A. Marinho e Pinto no Público de hoje:
Que querem, afinal, os magistrados? Querem manter e até aumentar as suas imensas regalias. Querem continuar a ser titulares de órgãos de soberania, mas ganhar como gestores (mais do que o próprio Presidente da República). Querem continuar a pertencer ao Estado, mas tratar-se em clínicas privadas e usufruir dos melhores médicos, tudo gratuitamente. Querem que 97 por cento dos processos judiciais fiquem parados quase três meses por ano para que eles tenham 13 dias de férias no Natal, 10 na Páscoa e 60 no Verão.
Magistrados e funcionários têm tido direito a um sistema de saúde milionário. Os Serviços Sociais do Ministério da Justiça estabeleceram convenções com os médicos mais caros, todos os tratamentos e internamentos têm sido feitos em clínicas privadas; abastecem-se em supermercados especiais a preços mais baratos. Os magistrados têm direito a transportes gratuitos; muitos utilizam prerrogativas funcionais em benefício pessoal (como ir de graça ao futebol); quase todos auferem subsídios de renda de casa mas vivem em casa própria; compensações para despesas específicas foram transformadas em remunerações permanentes, mas não pagam IRS. Chega-se ao ponto de essas remunerações serem incorporadas nas reformas mas não serem tributadas, tudo porque alguns magistrados assim o decidiram no "exercício do poder soberano de ser juiz em causas de interesse próprio". Alguns até recebem ajudas de custo iguais às dos membros do Governo só para irem ao seu local de trabalho (...)
A greve dos magistrados judiciais é a maior machadada na credibilidade da justiça, mas terá um mérito inegável: fará o povo tomar consciência de que os verdadeiros problemas da justiça resultam mais da cultura corporativa e antidemocrática dos magistrados do que das leis ou da acção dos políticos. Um bom magistrado faz boa justiça mesmo com as más leis, mas um mercenário nunca faz justiça, serve-se dela. Talvez se compreenda então que é altura de expulsar os mercenários para aproveitar e incentivar os bons magistrados que ainda restam e trabalham quase na clandestinidade.
01 outubro, 2005
Aposentado
De acordo com o Inimigo Público, Santana Lopes pode finalmente dormir a sesta. A notícia reza assim:
O ex-presidente da CML recusou todas as ofertas de emprego (dos maiores escritórios de advogados, de várias empresas de consultoria, da Microsoft, da Nasa e até da loja chinesa de Campolide) e resolveu reformar-se aos 49 anos (só para chatear o Sócrates). Em declarações ao IP, Santana Lopes revelou-se “maravilhado” com esta nova etapa da sua vida. Passa as manhãs em casa a ver o programa do Goucha e à tarde, depois do “Rex, o Cão Polícia”, vai até ao jardim da Parada, jogar à malha com os novos amigos, até começarem as novelas da TVI. Fez-se assinante da revista “Tempo Livre”, do INATEL, e já se inscreveu numa excursão de idosos às Grutas de Mira D’Aire. Apesar da idade, “Ele ainda está cheio de genica”, garantem os amigos mais próximos.
O ex-presidente da CML recusou todas as ofertas de emprego (dos maiores escritórios de advogados, de várias empresas de consultoria, da Microsoft, da Nasa e até da loja chinesa de Campolide) e resolveu reformar-se aos 49 anos (só para chatear o Sócrates). Em declarações ao IP, Santana Lopes revelou-se “maravilhado” com esta nova etapa da sua vida. Passa as manhãs em casa a ver o programa do Goucha e à tarde, depois do “Rex, o Cão Polícia”, vai até ao jardim da Parada, jogar à malha com os novos amigos, até começarem as novelas da TVI. Fez-se assinante da revista “Tempo Livre”, do INATEL, e já se inscreveu numa excursão de idosos às Grutas de Mira D’Aire. Apesar da idade, “Ele ainda está cheio de genica”, garantem os amigos mais próximos.
Magistrados
Miguel Sousa tavares, no Público:
O pior que pode acontecer a uma classe sócio-profissional que decide fazer greve é essa greve não incomodar ninguém nem impressionar ninguém. Porque uma greve é uma forma de pressão e não há pressão alguma quando a greve não incomoda ninguém. Uma greve de transportes, uma greve da TAP, uma greve dos trabalhadores da EDP, incomodam milhares ou milhões. Uma greve na justiça não incomoda ninguém: para aqueles que esperam um ano por um simples despacho e dez anos por uma sentença, uma semana de greve de juízes, magistrados do Ministério Público e funcionários judiciais não incomoda rigorosamente nada (...)
