24 abril, 2008

Cinco a zero

Saiu a 5ª (e última) sentença que recusa provimento às providências cautelares relativas ao processo de avaliação de desempenho dos docentes.
A providência visava a suspensão de eficácia dos despachos datados de 24 e 25 de Janeiro de 2008, respectivamente, proferidos pelo secretário de Estado Adjunto e da Educação e, bem assim, do despacho de 25 de Janeiro de 2008 proferido pelo secretário de Estado da Educação.
Os sindicatos andaram mesmo a fazer pontaria no alvo errado. Assim, não admira que tenha sido este o desfecho das cinco providências.

Os D. Quixotes

"Estou aqui mais uma vez disponível para o combate". Foi deste modo que Santana Lopes manifestou a sua disponibilidade para mais uma cruzada.
Por sua vez A J Jardim considerou também a hipótese de se candidatar mas só se se "verificar um grande consenso". É obra!
Com qualquer um deles o PSD ficará naturalmente bem servido. E representam, em termos políticos, o estado da nação.
Ao que isto chegou!

21 abril, 2008

O tempo esse grande escultor

"O conselho precisa de tempo para ter um pensamento estratégico de acção"
São palavras de Conceição Castro Ramos, presidente do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (CCAP), na tomada de posse que hoje ocorreu.
A questão é que não é só o CCAP que precisa de tempo. Andamos todos necessitados dele. Para reflectir, para assimilar, para debater, para construir. Para se construir algo sério, e não ser tudo uma trapalhada.

20 abril, 2008

Pelos vistos o tamanho importa

"A alta velocidade: ninguém te vai achar grande".
Foi com este slogan que uma campanha australiana de prevenção rodoviária tentou chegar aos condutores mais jovens, numa clara analogia entre o excesso de velocidade e o tamanho do pénis.
O governo diz que o método se está a revelar eficaz.
O vídeo está aqui

18 abril, 2008

O senhor que se segue

Quase que se adivinhava este desfecho: a demissão de Luís Filipe Menezes.
Aparentemente não se candidata. É o que diz. Não se sabe se é o que fará. Até ao lavar dos cestos...basta haver uma vaga de fundo...
Agora vamos lá ver quem é que vai sair da toca. Lebres há por aí várias. Venha quem vier é igualmente um "lider" de passagem. Não vai aquecer muito o lugar.
Pelo menos vamos ter oportunidade de ouvir algumas verdades nos próximos tempos.

17 abril, 2008

Assinar de cruz

Hoje a Plataforma Sindical e o Ministério da Educação assinam o chamado "entendimento", que significa e constituiu uma capitulação e o início de um período de acalmia.
O que os professores ganham com essa assinatura é o que ainda urge demonstrar.
Não se imaginava que também houvesse traições feitas através de assinatura.
Não podemos morrer em silêncio.

16 abril, 2008

Uma imensa minoria

Mário Nogueira afirmou, de acordo com as notícias vindas a público, que os professores aprovaram por uma "esmagadora maioria" o acordo com o Ministério da Educação.
A questão que se coloca é: de quantos falamos quando falamos de uma "esmagadora maioria"? Não seria mais ortodoxo falar de uma imensa minoria?
Infelizmente, aquele mágico número dos 100 mil nunca mais voltará a repetir-se!

15 abril, 2008

Dia D

É hoje?
Não se deu por isso!

A nudez de Bruni

A história parece simples: Carla Bruni, recentemente promovida a primeira dama de França, pousou nua. A fotografia rendeu, num leilão, a módica quantia de 58.000 euros.
Ora esta quantia foi oferecida a uma associação humanitária de ajuda a crianças do Camboja, que, liminarmente, a recusou, porque entendeu que estava a ser usada para fazer publicidade ao modelo e ao ofertante.
Se ao menos tivesse sido de tanga...

Ana, nada benevolente

Em declarações ao RCP Ana Benavente fala de chantagem sobre os professores contratados, do facto de os sindicatos se terem assustado nas negociações com o Ministério, de não terem ganho com o "entendimento", e de não honraram os 100 mil professores.
O que fará correr esta dama?

14 abril, 2008

(Des)Entendimentos

No passado sábado coloquei aqui muitas reservas ao anúncio da "retumbante" vitória sindical. Pelos vistos confirmam-se, pois agora já se questiona a hipótese da não assinatura, na próxima 5ª feira, do "entendimento" feito na noite de 6ª feira. As cambalhotas que estes sindicalistas dão!
Esta conceito "entendimento" tem mesmo um sabor estranho não é?

13 abril, 2008

Competência, desempenho e eficácia

Matias Alves publicou hoje no Terrear um pequeno texto que lhe fiz chegar por e-mail e que procura ser um contributo para ajudar a clarificar do que é que falamos quando nos referimos a avaliação do desempenho, da competência ou da eficácia.
Grassa por aí muita confusão quando se faz um tão grande enfoque na avaliação dos resultados. Mas, como se procura clarificar, isso diz respeito à eficácia e não ao desempenho.

12 abril, 2008

Mais uma bola para canto

De acordo com o diário digital "O Ministério da Educação (ME) cedeu hoje às pretensões dos sindicatos de professores e este ano lectivo a avaliação de desempenho terá apenas em conta quatro parâmetros, aplicados de igual forma em todas as escolas".
Ficou acordado, em relação ao regime simplificado dos contratados, a necessidade de quatro coisas: ficha de auto-avaliação, a assiduidade, o cumprimento do serviço distribuído e a participação em acções de formação contínua, quando obrigatória.

Quando a esmola é grande o pobre desconfia, diz o provérbio. A impressão que fica é que os sindicatos embandeiraram em arco e passaram a contentar-se com muito pouco. Poder-se-á considerar isto uma grande vitória? É a uniformidade ou o mínimo dos mínimos que são aqui os elementos vitoriosos?
Estamos a desviar-nos do essencial, com mais esta lateralização. O cerne da avaliação continua lá, no essencial, para o próximo ano. O que parece ter sido esquecido.
Não soa nada bem o que se pode ler no site do ME: "O Ministério da Educação (ME) manifesta a sua satisfação pelo Memorando de Entendimento a que chegou hoje com a Plataforma Sindical"

O memorando do entendimento entre o Ministério e a Plataforma Sindical pode ser lido aqui.

10 abril, 2008

Os custos da paixão?

Segundo a TSF "O primeiro-ministro disse esta quinta-feira, em Abrantes, que a educação «está no coração» do Governo, anunciando investimentos de 33,3 milhões de euros".
Será o preço a pagar pela paixão de Guterres?

Diálogo ou monólogo?

Proposta do Ministério às Associações sindicais.
A sensação que fica quando se lê esta proposta é que se verificam lateralizações, escamotendo-se o núcleo central do problema.
O que irá suceder na reunião de hoje? Cada uma das partes a falar consigo mesma?

A causa tibetana

De acordo com as últimas notícias, o Parlamento Europeu votou hoje uma resolução de boicote dos dirigentes da União à cerimónia de inauguração dos Jogos Olímpicos de Pequim.
É uma boa acha para a causa tibetana!

Diz que é uma espécie de avaliação

Os professores contratados são o cavalo de batalha desta guerra que quase diariamente tem novos episódios.
Aquilo que se prevê a que venham a ser sujeitos estes colegas é uma caricatura ridícula de algo a que pomposamente se quer chamar avaliação.
Não havia necessidade, como diria o diácono, de se ter chegado a isto!
Todavia, as estruturas sindicais apostam em não aceitar o modelo simplex para os professores contratados, porque não foi objecto de negociação, preferindo o original. São sádicos ou masoquistas?
Uma coisa parece necessária: o decreto regulamentar 2/2008 já está de tal modo desactualizado que urge transformá-lo num outro, de uma outra estirpe. A bem do escola pública.

