disciplinares] neste momento", terá dito o Senhor. Mesmo que tenha dito apenas isto, é óbvio que o Senhor Secretário de Estado já disse demais. Ao dizê-lo, faz recair sobre os docentes, ao mesmo tempo, uma ameaça e uma chantagem - e infecta com um acriterioso critério de oportunidade um eventual desencadeamento da acção disciplinar. Como se lhes dissesse: «"neste momento" ainda não vos posso apanhar, mas não esperam pela demora...». Por que é que "neste momento" o Ministério não fará nada?... Porque entende que "neste momento" a acção não é oportuna. E pode a tutela reger-se, nesta matéria, por critérios de oportunidade?... A resposta é: sim, pode. E quais são eles? Bem, as coisas aqui complicam-se, porque a resposta fica eivada de uma fortíssima carga subjectiva, uma vez que, nesta matéria, não estão taxativamente definidos limites que impeçam um elevado grau de discricionariedade. Digamos que, no essencial, mais do que por condicionantes legais, são as condicionantes éticas que devem filtrar a oportunidade do recurso a critérios de oportunidade. E é neste domínio que devem ser apreciadas as suas declarações, Senhor Secretário de Estado. Mesmo na hipótese de comportamentos de docentes poderem configurar infracção dolosa da lei - nada impede que, por critérios de oportunidade ou outros, se decida não agir disciplinarmente sobre eles, agora ou em qualquer altura. A própria lei consagra essa possibilidade. Mas para tal os critérios têm de ser transparentes e publicitáveis, sob pena de - no caso ora em apreço - a oportunidade servir de biombo ao oportunismo e a discricionariedade servir para esconder a arbitrariedade. Em rigor, não estando nós dentro da sua cabeça, não sabemos por que é que o Senhor Secretário de Estado entende que este não é "o momento", mas algo nos diz que este seu juízo de valor se relaciona com o facto de no passado dia 8 terem estado na rua 120.000 professores em protesto contra o Ministério da Educação...Por outro lado, quando e se "o momento" surgir, quem vai fazer o quê? Vão os Senhores Presidentes dos Conselhos Executivos, ou os Senhores Directores Regionais da Educação, ou a Senhora Ministra da Educação, instaurar processos disciplinares às centenas ou aos milhares?... Vamos nós, os Inspectores da Inspecção-Geral da Educação, instruir processos disciplinares às centenas ou aos milhares?... Isto é: vamos tentar resolver(!) pela via da acção disciplinar problemas que possuem a sua raiz claramente fora dela - correndo o risco de instrumentalizar e governamentalizar a Inspecção, sem honra nem glória para nenhuma das partes implicadas e, no limite, com prejuízos para todas elas? Não se pode pedir aos Inspectores da Inspecção-Geral da Educação que retirem do lume as castanhas que outros lá colocaram. Basta de alimentar fantasmas que Professores e Inspectores, e mesmo algumas tutelas, há muito lutam para que desapareçam, particularmente desde o 25 de Abril de 1974! O Senhor Secretário de Estado provavelmente desconhece - e para que o conhecesse bastava que lesse Camões - que uma lei não é justa porque é lei, mas porque é justa, e que o que há de mais permanente na lei é a sua permanente mudança, e que mesmo esta já não muda como "soía", e que, se assim não fosse, o Código do saudoso Hamurabi continuaria em vigor; o Senhor Secretário de Estado, se alguma vez o soube, esqueceu tudo o que leu do sempre presente Henry David Thoreau e da sua "desobediência civil" O que há de doloroso em tudo isto - e ainda mais num Ministério da Educação - é que, no fundo, estamos confrontados com um problema de cultura, ou de falta dela. Perante isto, os critérios de oportunidade, ou as suas declarações, Senhor Secretário de Estado, ou a potencial instrumentalização e governamentalização da Inspecção - tornam-se, a prazo, questões irrelevantes. Mas temos também a obrigação de, no imediato, sabermos lidar com a circunstância, e de compreendermos a gravidade que ela assume. Não questionando a legitimidade dos governos no quadro do Estado de direito democrático, a verdade é que, exactamente por esse quadro, as Inspecções da Educação são inspecções do Estado e não do governo, e não podem deixar de funcionar sob o registo de autonomia legalmente consagrado. Citando aquele que foi o primeiro Inspector-Geral (da então Inspecção-Geral do Ensino), "a Inspecção, isto é, cada Inspector, está condenada/o a ser a consciência crítica do sistema". Entre nós, Inspectores de todas as inspecções da educação, costumamos dizer que, não raramente, andamos "de mal com os homens por amor d'el-rei e de mal com el-rei por amor dos homens". Uma exigência, Senhor Secretário de Estado: os Inspectores da educação querem ser parte da solução, não querem ser parte do problema. O Senhor Secretário de Estado e o Ministério da Educação - o que é que querem?...

Pel'A Direcção do S.I.E.E.

José Calçada

(Presidente)


Porto, Novembro, 11, 2008

Os três poderes


Os três poderes


António Barreto no Público de 16/11/2008

Nas próximas eleições, todos os partidos, com excepção do PS, vão sugerir a revogação das actuais leis da educação.

Duas teimosias. Dois fanatismos. Nos actuais termos, a guerra das escolas não tem saída. Mesmo que esta ministra consiga, pela lei da força, uma qualquer vantagem, terá, a prazo, uma grande derrota. Os professores, de futuro, não farão o que ela hoje pretende. Aliás, muitos já o não fazem. O próximo ministro da educação, até do mesmo partido, terá necessidade de alterar muita coisa e procurar um novo pacto. Se for de outro partido, a primeira coisa que fará será alterar este quadro legal e as práticas que são hoje impostas. Nas próximas eleições, poderá ver-se na campanha e nos respectivos programas: todos, com excepção do PS, vão sugerir a revogação das actuais leis e os mais imaginativos acabarão por propor um novo sistema de avaliação. O próprio PS fará uns "ajustamentos"...
Não se trata apenas de teimosia. Muito menos da força da razão. Há muito mais do que isso. A começar pela ideia de imagem, um dos maiores venenos da política contemporânea. Não se pode perder a face. Não se desiste. Não se devem reconhecer erros maiores. Não é bem visto recuar. A insistência, mesmo no erro, é sinal de carácter. Estes são alguns dos sentimentos que passam pela cabeça dos governantes e dos dirigentes dos sindicatos. Mas há mais. O governo recorda com especial carinho o episódio de Souselas. Já ninguém se lembra, mas Sócrates não esquece. Foi essa história menor da política portuguesa que criou Sócrates e lhe ofereceu um trampolim para o lugar que hoje ocupa. Nunca ceder, ir até ao fim, são imperativos.
Mas a superfície não explica tudo. Estas batalhas não se limitam a estilos e imagens. Está em curso uma luta entre três poderes. Luta verdadeira, de cujo resultado vai depender o futuro da educação e da escola. Quais são esses poderes? Em primeiro lugar, o do ministério (ou do Governo), em tentativa de reforço e consolidação. Segundo, o dos professores, em queda. Terceiro, o da escola, largamente fictício. O Governo quer centralizar ainda mais o sistema educativo, deseja reafirmar o seu poder sobre a escola e sobre os professores e pretende uniformizar regras e critérios. Procura manter as autarquias sob a sua alçada e transformar os professores em verdadeiro regimento fabril ou militar. Entende que, obedientes, as escolas e os professores darão melhor contributo para as suas estatísticas. De passagem, tem outros objectivos, eventualmente mais nobres: poupar dinheiro e obrigar os professores a trabalhar mais.
Os professores, tanto "os movimentos" como os sindicatos, não querem ser esbulhados da enorme parcela de poder que as reformas lhes deram durante as últimas décadas. Como não querem ser obrigados a seguir as ordens regimentais e as enxurradas de directivas que o ministério lhes envia regularmente. Não querem ver as suas carreiras transformadas em função burocrática e automática. Não desejam ser avaliados. Não querem perder os privilégios que os sucessivos governos e as modas pedagógicas lhes conferiram. Não aceitam ser, além de parte interessada, juízes, fiscais e polícias em nome do ministério que abominam. E não querem ser cúmplices desta nova ordem burocrática que se anuncia.
Quanto às escolas, coitadas! Não têm porta-voz, praticamente não existem como instituição. Não cultivam espírito de corpo. Não têm meios. Não têm relações verdadeiras e genuínas com os pais, nem com as comunidades. Não são entidades autónomas, com identidade e carácter. São fortalezas dos professores ou repartições do ministério. Não têm nada a perder com esta guerra, pela simples razão de que nada têm.

