28 setembro, 2004
Joana
"E o que é que nós fazemos com isto? O que podemos fazer com este horror, aqui tão perto, que se esconde afinal não numa diabólica rede clandestina, mas nos olhos desta mulher sem lágrimas, na mesma mãe que mandou a Joana fazer um recado à mercearia?"
In Público, José Victor Malheiros
Pergunta obscena
In causa nossa
26 setembro, 2004
Info-exclusão no Ministério da Educação
Aqui está a prova de que o Ministério da Educação começou a fazer a colocação de professores à mão. A palavra de ordem é: material informático para a rua, já!.
Aliás já consta que a Tia Carminho vai aproveitar esta onda para preoceder à implementação da educação sexual nas escolas. O programa será elaborado tendo como lema : "Computas não, é mais seguro fazer tudo à mão".
24 setembro, 2004
Cinema
Fui ver o filme Terminal de Aeroporto. Ali está espelhada a importância das coisas simples, das pequenas coisas, das esperas, dos compromissos, dos encontros, dos desencontros, do destino, em suma, da vida.
Vale mesmo a pena.
21 setembro, 2004
A saga
Este é mais um episódio da saga do concurso de professores. Esperemos pelos próximos capítulos, nomeadamente os que se relacionam com a empresa informática geradora deste embróglio : a Compta, de Couto dos Santos e Rui Machete, dois PSD's, ex-governantes e "dignos" administradores de empresas. Couto dos Santos foi recentemente brindado com a administração da Casa da Música, no Porto.
20 setembro, 2004
Políticas...
Todavia, no fim de semana a imprensa já mencionava algumas cabeças que iriam rolar. Mesmo sem o inquérito estar acabado, é claro. Há que encontrar "bodes expiatórios". Isto está cada vez melhor, Pedrinho!
Coitados dos professores que angustiadamente esperam pelo seu destino!
Não há, com tamanha incompetência, sistema educativo que resista.
Fotografias
18 setembro, 2004
Literatura
Não fora a minha umbilical ligação a Viseu e o caso ter-me-ia passado ao lado…
Há aqui dois tipos de questões inquietantes. Em primeiro lugar a “ordem” da polícia. Já chegámos à Madeira ou quê?
Em segundo lugar o título da obra em causa. “Não gostam?” Só há uma ilação a tirar daqui: a humanidade é o fruto de uma grande violência. Ou será violação?
A propósito da temática sugiro a leitura de "O que querem as mulheres?"
Há reformas e reformas
A notícia: Mira Amaral vai ter uma reforma de 18 mil euros, cerca de 3600 contos, depois de nove meses na Caixa Geral de Depósitos.
O ponto de vista do Barnabé sobre a reforma de Mira Amaral:
"Tenho assistido, estupefacto, à defesa da reforma exorbitante de Mira Amaral, paga por uma empresa de capitais públicos. Argumento: se queremos bons gestores, temos de lhes pagar bem. A minha dúvida é esta: e se queremos bons funcionários públicos, temos de lhes pagar como?"
16 setembro, 2004
Sensações
The first time ever I saw your face
I thought the sun rose in your eyes
and the moon and the stars were the gifts you gave
to the dark and endless skies, my love
to the dark and empty skies
the first time ever I kissed your mouth
I felt the earth move in my hands
like the trembling heart of a captive bird
that was there at my command, my love
that was there at my command
the first time I ever lay with you
and felt you heart so close to mine
and I knew our joy would fill the world
and would last till the end of time, my love
it would last till the end of time
the first time ever I saw your face
your face, your face
15 setembro, 2004
Imagens
Por estes dias. ficam na memória imagens de datas, locais e cenas que jamais olvidaremos: 11 de Setembro de 2001 (e o que ele significou para todos nós) e a carnificina na Escola de Beslan na Ossétia do Norte, Rússia.
Entre nós, de um outro género, mas igualmente pungente, o massacre do concurso de professores.
Contradições de Setembro
A expectativa do recomeço de um novo ano lectivo não é suficiente para debelar a angústia de um tempo que se acabou. Setembro traz sempre consigo esta insanável contradição.