Hoje, os juízes e o Ministério Público podem gritar aos quatro ventos que estão a ser maltratados e desconsiderados que ninguém mexerá uma palha para os defender. Para quê defender quem não nos defende? Quem está sempre pronto a reclamar por isto, por aquilo e por aqueloutro, pelas férias, pelos subsídios, pelas regalias, e jamais pelos direitos dos desgraçados que esperam em vão por uma justiça que é quase sempre má ou tardia? Nunca pela cabeça dos senhores magistrados passou a ideia de se imaginarem na pele de um cidadão que é vigarizado por terceiro e que contrata um advogado a quem paga, sustenta despesas prévias para meter a acção em tribunal e que confia que, tendo tudo feito conforme é recomendável num Estado de direito, a justiça lhe há-de reconhecer a sua razão, em tempo útil para salvaguardar a sua actividade profissional e recompensá-lo dos prejuízos sofridos. E que, afinal, espera em vão, anos a fim, até realizar ou que a justiça chega tão tarde que já não lhe serve de nada e apenas gastou mais dinheiro, ou então que lhe é negada a razão, a pretexto de formalismos processuais e bizantinices jurídicas que ninguém de boa-fé consegue reconhecer como justiça. Mas nada disso incomodou jamais os senhores magistrados. Nunca os incomodou o facto de o objectivo essencial da sua actividade - que é o serviço público - servir para tudo menos para cumprir a sua função. Como se a justiça, primeiro que tudo, devesse servir os que a servem e não os que a ela recorrem e a pagam.
O pior que pode acontecer a uma classe sócio-profissional que decide fazer greve é essa greve não incomodar ninguém nem impressionar ninguém. Porque uma greve é uma forma de pressão e não há pressão alguma quando a greve não incomoda ninguém. Uma greve de transportes, uma greve da TAP, uma greve dos trabalhadores da EDP, incomodam milhares ou milhões. Uma greve na justiça não incomoda ninguém: para aqueles que esperam um ano por um simples despacho e dez anos por uma sentença, uma semana de greve de juízes, magistrados do Ministério Público e funcionários judiciais não incomoda rigorosamente nada (...)
Hoje, os juízes e o Ministério Público podem gritar aos quatro ventos que estão a ser maltratados e desconsiderados que ninguém mexerá uma palha para os defender. Para quê defender quem não nos defende? Quem está sempre pronto a reclamar por isto, por aquilo e por aqueloutro, pelas férias, pelos subsídios, pelas regalias, e jamais pelos direitos dos desgraçados que esperam em vão por uma justiça que é quase sempre má ou tardia? Nunca pela cabeça dos senhores magistrados passou a ideia de se imaginarem na pele de um cidadão que é vigarizado por terceiro e que contrata um advogado a quem paga, sustenta despesas prévias para meter a acção em tribunal e que confia que, tendo tudo feito conforme é recomendável num Estado de direito, a justiça lhe há-de reconhecer a sua razão, em tempo útil para salvaguardar a sua actividade profissional e recompensá-lo dos prejuízos sofridos. E que, afinal, espera em vão, anos a fim, até realizar ou que a justiça chega tão tarde que já não lhe serve de nada e apenas gastou mais dinheiro, ou então que lhe é negada a razão, a pretexto de formalismos processuais e bizantinices jurídicas que ninguém de boa-fé consegue reconhecer como justiça. Mas nada disso incomodou jamais os senhores magistrados. Nunca os incomodou o facto de o objectivo essencial da sua actividade - que é o serviço público - servir para tudo menos para cumprir a sua função. Como se a justiça, primeiro que tudo, devesse servir os que a servem e não os que a ela recorrem e a pagam.
Os portugueses do delgado
Luís Delgado, no DN:
"os portugueses já interiorizaram e decidiram: querem Cavaco como PR. Ponto final."
Quais portugueses?
"os portugueses já interiorizaram e decidiram: querem Cavaco como PR. Ponto final."
Quais portugueses?
23 setembro, 2005
Ele anda (mesmo) por aí
Diário Digital:
O ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa Pedro Santana Lopes vai receber a partir de Outubro uma pensão de 3.178 euros, segundo uma listagem da Caixa Geral de Aposentações a que a Agência Lusa teve acesso. Segundo o documento, Santana vai receber a reforma como ex-presidente de Câmara Municipal.
O ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa Pedro Santana Lopes vai receber a partir de Outubro uma pensão de 3.178 euros, segundo uma listagem da Caixa Geral de Aposentações a que a Agência Lusa teve acesso. Segundo o documento, Santana vai receber a reforma como ex-presidente de Câmara Municipal.