09 abril, 2008

Dois passos em frente e um atrás

Rescaldo da reunião de ontem entre a Ministra e a Plataforma Sindical: Mais um pequeno recuo. Aos professores que tiverem a classificação de Regular ou Insuficiente, na primeira avaliação, será dada uma segunda oportunidade.

Rescaldo da reunião de Coimbra

Notícia de hoje do jornal Público sobre a reunião dos PCE de Coimbra, realizada ontem:

Conselhos executivos de Coimbra vão avaliar contratados

Etelvino Rodrigues, porta-voz dos 40 presidentes de conselhos executivos (CE) de escolas do distrito de Coimbra que ontem se reuniram para decidir o que fazer sobre a avaliação dos professores, assegura que "não houve capitulação". Mas admite que a possibilidade de os membros de aqueles órgãos serem alvos de processos disciplinares "foi determinante" para a decisão de avançarem com a avaliação e a classificação dos colegas que se encontram com contrato. "Temos de cumprir a lei", justificou.
No encontro, que decorreu em Coimbra, a possibilidade de demissão chegou a ser ponderada, mas só "três ou quatro" presidentes de CE se disponibilizaram para recorrer a uma medida tão drástica para fazer frente ao actual modelo de avaliação, que todos contestam. E, afastada aquela estratégia, não havia alternativa à sua aplicação, sustentaram vários participantes.
"Nos termos da lei, tornamo-nos alvos de processos disciplinares se não avançarmos com a avaliação; por outro lado, qualquer professor contratado que, para o ano, não veja o seu contrato renovado por não ter sido avaliado pode vir a pedir a nossa responsabilização", explicou Etelvino Rodrigues.
Com aquela justificação, decidiram fazer mais um comunicado pedindo a suspensão da avaliação, alegando que "não existem condições materiais" para a fazer. Mas, entretanto, e recorrendo ao modelo simplificado (sobre o qual pedem esclarecimentos ao ministério), vão avançar com a avaliação dos professores contratados e daqueles que necessitam da classificação para avançar na carreira. "Não somos heróis...", desabafava um dos participantes, no final da reunião.
Enquanto os presidentes dos CE das escolas de Coimbra debatiam as medidas a tomar, soube-se que o Tribunal Administrativo do Porto rejeitara uma providência cautelar interposta pelo Sindicato dos Professores do Norte para suspender o processo de avaliação dos docentes.
Com esta decisão, são já quatro as providências cautelares rejeitadas pelos tribunais, restando apenas uma por julgar.
Graça Barbosa Ribeiro

08 abril, 2008

Autismo

Tal como previra, a oeste nada de novo, no final da reunião de hoje da Ministra com a Plataforma Sindical, como se pode ler nesta notícia de última hora do Público.

Concurso de professores titulares

O Tribunal Constitucional considerou inconstitucional a norma que impediu os professores que se encontravam doentes de concorrer ao concurso de professores titulares.É mais um revés no Ministério da Educação.
Notícia do Público.

Tibete

Nas manifestações de ontem, que se realizaram em Paris, conseguiu-se apagar a chama olímpica. Esperemos que seja um bom pronúncio para a causa tibetana.
Por cá foi entregue na AR uma petição com 11 mil assinaturas contra a violência no Tibete

07 abril, 2008

Terça feira, 8

Hoje foram publicadas as grelhas e os parâmetros. Na agenda de amanhã estão duas reuniões:
- da Ministra com a Plataforma Sindical
- de PCEs da região de Coimbra.
Aposto na segunda!

Uma lição de vida

Vítima de um cancro, o professor de Informática Randy Pausch, tem à sua frente poucos meses de vida. Deu recentemente a sua última aula. Foi uma lição de vida.

06 abril, 2008

Dúvidas

"Nenhum conselho executivo de qualquer escola pediu a suspensão da avaliação", garante a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues.
Por outro lado, afirmou também que esta "solução não está disponível".
Pergunta-se: A questão coloca-se em termos de "pedido"? Pode pedir-se o não está disponível?
Há aqui algo que não bate certo.

05 abril, 2008

A oeste nada de novo'

Finalmente o Conselho Científico para a Avaliação dos Professores apareceu à luz do dia através da criação de um site, que, APARENTEMENTE, não tem nada de novo.
Todavia, é de destacar a seguinte afirmação: "a credibilidade e a eficácia de um modelo de avaliação de desempenho – que tem como finalidades principais o desenvolvimento
profissional dos docentes e a melhoria das aprendizagens dos alunos – requerem
tempo e reflexão, de modo a permitir a desejável apropriação e participação por parte
de avaliadores e avaliados". Plenamente de acordo!

04 abril, 2008

Conflito de interesse

Os professores e as escolas têm sobre si uma espada de Dâmocles: se os professores contratados não forem avaliados não vêm os seus contratos renovados. É perverso e maquiavélico!
Quem diria que seria deste modo que este execrável sistema de avaliação se iria sustentar?
Nesta caso, a margem de manobra é escassa, para não dizer inexistente.
Resta que por via administrativa se consiga o que, por outras vias, não se conseguiu: a cabal demonstração de que existem conflitos de interesse entre avaliadores e avaliados (concorrem às mesmas classificações e vagas, sendo partes interessadas no processo), razão mais do que suficiente para ferir, na sua essência, este modelo.
O que andarão os sindicatos a fazer é o que urge perguntar.

27 março, 2008

Como lidar com telemóveis na sala de aula

Sinais inquietantes

As novas tecnologias têm destas coisas...Permitem mostrar o que, supostamente, não era para ser visto. É claro que a tecnologia é aqui a parte mais inocente. O mesmo não se poderá dizer daquilo que se pode fazer com ela é
O caso da escola Carolina Micaelis e este outro caso de uma aula de Economia são dois famigerados exemplos do que por aí prolifera em termos de indisciplina, brutalidade, permissividade e incompetência.
A questão central é esta: como é que foi possível chegar-se a isto? Que alunos são estes? Que professores são estes?

18 março, 2008

Terrear

Matias Alves, no seu Terrear, continua, de modo consistente, a demarcar-se, pela positiva, de muitos outros que têm vindo a terreiro, mais para que lhe olhem para o umbigo do que para esclarecer e contribuir para elevar este debate.
São estimulante os contributos que tem dado para esta causa, aliados à nobreza da sua postura. Nos tempos que correm, isto é uma raridade...

Deixa-me rir (parafraseando Jorge Palma)

Jornal Público de hoje:
"Em comunicado emitido ontem, a Fenprof insiste que a simplificação de procedimentos admitida pela tutela em casos comprovadamente justificados constitui uma ilegalidade (porque viola o que dispõe o decreto regulamentar e comporta alterações não negociadas). E cria um "quadro de desigualdades entre docentes de escolas diferentes e, mesmo, dentro da mesma escola". É neste contexto que a Fenprof exige então a "aplicação da lei, tal como foi aprovada, ou, perante a comprovada impossibilidade de isso acontecer, a suspensão, este ano, da avaliação do desempenho".
Qual a lógica deste tipo de argumentação? É-se preso por ter cão ou por não o ter, é o 8 ou o 80.
Não parece que seja com argumentos deste tipo que se esclareça o essencial da questão ou se contribua para a resolução do impasse. Afinal a Fenprof pretende que a lei seja mesmo aplicada em todo o seu esplendor?
Esta coisa de um uniforme igual para todos já é chão que deu uvas....Quando a lucidez esmorece, surgem argumentos risíveis.