A ministra tem algumas razões. Mais trabalho, por parte de alguns que folgam. Um qualquer princípio de avaliação. Poupar recursos e dinheiro. E impedir que todos os professores tenham sempre as classificações de muito bom e excelente, pragas conhecidas em toda a função pública. Mas o Inferno está no pormenor. Como sempre. Os jornais já publicaram mil pormenores sobre o sistema de avaliação, dos formulários às regras e procedimentos. O escárnio é constante. A ministra queixa-se de que o seu sábio sistema foi ridicularizado! É verdade. Mas não merece menos do que isso. Além de absurdo e inútil, este exercício parece uma punição, a fazer lembrar os castigos infligidos, por praxe sádica ou despotismo, nas forças armadas de muitos países. Não é só este sistema que está errado: é o princípio mesmo de uma avaliação centralizada, de âmbito nacional e uniforme.
A avaliação ministerial, burocrática, formal e pseudocientífica é um enorme erro. A grande tradição centralista, integrada e unificada da educação pública em Portugal é responsável pela mediocridade de resultados e pelo desperdício de enormes recursos financeiros vertidos, desde há trinta anos, por cima do sistema, sem resultados proporcionais. É essa tradição que é responsável pela ausência de espírito comunitário nas nossas escolas. Pelo desdém que as autarquias dedicam às escolas. Pela apatia e impotência dos pais. Pelo facto de tantos professores desistirem do orgulho nas suas carreiras e do brio no exercício da sua profissão. É provável que muitos não queiram trabalhar quanto devem ou que tenham outros interesses. Como em todas as profissões. Mas o seu sentimento de dignidade ferida parece genuíno. E é compreensível.

São quase misteriosas as razões pelas quais não se permite que sejam as escolas, os seus directores e os seus conselhos de direcção, ajudados pela comunidade e pelos pais, a avaliar a escola no seu conjunto. E não se deixam os responsáveis das escolas observar e avaliar o desempenho profissional dos docentes. A República, o Estado Novo, a democracia, o socialismo e o comunismo coligam-se facilmente para manter a escola sob o punho do ministério, cuja proverbial incompetência é uma das raras constantes na história do século XX. Entre o ministério e o sindicato, parece haver terra queimada, campo de batalha. Não terão percebido os professores, desta vez, que a autoridade do ministério é o pior que lhes pode acontecer? Apetece dizer que chegou a hora de sair deste impasse, de quebrar a tenaz dos dois fanatismos. Uma visão optimista levar-nos-ia a pensar que, finalmente, os professores perceberam que a autoridade da escola pode ser a solução. Dá vontade de acreditar que este é o momento de deixar de escolher entre a guerra e a peste. Mas a esperança numa solução sensata e num esforço de imaginação criativa, em vésperas de eleições, é uma doença grave. Livremo-nos, ao menos, dessa. Sociólogo

Água mole em pedra dura...

Notícia no site da TSF, no final da manhã de hoje: "Ministério da Educação admite alterar sistema de avaliação dos professores"
Todavia, a Ministra da Educação ainda hoje afirmou que o processo de avaliação está "em curso em todas as escolas". Todos sabemos que isto é mentira! Além disso, reconheceu dificuldades das escolas na aplicação do modelo, prometendo apoios...
Para ouvir na tsf

Sensibilidades

De acordo com os recortes da imprensa de hoje (Jornal Público e Jornal de Notícias) a Ministrada Educação acaba de alterar o estatuto do aluno, voltando a aceitar as faltas justificadas sem ser necessária a realização da prova de recuperação.
Pelos vistos a Ministra é mais sensível aos apelos e às pressões dos alunos e dos pais que dos professores....
Espanta (se calhar não!) também que o energúmeno Albino Almeida venha falar em "incapacidade das escolas" para interpretar a lei. Só de uma cabeça tonta como a dele é que poderia sair um dislate deste calibre.

O principal e o acessório

No Ministério da Educação não deve haver muito que fazer. Por isso, uma das ocupações que agora descobriram foi a leitura, análise e comentário das notícias vindas a público quer em jornais, quer em conferências de imprensa.
A sensação que fica é que se confunde o que é essencial com o que não o é. E quando os números passam a ser a questão prioritária.... algo vai mal no reino da educação...
Sob o título "Fenprof admite que avaliação avança normalmente nas escolas" faz-se uma leitura exaustiva dos recortes da imprensa, que nos dispensamos de comentar, tal é o tom intimidatório que é usado.
Diz-se em determinado momento: "reuniões com votações por braço no ar não suspendem a aplicação de qualquer legislação, no caso a relativa à avaliação docente". A ver vamos se suspendem ou não!
E se, em vez de se ocupar com isto, o Ministério se ocupasse a alterar o que está mal na educação? Que não é nada pouco! (Parece que descobriram agora, que há alterações a fazer no estatuto do aluno. Eureka!).

16 novembro, 2008

Petição para a demissão

Se não vai a bem....

Petição para a demissão da Ministra da Educação. Aqui.

Chantagem

De acordo com o Diário de Notícias de hoje estão na forja novas medidas para obrigar os professores a porem em prática a avaliação, nomeadamente, impedindo o acesso à categoria de professor titular a todos aqueles que se recusarem a pô-la em prática.

E se Obama fosse africano?

E se Obama fosse africano?

por Mia Couto

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.

Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes.

O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano".

O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas - tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos.

Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política.

Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente.

É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.

Jornal "SAVANA" - 14 de Novembro de 2008

Os professores

Vasco Pulido Valente no Público (15/11/2008)

(Clicar na imagem para aumentar)


Música anti-stress

15 novembro, 2008

Escola britânica troca livros por documentos electrónicos

Está marcada, para Setembro de 2009, a abertura da escola Hackney City Academy, em Londres, que promete revolucionar os métodos de ensino no Reino Unido.
Esta escola vai dispensar a utilização de livros, que serão substituídos por documentos digitais, que poderão ser acedidos através de um portátil ou telemóvel.

Decididamente... o digital impõe-se cada vez mais.