Sem comentários
J M Fernandes no Público, a propósito de Fátima Felgueiras:
O país assistiu incrédulo ao regresso de alguém que é acusado de corrupção passiva, abuso de poderes e peculato, que fugiu à justiça, que desafiou de forma acintosa as regras do Estado de direito, para no final verificar que é possível fazer isto tudo e sair em liberdade. Mais: concorrer ainda a um lugar público, o mesmo onde terá cometido os crimes de que é acusada.
O país assistiu incrédulo ao regresso de alguém que é acusado de corrupção passiva, abuso de poderes e peculato, que fugiu à justiça, que desafiou de forma acintosa as regras do Estado de direito, para no final verificar que é possível fazer isto tudo e sair em liberdade. Mais: concorrer ainda a um lugar público, o mesmo onde terá cometido os crimes de que é acusada.
16 setembro, 2005
C versus C
O "debate" televisivo de ontem entre Carmona e Carrilho foi elucidativo: uma sesão contínua de insultos mútuos.
A despedida acabou por fazer história, quando Carrilho ignorou Carmona, ao que este ripostou: "Então não me cumprimenta? Extraordinário! Que grande ordinário!"
Dispensamos escumalha deste nível.
Não é possível impludi-los?
A despedida acabou por fazer história, quando Carrilho ignorou Carmona, ao que este ripostou: "Então não me cumprimenta? Extraordinário! Que grande ordinário!"
Dispensamos escumalha deste nível.
Não é possível impludi-los?
Avaliação do desempenho
Ao que consta as alterações ao concurso de professores que vão permitir que as colocações se façam por períodos de três a quatro anos só deverão aplicar-se aos docentes dos quadros e não aos contratados.
A medida parece interessante. Mas não é menos importante saber se a escola está interessada ou não na renovação. O que implica que a avaliação do desempenho docente seja feita em moldes completamente diferentes daqueles que têm sido feitos até agora. Há coragem política para isso?
Porque anda por aí muito mercenário...a merecer ser corrido do sistema.
A medida parece interessante. Mas não é menos importante saber se a escola está interessada ou não na renovação. O que implica que a avaliação do desempenho docente seja feita em moldes completamente diferentes daqueles que têm sido feitos até agora. Há coragem política para isso?
Porque anda por aí muito mercenário...a merecer ser corrido do sistema.
Moralidade
Segundo o jornal o Público, o Parlamento aprovou ontem o fim das subvenções vitalícias dos titulares dos cargos políticos, proposta pelo primeiro-ministro, José Sócrates, em votação final, sem votos contra e apenas com a abstenção do CDS.
Acabam assim, daqui em diante, as "reformas" a que os deputados tinham direito ao fim de 12 anos de permanência na Assembleia da República, bem como as subvenções vitalícias que recebiam o Presidente da República, os membros do Governo, os representantes da República nas regiões autónomas, os membros do Conselho de Estado e ainda os juízes do Tribunal Constitucional.
Já não era sem tempo!
Acabam assim, daqui em diante, as "reformas" a que os deputados tinham direito ao fim de 12 anos de permanência na Assembleia da República, bem como as subvenções vitalícias que recebiam o Presidente da República, os membros do Governo, os representantes da República nas regiões autónomas, os membros do Conselho de Estado e ainda os juízes do Tribunal Constitucional.
Já não era sem tempo!
14 setembro, 2005
Denúncias
Chama-se Câmara Corporativa. À primeira vista o nome parece dizer muito pouco. Ou dirá mesmo muito? Mas vale apena dar uma espreitadela.
Trata-se de um blog que denuncia um rol de coisas.
A não perder.
Trata-se de um blog que denuncia um rol de coisas.
A não perder.
13 setembro, 2005
Anestesias
O novo ano lectivo começou hoje, ou melhor, ontem, dado o adiantado da hora. O ano passado foi um início muito agitado devido aos problemas relacionados com a bronca da colocação de professores.
Este ano, de facto, não existiram problemas da colocação. Mas foram criados outros que não são menores: suspensão da progressão na carreira, aumento do tempo para a idade da reforma, aumento do horário de trabalho na escola, redução das horas de acumulação, etc, etc.
Dada a aparente normalidade com que se iniciou o ano lectivo a impressão que fica é que tudo vai bem...O corpo docente está doente ou anestesiado?