15 março, 2008

Miopia política

Revelando uma particular perspicácia sobre o que são os verdadeiros problemas nacionais, o governo acaba de produzir dois normativos sobre duas áreas vitais: proibição de colocação de piercings (na língua e na genitália), a menores de 18 anos e proibição de importação, criação e reprodução de raças de cães consideradas perigosas.
Estes são, de facto, os verdadeiros problemas nacionais. Tudo o resto, é só fumaça!

11 março, 2008

Perspectivas

No Público de hoje, Miguel Gaspar perspectiva assim as consequências do estado a que se chegou:
"Maria de Lurdes Rodrigues não tem condições para continuar. O problema é que agora José Sócrates não tem condições para a demitir. Foi tudo parar a um beco sem saída
(...)
Os professores explicaram alto e bom som que nenhuma reforma podia avançar quando mais de metade de uma classe desceu à rua. Se continuar, a ministra já não tem poder nem legitimidade.
(...)
José Sócrates bem podia, no domingo, fazer a sua profissão de fé em nome da "razão" e contra os "números". Sabe que houve um momento em que devia ter negociado mas preferiu esticar a corda além do limite. Sabe que perdeu o braço-de-ferro e não o pode admitir. Perdeu ele e perdeu a educação, que ficou irreformável no curto prazo.
(...)
Os professores legitimaram a sua posição de forma inequívoca. A opinião pública percebeu que eles não podem continuar a ser tratados como até aqui. Mas há um perigo. A vitória foi demasiado esmagadora. Por isso, pode embriagar e corre o risco de se diluir noutros protestos".

10 março, 2008

A razão dos números

A propósito dos cem mil professores que participaram na marcha da indignação, afirmou Sócrates:
"O que me convence não é a força dos números; é a força da razão".
Há, nesta afirmação, demagogia qb. Como diz o ditado: o pior cego é o que não quer ver.
Neste caso, a miopia consiste em não ver que os números são a expressão da razão.

09 março, 2008

A dimensão da indignação

A manifestação de ontem dos professores ficou conhecida por "Marcha da indignação". A indignação é legítima para quem tem sido sistematicamente tão maltratado neste últimos tempos. Todo o país teve oportunidade de ver que a indignação é enorme.

A partir daqui não se pode:
- como fez a Ministra, ignorar a dimensão do protesto, dizendo que "não é relevante", pois cem mil pessoas é demasiada gente;
- como fez Sócrates, dizer que as políticas vão continuar e que não se pode parar este processo;
- levar por diante este modelo de avaliação tal como está;
- ignorar a moral dos professores.

07 março, 2008

Como se mede o progresso dos resultados escolares?

Na entrevista que hoje aconteceu na RTP, a Ministra da Educação referiu a importância de avaliar o valor acrescentado que os professores proporcionam aos seus alunos. No site do Ministério da Educação fala-se hoje em "progressos observados".
O que a Ministra não disse, e convinha esclarecer, é o seguinte:
1. Para se conhecer qual é o valor acrescentado, temos primeiro que saber qual é o ponto de partida. Só assim se poderão avaliar os ganhos.
2. Esse tipo de trabalho faz-se, geralmente, com uma coorte de alunos.
3. O valor acrescentado só é devidamente avaliado no final de um período de tempo relativamente longo (três anos é uma boa referência).
4. O valor acrescentado é avaliado em termos do contributo que a escola deu no seu conjunto, mas não em termos do contributo individual de cada professor.

Alguns equívocos do modelo actual nesta matéria:
1. Convém ter presente que a avaliação dita contínua e formativa não avalia só conhecimentos. Avalia e valoriza atitudes e valores.Um exame não avalia nada disto. Assim, não admira que as notas dos exames e da frequência interna não coincidam, pois os critérios que lhes servem de base são diferentes.
2. Procurar evidenciar as diferenças entre as classificações internas que um professor deu e a classificação que o aluno obteve no exame, e ter isso em consideração na avaliação do desempenho do docente é uma verdadeira atrocidade.
3. Quando se diz que "são comparados resultados dos alunos num ano com os do ano anterior, com outros alunos da mesma disciplina e com outras disciplinas da mesma turma" está-se a dizer que se compara o que é incomparável!
4. Quando se diz que "cabe a cada escola definir a metodologia de medição deste critério" [progresso dos resultados escolares], quer isto dizer que o que na escola A é progresso, na B pode ser considerado retrocesso. Ou seja, estamos mesmo perante um sistema de avaliação "objectivo"!

Leitura aconselhável:
Gray, J. et al. (1999). Improving Schools: Performance & Potencial. Buckingham: Open University Press.

06 março, 2008

EQUÍVOCOS E CONTRA-SENSOS NA AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES

A avaliação dos professores incendiou o país. O movimento que de norte a sul do país se tem gerado, e em muitos casos com contornos muito espontâneos, não pode deixar de ser interpretado como a assunção de uma nova postura em termos de cidadania, com implicações na construção do nosso futuro colectivo.


