23 dezembro, 2005

Crise?

Segundo o Correio da Manhã os Portugueses já levantaram nas caixas multibanco, nos primeiros 20 dias deste mês, mais de 1,3 mil milhões de euros.
É obra!

Pequenas grandezas



À falta de melhor... temos a maior árvore de Natal da Europa.

Barrela

Já se sabe qual é a razão pela qual Mahmoud Ahmadinejad, Presidente do Irão, se penteia, nos últimos tempos, com um risco ao meio. É para separar os piolhos machos dos piolhos fêmeas...
Pelos vistos é mesmo refractário à água e ao sabão...Uma barrela, no início do novo ano, não lhe ficava nada mal!

19 dezembro, 2005

Boas Festas e Bom Ano








A todos aqueles que têm tido a amabilidade e a paciência de irem passando por aqui... o desejo de um bom Natal e de um óptimo 2006.

12 dezembro, 2005

Hecatombe

George W. Bush admitiu hoje que a invasão do Iraque, e a onda de violência que se lhe seguiu, custou a vida a 30 mil cidadãos do país. Bush tornou-se numa verdadeiura arma de destruição maciça.

05 dezembro, 2005

Avaliação formativa porque não?

Na sequência de uma reunião de grupo em que se discutiram questões relacionadas com a avaliação e em que fui "acusado" de dar excessiva ênfase à avaliação formativa, em detrimento da sumativa, partilho “L’évaluation démystifiée” de Charles Hadji.

Toda a avaliação formativa é uma avaliação informativa. E é este aspecto informativo que é a sua característica essencial. Na medida em que informa é formativa, quer seja instrumentada ou não, acidental ou deliberada, quantitativa ou qualitativa. Uma avaliação não tem que estar de acordo com qualquer modelo metodológico para ser formativa.

Uma avaliação formativa elucida os dois actores principais do processo. O professor, que é informado dos efeitos reais do seu trabalho pedagógico, pode, a partir daí, regular a sua acção. O aluno, não só fica a saber onde está, como pode tomar consciência das dificuldades que encontra de modo a ser capaz de reconhecer e corrigir os seus erros.

A avaliação formativa tem uma função “correctora”. Quer o professor quer o aluno devem poder “corrigir” a sua acção, alterando, em caso de necessidade, o dispositivo pedagógico. A avaliação formativa implica, para o professor, maleabilidade e vontade de adaptação. Um dos indicadores que nos permite reconhecer do exterior uma avaliação formativa é exactamente o aumento da variedade didáctica. Uma avaliação que não é seguida por uma alteração das práticas do professor tem poucas hipóteses de ser formativa. Por isso se compreende porque é que muitas vezes se diz que a avaliação formativa é contínua.


01 dezembro, 2005

Avaliação das escolas

No seminário internacional realizado na Gulbenkian sobre a autonomia das escolas falou-se de avaliação de escolas. E recordou-se que foi David Justino quem, um belo dia, decidiu acabar com o mecanismo de auto-avaliação então existente, preferindo o vazio.
Aí se fez referência ao modelo de avaliação escocês e a 3 perguntas essenciais a que as escolas devem responder:
- em que é que a escola é boa
- como é possível demonstrar isso
- o que é que a escola pode fazer para melhorar.
Ou seja, ainda temos uma grande caminhada pela frente...

Ele não come

Já aqui se tinha feito referência ao síndroma do bolo-rei e às dietas forçadas de Cavaco.
Hoje deparei com este magnífico texto de Joaquim Fidalgo:
O homem não come. O homem não come!... Com medo de que possa estar por perto alguma câmara de televisão e o apanhe nessa actividade humaníssima que é mastigar, ele não come em público... Vinha na última Sábado, numa reportagem que supostamente mostrava Cavaco Silva "na intimidade". Lá contava o repórter que Cavaco tinha ido buscar um prato com comida, num pequeno-almoço buffet com um conjunto de pessoas, mas, quando se preparava para dar ao dente, logo o atento assessor, em pânico, lhe recordou: "Não coma!" É que havia umas equipas de TV por ali. E o homem não comeu. Lá ficou, quietinho, com o prato à sua frente. Imagine-se! A síndroma do bolo-rei não passou...
Por estas e por outras é que o homem me inspira pouca confiança. A gente não sabe quem ele é. A gente não sabe como ele é. A gente não sabe o que ele pensa. A gente ouve o que ele diz mas a gente nunca sabe o que ele pensa, porque nunca sabe se o que ele diz é o que ele pensa, ou se é apenas o que ele pensa que é suposto dizer naquela circunstância. Nunca lhe sai nada de espontâneo, que ele não deixa. Nunca se mostra ao natural, que ele não quer. Que pessoa é ele, afinal?
Subscrevo completamente.
Só lhe falta o autocolante a dizer:"Se quer perder peso agora pergunte-me como. Cavaco Silva"

29 novembro, 2005

Autonomia das escolas

A autonomia das escolas é o objecto da conferência anual que a Gulbenkian promove hoje e amanhã.
Em discusssão estarão não só as questões teóricas da autonomia, mas alguns exemplos práticos.
Num tempo em que as escolas e a classe docente são os pomos da discórdia vale a pena aprofundar um conceito que pouco mais tem sido do que isso.
O programa pode ser consultado aqui.