Este ano, de facto, não existiram problemas da colocação. Mas foram criados outros que não são menores: suspensão da progressão na carreira, aumento do tempo para a idade da reforma, aumento do horário de trabalho na escola, redução das horas de acumulação, etc, etc.
Dada a aparente normalidade com que se iniciou o ano lectivo a impressão que fica é que tudo vai bem...O corpo docente está doente ou anestesiado?
11 setembro, 2005
Efemérides
O tempo passa depressa. E quase que nos vamos esquecendo...
O primeiro 11 de Setembro foi há 4 anos. Depois disso já houve outros.
E o mundo continua impotente...face à barbárie.
O primeiro 11 de Setembro foi há 4 anos. Depois disso já houve outros.
E o mundo continua impotente...face à barbárie.
10 setembro, 2005
A terra vista do céu

Já aqui se tinha feito referência ao trabalho do francês Yann Arthus-Bertrand, a propósito de uma exposição fotográfica que esteve patente no Terreiro do Paço, intitulada "A terra vista do céu". Aqui fica de novo o link para quem perdeu a exposição e o site, onde podem ser vistas fotografias espectaculares...
E a propósito de vistas saliente-se que nos últimos tempos tem feito muito furor o earthgoogle, um programa que permite ver ao pormenor um pouco de todo o mundo, a começar pela nossa casa...(como aqui se documenta). O download do programa pode ser fito a partir daqui.
Implosões
Os canais televisivos fizeram da implosão das torres de Tróia um verdadeiro espectáculo. Sócrates mostrou que sabe da coisa e dir-se-ia mesmo que rivaliza com Bin Laden.
E não se pode impludi-lo? Ou será mais eficaz explodi-lo?
E não se pode impludi-lo? Ou será mais eficaz explodi-lo?
08 setembro, 2005
Cenários
Viaja-se pelo país e, por onde quer que se vá, o cenário repete-se: só ainda não é cinza o que está em chamas. Mas com o tempo vai lá....
Viaja-se pelo país e, por onde quer que se vá, o cenário repete-se: por todo o lado há cartazes relativos à campanha para as autarquias com caras e slogans a pedirem a intervenção dos pirómanos. Que, infelizmente, ainda não os descobriram, porque andam ocupados com outras coisas. É pena, porque sempre se poupavam algumas matas...
Viaja-se pelo país e, por onde quer que se vá, o cenário repete-se: por todo o lado há cartazes relativos à campanha para as autarquias com caras e slogans a pedirem a intervenção dos pirómanos. Que, infelizmente, ainda não os descobriram, porque andam ocupados com outras coisas. É pena, porque sempre se poupavam algumas matas...
07 setembro, 2005
Que verão!
E como se não bastassem os incêndios para pôr o país ao rubro ... a candidatura de Mário Soares veio ataear mais as chamas...
Não há memória: foi um verão verdadeiramente escaldante.
Não há memória: foi um verão verdadeiramente escaldante.
Concursos

No regresso a casa, e ao abrir a correpondência, deparei com a surpresa: a Porto Editora informava-me que tinha ganho o 3º prémio (um "Atlas do Mundo - Compacto") do concurso fotográfico cujo tema foi "o verde". Para quem concorre pela primeira vez...
Entretanto, via e-mail, chegou-me a informação relativa à abertura de um novo concurso fotográfico sobre as férias. Aqui fica o link para o regulamento e, naturalmente, a foto premiada.
O regresso
Estou de volta. A casa. Ao blog. Ao trabalho. E a muitas outras coisas...
Por vezes, sabe bem sentirmos saudades.
Por vezes, sabe bem sentirmos saudades.
23 agosto, 2005
Sinais
Depois de uma ida a banhos ... uma rápida passagem por casa ... um post só para dizer que ainda estou vivo... e que rumo a norte - também para comprovar que o país está ao rubro. E de que maneira!
Até breve.
Até breve.
28 julho, 2005
Os mundos de Carrilho
Henrique Monteiro no Expresso online:
Sendo Carrilho um distinto professor de Filosofia não é de mais pretender que ele pense e saiba que não pode ter um pé nas revistas cor-de-rosa e outro na política pura, onde se discutem ideias e projectos. Porque são dois mundos distintos, senão opostos. Os desastres de Carrilho começaram quando os tentou juntar.
Sendo Carrilho um distinto professor de Filosofia não é de mais pretender que ele pense e saiba que não pode ter um pé nas revistas cor-de-rosa e outro na política pura, onde se discutem ideias e projectos. Porque são dois mundos distintos, senão opostos. Os desastres de Carrilho começaram quando os tentou juntar.
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