Em qualquer modelo de avaliação há um conjunto de interrogações primordiais que urge equacionar, sob pena de se cometerem os mais variados atropelos, e que se podem resumir nas seguintes: porquê avaliar, o que avaliar, como aliar, quando avaliar.
A razão de ser da avaliação legitima-se pelas funções que desempenha, e estas não podem ser dissociadas dos restantes elementos do processo de avaliação. O tipo de enfoque ou o uso que se faz dos resultados da avaliação condiciona e determina não só (a informação que se recolhe, mas também os meios utilizados nessa recolha. Por isso, o que se avalia e o modo como se avalia são duas ordens de questões que são susceptíveis de não serem satisfatoriamente equacionadas quando se esbate a função que preside à avaliação.
O que é que está em causa nesta avaliação? Em primeiro lugar isto: “a avaliação do desempenho é obrigatoriamente considerada para efeitos de progressão e acesso na carreira”. É seguramente esta a pedra de toque de toda a avaliação. Se fosse possível retirar-lhe esta carga sumativa, e perspectivá-la com uma função eminentemente formativa, de imediato assumiria contornos totalmente distintos.
Por outro lado, afirma-se que “a avaliação de desempenho do pessoal docente visa a melhoria dos resultados escolares dos alunos e da qualidade das aprendizagens”. Há aqui um equívoco estrutural, ao confundir-se desempenho com eficácia. O desempenho do professor diz respeito ao seu comportamento no trabalho. Por isso, o desempenho refere-se mais ao que o professor faz do que ao que pode fazer isto é, ao quão competente é. Sendo específico à situação de trabalho, o desempenho depende da competência do docente, do contexto em que o professor trabalha e da sua habilidade para aplicar as competências em qualquer momento. Deste modo, o desempenho aparece associado à qualidade do acto de ensinar.
Por sua vez a eficácia do professor refere-se ao efeito que o desempenho do professor tem nos alunos. A eficácia depende não só da competência e do desempenho, mas também das respostas dos alunos. Do mesmo modo que a competência não pode predizer o desempenho em diferentes situações, também o desempenho não pode predizer os resultados em situações distintas.
É diferente avaliar a qualidade do professor, isto é, a sua competência, a qualidade do seu ensino, isto é, o seu desempenho; ou a qualidade do professor e do seu ensino em relação aos resultados dos alunos, isto é, a eficácia do professor. Na citação que anteriormente referimos, o que se pretende avaliar é a eficácia e não o desempenho. Ora, sendo coisas distintas, não se podem avaliar pelos mesmos critérios.
O concurso para professor titular deixou mazelas que dificilmente serão saradas. Os critérios utilizados nesse concurso primaram pela insensatez e cabotinice. Por isso, não é de estranhar que uma parte significativa do presente mal-estar docente resida aqui, na divisão artificial e arbitrária, que a partir de então se gerou. Grande parte dos que vão ser avaliados não reconhece nos avaliadores (professores titulares) competência para tal. Este facto não só inquina o sistema de avaliação como provoca o seu total descrédito.
Conceber um modelo de avaliação que se repete de dois em dois anos é revelar falta de lucidez intelectual, moral e política. As incomensuráveis tarefas a que avaliadores e avaliados têm que se sujeitar, deixa pouca margem de manobra e de tempo para o que é verdadeiramente essencial na função docente.
Muito haveria a dizer quanto ao que se avalia e ao modo como se avalia. Vamos somente referenciar alguns contra-sensos.
O critério “classificação nas provas de avaliação externa e respectiva diferença relativamente às classificações internas” não só não é aplicável a todos os professores e a todas as disciplinas, como nunca será possível estabelecer parâmetros justos a partir dos quais se possa afirmar qual o contributo do professor para a maior ou menor diferença verificada na duas classificações. Estamos em pleno reino da arbitrariedade.
Como se avalia o contributo do professor para a prevenção e redução do abandono escolar? Um docente pode empenhar-se muito e “perder” um número significativo de alunos, enquanto que um outro docente não se empenha e “não perde” nenhum aluno. Como se classifica cada um deles? O que vale mais? O contributo, o esforço ou a taxa de abandono?
Situação semelhante se verifica no indicador “progresso dos resultados escolares dos alunos”. Que tipo de progresso é este? É calculado em que base? Que contas é necessário fazer em relação a cada aluno, a cada turma, a cada disciplina, a cada ano, para se dar a ilusão que todas as variáveis foram contempladas? Entramos no reino do misticismo pleno.
Questões semelhantes se poderiam colocar, por exemplo, em relação ao “empenhamento e a qualidade da participação do docente” e ao que isso pode significar.
Se um professor tiver a ousadia de faltar, um dia sequer, nos dois anos de serviço a que se reporta a avaliação, mancha de tal modo o seu desempenho que jamais o poderá ver classificado como Excelente. Estamos, de facto, perante um modelo de avaliação que não se destina a seres humanos.

Gonçalo Simões
(Texto enviado ao jornal Público em 5/3/2008)

Ramiro Marques e a avaliação dos professores

A não perder, no Jornal de Notícias.

02 março, 2008

Votação sobre a avaliação dos professores

Acha que o actual processo de avaliação de professores devia ser suspenso durante este ano lectivo?

http://www.publico.clix.pt/


Participa e vota

06 janeiro, 2008

Ausências

Estes têm sido uns tempos de distanciamento porque "valores mais altos se levantam" e nem sempre tem sido possível usufruir de momentos que permitam traduzir em texto o que por aí vai.
O tempo ainda não vai muito de feição, para que se dê uma reviravolta. Mas oportunamente lá chegaremos.

20 outubro, 2007

Perdões

Uma dívida de 12,5 milhões de euros foi considerada incobrável pelo BCP a um conjunto de cinco empresas de um dos filhos do fundador do BCP. Filipe Jardim Gonçalves e os seus sócios beneficiaram de um perdão na sequência da falência das empresas que dirigiam.

03 junho, 2007

Scribefire

Aqui está um óptimo add-on do Mozila Firefox.

Depois de instalado permite que facilmente se escreva, a partir do ambiente de trabalho, tendo em vista a publicação no blog.

A escrita pode ficar logo online ou usar-se a opção de rascunho





Powered by ScribeFire.

01 abril, 2007

Ausências

Por estes dias (que são já enormes e imensos) tem faltado essa preciosidade que é o tempo.
Outros tempos virão, seguramente, a pedir a merecida desforra...
Boa Páscoa.

23 fevereiro, 2007

Telemóvel livre pré-pago

A National Geographic lança telemóvel livre pré-pago.
A ideia é garantir a comunicação a partir de qualquer parte do mundo e a qualquer pessoa, em especial os povos mais desfavorecidos que não terão que pagar pelas chamadas recebidas.

Contas de correio Gmail

Finalmente deixou de ser necessário um convite para se criar uma conta de correio no Gmail. Agora é possível aceder e criar uma conta de e-mail sem convite. Aqui.
As caixas de correio têm uma capacidade de 2,8 GB.

19 fevereiro, 2007

É carnaval!

Alberto João Jardim anuncia esta tarde, na sede do PSD, e em directo através das rádios e televisão regionais, a sua demissão de presidente do governo madeirense.
Lá diz o ditado: é Carnaval, ninguém leva a mal.

Orientações sexuais da Igreja Universal do Reino de Deus

Orientações sexuais contidas na cartilha de ensinamentos da Igreja Universal do Reino de Deus contra a libertinagem sexual, retirada do livro "Castigo Divino" .

Comentários sobre o pecado das seguintes posições sexuais:

  1. Posição de quatro - É uma das posições mais humilhantes para a mulher, pois ela fica prostrada como um animal enquanto seu parceiro ajoelhado a penetra. Animais são seres que não possuem espírito, então o homem que faz o cachorrinho com sua parceira, fica com sua alma amaldiçoada e fétida.
  2. Sexo Oral - O prazer de levar um órgão sexual a boca é condenado pelas leis divinas. A boca foi feita para falar e ingerir alimentos e a língua para apreciar os sabores. A mulher engolindo o sémen não vai ter filhos. E o homem somente sentirá dores musculares na língua ao sugar a vagina de sua parceira.
  3. Sexo Anal (Sodomia) - O ânus é sujo, fétido e possui em suas paredes milhões de bactérias. É o esgoto propriamente dito. No esgoto só existe ratos, baratas e mendigos. A pessoa que sodomisa ou é sodomisada ela se iguala a um rato pestilento. Seu espírito permanece imundo e amaldiçoado. Mas o pior é quando o ato é homossexual, pois o passaporte dessa infeliz criatura já está carimbado nos confins do inferno.

A maneira certa de se relacionar sexualmente com sua parceira, segundo a cartilha:

Recomendada - O homem e a mulher devem lavar suas partes com 1 litro de água corrente misturado com uma colher de vinagre e outra de sal grosso. Após isso, a mulher deve abrir as pernas e esperar o membro enrijecido do seu parceiro para iniciar a penetração. O homem após penetrar a mulher, não deve encostar seu peito nos seios dela, deve manter uma distância pois a fêmea deve estar rezando aos santos para que seu óvulo esteja sadio ao encontrar o espermatozóide. Depois do ato sexual, os dois devem rezar, pedindo perdão pelo prazer proibido do orgasmo. Como penitência, o açoite com vara de bambu é aceito como forma de purificação.

16 fevereiro, 2007

Efeitos do referendo

De acordo com notícias vindas a público, Alberto João Jardim, disse ontem que os portugueses não têm "testículos" para dizer que o referendo à despenalização do aborto "não é vinculativo".
Pelos vistos a vitória do sim já começa a fazer efeitos na polidez da eloquência. Só é pena que não possa ter efeitos retroactivos.

