"As notícias que chegam da Praça do Município são piores que más. (...) Desta vez, nem toda a boa vontade do mundo permitirá contornar a evidência: a crise aterrou em Lisboa."
Jacinto Lucas Pires
Diário de Notícias
"A situação é uma situação difícil. E seria mentir aos lisboetas dizer que a situação é uma situação normal."
Paula Teixeira da Cruz
Rádio Renascença
"A Câmara de Lisboa sobrevive com a corda na garganta. (...) Carmona tem de mostrar que sabe o que faz. Ou isso ou fecha para obras. Como o maldito túnel do Marquês."
"A justiça pôs Portugal do avesso: não é fácil perceber onde está a verdade, onde começa a manipulação, onde estão os culpados. Lisboa cheira a podre."
André Macedo
Diário Económico
"Lisboa não é Felgueiras."
João Soares
Diário de Notícias
"Para casos como o da CML há sempre o recurso à fonte da soberania. Eleições, pois claro. Ou será que têm medo do povo?"
João Paulo Guerra
Diário Económico
"Carmona sabe bem que se não cair desta cai na próxima. (...) E sabe que tem pouco tempo para mostrar o que vale. Se não tomar conta da câmara perde as próximas eleições. Ou melhor, não as perde porque o PSD nem o deixa concorrer."
Ricardo Costa
Diário Económico
"[Marques Mendes] poderá apontar outras câmaras como exemplos da gestão PSD - o Porto não, por amor de Deus -, mas vai ouvir sempre alguém dar como exemplo Lisboa, a gestão de Carmona, como o que de mau aconteceria ao país se o PSD chegasse ao Governo."
José Leite Pereira
Jornal de Notícias
"Carmona transformou-se numa marioneta nas mãos de Mendes e, pior ainda, da oposição. Ou seja, Lisboa está ingovernável."
Raul Vaz
Jornal de Negócios
27 janeiro, 2007
26 janeiro, 2007
Truca-truca
«O acto sexual é para ter filhos» - disse na Assembleia da República, no dia 3 de Abril de 1982, o então deputado do CDS João Morgado num debate sobre a legalização do aborto.
A resposta de Natália Correia, em poema - publicado depois pelo Diário de
Lisboa em 5 de Abril desse ano - fez rir todas as bancadas parlamentares,
sem excepção, tendo os trabalhos parlamentares sido interrompidos por isso:
Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
Uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.
( Natália Correia - 3 de Abril de 1982 )
A resposta de Natália Correia, em poema - publicado depois pelo Diário de
Lisboa em 5 de Abril desse ano - fez rir todas as bancadas parlamentares,
sem excepção, tendo os trabalhos parlamentares sido interrompidos por isso:
Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
Uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.
( Natália Correia - 3 de Abril de 1982 )
Votar sim
Pacheco Pereira no Público:
E para as mulheres, que, quase todas, ou abortaram ou pensaram alguma vez em abortar, ou usam métodos conceptivos que à luz estrita do fundamentalismo são abortivos, o aborto de que estamos a falar neste referendo não é uma questão de opinião, argumento, razão, política, dogmática, mesmo fé e religião. Também é, mas não só. É uma questão de si mesmas consigo mesmas, íntima, própria, muitas vezes dolorosa e nalguns casos dramática. Não é matéria sobre que falem, se gabem, argumentem ou esgrimam como glória ou mesmo como testemunho. Não é delas que vem esta estridência, nem é por elas que vêm os absurdos do telemóvel, do pinto, do ovo, do Saddam Hussein, do coraçãozinho. É mais provável que sintam tudo isso mais como insultos do que como argumentos que lhes suscitem a atenção. No seu silêncio votarão ou abster-se-ão, mas é por elas, por si, pelo seu corpo, pelos seus filhos, pelo seu destino, pela sua vergonha, pela sua dor, pela sua miséria, pelas suas dificuldades económicas, pela sua vida, pelos seus erros, pelas suas virtudes.
É verdade que, como em todas coisas, há irresponsabilidades, há mulheres irresponsáveis nos abortos que fazem, como nos filhos que fazem, mas duvido muito que sejam a regra. A regra é que aborto é sofrimento, físico e psicológico, e é sobre esse sofrimento que vamos votar. Eu vou votar sim, mas admito que, exactamente com a mesma consciência do mesmo problema, haverá quem vote não.