Traição no mundo virtual acaba em divórcio real

Segundo o jornal Sol, um casal britânico está em processo de divórcio depois de a esposa ter descoberto que o marido tinha uma relação extraconjugal no universo virtual Second Life.
Pelos vistos o virtual tem mais impacto no real do que aquilo que geralmente se supõe...

Bola de neve

Ontem, em Viseu, os representantes dos conselhos executivos de mais de 30 escolas do distrito aprovaram, por unanimidade, um documento em que reclamam a suspensão do actual modelo de avaliação.

Anteontem, foi a vez dos presidentes dos conselhos executivos de 55 das 58 escolas do distrito de Coimbra reclamaram o mesmo.

A onda cresce...

14 novembro, 2008

15 de Novembro

Carta à ministra da Educação sobre a minha incredulidade

Carta à ministra da Educação sobre a minha incredulidade

13.11.2008, Maria do Rosário Queirós

O importante é avaliar a qualquer custo, para dar ao público a ideia de que os professores foram avaliados

Fiz parte dos cerca de 100.000 a 120.000 professores que, pela segunda vez este ano, se manifestaram nas ruas de Lisboa.
Ouvi e li com atenção as suas declarações, durante e após a manifestação, e a minha reacção só pode ser de incredulidade:
- pela forma como pretende fazer passar para a opinião pública a ideia de que estes tantos docentes são uns ignorantes manobrados por estranhas forças ou movidos por desígnios partidários;
- pela forma como diz que os sindicatos estão a incentivar os professores a não cumprir a lei, quando sabe (ou devia saber) que esta questão há muito ultrapassou o domínio dos sindicatos;
- pela forma como diz que a lei tem de ser cumprida, independentemente das suas consequências e efeitos, como se o fim de qualquer política não fosse sempre melhorar as condições de vida das pessoas concretas. As leis, quando são comprovadamente más leis, alteram-se, revogam-se - acontece nas democracias saudáveis;
- pela forma como diz que 20.000 professores já foram avaliados, sem explicar que o foram de um modo formal, redutor e simplista, mas que nada tem a ver com este "polvo" que pretende ver instituído;
- pela forma como transparece que o mais importante é avaliar, a qualquer custo, porque agora o que é relevante é que passe para a opinião pública que os professores foram avaliados;
- pela forma como diz que as escolas estão a trabalhar normalmente, quando sabe (deve saber) que milhares de professores de centenas de escolas suspenderam o processo de avaliação;
- pela forma como diz que os professores avaliados só têm de preencher uma ficha, quando conhece a lei que publicou e sabe que não é assim. O preenchimento dessa ficha é o início de um longo processo de rigor muito duvidoso e que obriga a um dispêndio de energias insustentável;
- pela forma paternalista como diz que compreende o descontentamento dos professores porque têm hoje muito trabalho, quando sabe ou devia saber que muito dele é desqualificado, é um trabalho de amanuense e de secretaria que desvirtua e empobrece a acção profissional;
- pela forma como diz que são as escolas e os órgãos de gestão que complicam, quando sabe que é o modelo em si que induz a essa complicação, a uma fragmentação impossível, resultando na mais completa ineficácia.
- pela forma "conveniente" como se agarra ao "memorando", pretendendo confinar mais uma vez este assunto aos sindicatos, quando agora já não restam dúvidas de que ele os ultrapassa largamente;
- pela forma como coloca como única alternativa desistir, quando sabe (espera-se) que obviamente há outras soluções, certamente melhores e metodologicamente sustentáveis.
- pela forma como tenta passar a mensagem de que os professores não querem ser avaliados, quando sabe que estes são os primeiros a exigir um modelo de avaliação sério;
- pela forma como diz que este modelo de avaliação garante ao país qualidade de ensino, quando todos sentimos que o efeito é a degradação dessa qualidade;
- pela forma como diz que este modelo de avaliação não penaliza nenhum professor, quando sabe que a questão não é essa; esgota-os e, portanto, penaliza os alunos e, portanto, penaliza também a escola pública, não trazendo nenhuma mais-valia ao ensino;
- enfim, pela estranha concepção que tem da democracia participativa e por se arrogar o direito exclusivo de ter razão, contra 120.000 que estão enganados ou não sabem pensar... 120.000 que estão nas escolas todos os dias, que tentam ensinar bem o que sabem; que lutam todos os dias por uma escola pública de qualidade; que resolvem todos os dias questões sociais que a sociedade não resolve; que trabalham aos fins-de-semana, para que os seus alunos não sejam prejudicados; que têm o espírito de missão a que esta profissão obriga; mas que não cedem a chantagens de não progressão na carreira (há quanto tempo não progridem?); que não querem ser cobaias em laboratórios; que estão convictos de que não é assim que se defende uma escola pública de qualidade.
Faço parte de um órgão de gestão. Pus a hipótese de me demitir. Mas não. Não sou eu que tenho que me demitir.

Porto, 9 de Outubro de 2008.
Professora da Escola Secundária Clara de Resende

13 novembro, 2008

Um negócio florescente

As galinhas que se cuidem! Ou começam a pôr mais ovos ou em breve o stock entra em ruptura total, tal está a ser o uso que está a ser dado aos ovos.
Depois da vez da Ministra, em Fafe, hoje foi a vez dos dois Secretários de Estado serem "corridos" à ovada, na Escola Secundária D. Dinis, em Lisboa.
Pelos vistos há aqui um negócio florescente....

A notícia no Público


12 novembro, 2008

Suspender a participação na avaliação

75 professores da Escola Secundária Vitorino Nemésio (Lisboa), decidiram hoje, em reunião geral, suspender a sua participação neste processo de avaliação.
Se outras escolas não houvesse (mas todos sabemos que há!) bastaria esta "aldeia gaulesa" para provar que há quem resista aos romanos, e que é uma enorme mentira a afirmação contida no site do Ministério da Educação de que "O processo de avaliação docente está a avançar em todas as escolas".


O texto da moção que foi aprovada.


Lista de escolas e de moções já aprovadas

MLR pede desculpa aos professores


(que grande dor de cabeça!!!)

A ministra da Educação admitiu hoje que as alterações introduzidas no quotidiano dos professores podem provocar desmotivação e insatisfação, alegando, no entanto, que essas mudanças são necessárias aos pais, às escolas e aos alunos.

"Peço desculpa, peço desculpa aos senhores professores por ter causado tanta desmotivação"

Neste momento, a Ministra é a parte principal do problema. Por isso, já deixou de fazer parte da solução.


A notícia

Quero tudo a que tenho direito

Paulo Guinote na Ops:
Eu quero as minhas aulas assistidas todas, com as checklists todas cheias de cruzinhas. Quero todas as grelhas preenchidas e discutidas, todo o papelinho que conste do portefólio visto, verificado e avaliado. Por muito que goste pessoal e profissionalmente da minha avaliadora. Não é nada de pessoal. É apenas a minha forma de resistir ao disparate. Obrigando a cumpri-lo escrupulosamente. Quero tudo a que tenho direito de acordo com o Decreto Regulamentar 2/2008, nada menos, nada mais.

O artigo todo

É preciso saber ouvir e dialogar

Manuel Alegre na OPs:
Confesso que me chocou profundamente a inflexibilidade da Ministra e o modo como se referiu à manifestação, por ela considerada como forma de intimidação ou chantagem, numa linguagem imprópria de um titular da pasta da educação e incompatível com uma cultura democrática.
(...)
Não se pode reformar a educação tapando os ouvidos aos protestos e às críticas. É preciso saber ouvir e dialogar. É preciso perceber que, mesmo que se tenha uma parte da razão, não é possível ter a razão toda contra tudo e contra todos. Tal não é possível em Democracia.