12 fevereiro, 2007

Subsídios

Alberto João tem vindo a subsidiar um pasquim madeirense, onde, imagine-se, é colunista quase diário.
5 milhões de euros foi a verba atribuída, para uma distribuição diária de 5 mil exemplares. É seguramente um bom ratio, a provar que o papel e a tinta estão carotes lá pelas ilhas.
A verborreia já todos a conhecemos. Quanto a dotes literários é preferível que fiquem confinados à ilha.

Foi desta!




Ora aí estão os elucidativos resultados do referendo sobre a despenalização do aborto.
Agora foi mesmo de vez! Já não era sem tempo!
Sim: 59%
Não 41%
Ainda há muita gente a quem estas coisas dizem muito pouco, como se comprova pelo elevado número da abstenção: 56%.
Ainda temos um país onde esta tema serve de clivagem.
Mas não nos iludamos: o drama do aborto não fica resolvido deste modo.

10 fevereiro, 2007

Para rir

João Salgueiro, no Expresso:
Nunca percebi por que é que dizem que a banca tem lucros excessivos. São excessivos porquê? (...) Também não consigo perceber por que é que se diz que a banca paga poucos impostos.


09 fevereiro, 2007

O oportunismo dos católicos

Sob o título "O 'não' e os católicos", Vasco Pulido Valente, no seu inconfundível estilo, confronta e afronta, no Público de hoje, o oportunismo dos "novos" católicos. Assim:

Como já foi notado, o referendo sobre o aborto, apesar de um papel discreto da Igreja, revelou um certo ressurgimento do catolicismo ou, mais precisamente, o ressurgimento de um certo catolicismo. Não do catolicismo popular, que sempre existiu (97,6 por cento dos portugueses garantem que são católicos), mas do catolicismo da classe média. Não custa compreender porquê. O fracasso do "socialismo real" - e, com ele, das várias variantes do marxismo universitário e político - deixou um vácuo. A social-democracia, como praticada à esquerda e à direita na "Europa" inteira, não inspira filosoficamente ninguém. E a relativa ausência da Igreja da vida pública e da vida oficial fez morrer os restos do anticlericalismo jacobino e maçónico, que ainda sobravam da I República e da oposição a Salazar. Quem anda à procura de um sentido para o mundo obscuro e cada vez mais mutável que é nosso (e há muita gente que anda) ficou assim com a Igreja ou perto da Igreja.
Essa aproximação é, no entanto, ambígua. O "novos" católicos não aceitam a ortodoxia e o magistério na parte, ou partes, que frontalmente colidem com o seu interesse ou a ideologia dominante. Poucos condenam o sexo pré-marital, o divórcio, a união de facto ou a contracepção. Um número considerável não condena (ou finge que não condena) a homossexualidade. E a maioria só rejeita o casamento de homossexuais (que, de resto, não provoca um grande furor), a adopção de crianças por homossexuais (que até hoje não se discutiu a sério em Portugal) e, claro, o aborto. O "novo" católico ou a "nova" católica é um ser, para usar o calão em curso, "compartimentalizado". O que significa que é ou não é católico conforme o caso, a oportunidade e a circunstância e que se não sente por isso menos católico.
A necessidade, ou a vontade, de se adaptar a uma civilização hostil (uma "civilização de morte", hedonista e materialista - Ratzinger dixit) produziu esta espécie estranha, que por aí prolifera fora e frequentemente contra a disciplina da Igreja. Verdade que nunca a Igreja conseguiu impor a sua regra ao conjunto dos fiéis. Mas verdade também que a Igreja não é uma organização liberal ou democrática e que não existe sem obediência. A campanha do "não", no seu entusiasmo, no seu zelo e mesmo no seu excesso, mostrou, de facto, a força do sentimento católico em Portugal. Talvez porque a questão do aborto não separa os católicos da Igreja.

World Press Photo 2006





Spencer Platt, fotógrafo americano, venceu o World Press Photo of the Year 2006... Foto: Spencer Platt/Getty Images

http://www.worldpressphoto.com/

05 fevereiro, 2007

Mister Pin ou Been?

"O ministro Manuel Pinho, que os seus colegas de Governo deveriam começar imediatamente a tratar por Mr. Pin, produz gaffes à velocidade que as abelhas produzem mel."
João Miguel Tavares
Diário de Notícias

"Para os chineses, dizer que em Portugal se praticam baixos salários é uma chinezice."
Mário Ramires
Sol

"Ir para a China falar nos baixos salários portugueses é como vender gelado aos esquimós ou petróleo à Arábia Saudita."
Francisco Sarsfield Cabral
Rádio Renascença

"A viagem de Sócrates não ficará conhecida como a deslocação que abriu novos mercados, mas como a visita que deu a conhecer aos chineses um país europeu com baixos salários."
Miguel Alexandre Ganhão
Correio da Manhã

"Para um Governo virado para o futuro andar a vender o Portugal de ontem é um erro."
João Vieira Pereira
Expresso

"Pinho é politicamente inábil e qualquer coisa já serve para o transformar em bombo da festa."
Fernando Madrinha
Expresso

"A continuar neste seu ritmo fulgurante, Manuel Pinho deve ter bilhete certo de saída do Governo."
Martim Silva
Diário de Notícias

"Que o homem não é nenhum prodígio na retórica política já todos sabemos. Mas são bem falantes que queremos no Governo ou pessoas competentes? ...) O país precisa de gente mais bem preparada para influenciar o seu próprio futuro. Gente que não perca tempo com fait-divers.""
Paulo Baldaia
Jornal de Notícias

31 janeiro, 2007

Corrupção

O Presidente da Câmara de Vila Nova da Rabona ou a rábula da corrupção. Aqui pelos Fedorentos.

Petição

Petição contra o fecho do curso de Português na Universidade de Cambridge.
Aqui

29 janeiro, 2007

Voto sim

Aborto é sofrimento. É dor.
Ninguém o pratica a seu belo-prazer. Não há coleccionadoras e recordistas de abortos.
Abortar é um remédio. Extremo. Porque não houve outros antes, ou houve, e falharam.
A pergunta do referendo é: "Concorda com a despenalização..." Claro que concordo. Voto sim.

Assim não!

Os Fedorentos deram-lhe bem
A não perder. Aqui

27 janeiro, 2007

Assim vai a crise na Câmara de Lisboa

"As notícias que chegam da Praça do Município são piores que más. (...) Desta vez, nem toda a boa vontade do mundo permitirá contornar a evidência: a crise aterrou em Lisboa."
Jacinto Lucas Pires
Diário de Notícias

"A situação é uma situação difícil. E seria mentir aos lisboetas dizer que a situação é uma situação normal."
Paula Teixeira da Cruz
Rádio Renascença

"A Câmara de Lisboa sobrevive com a corda na garganta. (...) Carmona tem de mostrar que sabe o que faz. Ou isso ou fecha para obras. Como o maldito túnel do Marquês."
"A justiça pôs Portugal do avesso: não é fácil perceber onde está a verdade, onde começa a manipulação, onde estão os culpados. Lisboa cheira a podre."
André Macedo
Diário Económico

"Lisboa não é Felgueiras."
João Soares
Diário de Notícias

"Para casos como o da CML há sempre o recurso à fonte da soberania. Eleições, pois claro. Ou será que têm medo do povo?"
João Paulo Guerra
Diário Económico

"Carmona sabe bem que se não cair desta cai na próxima. (...) E sabe que tem pouco tempo para mostrar o que vale. Se não tomar conta da câmara perde as próximas eleições. Ou melhor, não as perde porque o PSD nem o deixa concorrer."
Ricardo Costa
Diário Económico

"[Marques Mendes] poderá apontar outras câmaras como exemplos da gestão PSD - o Porto não, por amor de Deus -, mas vai ouvir sempre alguém dar como exemplo Lisboa, a gestão de Carmona, como o que de mau aconteceria ao país se o PSD chegasse ao Governo."
José Leite Pereira
Jornal de Notícias

"Carmona transformou-se numa marioneta nas mãos de Mendes e, pior ainda, da oposição. Ou seja, Lisboa está ingovernável."
Raul Vaz
Jornal de Negócios

26 janeiro, 2007

Truca-truca

«O acto sexual é para ter filhos» - disse na Assembleia da República, no dia 3 de Abril de 1982, o então deputado do CDS João Morgado num debate sobre a legalização do aborto.