E para as mulheres, que, quase todas, ou abortaram ou pensaram alguma vez em abortar, ou usam métodos conceptivos que à luz estrita do fundamentalismo são abortivos, o aborto de que estamos a falar neste referendo não é uma questão de opinião, argumento, razão, política, dogmática, mesmo fé e religião. Também é, mas não só. É uma questão de si mesmas consigo mesmas, íntima, própria, muitas vezes dolorosa e nalguns casos dramática. Não é matéria sobre que falem, se gabem, argumentem ou esgrimam como glória ou mesmo como testemunho. Não é delas que vem esta estridência, nem é por elas que vêm os absurdos do telemóvel, do pinto, do ovo, do Saddam Hussein, do coraçãozinho. É mais provável que sintam tudo isso mais como insultos do que como argumentos que lhes suscitem a atenção. No seu silêncio votarão ou abster-se-ão, mas é por elas, por si, pelo seu corpo, pelos seus filhos, pelo seu destino, pela sua vergonha, pela sua dor, pela sua miséria, pelas suas dificuldades económicas, pela sua vida, pelos seus erros, pelas suas virtudes.
É verdade que, como em todas coisas, há irresponsabilidades, há mulheres irresponsáveis nos abortos que fazem, como nos filhos que fazem, mas duvido muito que sejam a regra. A regra é que aborto é sofrimento, físico e psicológico, e é sobre esse sofrimento que vamos votar. Eu vou votar sim, mas admito que, exactamente com a mesma consciência do mesmo problema, haverá quem vote não.
20 janeiro, 2007
Para lá das metáforas
A propósito da polémica sobre o aborto há metáforas que só servem para qualificar os seus autores.
"Um ovo não tem os mesmos direitos de um frango." José Pinto Ribeiro
Por sua vez César das Neves, no seu estilo troglodita, afirmou que se o sim ganhar os abortos vão passar a ser tão naturais como comprar um telemóvel.
O cónego de Castelo de Vide, de seu nome Tarcísio Fernandes Alves, ameaçou com a "excomunhão automática" todos aqueles que no dia 11 de Fevereiro tenham a veleidade de votar "sim".
São argumentos de desespero ou na linha "o que importa é que falem de mim"?
"Um ovo não tem os mesmos direitos de um frango." José Pinto Ribeiro
Por sua vez César das Neves, no seu estilo troglodita, afirmou que se o sim ganhar os abortos vão passar a ser tão naturais como comprar um telemóvel.
O cónego de Castelo de Vide, de seu nome Tarcísio Fernandes Alves, ameaçou com a "excomunhão automática" todos aqueles que no dia 11 de Fevereiro tenham a veleidade de votar "sim".
São argumentos de desespero ou na linha "o que importa é que falem de mim"?
15 janeiro, 2007
Ao que isto chegou!
"Todos ficaram horrorizados com a execução de Saddam. O aborto é apenas uma variante da pena de morte".
Foi assim que falou D. António Moreira Montes, bispo da diocese de Bragança-Miranda.
Houve televisões, é certo, que usaram e abusaram das imagens da execução... João Lopes falou mesmo de pornografia.
Mas não confundamos as coisas. Não é curial meter no mesmo saco o aborto, Saddam e a televisão. Por maior que possa ser a ganância dos "shares" ou a mitra dos homens.
Sob pena de nada começar a fazer sentido.
Foi assim que falou D. António Moreira Montes, bispo da diocese de Bragança-Miranda.
Houve televisões, é certo, que usaram e abusaram das imagens da execução... João Lopes falou mesmo de pornografia.
Mas não confundamos as coisas. Não é curial meter no mesmo saco o aborto, Saddam e a televisão. Por maior que possa ser a ganância dos "shares" ou a mitra dos homens.
Sob pena de nada começar a fazer sentido.
06 janeiro, 2007
Pique-se o ponto, pois claro!
Sobre Correia de Campos, Ministro da Saúde, muito se tem falado. Para o bem e para o mal.
Acabou por descobrir - pasme-se! - que até agora nunca foi participada à Inspecção Geral de Saúde qualquer falta injustificada dada por um médico do Serviço Nacional de Saúde.
Assim, a sua mais recente iniciativa é uma verdadeira lança em África: controlar a assiduidade de médicos e enfermeiros nos hospitais públicos.
O bastonário da ordem dos médicos já afirmou que não dará tréguas a esta medida...Nem outra coisa seria de esperar!!!
A ver vamos...