Ocupações
Assim, é tempo de outras ocupações mais constantes. Depois do Código da Vinci, a Terapia de David Lodge.
13 setembro, 2004
Recuperação
Agora a deslocação com canadianas é uma nova nova aprendizagem. E percebem-se os limites da mobilidade.
08 setembro, 2004
O joelho
Prometo voltar em breve...
07 setembro, 2004
Regresso
Para trás ficou a já costumada praia de Altura, Viseu, as gravuras de Foz Côa, a beleza do Douro e a surpresa de Bragança. Foi bom. ..
Agora, de regresso à cidade grande, resta arrumar a bagagem, catalogar as recordações destes dias, cozinhá-las em lume brando e, e saboreá-las, paulatinamente. Para que perdurem. Mas sabem sempre a pouco.
Agora, o confronto do regresso ao trabalho, surge matizado com a saudade dos tempos idos e o alento de uma nova jornada….
30 julho, 2004
Partida
Encontramo-nos em Setembro. Espero - esperamos todos - com coisas novas!!!
Deixo algumas sugestões para a rentré política. Que tal se em Setembro encontrássemos no governo nomes como
- Avelino Ferreira Torres
- João ALberto jardim
- Luís Delgado
Assim... ainda nos ríamos um pouco... que é uma coisa que faz muito bem à moral!
Passem bem!
Ciclos
Do pessoal das tardes das sextas no Peter, a malta do TGIF, nem vivalma.
Saboreei sozinho a imperial.
Senti que um ciclo que começara algures se fechava necessariamente hoje….
A vida é assim. Feita de ciclos. Uns nem por isso. Mas outros bons.
Mais valias?
Urge perguntar: quanto é que este capricho custou ao erário público?
Pelos vistos, vai haver uma coisa destas por mês algures no país profundo. Para quê? Porquê?
Kerry, ajuda-nos!
Bush begins his speech to open the Olympic Games. He looks at his paper and says:
- Oooooo! Oooooo! Oooooo! Oooooo! Oooooo!
An aide comes over and whispers:
Mr. President, these are the Olympic rings. Your speech is below.
Kerry, ajuda-nos a mandar este homem para casa!
27 julho, 2004
Orange boys
"Há dois anos, quando o anterior Governo foi formado, Pedro Santana Lopes escreveu na sua crónica do "Diário de Notícias": "Não podem existir mais 'boys', mesmo que a cor mude. Não podem existir 'orange boys' no lugar dos 'rose boys'! Este Governo, e concretamente o primeiro-ministro José Manuel Durão Barroso - que tem uma formação que o garante -, deve respeitar a regra sagrada que apura apenas os melhores para cada função." (4.4.02).
26 julho, 2004
Nau catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
Uma história de pasmar
D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
Tachos, pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
Conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
Põe vaselina nos mastros
D. Durão deu à soleta
Enjoou de andar à vela
E Santa Manuela Forreta
Largou-os sem lhes dar trela
Aflito El-Rei Sampaio
Com estas novas tão más
Disse aos bobos de soslaio
Chamai lá o Santanás
Aqui estou meu Senhor
Vós mandasteis-me chamar?
Soube agora desse horror
D. Durão vai desertar?
Cala-te lá meu charmoso
Não me lixes mais a vida
Troco um cherne mal-cheiroso
Por um carapau de corrida?
Pobre da Nau Catrineta
Já lamento a tua sorte
Esta marinhagem da treta
Nem sabe onde fica o Norte
Parece que já estou vendo
Em vez de descobrir mundo
Ao primeiro pé de vento
Espetam com o barco no fundo
Ou então este matraque
Com pinta de Valentino
Gasta-me a massa do saque
Nas boîtes do caminho
Não se aflija meu Rei
Que agora vou assentar
Pois depois do que passei
Cheguei onde quis chegar
E por aquilo que passei
Aqui ninguém nos escuta
Eu quero mesmo é ser Rei
E vamos embora à luta.
25 julho, 2004
Desloca ... quê?
Pergunta
21 julho, 2004
Casos paradigmáticos
O primeiro aconteceu na tomada de posse dos ministros. Quando foi dito que Paulo Portas era não só Ministro da Defesa Nacional, mas também Ministro dos Assuntos do Mar todo o mundo viu a cara de espanto que fez…Foi uma cena hilariante.