O artigo todo

A Madeira é um jardim.....

O governo regional da Madeira decidiu administrativamente, por portaria, avaliar com “bom” os professores em exercício no arquipélago.

Jornal Público

Quem semeia ventos...

Ministra da Educação recebida com ovos.
Aconteceu em Fafe. Ler notícia.

O pesadelo burocrático e a desobediência à lei

Testemunho de um professor titular de Filosofia da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, de Portimão.

Público de hoje.

11 novembro, 2008

10 novembro, 2008

Objectivos individuais

Como é que deve ser tratada a questão dos objectivos individuais, já que funcionam como o referente da avaliação?
Um professor que estabelece 3 objectivos e os cumpre terá uma melhor avaliação do que aquele que estabelece 6 e não cumpre 2? E aquele que estabelece 3 e cumpre 4?
Qual é a pedra de toque nesta matéria: a quantidade, a qualidade ou o grau de cumprimento, a eficácia ou a eficiência?

08 novembro, 2008

De novo na rua para dizer não



Fomos, seguramente, mais de uma centena de milhar a marcar presença em mais uma marcha da indignação.
Para dizer, alto e bom som, um rotundo não a este conjunto de políticas educativas.

Vídeo

Fotografias I

Fotografias II

Cavalgar a onda

Na véspera do dia D, Manuela Ferreira Leite, presidente do PSD, veio defender a suspensão do actual modelo de avaliação dos professores, assim como a aprovação de um novo modelo de avaliação externa e sem quotas administrativas.
Porquê só agora? E isto é mesmo para levar a sério? É uma simples operação de cosmética? O PSD não estará a querer apanhar um comboio que já está em muito bom andamento?
A memória, por vezes, é curta: foi o PSD o autor do sistema que limitava o aceso na carreira a partir do 7º escalão? Não nos esqueçamos disso!

Por sua vez, o antigo ministro da Educação, David Justino, assessor do Presidente da República para as questões sociais, afirmou a sua preocupação em relação ao clima de tensão no sector. “Enquanto transformarmos a educação num campo de batalha, será difícil encontrarmos soluções e um rumo que possa unir as pessoas no sentido de tornar a educação uma educação de excelência".

07 novembro, 2008

Todos à manif!



"Da indignação à exigência: deixem-nos ser professores"

Dia 8 de Novembro
Concentração às 14h30 no Terreiro do Paço

05 novembro, 2008

Avaliação e escolas

No portal do Ministério da Educação pode ler-se o seguinte:
O processo de avaliação docente está a avançar em todas as escolas, de acordo com a informação da Direcção-Geral de Recursos Humanos da Educação.
Trata-se, evidentemente, de uma torpe mentira. Que urge denunciar!

CCAP com novo presidente

Na sequência da aposentação de Conceição Castro Ramos do cargo de presidente do Conselho Científico para a Avaliação de Professores, acaba de ser nomeado Alexandre Ventura, professor auxiliar da Universidade de Aveiro.
Que o cargo lhe seja leve!

Yes, we can



Discurso da vitória:
«Sabemos que nos esperam os maiores desafios de sempre. Duas guerras, um planeta em perigo e a maior crise financeira de sempre...
(...) É o trabalho de refazer a América, tijolo por tijolo, quarteirão por quarteirão."

Um dia histórico.Um novo dia. Um novo continente?

03 novembro, 2008

A turma



“A turma” (Título original: “Entre les Murs”), um filme de Laurent Cantet.
Dia 1 de Novembro de 2008 - Cinema Londres- Sessão das 19 horas.

Laurent Cantet consegue, com este filme, o que se poderia julgar impossível: inquietar toda a gente. Não é só a escola e o sistema educativo que são aqui questionados; é a sociedade no seu todo. Bendita Palma de Ouro que lhe foi atribuída!

Está tudo neste filme: a turma, os alunos, os professores, a escola, o director, a sociedade, a adolescência, o multiculturalismo, a autoridade, a disciplina, a democracia, a insolência, o stress, o vazio, o empenho, a determinação, o colapso, a segregação, o optimismo, etc., etc.

Para quem não faz ideia do que são, hoje em dia, as aulas e do que se passa numa sala de aula este filme é uma lição, pelo sufoco que provoca. Quase que não se consegue respirar, de tal modo o realizador filma “em cima”. Não há grandes ângulos, grandes perspectivas, profundidade de campo.

O papel desempenhado por François, na qualidade de professor, é, simultaneamente, autoritário, permissivo, condescendente, provocador. A tudo isto acresece o seu estilo natural de dar voz a tudo, de deixar voar: não reprime nada, não ignora nada, não excomunga. Integra tudo. Tudo é passível de ser objecto de análise, de trabalho, de discussão (veja-se a questão colocada por Souleymane, sobre a possível homossexualidade do professor). A “matéria” da aula aparece aqui como um pretexto para outras abordagens e, por vezes, é completamente posta de lado, porque há coisas mais importantes para clarificar. Nunca se sabe até onde se pode ir, quais são os limites.

Tudo isto tem um preço, é claro. O professor permite-se uma abertura e uma frontalidade tais que, em determinado momento, cremos que lhe vão custar o lugar (como seja aquela referência ao facto de as alunas representantes da turma se terem comportado “como se fossem umas galdérias”).

A energia que François investe em cada aula é incomensurável. Mas não é evidente a exaustão. Porque não? Pelo facto de lidar com uma única turma? E se fossem 4 ou 5? O que sucederia?

A escola não se alheia à sociedade. A provável expulsão de França da mãe Wei, o jovem chinês, é o momento mais tocante do filme pelas repercussões que tem no brinde da professora grávida. O individual e o social confundem-se aqui. Tudo está ligado.

A insolência dos alunos (pelo menos de alguns) é por demais evidente. Quem está no ramo, conhece bem esta situação. Manter quase 30 adolescentes concentrados, em hora e meia de trabalho, é uma obra ingente. As nossas salas de aulas estão cheias de Esmeraldas, de Khoumbas e de Souleymanes.

O comportamento das 2 alunas representantes da turma na reunião de avaliação é quixotesco. Impressiona a passividade de todos os presentes, face a tão descabidos comportamentos. É um claro sinal de demissão da escola, face a comportamentos desviantes.

A cena em que os alunos discutem a importância/utilidade de terem de aprender o imperfeito do conjuntivo é, por si só, um bom pretexto para questionar o sistema educativo e as aprendizagens que promove. Que competências devem ser promovidas, que aprendizagens devem ser ensinadas? Esta será seguramente uma discussão sempre recorrente.

As duas últimas cenas do filme são paradigmáticas. Numa, uma aluna confessa ao professor que não aprendeu nada e pretende seguir um curso profissional; a outra (a cena derradeira do filme) mostra-nos uma sala vazia, desarrumada, desalinhada. É uma imagem inquietante de um ano de trabalho e da escola. O que ficou de um ano de trabalho, é a questão que o filme deixa em aberto. Mas a imagem que fica nas nossas retinas é de um grande vazio.

Curiosamente o nome original do filme é “Entre les Murs”. São os muros de cada um (do professor, dos alunos, do director, dos vários professores) , são os muros da escola (as imagens do recreio são sempre claustrofóbicas!). Todos estão prisioneiros, encurralados.