A resposta de Natália Correia, em poema - publicado depois pelo Diário de
Lisboa em 5 de Abril desse ano - fez rir todas as bancadas parlamentares,
sem excepção, tendo os trabalhos parlamentares sido interrompidos por isso:

Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;

e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.

Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -

Uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

( Natália Correia - 3 de Abril de 1982 )

Votar sim

Pacheco Pereira no Público:
E para as mulheres, que, quase todas, ou abortaram ou pensaram alguma vez em abortar, ou usam métodos conceptivos que à luz estrita do fundamentalismo são abortivos, o aborto de que estamos a falar neste referendo não é uma questão de opinião, argumento, razão, política, dogmática, mesmo fé e religião. Também é, mas não só. É uma questão de si mesmas consigo mesmas, íntima, própria, muitas vezes dolorosa e nalguns casos dramática. Não é matéria sobre que falem, se gabem, argumentem ou esgrimam como glória ou mesmo como testemunho. Não é delas que vem esta estridência, nem é por elas que vêm os absurdos do telemóvel, do pinto, do ovo, do Saddam Hussein, do coraçãozinho. É mais provável que sintam tudo isso mais como insultos do que como argumentos que lhes suscitem a atenção. No seu silêncio votarão ou abster-se-ão, mas é por elas, por si, pelo seu corpo, pelos seus filhos, pelo seu destino, pela sua vergonha, pela sua dor, pela sua miséria, pelas suas dificuldades económicas, pela sua vida, pelos seus erros, pelas suas virtudes.
É verdade que, como em todas coisas, há irresponsabilidades, há mulheres irresponsáveis nos abortos que fazem, como nos filhos que fazem, mas duvido muito que sejam a regra. A regra é que aborto é sofrimento, físico e psicológico, e é sobre esse sofrimento que vamos votar. Eu vou votar sim, mas admito que, exactamente com a mesma consciência do mesmo problema, haverá quem vote não.

20 janeiro, 2007

Para lá das metáforas

A propósito da polémica sobre o aborto há metáforas que só servem para qualificar os seus autores.
"Um ovo não tem os mesmos direitos de um frango." José Pinto Ribeiro
Por sua vez César das Neves, no seu estilo troglodita, afirmou que se o sim ganhar os abortos vão passar a ser tão naturais como comprar um telemóvel.
O cónego de Castelo de Vide, de seu nome Tarcísio Fernandes Alves, ameaçou com a "excomunhão automática" todos aqueles que no dia 11 de Fevereiro tenham a veleidade de votar "sim".
São argumentos de desespero ou na linha "o que importa é que falem de mim"?

15 janeiro, 2007

Ao que isto chegou!

"Todos ficaram horrorizados com a execução de Saddam. O aborto é apenas uma variante da pena de morte".
Foi assim que falou D. António Moreira Montes, bispo da diocese de Bragança-Miranda.
Houve televisões, é certo, que usaram e abusaram das imagens da execução... João Lopes falou mesmo de pornografia.
Mas não confundamos as coisas. Não é curial meter no mesmo saco o aborto, Saddam e a televisão. Por maior que possa ser a ganância dos "shares" ou a mitra dos homens.
Sob pena de nada começar a fazer sentido.

06 janeiro, 2007

Pique-se o ponto, pois claro!

Sobre Correia de Campos, Ministro da Saúde, muito se tem falado. Para o bem e para o mal.
Acabou por descobrir - pasme-se! - que até agora nunca foi participada à Inspecção Geral de Saúde qualquer falta injustificada dada por um médico do Serviço Nacional de Saúde.
Assim, a sua mais recente iniciativa é uma verdadeira lança em África: controlar a assiduidade de médicos e enfermeiros nos hospitais públicos.
O bastonário da ordem dos médicos já afirmou que não dará tréguas a esta medida...Nem outra coisa seria de esperar!!!
A ver vamos...

Misturas explosivas

Que semelhança poderá haver entre o aborto, a pesquisa de embriões, a eutanásia e o terrorismo?
O Papa Bento XVI acaba de colocar tudo no mesmo saco. Com cozinhados desta natureza a Igreja contribui para apimentar as consciências. Que disso não estão nada necessitadas...

30 dezembro, 2006

Petição anti TLEBS

Petição anti TLEBS... porque é importante tomar partido..
Aqui

Modos de escrever a história

Saddam Hussein, foi hoje enforcado em Bagdad, às 06h00 locais (03h00 em Lisboa).
George W. Bush, já fez saber que a execução do ex-Presidente iraquiano é um "marco importante" para a democracia no país.
Que país poderá continuar a suportar um presidente que profere tamanhos dislates? Que país poderá vir a ser aquele que escreve a sua história com com marcos desta natureza?
Que epitáfios para Saddam e Bush?
Afinal, por quem os sinos dobram?

29 dezembro, 2006

SMS

De acordo com as notícias vindas a público, os Portugueses enviaram neste Natal 459 milhões de mensagens de telemóvel.
É obra! Embora não de grande quilate...

Votos

Que o espírito natalício perdure...
Um 2007, mais humano e menos trágico!

21 dezembro, 2006

Babysitting para blogues

É a última novidade para blogues: o babysitting.
Porque não se pode (ou não é conveniente) abandonar o blogue... é só encontrar alguém que faça o serviço de babysitting e vá postando, na ausência do legítimo autor...
Os potenciais candidatos a "amas" têm que responder a um inquérito cerrado relacionado com decisões a tomar, do género: "que fazer quando o blogue começar a chorar"?
Mais informações aqui.

14 dezembro, 2006

O poder da escrita

De seu nome Carolina Salgado, meretriz e concubina de profissão, deu à luz, espante-se, um "Eu, Carolina". Que rapidamente esgotou.
Pelo que veio a público (os Fedorentos, no "Isto é uma espécie de magazine", deram um contributo indiscutível para a divulgação da prosa, e enalteceram-lhe o esilo!) é uma obra merecedora de ser lida e relida, quiçá, até à exaustão...
Porque exaustos, pelos vistos, não ficaram todos os que passaram pelo real leito da lady.O mesmo não sucederá com alguns dos nomeados que perpassam pela obra.
Há escritas que são assim: mortíferas.

04 dezembro, 2006

Morte anunciada

Pontos nos ii foi um projecto de revista da Texto Editora, dirigida por Santana Castilho. E porque se manteve sempre na infância, nunca chegou devidamente a ser uma revista...
O tom panfletário de que sempre se revestiu, fazia advinhar o seu destino.
Acabou. Em boa hora!
Há suicídios que se preparam lentamente... E há personagens que adoram imolar-se em público, com pompa e circunstância.

Mudar de modelo

Joaquim Azevedo no Público:
O modelo hegemónico tem sido caracterizado por políticas centralistas, estatistas, de cima para baixo, iluminadas, políticas que não resolvem o problema. Temos de mudar de modelo.
[Assinale] um ponto em que o sistema deve mesmo mudar...Passar a centrar a política educativa nas escolas, baseando as melhorias em compromissos concretos com objectivos anuais.