Agora com a nomeação dos Secretários de Estado sucedeu algo do género com Teresa Caeiro. Paulo Portas tinha vindo afirmar que finalmente haveria uma mulher a exercer um cargo no sector da Defesa, como secretária de Estado Adjunta e dos Antigos Combatentes. Porém, foi empossada como secretária de Estado das Artes e Espectáculos. Coisas muito idênticas, como se sabe!
Estamos no reino do improviso…
17 julho, 2004
Ministra da Educação... ou das Telecomunicações?
XVI Governo Constitucional (também conhecido pelo governo do Pedro e do Paulo)
Cargo: Ministra da Educação
Nome: Maria do Carmo Felix da Costa Seabra
Graus académicos: Agregação em Economia, pela Universidade Nova de Lisboa - Faculdade de Economia (1997); Doutoramento em Economia (1987); Licenciatura em Economia pela Universidade Católica Portuguesa (1977).
Trabalhos de investigação na área de telecomunicações: 13
Participações em Conferências na área de telecomunicações: 8
Ideias sobre educação? Não se conhecem…Mas, pelos vistos, também não é muito importante para se ser ministro...
A foto não deixa margens para dúvidas. Estamos perante mais uma das loiras do Pedrinho, uma genuína santanete.
A aposta parece evidente: com este currículo o problema do concurso dos professores vai ser resolvido!!
15 julho, 2004
ALERTA!!!
O desaparecido não aparentava qualquer distúrbio do foro psíquico, embora na altura da sua saída ostentasse um sorriso algo matreiro que indiciava pensamentos do tipo: «Ufa! Desta já me livrei!
A sua ausência não será sentida pela generalidade da população do seu país, pese embora o facto de uma «prima» sua, de nome Manuela qualquer coisa Leite, ter declarado estar em «estado de choque». Ao que parece a afirmação foi proferida quando soube o ordenado que o Zé vai auferir lá no sítio para onde se dirige. A saber: 20 mil euros mensais, acrescidos de um subsídio de residência de 3 mil. A isto juntam-se indemnizações várias pela mulher e filhos a cargo. E, claro, carro, motorista e reembolso de todas as despesas que fizer no exercício das suas funções...
Isto não é uma corrente e ninguém pede a sua divulgação! Antes pelo contrário! Se souberem do seu paradeiro não digam a ninguém!
A primeira ideia de Santana
Permita-me sua excelência uma opinião. Se a ideia é aproximar os ministérios da actividade produtiva a proposta peca por modesta. Indústria também há em Braga, em Guimarães, em Famalicão, em Oliveira de Azeméis e, presumo, que em muitos outros lugares do país incluindo Setúbal e a Grande Lisboa.
E porquê Santarém para sediar o Ministério da Agricultura? Não se criam bois no Barroso? Não há porco preto em Portalegre? Os enchidos de Lamego não merecem consideração? E as alheiras de Mirandela? E o Minho? E o Douro? E a Cova da Beira? E o Alentejo? Este não cria borregos? Não tem campos a precisar de cultivo? O Alqueva é para esquecer? Castelo Branco, Viana do Castelo, Ponte de Lima, não têm direito a nada? Porquê essa guinada para Santarém?
Haja arrojo e coragem reformadora, senhor novel primeiro-ministro. Permita-me só um exemplo. O caso da indústria. Estamos na sociedade pós-industrial. É preciso agarrar a nova realidade de caras. Por isso sugiro não um mas muitos ministérios da Indústria. É preciso inovação, animação, criação de emprego, audácia.
Não sei que ministério criar no Porto. Apesar de cá viver, não conheço a dominante industrial da urbe. Mas o Vale do Ave requer um ministério da indústria têxtil. São João da Madeira um da indústria do calçado. A Marinha Grande fica bem com um da indústria vidreira. Já na Covilhã, pelo direito e pela tradição, cabe-lhe um dos lanifícios. Ponte de Lima, até para fazer pazes com o autarca, não pode dispensar um ministro do queijo liminiano. E os galos de Barcelos? Porque não um ministro dos Galos de Barcelos? E não se esqueça, senhor primeiro-ministro da Serra da Estrela. Escolha um lugar na encosta da serra e nomeie o ministro do Queijo da Serra.