As palavras de Fernando Savater ganham aqui todo o sentido:
"Com verdadeiro pessimismo pode-se escrever contra a educação, mas o optimismo é imprescindível para estudá-la... e para exercê-la.
Os pessimistas podem ser bons domadores, mas não bons professores."

Ensino público e privado

José Manuel Fernandes foi sempre um bom defensor da escola privada. Assim como do cheque que, na sua opinião, é devido a quem aí estuda.
No artigo que hoje saiu no Público escreveu o seguinte:
O que os rankings mostram, e muitas das respostas aos inquéritos que enviámos a dezenas de escolas confirmam, é que nas escolas privadas há uma flexibilidade de gestão que não existe nas públicas. De uma forma geral, nestas os resultados obtidos pelos estudantes são melhores não porque escolham os alunos (quem se pode dar a esse luxo?), mas porque os pais que podem tendem a preferir as escolas privadas. Porquê? Porque não confiam nas públicas, não em todas, mas em bastantes. Neste caso "poder" significa "poder pagar", e ao permitir que se estabeleça esta diferenciação entre as escolas públicas e as privadas o ministério está a negar a igualdade de oportunidades. Pior: está a agravar as desigualdades.
A argumentação é torpe e pouco séria. Escolhe as escolas privadas quem pode, isto é quem tem dinheiro para pagar o preço que elas pedem. O que não quer dizer que o ensino seja melhor numa privada que numa pública! O que se garante, à partida, é que uma boa nota está assegurada, isto é, comprada. Deixemo-nos de eufemismos! Há professores que ensinam, simultaneamente, no privado e no público e que têm resultados diferentes. Os alunos são outros, assim como as condições. E quanto a isso não há milagres. Nem preço! O DN de hoje divulga o preço das mensalidades em várias escolas/colégios privados que se situa entre os 500 e os 900 euros (variando conforma a propina, as refeições,os transportes e a inscrição).
O ensino privado não se pode dar ao luxo de ter "ovelhas negras". Corre com elas. No ensino público abundam ovelhas de todas as cores. O sistema está feito para que elas proliferem. Por isso, os resultados não são comparáveis!

02 novembro, 2008

Obama, pois claro!



Aproxima-se o dia D e a incógnita continua: quem vai vencer? Aparentemente Obama tem o triunfo assegurado. Mas, como sabemos, até ao lavar dos cestos é vindima..
Há desfechos cujo resultado parece natural e evidente, mas depois a realidade vem contrariar a evidência. Esperemos que não seja o caso, pois a América bem merece algo diferente. E não mais do mesmo.
Naquela que é considerada por muitos como a maior democracia do mundo, há 5,2 milhões de pessoas que não têm o direito de votar.
Afinal, onde está a democracia?

Milagres

António Barreto no Público de hoje:
Se antes era preciso estudar as causas dos maus resultados em Matemática, agora é urgente estudar as causas do milagre.

01 novembro, 2008

Uma outra reorganização da escola

Júlio Pedrosa, presidente da Conselho Nacional de Educação, um órgão consultivo do Governo, defendeu, uma «diferente» reorganização da escola, com vista a proporcionar uma «maior flexibilidade no uso do recurso de docentes».

Ouvir a notícia:


http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1035809

Rankings

Sazonalmente, e quase sempre quando o S. Martinho se prepara para nos acalentar o espírito (e que feliz coincidência!), eis que vêm a público os já requentados rankings das escolas.
Este ano, e para não fugir à regra, a saga continua: mais escolas particulares nos primeiros lugares e menos reprovações no ensino básico.
Todos (?) sabemos como é fácil fabricar números. O que dói é como é que ainda há tanta gente a fazer fé neles. Alguns, sabemos que é por interesse próprio, mas outros, senhores... porque lhes dais tanta dor?

8 de Novembro

Pelos vistos o bom-senso imperou. A FENPROF, a APEDE, o MUP e o PROMOVA chegaram a um acordo relativamente à realização de uma única manifestação, no dia 8 de Novembro, de repúdio por este modelo de avaliação.
Lá estaremos, claro!

O DN de hoje fala "guerra à avaliação" em quase cem escolas e do contributo da blogosfera nesta cruzada.
Por sua vez o Público anuncia a suspenção da avaliação nos três maiores colégios da Casa Pia.

31 outubro, 2008

Asfixia

Retomo, do Terrear de Matias Alves,as seguintes palavras:
Sempre pensei e escrevi e disse que este modelo de avaliação de desempenho era impossível (...)
Agora, um número indeterminado de escolas e de docentes vivem na asfixia. Na maldição do tempo. Na invenção de realidades. Na fuga. Na revolta mais ou menos latente. A raiar o esgotamento e a desmotivação. Não serão todas. Mas serão, provavelmente, a maioria.(...)
Salvam-se apenas aquelas (suponho que poucas) escolas que tiveram a inteligência (e alguma ousadia) de colocar os alunos primeiro. De centrarem a acção e o tempo dos professores na tarefa de ensinar e de avaliar o resultado da sua acção profissional. De criarem dispositivos de securização. (...)
O restante texto. Aqui.
Que subscrevo. Completamente.

30 outubro, 2008

Mais contentores não!


LISBOA É DAS PESSOAS. MAIS CONTENTORES NÃO!
Assine a petição.

Online petition - LISBOA É DAS PESSOAS. MAIS CONTENTORES NÃO!

Assim não vale

Luís Sardinha, presidente do Instituto do Desporto de Portugal (IDP), assinou um protocolo no valor de 80 mil euros anuais com a Faculdade de Motricidade Humana (FMH) na área de Exercício e Saúde , Unidade Orgânica de Ensino e Investigação, da qual foi coordenador e onde continua a leccionar como único professor catedrático desse grupo.
A notícia no DN

Burlas na Internet

Segundo o DN de hoje, as burlas em contas online têm tido um aumento exponencial.
O phishing tem sido um dos meios mais utilizados.

24 outubro, 2008

Percalços

"No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra."

Carlos Drumond de Andrade

21 outubro, 2008

112

Segundo o JN, "a ministra da Educação reuniu-se com equipas de apoio à avaliação de desempenho e deu orientações para simplificar os processos".
Chegou o 112.

A pirâmide da avaliação



Como a imagem devidamente documenta, estamos perante uma ingente obra de engenharia. De um engenheiro, do calibre de Sócrates, que outra coisa seria de esperar?
Uma produção de Cecil B. de Mille Folhas.

20 outubro, 2008

Ambientes irrespiráveis

O monstro da avaliação vai, a pouco e pouco, contaminando o ambiente das escolas. Há colegas que são mestres em envenenar o clima que aí se vive. Que começa a ficar irrespirável. Estamos a deixar enredar-nos por este polvo.
Gasta-se, em má língua, uma considerável quantidade de energia que faz falta noutros meios e cruzadas. E que não leva a nada.
Esta onda já não se limita ao espaço escolar. Agora começa também a invadir-nos a casa, através da recente descoberta das virtualidades do e-mail. Limitam-se a reencaminhar e-mails, cujo conteúdo, não dominam, ou não leram, grande parte da vezes (de outro modo compreenderiam que não se pode reencaminhar em Setembro uma posição que foi tomada em Abril). Fazem-no de um modo supostamente cândido e original. Como se fossem os seus autores. Mas o que enviam é sobejamente requentado ou bolorento. Ainda não se aperceberam que se transformaram em carteiros, correias de transmissão e poluidores. Porque nunca ousaram partilhar, por exemplo, a descoberta de um recurso educativo ou a vivência de uma inolvidável experiência pedagógica.
É por tudo isto que há um certo grau de lucidez que é urgente instaurar. De um modo rápido e consistente. Sob pena de ficarmos, em breve, prisioneiros da demência.