Acabou por descobrir - pasme-se! - que até agora nunca foi participada à Inspecção Geral de Saúde qualquer falta injustificada dada por um médico do Serviço Nacional de Saúde.
Assim, a sua mais recente iniciativa é uma verdadeira lança em África: controlar a assiduidade de médicos e enfermeiros nos hospitais públicos.
O bastonário da ordem dos médicos já afirmou que não dará tréguas a esta medida...Nem outra coisa seria de esperar!!!
A ver vamos...
Misturas explosivas
Que semelhança poderá haver entre o aborto, a pesquisa de embriões, a eutanásia e o terrorismo?
O Papa Bento XVI acaba de colocar tudo no mesmo saco. Com cozinhados desta natureza a Igreja contribui para apimentar as consciências. Que disso não estão nada necessitadas...
O Papa Bento XVI acaba de colocar tudo no mesmo saco. Com cozinhados desta natureza a Igreja contribui para apimentar as consciências. Que disso não estão nada necessitadas...
30 dezembro, 2006
Modos de escrever a história
Saddam Hussein, foi hoje enforcado em Bagdad, às 06h00 locais (03h00 em Lisboa).
George W. Bush, já fez saber que a execução do ex-Presidente iraquiano é um "marco importante" para a democracia no país.
Que país poderá continuar a suportar um presidente que profere tamanhos dislates? Que país poderá vir a ser aquele que escreve a sua história com com marcos desta natureza?
Que epitáfios para Saddam e Bush?
Afinal, por quem os sinos dobram?
George W. Bush, já fez saber que a execução do ex-Presidente iraquiano é um "marco importante" para a democracia no país.
Que país poderá continuar a suportar um presidente que profere tamanhos dislates? Que país poderá vir a ser aquele que escreve a sua história com com marcos desta natureza?
Que epitáfios para Saddam e Bush?
Afinal, por quem os sinos dobram?
29 dezembro, 2006
21 dezembro, 2006
Babysitting para blogues
É a última novidade para blogues: o babysitting.
Porque não se pode (ou não é conveniente) abandonar o blogue... é só encontrar alguém que faça o serviço de babysitting e vá postando, na ausência do legítimo autor...
Os potenciais candidatos a "amas" têm que responder a um inquérito cerrado relacionado com decisões a tomar, do género: "que fazer quando o blogue começar a chorar"?
Mais informações aqui.
Porque não se pode (ou não é conveniente) abandonar o blogue... é só encontrar alguém que faça o serviço de babysitting e vá postando, na ausência do legítimo autor...
Os potenciais candidatos a "amas" têm que responder a um inquérito cerrado relacionado com decisões a tomar, do género: "que fazer quando o blogue começar a chorar"?
Mais informações aqui.
14 dezembro, 2006
O poder da escrita
De seu nome Carolina Salgado, meretriz e concubina de profissão, deu à luz, espante-se, um "Eu, Carolina". Que rapidamente esgotou.
Pelo que veio a público (os Fedorentos, no "Isto é uma espécie de magazine", deram um contributo indiscutível para a divulgação da prosa, e enalteceram-lhe o esilo!) é uma obra merecedora de ser lida e relida, quiçá, até à exaustão...
Porque exaustos, pelos vistos, não ficaram todos os que passaram pelo real leito da lady.O mesmo não sucederá com alguns dos nomeados que perpassam pela obra.
Há escritas que são assim: mortíferas.
Pelo que veio a público (os Fedorentos, no "Isto é uma espécie de magazine", deram um contributo indiscutível para a divulgação da prosa, e enalteceram-lhe o esilo!) é uma obra merecedora de ser lida e relida, quiçá, até à exaustão...
Porque exaustos, pelos vistos, não ficaram todos os que passaram pelo real leito da lady.O mesmo não sucederá com alguns dos nomeados que perpassam pela obra.
Há escritas que são assim: mortíferas.
04 dezembro, 2006
Morte anunciada
Pontos nos ii foi um projecto de revista da Texto Editora, dirigida por Santana Castilho. E porque se manteve sempre na infância, nunca chegou devidamente a ser uma revista...
O tom panfletário de que sempre se revestiu, fazia advinhar o seu destino.
Acabou. Em boa hora!
Há suicídios que se preparam lentamente... E há personagens que adoram imolar-se em público, com pompa e circunstância.
O tom panfletário de que sempre se revestiu, fazia advinhar o seu destino.
Acabou. Em boa hora!
Há suicídios que se preparam lentamente... E há personagens que adoram imolar-se em público, com pompa e circunstância.