O que não falta são pretextos e lugares para criar ministérios das indústrias. Mas não podemos esquecer as outras áreas da nossa actividade económica, social, cultural e política. Todas requerem descentralização. Precisamos de mais ministérios e de mais ministros. Qual é o português que não quer ter um ministro por vizinho?
Demos uma lição ao mundo. Já reparou, senhor primeiro-ministro, que se usarmos a terminologia da UE nós podemos ter, não o banal senhor pesc., mas o senhor truta salmonada, o senhor galo de Barcelos, o senhor queijo da serra, o senhor porco preto, o senhor alheira e por aí adiante? Já pensou nas potencialidades desta diversidade ministerial e num governo assim descentralizado?
Nota: Em meados dos anos oitenta decidiram criar três escolas superiores de educação (ESE). Uma em Lisboa, outra no Porto e outra em Santarém. Logo outras capitais de distrito reclamaram que também tinham direito. E tiveram. O resultado é o que se vê. Entre públicas e privadas não há cidade, vila, vinha, nabal, campo de girassol sem a sua ESE. O resultado está à vista. São mais de 40.000 os desempregados encartados por esta "indústria!". O custo? "A política não tem custos".
Venham então, dois ou três ministérios por capital de distrito. Um por cidade. Uma secretaria de Estado por vila. E, já agora, uma direcçãozinha-geral por cada freguesia. O país não vive do Estado?
José Paulo Serralheiro
A nova localização dos ministérios
Ministério da Agricultura - Santarém
Ministério da Economia - Porto
Ministério do Turismo - Faro
Ministério da Cultura - Quinta do Lago
Ministério do Ambiente - Ilhas Selvagens
Ministério da Construção Civil, Obras Públicas, Cidades e Patos Bravos - Tomar
Ministério das Autarquias Locais - Viseu
Ministério da Ciência e do Ensino Superior - Coimbra
Ministério da Educação - suprimido da orgânica do Governo por dificuldades em concluir o concurso dos professores - o próximo ano será de férias escolares.
Ministério da Saúde - Badajoz
Ministério da Administração Interna - Cova da Moura (Amadora)
Ministério da Justiça - Lisboa (Estabelecimento prisional de )
Ministério da Segurança Social e do Trabalho - Guimarães.
Ministério da Defesa - Lajes (Açores)
Ministério dos Negócios Estrangeiros - Bruxelas
Ministério das Finanças - Funchal
14 julho, 2004
Nelly, were's the power?
And it's the feeling that you're oh so glad you came
It is the moment you remember you're alive
It is the air you breathe, the element, the fire
It is that flower that you took the time to smell
It is the power that you know you got as well
It is the fear inside that you can overcome
This is the orchestra, the rhythm and the drum
Com uma força, com uma força
Com uma força que ninguem pode parar
Com uma força, com uma força
Com uma fome que ninguem pode matar
It is the soundtrack of your ever-flowing life
It is the wind beneath your feet that makes you fly
It is the beautiful game that you choose to play
When you step out into the world to start your day
You show your face and take it in and scream and pray
You're gonna win it for yourself and us today
It is the gold, the green, the yellow and the grey
The red and sweat and tears, the love you go. Hey!
Com uma força, com uma força
Com uma força que ninguem pode parar
Com uma força, com uma força
Com uma fome que ninguem pode matar
Closer to the sky, closer, way up high, closer to the sky
Com uma força, com uma força
Com uma força que ninguem pode parar
Com uma força, com uma força
Com uma fome que ninguem pode matar
13 julho, 2004
Cheirar a vacas... e ver inglesas torradas
Excerto do artigo de José Manuel Fernandes, no Público de hoje:
"Mas pior foi ter feito crer que despachar uns ministérios para fora de Lisboa seria uma grande medida de descentralização. Ora cheirar a vacas no gabinete do ministro da Agricultura ou verem-se inglesas torradas pelo sol da janela do secretário de Estado do Turismo não faz deles melhores governantes nem corresponde a nenhuma real descentralização. A centralização é a mesma enquanto tudo tiver de ir ao gabinete do ministro, esteja ele no Terreiro do Paço ou na Foz do Douro"
Alguns pontos nos is
Jornal Público
Aqui ficam alguns excertos…
Na política activa e responsável quem abandona funções perde totalmente o crédito para mim. Aconteceu com António Guterres, aconteceu agora com Durão Barroso.