26 novembro, 2006

Brincar às avaliações

O Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Cnaves), ao longo de 10 anos, levou a cabo a apreciação de mais de 1500 cursos de instituições públicas e privadas e produziu outros tantos relatórios.
Soube-se agora, pela Rede Europeia para a Garantia da Qualidade no Ensino Superior (Enqa), que não se tiraram consequências do processo de avaliação. Independência limitada, inconsistência dos relatório e ineficiência da estrutura, são outras falhas apontadas pelo organismo europeu.
"A considerável familiaridade entre avaliadores e avaliados", é apontada como uma das maiores debilidades do sistema. Pelos vistos, os mecanismos de avaliação do desempenho docente que constam do tão polémico estatuto da carreira docente do ensino básico e secundário, que por estes dias se concluiu, fazem tábua rasa desta fragilidade.
Continuamos no reino do faz de conta... que se avalia... para que tudo continue na mesma...

Assumir a paternidade

A Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (vulgo TLEBS) tem servido de mote, nos últimos tempos, para alguns textos bem corrosivos.
Não se esqueçam, porém, os verdadeiros pais do monstro: Maria do Carmo Seabra e Diogo Feio, que até à data se têm esquivado a assumir a paternidade...

Ser grande

Segundo o Jornal Público, "A Praça do Comércio volta a receber hoje, a partir das 20h50, a maior árvore de Natal da Europa, com 75 metros de altura, 280 toneladas de peso, além de 2,35 milhões de microlâmpadas e 12 mil minilâmpadas redondas".
É como diz o poeta:
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.

10 novembro, 2006

Expiações

Maria de Lurdes Rodrigues, no Jornal de Negócios:
"Se não estivesse disposta a pagar o preço político [por ser a cara de uma reforma que é a doer], não estava aqui. Não fui convidada para deixar tudo na mesma em matéria de Educação."
Pagas tu (que vais de carrinho, quando os estragos já estiverem todos feitos) e, sobretudo, pagamos nós, os professores, que teremos que continuar por cá a arcar com os estragos...

Solidariedade e coerência

"Que é feito de todos aqueles que em Portugal entraram no Iraque com Rumsfeld, sobretudo os analistas-apoiantes? Ninguém se demite? Que falta de solidariedade..."
José Medeiros Ferreira em bichos-carpinteiros

Aniversário


Há quedas que se celebram. Como a dos muros.
Hoje celebra-se a queda do de Berlim.
Foi há 17 anos!

05 novembro, 2006

Incêndios

Saddam Hussein, o antigo presidente iraquiano, foi hoje condenado à morte por enforcamento pelo Tribunal Especial que julgou o massacre de 148 civis na localidade xiita de Dujail, em 1982.
É mais uma acha para a fogueira, em que o Iraque se transformou...

Os amores de Santana

Santana Lopes, em declarações à Única:
Adorava liderar a oposição a Sócrates.
Adorava? Lá diz o ditado: pouca sorte nos amores....

03 novembro, 2006

Culturas???

Al Hilali, guia espiritual da comunidade muçulmana na Austrália, falou e disse:
"A mulher que sai à rua sem véu, incita o homem, como um bocado de carne a um gato." Sic.
Lemos e percebemos que o fosso não tende a diminuir...

28 outubro, 2006

Boatos

No jornal Público deste fim-de-semana apareceram sinais preocupantes sobre a evolução das negociações entre o Ministério da Educação e os Sindicatos de professores. No sábado constava isto: "a tutela quer cortar as interrupções da actividade docente na altura do Natal, Carnaval e Páscoa. Mais: quer pôr os professores a dar oito horas lectivas diárias".
A gente lia e tinha alguma dificuldade em digerir... Muita da credibilidade do que anteriormente se tinha proposto, era barbaramente comprometida por dois simples devaneios..
Todavia, no final do dia o memso jornal fazia eco da versão do Ministério: "O Ministério da Educação desmente que seja sua intenção acabar com as pausas lectivas do Natal, Carnaval e Páscoa para os professores. O Ministério desmente igualmente que tal tenha sido proposto em sede de revisão do Estatuto da Carreira Docente". Assim mesmo.
Se isto não foi proposto em sede de revisão...resta perguntar: como é que apareceu? A quem é que dava jeito que houvesse uma proposta deste género?
O procurador do jornal Público tem aqui matéria de trabalho: de onde veio a notícia? quem a fabricou?

A verdade

A verdade é filha do tempo, não da autoridade. Escreveu Bertolt Brecht, em Vida de Galileu.

Galileu. Uma peça escrita por Bertolt Brecht. Em cena no Teatro Aberto. Na Praça de Espanha. Em Lisboa.

Excepcional. A não perder...

Poema para Galileu de António Gedeão/Rómulo de Carvalho

26 outubro, 2006

Equívocos na avaliação dos professores

Segundo o Público de hoje "os sindicatos de professores aceitaram hoje o último modelo de avaliação de desempenho proposto pelo Ministério da Educação" (...)
A notícia acrescenta:
Na semana passada, o Ministério da Educação apresentou às 14 organizações sindicais uma quarta versão do ECD, na qual estipula que a apreciação dos pais no âmbito da avaliação do trabalho dos docentes é condicionada à concordância do professor.
A ponderação de critérios como os resultados escolares dos alunos e as taxas de abandono na avaliação de desempenho dos docentes também será revista pela tutela, nomeadamente para ter em conta o contexto sócio-educativo em que a escola está inserida.


Pelos vistos continuam a persistir diversos equívocos sobre esta matéria.
Ao aceitar-se que os pais só participem na avaliação do desempenho se houver a concordância do professor introduziu-se um preceito que só pode servir para proteger os professores incompetentes. Que não vão querer que os pais participem na sua avaliação, claro! Porque os bons não têm naturalmente medo de serem avaliados por quem quer que seja. Mesmo pelos pais.
Não deveria ser a escola a decidir em que circunstâncias, e em relação a que professores, é que os pais deveriam ser chamados a pronunciar-se?
Perdeu-se aqui uma boa oportunidade para se colherem outras informações que seriam importantes na triangulação dos dados sobre o desempenho de alguns professores.
É certo que os pais podem não saber muito sobre o real desempenho dos professores dos seus educandos. Mas sabem (todos nós sabemos!) - pelos relatos dos seus educandos - quando há alguns que são incompetentes. Seria, por isso, importante que lhes fosse dada a oportunidade de opinarem sobre as anomalias que conhecem.
Pelos vistos quer o Ministério da Educação quer os sindicatos não estão interessados em implementar mecanismos que permitam identificar os maus profissionais.

Por outro lado, a introdução de critérios relacionados com os resultados escolares dos alunos e as taxas de abandono, tendo em conta o contexto sócio-educativo em que a escola está inserida, é uma bela metáfora. Que, em última hipótese, pode ser um bom pretexto para enviesar os resultados escolares.
Esperemos para ver como é que isto se vai operacionalizar. Mas não parece que daqui possa resultar nada de substantivamente bom e diferente que venha a ser uma mais valia para melhorar a qualidade do ensino.

22 outubro, 2006

Os lados da barricada

Marçal Grilo, no Público de 17/10/06:
(...) não penso que os professores possam colocar-se do lado do problema (...)
No sistema sindical português há sindicalistas de muita qualidade, mas o problema é que os sindicatos em Portugal têm um papel excessivo no debate do sistema educativo. E têm-no por haver um vazio do lado das escolas. Ninguém fala em nome delas. Quem devia falar pelas escolas eram os seus directores.