25 novembro, 2005

Sonhos e pesadelos

O 25 de Novembro faz hoje 30 anos.
Como diria o José Mário Branco: foi um sonho lindo que acabou...
Para comemorar a efeméride nada melhor do que a libertação do Bibi....Estão bem um para o outro.

23 novembro, 2005

Os verdadeiros artistas são os professores de portruguês

A Ministra da Educação saiu-se com esta: "Quantos professores de Português não gostariam de ir à escola de 1º ciclo ler poesia ou fazer umas graças?.."
Francamente, MLR!!! Que discriminação! Então os outros professsores, não têm esse direito? Não podem mostrar que são uns verdadeiros artistas?

20 novembro, 2005

Dietas forçadas

Todos nos lembramos - e já lá vão uns anitos - daquela célebre imagem do Cavaco a comer bolo rei de boca aberta.
Pelos vistos, desde então, uma coisa já aprendeu: não se abre a boca em público. Pelo menos para falar.
E, a julgar pela silhueta, também deixou de comer bolo rei!
Como soe dizer-se: não come, não fala... o que é que realmente fará este homem?

A próstata

Mário Soares quer conhecer o boletim médico dos outros candidatos. Conhecer o nível de testosterona dos adversários é, certamente, uma mais valia...

15 novembro, 2005

Efeméride

Completaram-se, por estes dias, dois anos de existência do doisdedosdeconversa.
Tudo começou num já longínquo Outono. Tudo começou num tempo em que soube bem desafiar as coisas, as circunstâncias, os outros e nós próprios...
Temos tentado gerir, desde então, este espaço, procurando, de um modo informal, que ele seja um local de comunicação, de encontro e de perspectiva.
É um certo olhar sobre as coisas. Um olhar nosso, mas também um olhar partilhado. Cúmplice. São modos de ver, de sentir. A vida. O mundo. Aqui. E daqui.

05 novembro, 2005

Colheitas

Em França, aparentemente, parece que a barbárie saiu à rua. São os frutos do tempo: quem semeia ventos colhe tempestades.

01 novembro, 2005

Justiça ou terror?

José Vitor Malheiros no Público, num artigo intitulado "História de terror":
Os chamados casos mediáticos dos últimos anos permitiram a todos os cidadãos ficarem com uma ideia da justiça. Péssima em geral. Mas durante alguns anos podia parecer que tudo se resumia a desorganização de serviços, a falta de computadores, tiranices de funcionários ressabiados, pequenas corrupções, desleixos e pequenas infâmias, juízes rezingões mais preocupados com a forma que com a vida, leis antiquadas ou contraditórias que alguém se tinha esquecido de mudar, ou advogados brilhantes capazes de encontrar os mais pequenos buraquinhos da lei através dos quais conseguiam empurrar os seus clientes.
Hoje, porém (e em parte graças ao caso Felgueiras), percebemos que não é assim. E percebemos que não é assim não pelas coisas estranhas que chegaram ao nosso conhecimento mas pela maneira como o colectivo de profissionais da justiça assobia para o ar perante essas coisas estranhas.
A justiça tem cadáveres no armário. E começam a cheirar mal.

29 outubro, 2005

A gripe das aves


Sob o título "Efeitos da pandemia na linguagem" escreve Henrique Monteiro no Expresso:


Galinheiras, 25 de Outubro de 2005

Meu caro Ministro da Saúde

Escrevo daquele que é, provavelmente, o mais perigoso local do Mundo: as Galinheiras. Indeciso entre a pandemia e o medo de existir, decidi fazer investigações próprias neste pitoresco bairro dos arredores de Lisboa. Devo dizer que as minhas demandas me conduziram a resultados fabulosos neste subúrbio onde a gripe aviária parece endémica, no qual os habitantes vivem paredes-meias com o vírus e sobrevivem com determinação à doença.
O exemplo destes seres de elevada moral e alta estirpe pode ser avaliado pelo modo como a sua linguagem tem vindo a evoluir ao longo dos anos, desde essa longínqua data incerta em que o surgimento dos primeiros homens permitiu que o local fosse designado pelo topónimo a que os romanos mais tarde chamariam gallinarium.
A minha aculturação não foi simples. O facto de logo na primeira noite ter referido, por lapso, ter o hábito de me deitar com as galinhas foi mal interpretado. Levaram-me ao Centro de Saúde onde confirmaram que estava bem. Agradeci os cuidados e acrescentei, para desespero dos meus anfitriões, que cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, mas eles discordaram dos caldos.
Na manhã seguinte, tive um verdadeiro choque quando ouvi crianças da Escola C/D e F+S-D 1 E 2X e 3 (Escola das Galinheiras) cantar uma canção infantil com uma letra que a força do vírus tinha alterado. Cantavam assim:

Papagaio louro
De bico dourado
Não tragas doenças
Vai para outro lado

Confesso que só então pensei na influência que uma gripe pode ter na mudança radical do vocabulário. Já de ouvido à escuta, pude, então, admirar frases feitas como infectado (e não inchado) como um peru ou cair que nem um patinho doente.
Uns dias mais no bairro puderam dar-me a conhecer outros modos de falar. Grão a grão acabas com um febrão ou a galinha da vizinha é mais doente do que a minha ou, até, mais vale dois pássaros a voar que uma ave bastarda e infectada na mão. É pois todo um mundo verbal novo, um mundo onde ter pena não significa ter mágoa, mas sim desejar uma doença fatal a outrem.
É em nome das nossas tradições populares, Senhor Ministro e meu caro amigo, que encarecidamente lhe peço que, sendo a coisa pandemia ou não, não nos deixe desprotegidos. Não é só o perigo para a saúde pública! É o perigo para a língua portuguesa, para a comunicação saudável da lusa gente que tão extremosamente defendo. E temos de começar já! A prevenção, Senhor Ministro, é o ovo de Colombo (que aqui entre nós temo vir a ser infectado). É que esperar para quando as galinhas tiverem dentes pode revelar-se uma opção extremamente perigosa

28 outubro, 2005

Perspectivas

Barra da Costa, no 24 Horas:
Haverá um dia em que todos voltaremos a ser felizes: quando os Sócrates forem apenas filósofos, os Alegres apenas crianças e os Cavacos apenas instrumentos musicais...

23 outubro, 2005

O regresso dos rankings

Sazonalmente, por esta época, somos brindados com a publicação do “ranking” das escolas. Desta vez foi a própria ministra que se atreveu a dizer que estes números são muito pobres pois dizem muito pouco das escolas e do seu trabalho. Vá lá.
O que constatamos de diferente este ano? No essencial nada. No acessório tudo. Mas o acessório é, nalguns casos, essencial.
A Escola de Pampilhosa da Serra lá continua, ano após ano, na cauda da lista. No topo a luta é renhida. Mas, é claro, que campeiam as escolas particulares. Pudera.
Como já tivemos oportunidade de escrever noutra ocasião estes números pouco nos dizem sobre a qualidade dos processos de ensino e aprendizagem. Mostram sim que a composição dos corpos docente e discente são factores determinantes.
Como é que se "mede" a composição e a evolução do corpo discente? Através da avaliação, no início de um ciclo de estudos (por exemplo, no 10º ano), dos "inputs" e, posteriormente, no final do ciclo (em exames do 12º ano). Só assim é que poderemos ajuizar sobre o real contributo da escola e as mais valias que proporcionou. Porque se é certo que o patamar de entrada em que se situam os alunos do Colégio Mira Rio é necessariamente diverso do dos alunos de Pampilhosa da Serra, o mesmo é de esperar do patamar de saída. Assim, a questão que se coloca é: qual o grau de progressão que os alunos de ambas as escolas fizeram? Constatadas as diferenças iniciais, será então muito razoável concluir que a progressão de um valor em Pampilhosa é muito mais significativa que a de dois ou três valores no Colégio Mira Rio. Os alunos da Pampilhosa têm, de facto, de fazer um grande esforço para progredirem um valor; pelo contrário, os do Colégio Moderno quase nem necessitam de qualquer esforço para progredirem alguns valores. Isso faz toda a diferença. E não há escala que seja capaz de "medir" esse esforço.
Uma outra questão relativa ao corpo discente diz respeito ao número de alunos que ingressam, anualmente, em cada disciplina, no 10º ano e quantos chegam ao final do 12º ano, realizando as respectivas provas de exame. Através do acompanhamento de coortes de alunos para verificar o seu percurso escolar é que há condições para podermos fazer comparações. Porque escolas haverá que não querem correr o risco de "levar a exame" alunos que "lhes estraguem a média". Por isso os aconselham, ou pressionam, a desistir ou a anular a matrícula!
Por outro lado, o corpo docente desempenha igualmente um papel essencial. Mas que podem fazer as escolas públicas em relação aos professores que o Ministério da Educação lá colocou, e que têm um desempenho manifesta e visivelmente insuficiente? Rigorosamente nada, porque o sistema de avaliação do desempenho docente é uma mistificação! Assim, as escolas públicas têm que "aturar" "professores" que não querem, que são incompetentes e dos quais não se conseguem livrar.

Investigações?

Segundo o Diário Digital:
O Ministério Público e a Polícia Judiciária (PJ) lançaram na semana que findou na sexta-feira a maior operação de sempre sobre a banca portuguesa: a «Operação Furacão», que visava descobrir indícios de evasão fiscal, fraude fiscal e falsificação de documentos.

À partida esta parecia ser uma excelente notícia. A questão é que o BES soube com antecedência que o BCP, BPN e Finibanco também estavam a ser alvo de investigação por parte do Ministério Público (MP), havendo violação do segredo de justiça. Ou seja, o MP revelou ao BES o nome das entidades que estavam a ser investigadas.
Tudo isto, é claro, só para não haver surpresas. Assim, quando a Judiciária lá chegar eles já têm a papelada toda prontinha e facilitarem assim o trabalho...