(Durão Barroso) desertou... sabe que os pretextos, às vezes, servem para dourar as pílulas. Com o compromisso que tinha a deserção é imperdoável.
Nós somos irrelevantes na Europa e, portanto, estar a servir a Europa é quase completamente irrelevante. Nós não contamos na Europa.
Se fosse Presidente da República empossava o Dr. Santana Lopes. Primeiro, para que ele mostre aquilo que vale. Se não vale nada daqui a dois anos vê-se que não vale nada e vai embora.
O nosso Presidente faz mensagens, discursos, mas o país passa indiferente a tudo isto.
Sabe que eu acho cada vez mais difícil arranjar gente capaz para tratar deste país.
(Na justiça) o problema é que não há juízes, faltam instalações e é preciso mais organização. A justiça precisa de mais meios e mais dinheiro. A educação precisa de menos dinheiro e de menos meios. A nossa educação custa mais do que a educação espanhola ou grega.
Quando se diz que é preciso mais dinheiro isto foi uma moda que os incompetentes geraram neste país: pondo mais dinheiro as coisas se resolvem. Sabemos nas nossas vidas que, por vezes, onde pomos mais dinheiro é onde acertamos menos. O que precisamos é de responsabilidade, exigência, rigor e seriedade.
Eu tenho respostas para a evasão e para a fraude mas se as pessoas não são capazes de agarrar nessas respostas e pô-las em vigor depois pesam outras dificuldades.
O que é que pensa de um primeiro-ministro que me pede uma solução, eu discuto com ele a solução, ele aceita e depois foge !? Isto é um problema de carácter. Não podemos combater a evasão sem carácter.
12 julho, 2004
Fábula
E o velhinho disse:
- Bom, o senhor sabe...o Santana é uma tartaruga num poste...
Sem saber o que o camponês quer dizer, o médico perguntou o que era uma tartaruga num poste. A resposta foi:
- É quando o senhor vai por uma estradinha e vê um poste da vedação de arame farpado com uma tartaruga equilibrando-se em cima dele. Isto é uma tartaruga num poste...
O velho camponês olhou para a cara de espanto do médico e continuou com a explicação:
- Você não entende como ela chegou lá;
- Você não acredita que ela esteja lá;
- Você sabe que ela não subiu lá sozinha;
- Você sabe que ela não deveria nem poderia estar lá;
- Você sabe que ela não vai conseguir fazer absolutamente nada enquanto estiver lá;
- Então tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá!
(Ex)Citações
"tamos fodidos".
In, 100 nada
A natureza humana
"Que tipo de pessoa chora quando está a condecorar jogadores de futebol mas não verte uma única lágrima quando condena dez milhões de almas a serem governadas por Santana Lopes"?
In Gato Fedorento
Começou
"A entrevista de Santana Lopes à SIC, para além de um exercício de simulação política tão exagerado quanto ao Presidente que roça o absurdo - nenhum Primeiro Ministro que se preza se coloca de forma tão subserviente sob a tutela presidencial – mostra, infelizmente, que já começou a revelar-se a marca de água do entrevistado. As únicas coisas que foram ditas de concreto – número de ministérios, descentralização de ministérios, o Ministério da Agricultura em Santarém – são claramente coisas ditas sem qualquer pensamento de fundo, estudo, preparação e ponderação sobre a estrutura do Governo e o modo como se relaciona com o país. São daquelas coisas que são ditas e, depois, se levadas à prática na forma como foram “prometidas”, representam “experiências” com custos enormes. São caras, desorganizam o pouco que funciona e não resolvem problema nenhum.