Resistir a guerras

Há já algum tempo que em diversos meios, nomeadamente em blogs, se divulga a realização de uma manifestação de professores para o dia 15 de Novembro.
A iniciativa teve e tem um carácter muito antisindical. Isto não que dizer que eu seja adepto daquilo que os sindicatos têm feito em matéria de avaliação do desempenho docente. Bem pelo contrário.
Mas a impressão que se tem é que anda por aí muita gente à procura de protagonismo.
Os sindicatos reagiram convocando uma manifestação para o dia 8, claro.
Abriu-se assim uma guerra que não se sabem muito bem onde vai parar. Os professores serão, uma vez mais, as vítimas.
Até quando vamos continuar a deixar que nos manipulem e se sirvam de nós?

Apelo de Obama

15 outubro, 2008

Aplicação informática

Ora aí está, no site do DGRHE, a tão falada aplicação informática para a avaliação do desempenho.
A justificação é que é o máximo: "Tem sido evidenciada pelas escolas a necessidade de dispor de uma ferramenta informática de apoio ao desenvolvimento da avaliação de desempenho de docentes, que permita o registo e controlo, pela própria escola, dos procedimentos e fases do processo".

Que escolas é que evidenciaram isso? Não nos tomem por parvos, por favor!

12 outubro, 2008

Starbucks: mil e uma maneiras de beber café



Acaba de abrir em Alfragide, no Centro Comercial Alegro, uma loja da cadeia norte-americana Starbucks. Consta que em Novembro uma outra abrirá em Belém.
Para já, a 1,20 euros, é o preço mais em conta do café em todo o mundo. Para além, é claro, das 87 mil maneiras de o beber.

09 outubro, 2008

Abandonar o barco

Segundo o jornal Público "o número de educadores de infância e professores que pediram a reforma em Setembro ultrapassa as cinco centenas e duplicou face aos 250 que se aposentaram no mesmo mês de 2007. Muitos estão aquém do tempo de serviço e idade que lhes permitiria receber a pensão completa".
Sintomas muito claros nos tempos que correm.

Proposta da Fenprof

A Fenprof apresentou uma proposta alternativa de avaliação do desempenho docente, que contém aspectos positivos.
O que se estranha é que se tenha demorado tanto tempo para se propor tão pouco. É uma proposta minimalista.
Ao que parece a estratégia é esta: permitir que os professores assumam a proposta. Por isso ficará em banho-maria, durante uns meses, à espera de contributos.

Conselho de escolas

O que tem feito e para que serve o Conselho de Escolas? A análise do site do CE é muito elucidativo, pois nada consta do que tem feito ou do que vai fazer.É mais do mesmo ou a voz do dono?

08 outubro, 2008

Reforma da presidente da CCAP

Conceição Castro Ramos, presidente do conselho científico de avaliação de professores (CCAP),reformou-se.
Não chegou a aquecer o lugar, depois das primeiras recomendações que fez (sozinha) em Janeiro deste ano. A Comissão só viria a tomar posse em Abril.

Da última recomendação da CCAP importa reter o seguinte:
- o risco de a avaliação se tornar num "acto irrelevante para os docentes, sem impacto na melhoria das aprendizagens dos alunos";
- o risco "poderá advir da burocratização excessiva, da emergência de conflitualidades desnecessárias e do desvio das finalidades formativas" que a avaliação deve ter.

Assim, talvez se compreenda melhor porque é que não chegou a aquecer o lugar...

Violência na escola

Segundo o relatório "A Segurança nas Escolas", a violência está a diminuir no interior das escolas portuguesas mas a aumentar nas imediações. Em termos globais, no último ano lectivo, foram registados 7028 episódios de violência, menos 35,9 por cento do que no ano anterior. Mas, se no interior das escolas a descida chegou aos 54 por cento, o mesmo não se pode dizer do que se passou fora dos portões. Aqui, as ocorrências aumentaram 8,4 por cento: os 3224 episódios de violência registados em 2005/2006 subiram para 3495 no ano seguinte.
O que é que estes números nos dizem? Que as escolas vão conseguindo gerir e resolver os seus problemas? Que há menos problemas no interior da escola? Que as escolas não participam as ocorrências? Que os desordeiros já perceberam que a margem de manobra é maior fora dos muros da escola do que no seu interior?

05 outubro, 2008

Descobrir

Chama-se Descobrir. É o nome do programa da Gulbenkian de Educação para a Cultura, lançado ontem, e que dura até Setembro de 2009.
São mais de duas mil visitas orientadas e algumas centenas de eventos, entre oficinas, jogos criativos, concertos comentados e ainda os filmes de curta e longa-metragem.

Dia mundial do professor

Ocorre hoje o dia mundial do professor. Haverá motivos para os 140 mil docentes celebrarem?
O DN de hoje alerta para o facto de os professores estarem a pagar a formação por causa do novo sistema de avaliação. O que é um facto.

Entretanto na próxima 4ª feira a FENPROF promete divulgar uma proposta de um novo modelo de avaliação. A ver vamos. Mas para quem tem deixado passar ao lado o que é essencial não se augura nada de substantivo.

Passei pela Gulbenkian para ver "Weltliteratur. Madrid, Paris, Berlim, São Petersburgo, o Mundo!"
É uma exposição polémica (os textos são muitos e grandes e porquê aqueles e não outros?), organizada por António Feijó, onde se mostram a literatura e os autores da geração de Fernando Pessoa, e da qual retenho, no dia mundial do professor isto:

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

04 outubro, 2008

Lindas casinhas

António Costa notificou várias famílias para devolveram as casas camarárias. Soube-se agora que têm sido muitos aqueles que têm usufruído de benesses deste género.
Santana Lopes e o seu chefe de gabinete de então são ambos arguidos neste processo.
Parece que ainda a procissão vai no adro. Esperemos que sim!

29 setembro, 2008

Colocação de professores

Colocação de professores: o trágico e o cómico. Aqui.

27 setembro, 2008

Génio ou mais do que isso?

Estamos perante um pequeno génio... ou perante um motivo para preocupações?

http://br.youtube.com/watch?v=r43yCiKlbCo

Magalhães



Segundo notícias vindas a público José Sócrates e Hugo Chávez, assinaram um acordo de venda de um milhão de computadores Magalhães.

Ora sobre o Magalhães o que certamente Chávez não sabe é o seguinte:

1– 90% dos utilizadores já tentaram fazer uma tosta mista no Magalhães.
2– O controlo parental do Magalhães não permite o acesso ao blog “Abrupto” de Pacheco Pereira.
3– Ao escrever no Google “quando for grande voto no PS” a criança tem acesso a todos os sites da internet.
4- Marques Mendes tem finalmente um teclado à sua medida.
5- Estudo feito pelo Turismo de Lisboa diz que “Magalhães” é a palavra portuguesa mais difícil de pronunciar por estrangeiros porque tem o “lh” e o “ães”.