António Barreto no Público de 22/10/2006:
O Ministério da Educação e os sindicatos de professores são os maiores obstáculos e os mais temíveis inimigos da educação. Coligam-se de vez em quando e daí vem prejuízo para os estudantes e seus pais. Guerreiam-se a maior parte do tempo e daí resultam danos para os estudantes e seus pais. Enquanto estes adversários não destroçarem, não conheceremos progresso educativo e cultural.

16 outubro, 2006

Gadgets e sexo

A notícia vem no SOL e reza assim:
Um em cada três homens, do Reino Unido, escolheria ter um novo gadget em detrimento de ter sexo ou beber cerveja, notícia o Manchester Evening News.
Pelos vistos a novidade continua a explicar muita coisa...

13 outubro, 2006

Skypecasts

Já há muito tempo que o SKYPE nos permite falar através da Internet com outros utilizadores que tenham também o programa instalado. Além disso, é possível telefonar para números fixos ou móveis por um preço mais módico...

Agora surgiu uma nova funcionalidade: o Skypecasts.
Com ele podemos anunciar, promover e participar em conferências/debates nas quais se podem inscrever até 100 utilizadores.
Para o efeito basta escolher um tema, divulgar o evento (num site, num blog, no skypecasts) e no dia e na hora combinada estar presente. O promotor tem privilégios de moderador.

Google Docs & Spreadsheets

É mais uma aposta do Google: a oferta de um processador de texto e de uma folha de cálculo. Tudo on-line, a partir de qualquer PC com ligação à Internet.
O nome não é famoso: Google Docs & Spreadsheets.
Lê-se no site: "Por exemplo, é possível coordenar o trabalho de casa do seu grupo de estudo, ou aceder à lista de coisas que é necessário fazer em sua casa a partir do trabalho, ou colaborar com colegas que estão noutro local para fazer um novo plano de negócios".
Disponível aqui. Para usar ... e abusar...

08 outubro, 2006

Os atestados médicos

Agora já não basta um simples atestado médico para se provar que se está doente. É necessário que o Serviço Nacional de Saúde SNS) o confirme...Pelos vistos, há um olhar clínico dos médicos do SNS que escapa aos restantes colegas...
A este propósito, José Manuel Silva, Presidente da secção regional do centro da Ordem dos Médicos, escreveu no Público de 4/10/2006:
"(...)Vivemos num país esquizofrénico em que o atestado pode justificar tudo e que não aceita a palavra de honra de um cidadão para justificar uma simples gripe ou uma falta por motivo de força maior. Vivemos num país ridículo, em que para dar um mergulho de lazer numa piscina é necessário um atestado médico...
(...) Com esta iniciativa legislativa, o Governo vai atirar com 700 mil funcionários públicos para os centros de saúde, que já estão a rebentar pelas costuras com o actual nível de solicitações, e aumentar a sobrecarga de trabalho clínico e burocrático dos médicos de família....
(...) Se o argumento aduzido pelo Governo é equiparar as regras dos funcionários públicos às vigentes para o regime geral, porque não faz exactamente o inverso?...
(...) Lamentavelmente, o Governo nem se apercebe de que não resolve nada com esta medida (...) e que corre sérios riscos de incrementar o absentismo e complicar a burocracia. Quantos dias terá o utente de tentar o acesso ao médico de família para conseguir a tal declaração?! Quantos dias o funcionário público irá passar no centro de saúde até obter o milagroso papelinho da "baixa"?...
(...) Mesmo sem me terem perguntado nada, permitam-me uma sugestão:
1.º - Acabe-se com os atestados e demais impressos para justificar ausências de curta duração por motivo de doença;
2.º - Obrigue-se o doente a comunicar (pessoalmente ou por interposta pessoa) a justificação da ausência logo no período correspondente às primeiras horas de falta ao trabalho. De preferência por meio que possa constituir prova, como o e-mail, fax ou outro".
(...)

World Press Photo 2006


A fotografia foi tirada em Tahoua, no noroeste do Níger, em 1 de Agosto de 2005.
O presidente do júri, James Colton, descreve assim a imagem vencedora: Esta fotografia persegue-me desde que a vi pela primeira vez. Permaneceu na minha cabeça, constante, mesmo após ter visto os milhares de outras fotografias a concurso. Esta imagem tem tudo – beleza, horror e desespero. É simples, elegante e comovente.

Este ano, 4448 fotógrafos profissionais de 122 países submeteram 83 044 imagens a concurso.

O World Press Photo 2006 pode ser visto em Lisboa.
No Centro Cultural de Belém.
De 29 de Setembro a 22 de Outubro de 2006.

Perspectivas

Rui Tavares no Público de hoje:
"(...)o consenso é o de que o estado da educação em Portugal é catastrófico. Se Vasco Graça Moura diz mata, Vasco Pulido Valente diz esfola, Maria Filomena Mónica desmancha, Miguel Sousa Tavares incinera, António Barreto espalha as cinzas e recomeça o ciclo: os professores são ignorantes, os alunos são violentos, os ministros são dominados pelos sindicatos e os sindicatos sentem prazer em que na escola não se aprenda nada. Esta imagem absurda é de tal forma dominante que a ministra da Educação não hesita em tirar dela proveito para diminuir publicamente os professores. Só há um problema: não é verdade".

Saída de sendeiro

Souto Moura abandonou a PGR. Já não era sem tempo! Há mandatos que duram uma eternidade...
Sai, satisfeito com o trabalho realizado. Não admira. Já sabíamos que era pouco exigente...
Mas sai, afirmando que se pudesse voltar atrás mudaria alguma coisa: contratava umas centenas de assessores para se ocuparem da sua imagem e das relações com a imprensa.
Lapidar!

02 outubro, 2006

Perspectivar a utilização das tecnologias

Sob o título "Sistema de alarme põe telemóveis roubados a gritar", a edição de hoje do Diário Digital informa que foi lançado no mercado britânico um sistema de alarme para telemóveis que grava dados e põe o aparelho a gritar, caso seja perdido ou roubado.
Mais informação aqui.
Certamente que a aplicação desta tecnologia aos enlaces matrimoniais permitiria recuperar muitas relações perdidas e roubadas...

Sol na eira

Segundo o semanário SOL, o deputado do PSD António Preto recebeu, de diversos empresários, 150 mil euros em cash que serviram para financiar a sua própria campanha assim como para o pagamento de quotas de militantes.
O resto da notícia pode ser lida aqui.
Fica-nos desde já esta agradável sensação que o SOL começa a brilhar e a fazer sombra ao cizentismo do Expresso, cuja notícia de primeira página de ontem, relativa ao pacto para o aborto, foi rapidamente desmentida pelos visados (Zita Seabra, Marcelo Rebelo de Sous e Paulo Portas).
Jornalismo de investigação precisa-se. Que desmascare todos os Antónios Pretos que por aí grassam! Boa,Graça Rosendo!

23 setembro, 2006

Mãos à obra!

Sequeira Braga (ex-secretário de Estado dos Transportes e Comunicações do Governo de Cavaco Silva) quando presidiu à EPUL, tratou bem os seus amigos, pois nomeou 15 como directores vitalícios.
Estas nomeações custam ao erário público a módica quantia de 1,2 milhões de euros/ano.
Seis destes vitalícios ganham mais do que o presidente. Um deles (o director de planeamento) recebe mensalmente a modesta quantia de 10.700 euros.
Isto é que é obra. E da boa!