Não, não é má vontade. É que é exactamente isto que é o costume."
in, Abrupto
Ai Portugal, Portugal
Num só mês morrem Sousa Franco, Sophia de Mello Breyner e Maria de Lourdes Pintasilgo. Santana Lopes é primeiro-ministro sem ir a votos. Dar a palavra aos eleitores é considerado "instabilidade". Um presidente de plataforma cidadã prefere a oligarquia à democracia. Um político demite-se um mês depois de ter conseguido a maior vitória de sempre do seu partido.
Resta chorar. Mas em público, para que todos vejam.
In, Barbabé
10 julho, 2004
Ainda - e sempre - Sophia
num sítio tão frágil como o mundo.
Mal de te amar
neste lugar de imperfeição
onde tudo nos quebra e emudece
onde tudo nos mente e nos separa.
07 julho, 2004
Bálsamo
Constituem, nestes dias de desalento, um verdadeiro bálsamo para a alma...
Te quiero, dijiste
tomando mis manos
entre tus manitas de blanco marfil.
Y sentí en mi pecho
un fuerte latido
después un suspiro
Y luego el chasquido
de un beso febril.
Muñequita linda
de cabellos de oro,
dos dientes de perla,
labios de rubi.
Dime si me quieres
como yo te adoro,
si de mí te acuerdas
como yo de ti.
A veces escucho
un eco divino
que envuelto en la brisa
parece decir:
Sí,¬ te quiero mucho,
mucho mucho mucho
tanto como entonces,
siempre hasta morir.
Aquellos ojos verdes
de mirada serena
dejaron en mi alma
eterna sede de amar,
anhelos de caricias,
de besos y ternuras,
de todas las dulzuras
que sabían brindar.
Aquellos ojos verdes,
serenos como un lago,
en cuyas quietas aguas
un dia me miré,
no saben las tristezas
que en mi alma han dejado,
aquellos ojos verdes
que yo nunca besaré.
06 julho, 2004
Quizás...
Siempre que te pregunto
Que, cuándo, cómo y dónde
Tú siempre me respondes
Quizás, quizás, quizás
Y así pasan los días
Y yo, desesperando
Y tú, tú contestando
Quizás, quizás, quizás
Estás perdiendo el tiempo
Pensando, pensando
Por lo que más tú quieras
¿Hasta cuándo? ¿Hasta cuándo?
Y así pasan los días
Y yo, desesperando
Y tú, tú contestando
Quizás, quizás, quizás
Estás perdiendo el tiempo
Pensando, pensando
Por lo que más tú quieras
¿Hasta cuándo? ¿Hasta cuándo?
Y así pasan los días
Y yo, desesperando
Y tú, tú contestando
Quizás, quizás, quizás
04 julho, 2004
Orgulho nacional

Faltam já menos de 5 horas para o grande desfecho do Euro 2004. Há um ajuste de contas entre Portugueses e Gregos que urge dirimir. Esta é a grande oportunidade para nos vingarmos da derrocada no jogo de abertura do Euro. E não vamos deixá-la escapar.
Nunca estivemos tão solidários. Nunca estivemos tantos do mesmo lado da barricada. A mobilização que se gerou à volta da selecção das quinas é um fenómeno inolvidável. Hoje, ser Português é um grande motivo de orgulho. Finalmente, não nos envergonhamos de ser o que somos.
Assim não há gregos nem troianos que nos resistam!
03 julho, 2004
Protesto
SOPHIA
Da selva mais obscura
Até o azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura
Esta é a noite
Densa de Chacais
Pesada de amargura
Este é o tempo em que os homens renunciam

Quando eu morrer voltarei para buscar
os instantes que não vivi junto ao mar
Oportunidade versus coerência
Miguel Sousa Tavares, Público 2/7/04
Recordemos os factos. a escolha de Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia ficará sempre manchada pela suspeita. Dois primeiros-ministros em exercício (o do Luxemburgo e o da Holanda) recusaram o convite invocando compromissos já assumidos. Outros candidatos, considerados fortes, foram liminarmente chumbados… Por isso, há nesta escolha de Durão uma grande suspeita. É escolhido não pelo mérito, mas pela conveniência. Mas nem isso lhe serviu de vergonha.