Mudar de modelo
Joaquim Azevedo no Público:
O modelo hegemónico tem sido caracterizado por políticas centralistas, estatistas, de cima para baixo, iluminadas, políticas que não resolvem o problema. Temos de mudar de modelo.
[Assinale] um ponto em que o sistema deve mesmo mudar...Passar a centrar a política educativa nas escolas, baseando as melhorias em compromissos concretos com objectivos anuais.
O modelo hegemónico tem sido caracterizado por políticas centralistas, estatistas, de cima para baixo, iluminadas, políticas que não resolvem o problema. Temos de mudar de modelo.
[Assinale] um ponto em que o sistema deve mesmo mudar...Passar a centrar a política educativa nas escolas, baseando as melhorias em compromissos concretos com objectivos anuais.
26 novembro, 2006
Brincar às avaliações
O Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Cnaves), ao longo de 10 anos, levou a cabo a apreciação de mais de 1500 cursos de instituições públicas e privadas e produziu outros tantos relatórios.
Soube-se agora, pela Rede Europeia para a Garantia da Qualidade no Ensino Superior (Enqa), que não se tiraram consequências do processo de avaliação. Independência limitada, inconsistência dos relatório e ineficiência da estrutura, são outras falhas apontadas pelo organismo europeu.
"A considerável familiaridade entre avaliadores e avaliados", é apontada como uma das maiores debilidades do sistema. Pelos vistos, os mecanismos de avaliação do desempenho docente que constam do tão polémico estatuto da carreira docente do ensino básico e secundário, que por estes dias se concluiu, fazem tábua rasa desta fragilidade.
Continuamos no reino do faz de conta... que se avalia... para que tudo continue na mesma...
Soube-se agora, pela Rede Europeia para a Garantia da Qualidade no Ensino Superior (Enqa), que não se tiraram consequências do processo de avaliação. Independência limitada, inconsistência dos relatório e ineficiência da estrutura, são outras falhas apontadas pelo organismo europeu.
"A considerável familiaridade entre avaliadores e avaliados", é apontada como uma das maiores debilidades do sistema. Pelos vistos, os mecanismos de avaliação do desempenho docente que constam do tão polémico estatuto da carreira docente do ensino básico e secundário, que por estes dias se concluiu, fazem tábua rasa desta fragilidade.
Continuamos no reino do faz de conta... que se avalia... para que tudo continue na mesma...
Assumir a paternidade
A Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (vulgo TLEBS) tem servido de mote, nos últimos tempos, para alguns textos bem corrosivos.
Não se esqueçam, porém, os verdadeiros pais do monstro: Maria do Carmo Seabra e Diogo Feio, que até à data se têm esquivado a assumir a paternidade...
Não se esqueçam, porém, os verdadeiros pais do monstro: Maria do Carmo Seabra e Diogo Feio, que até à data se têm esquivado a assumir a paternidade...
Ser grande
Segundo o Jornal Público, "A Praça do Comércio volta a receber hoje, a partir das 20h50, a maior árvore de Natal da Europa, com 75 metros de altura, 280 toneladas de peso, além de 2,35 milhões de microlâmpadas e 12 mil minilâmpadas redondas".
É como diz o poeta:
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
É como diz o poeta:
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
10 novembro, 2006
Expiações
Maria de Lurdes Rodrigues, no Jornal de Negócios:
"Se não estivesse disposta a pagar o preço político [por ser a cara de uma reforma que é a doer], não estava aqui. Não fui convidada para deixar tudo na mesma em matéria de Educação."
Pagas tu (que vais de carrinho, quando os estragos já estiverem todos feitos) e, sobretudo, pagamos nós, os professores, que teremos que continuar por cá a arcar com os estragos...
"Se não estivesse disposta a pagar o preço político [por ser a cara de uma reforma que é a doer], não estava aqui. Não fui convidada para deixar tudo na mesma em matéria de Educação."
Pagas tu (que vais de carrinho, quando os estragos já estiverem todos feitos) e, sobretudo, pagamos nós, os professores, que teremos que continuar por cá a arcar com os estragos...
Solidariedade e coerência
"Que é feito de todos aqueles que em Portugal entraram no Iraque com Rumsfeld, sobretudo os analistas-apoiantes? Ninguém se demite? Que falta de solidariedade..."
José Medeiros Ferreira em bichos-carpinteiros
José Medeiros Ferreira em bichos-carpinteiros
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