25 setembro, 2008

UF!...

Pois é, por vezes é mesmo assim: não dá.
É isso que tem acontecido na minha relação com este espaço. Têm sido tantas e tão variadas as solicitações para uma infinidade de outras coisas que não tem sido possível passar por aqui ... serenamente.
O que, creio, vai começar a ser possível a partir de agora.

Começou mais um ano lectivo sob o signo do dia do diploma, para alguns o dia do cheque. Lá pela escola levou-se a cabo uma iniciativa que pretendeu enquadrar os recém-chegados alunos do 10º ano. As imagens da sessão podem ser vistas aqui.

A avaliação do desempenho docente que este ano se inicia vai fazer com que este ano seja diferente: para o melhor e para o pior.
Por um lado, começam já a desenhar-se movimentações e posicionamentos de alguns colegas que já fazem contas à vida e, por isso, estão já a dar corda aos sapatinhos. Por outro lado, começa a desenhar-se um clima de alguma tensão que já deu azo a algumas escaramuças verbais e sentimentais.
Infelizmente ainda a procissão vai no adro. Mas a impressão que fica, desde já, é que há um certo marasmo nos modos de estar na profissão docente, que tem os seus dias contados. E isso pode vir a ser uma nova realidade nas escolas. Para o bem e para o mal.

03 setembro, 2008

Chrome... e Cuil

Chama-se Chrome e é a mais recente aposta da equipa Google.
Uma alternativa credível ao Internet Explorer e ao Mozilla Firefox.
...para usar... e abusar.

Por sua vez um grupo de ex-funcionários do Google lançou um motor de pesquisa alternativo ao Google, denominado Cuil.

28 agosto, 2008

... um quase regresso

Cá estou, de passagem pela urbe e por este espaço, depois de um quase mês de ausência (mas por boas razões!), mas ainda não totalmente regressado....

Dos dias idos fica não só a tradicional estada na praia de Altura mas, sobretudo, a vivência inolvidável no Ecoresort da Praia do Forte, em Salvador da Baía, de que aqui se deixam vistas.

Por cá duas propostas:
Emissão do CLX, Canal de TV de Lisboa, a partir de 2 de Setembro.
Movimento Acorda Lisboa (MAL), um novo espaço a acompanhar...

29 julho, 2008

Até já

Chegou enfim o tempo do adeus...como diria Ruy Belo.

Parto mais para sul, para as águas cálidas de Altura, que, ano após ano, me vão reconfortando por esta época.Depois, lá mais para meados de Agosto, seguir-se-á a odisseia do Brasil...
Assim, a estada por este espaço será, nos tempos que se avizinham, excessivamente efémera, como convém em tempos de veraneios...
Até breve...ou, melhor, até já!

Prémios e diplomas

O Ministério da Educação acaba de instituir o Prémio de Mérito (apesar de o Despacho ainda aguardar publicação!). O objectivo é distinguir, em cada escola, o melhor aluno do ensino secundário dos cursos científico-humanísticos e dos cursos profissionais ou tecnológicos.
O prémio tem um valor pecuniário de 500 euros.
A data de atribuição do prémio de mérito deve coincidir com a do Dia do Diploma, que será assinalado, pela primeira vez, no dia 12 de Setembro de 2008.
Como as escolas já tinham pouco que fazer...agora institucionaliza-se mais esta palhaçada dos diplomas e dos prémios. É só espectáculo!

Premiar o mérito

Chama-se Elvira Fortunato e tem de 44 anos de idade. É investigadora e directora do Centro de Investigação de Materiais da Universidade Nova de Lisboa. Construiu o primeiro transístor em papel.
Por isso, acaba de ser contemplada, juntamente com mais cinco colegas do seu centro de investigação, com uma Bolsa Avançada do European Research Council no valor de 2,25 milhões de euros.

28 julho, 2008

Chegou a hora

Faleceu Randy Pausch, o professor de Informática na Universidade de Carnegie Mellon que se tornou famoso por causa da palestra em que se despediu da família e da vida, depois de saber que morreria em breve com cancro do pâncreas.
Tinha 47 anos.
Dados biográficos e a sua lição de vida "the last lecture" aqui

26 julho, 2008

Bons empregos

Luís Nazaré deixou a presidência dos CTT mas continua a receber parte do salário. Coisa pouca, é claro: 3 575 euros brutos por mês.
E isto porque é presidente de um "comité de estratégia dos Correios", que acumula com funções privadas. O "Comité" foi formado por decisão do Governo...pois claro.

"Por qué no te callas?"

Hugo Chávez: o que é que este homem (ou o seus país?) tem que consegue tão facilmente granjear a aparente estima, admiração e amizade de outros? Que o digam Sócrates e o próprio rei Juan Carlos, que se viu agora obrigado a apertar a mão de Chávez (depois daquele histórico episódio em que o mandou calar) e a oferecer-lhe uma t-shirt com a frase que fez história.
Diplomacia a quanto obrigas!
O vídeo

Mitomanias

O título da notícia do Jornal Público não poderia ser mais fantasmagórico: "Estudo acaba com o mito de que as raparigas são piores que os rapazes a matemática". Para concluir que "não são as diferenças de género que explicam por que é que se é bom ou não a lidar com cálculos; o que importa são factores sociais e culturais, dizem cientistas".
A impressão com que se fica é que se descobriu a pólvora. O jornalista Nicolau Ferreira e a redacção do jornal andam literalmente a dormir, pelo modo tão atónito com que reagiram a esta "descoberta científica".
E assim se faz jornalismo em Portugal!

22 julho, 2008

Ei-las: as cotas

O normativo ainda não foi publicado mas o Ministério da Educação já publicitou o conteúdo do despacho sobre as cotas.
Assim, as percentagens máximas para a atribuição das menções qualitativas de «Excelente» são de 5% e de «Muito Bom» situa-se nos 20%.
Estas percentagens podem melhorar (???)se a avaliação externa da escola tiver algum "Muito Bom" (podendo ir até 10% e 25%, respectivamente)!
A outra novidade é que as percentagens máximas se aplicam, em cada agrupamento de escolas ou escola não agrupada, de forma independente a cada um dos seguintes universos de docentes:
a) Aos professores titulares que exercem funções de avaliação, com excepção dos coordenadores dos departamentos curriculares ou dos coordenadores dos conselhos de docentes, na situação prevista no artigo 37.º do Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro;
b) Aos restantes professores titulares;
c) Aos professores;
d) Ao pessoal docente contratado.

Face à magreza das cotas serão muito poucos os que têm direito a Excelente. Ou, dito de um modo menos prosaico: vai sobrar para as CCAD descalçarem a bota de quem é que tem direito a quê.
Estes tipos sabem-na toda!

Pau para toda a obra

No despacho 19308/2008, saído hoje, e cunhado pelo punho do inigualável Valter Lemos, fazem-se alterações de monta ao nível da gestão do currículo no 2º ciclo.
Não só cada professor deve leccionar à mesma turma mais do que uma disciplina, como o director de turma, para além das disciplinas associadas à sua área de formação, tem também de ocupar-se da Formação Cívica e, se possível, de uma outra área curricular não disciplinar, como o Estudo Acompanhado e a Área de Projecto.
Já não estamos perante o turbo professor mas sim perante o homérico e, quiçá, enciclopédico professor.

21 julho, 2008

Matemática e medalhas

Dois estudantes portugueses do 11º ano conquistaram medalhas de bronze nas Olimpíadas Internacionais de Matemática, a decorrer desde o dia 10 em Madrid.
Afinal não somos tão maus como o pintam....

20 julho, 2008

Time Out Lisboa

Neste tempo de canícula, em que começa a sobrar algum tempo para o lazer, quando nem sempre há perspectivas em mente, a TIME OUT LISBOA - com tudo o que há para fazer em Lisboa - é uma consulta indispensável. Pelas quantidade e pela diversidade.
Aqui

19 julho, 2008

Mais um mandato

As notícias vindas a público dizem que José Manuel Durão Barroso admitiu estar disponível para um segundo mandato na presidência da Comissão Europeia.
É mesmo caso para dizer: quem te viu...

17 julho, 2008

Mais um pauzinho na engrenagem

As férias estão a chegar (que saudades!) e a validação da avaliação dos contratados parece reunir todos os ingredientes para ser o primeiro grande ponto de ruptura. Ou pelo menos a obrigar a mais umas piruetas.
As cotas para esta categoria de docentes ainda não saíram (estão para sair não é?), e dado o tipo de avaliação a que vão ser sujeitos (poucos parâmetros e muito objectivos), presume-se que deva haver Excelentes e Muito Bons a dar com um pau...
E agora? Como se vai validar tudo isso? E quem é valida se já haja quem esteja de férias?...
Será que vai sair um despacho a dizer que têm todos BOM?

16 julho, 2008

Carla Bruni

A editora de Carla Bruni pensou colocar o seguinte autocolante no álbum "Comme si De Rien N' Etait": "Pode gostar de Carla Bruni sem gostar do marido."
É pena que não tenha tido coragem para passar da ideia ao acto...pois às vezes precisamos que nos lembrem certas coisas....

15 julho, 2008

Organização e gestão do currículo

O Ministério da Educação definiu os princípios orientadores a que devem obedecer a organização e a gestão do currículo, com o objectivo de colmatar quer a excessiva disciplinarização da função docente no 2.º ciclo, quer alguns constrangimentos ao nível do cumprimento dos objectivos e das finalidades que presidem à criação das áreas curriculares não disciplinares.
O despacho, que aguarda publicação, pode ser consultado aqui
´... é só mais um pauzinho na engrenagem!

Criação da Equipa ERTE/PTE

O Despacho n.º 18871/2008, publicado hoje, cria a Equipa de Recursos e Tecnologias Educativas/Plano Tecnológico da Educação (ERTE/PTE), chefiada por José Vitor Pedroso, e extingue a equipa multidisciplinar ECRIE.

A ERTE/PTE tem a seu cargo as seguintes áreas de intervenção:
a) Desenvolvimento da integração curricular das Tecnologias de
Informação e Comunicação nos ensinos básico e secundário;
b) Promoção e dinamização do uso dos computadores, de redes e da
Internet nas escolas;
c) Concepção, produção e disponibilização dos recursos educativos
digitais;
d) Orientação e acompanhamento da actividade de apoio às escolas
desenvolvida pelos Centros de Competências em Tecnologias Educativas
e pelos Centros TIC de Apoio Regional.

Mobilidade dos docentes

Decreto-Lei n.º 124/2008
Segunda alteração ao Decreto-Lei n.º 224/2006, de 13 de Novembro, estabelecendo as condições de colocação em situação de mobilidade especial dos docentes declarados incapazes para o exercício da actividade docente e um regime excepcional de acesso à colocação em estabelecimento de educação ou de ensino, bem como a possibilidade de colocação em situação de mobilidade especial para os docentes com ausência de componente lectiva.

14 julho, 2008

Recomendações da CCAP

Acaba de ver a luz do dia (ou da noite?) um conjunto de recomendações produzidas pelo Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (CCAP).
Este Nº 3 intitulado "Princípios orientadores para a definição dos padrões relativos às menções qualitativas", tem tanto de prosaico como de onírico.
Recomendar é mesmo fácil!

12 julho, 2008

Avaliação dos contratados

Circular da DGRHE que regula a avaliação dos contratados, no corrente ano lectivo.
As classificações de Excelente e de Muito Bom têm que ser validadas pelas CCADs....pois claro!
E quanto a Excelentes, a coisa "pia" mais fino. É necessário justificar o contributo do docente para o sucesso dos alunos e para o aumento da qualidade das aprendizagens. Está-se mesmo a ver qual é o objectivo, não é? Entretanto afirma-se no ponto 8 que o despacho que define as cotas "será feito muito em breve".... Provavelmente em Agosto, não?

Mais dois nós na teia

A complexidade adensa-se cada vez mais, visível em dois despachos:
- um sobre o lançamento do ano lectivo, de cariz burocrático, controleiro e economicista.
- outro sobre as Áreas Curriculares não Disciplinares do ensino básico (Área de Projecto, Estudo Acompanhado e Formação Cívica).
No primeiro estipula-se uma avaliação da distribuição do serviço; no segundo exige-se um relatório circunstanciado para ser enviado à respectiva Direcção regional.
Que mais nos irá acontecer?

11 julho, 2008

O fim das mochilas?

Segundo a notícia do Público, no início do próximo ano lectivo, os alunos do ensino básico da Maia vão poder aceder a todos os conteúdos leccionados e trabalhos realizados nas aulas através de uma simples pen drive. Todo o peso dos livros e cadernos pode agora ser substituído por uma pequena caneta USB facilmente transportável no estojo, pendurada ao pescoço ou até no bolso.

09 julho, 2008

A eleição dos directores das escolas

Ora aí estão as novas regras a observar no procedimento concursal anterior à eleição dos directores dos agrupamentos ou das escolas são definidas na portaria 604/2008, publicada no Diário da República de 9 de Julho, tendo em conta o novo regime de autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos de ensino.

06 julho, 2008

CFAE com novas regras

Há novas regras na existência dos Centros de Formação de Associações de Escolas (CFAE).
Acaba de ser publicada legislação que vem alterar o quadro existente.

As grandes novidades são:
1. São extintos todos os centros de formação de associações de escolas existentes, devendo ter lugar a iniciativa de criação de novos centros. A decisão de homologação deve ser conhecida até 31 de Agosto de 2008.
2. A iniciativa da criação das associações de escolas e dos centros de formação correspondentes cabe aos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas, através dos presidentes dos conselhos executivos ou directores.
3. Para a criação de um centro de formação de associações de escolas, o número de docentes, afectos aos agrupamentos de escolas/escolas não agrupadas que constituem as associações que vêm integrar o centro de formação a constituir, devem obedecer aos seguintes referenciais:
* 2000 docentes para as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e para as áreas cuja densidade populacional seja equiparável;
* 1000 docentes para as áreas de fraca densidade populacional;
* 1500 docentes para as áreas que não integrem nenhum dos casos anteriormente referidos.
4. As condições de concretização dos planos de acção são contratualizadas com entidades externas, designadamente instituições de ensino superior e associações profissionais de professores, que devem ser acreditadas para o efeito pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua de Professores.
5. O director do centro de formação extinto deve permanecer em funções até à tomada de posse do novo director, cujo procedimento concursal deve iniciar-se nos cinco dias úteis seguintes à notificação da homologação e estar concluído no prazo máximo de 30 dias.

Despachos 18038/2008 e 18039/2008