Barroso mentiu-nos, dizendo que não era candidato. Comportou-se como um "boy for the job". Não conseguiu dizer que não a um convite tentador. Para ele foi a coisa melhor que lhe poderia suceder. O país pouco interessou na sua decisão. E agora, Margarida Sousa Uva, vamos seguir o cherne?
Desertou, deixando-nos a pior de todas as heranças: Santana Lopes. De quem afirmou, em 2000, no congresso de Viseu, que era um misto de “Zandinga e de Gabriel Alves”.
Vive-se, de facto, na oportunidade e a coerência já não importa.
O lugar que se ocupa é um trampolim para o próximo lugar. Aconteceu isso com Durão. Acontece com Santana. Cada lugar que ocupa é o trampolim para o lugar seguinte. Certamente que não vai deixar escapar esta soberana oportunidade para a sua triunfal caminhada para Belém.
01 julho, 2004
Euforia
WE ARE THE CHAMPIONS
30 junho, 2004
Solidariedade e emoção
E se conseguísssemos esta mobilização para outras causas?
29 junho, 2004
Será possível?
Para continuamos a ter o céu como limite, em termos de esperança futebolística, isto é o início de um mau presságio. Agora que a Holanda já estava no papo, e que só nos restavam os Checos...
25 junho, 2004
PORTUGAL
Tal como dizia ontem: a tradição já não é o que era. Lá aviámos mais uns. Ainda por cima os Ingleses...
Venham os próximos!
24 junho, 2004
A nova esfera armilar
Senhor, falta cumprir-se Portugal”
Fernando Pessoa, Mensagem
Há já muito que andávamos famintos de uma oportunidade para manifestarmos o nosso patriotismo. E, eis senão quando, o Euro nos entra pela porta dentro.
Por estes dias os estádios transformaram-se em novo campos de batalha e a bola transfigurou-se em esfera armilar.
Todos nos sentimos convocados. Dentro das quatro linhas, nas bancadas, em casa, nas praças ou nas ruas cada qual tem manifestado, a seu modo, o apoio à causa nacional.

Por estes dias vestimos adornos e vivências, há já muito bafientos no baú do nosso patriotismo: stress, alegria, expectativa, euforia, nervosismo, excitação, glória. Não é muito, mas tem sido o suficiente para nos sentirmos outros e acreditarmos na utopia.
Por estes dias redescobrimos a capacidade da emoção e a possibilidade de comungarmos uma causa comum.
Como é possível que a simples entrada de uma bola na baliza possa acarretar tantas e tamanhas consequências, gloriosas para uns e maléficas para outros?
Como é possível que o destino de um país esteja suspenso de uma simples bola e dos lugares que ela percorre?
Como é possível que necessitemos de tão pouco para nos tornarmos grandes?
O Euro 2004 veio demonstrar que não há países de primeira nestas andanças da bola. Que o digam os Espanhóis, os Italianos e os Alemães que, por estes dias, se têm sentido tão enxovalhados.
Hoje vamos provar aos Ingleses que a tradição já não é o que era.
20 junho, 2004
Auto-estima
Se dependesse exclusivamente do meu/nosso querer e determinação, certamente que os espanhóis levariam uma boa cabazada…. Mas há muitos quereres em jogo…Se isto fosse uma mera soma de vontades, os espanhóis levavam a melhor, porque são mais. Sabemos que a vontade ajuda, mas não é certamente tudo.
Impressiona a mobilização das pessoas. Respira-se um ar contagiado de optimismo exacerbado, de euforia contida e de solidariedade.
Aposto, apostamos todos na vitória. Ela é importante para a auto-estima que precisamos de cultivar.
O dia de amanhã – e o destino do país – dependem muito do resultado de hoje. Como é possível?
Sejamos merecedores dos nossos sentimentos.
19 junho, 2004
Teaching
Por um lado anseiam fervorosamente a chegada desse mês porque isso significa o fim do ano lectivo e o correspondente alívio que isso implica, em termos laborais. Lidar, quotidianamente, com jovens adolescentes é uma árdua tarefa.
Por outro lado - alguém lembrou, e bem, que “to teach is to touch a personal life forever" - no ciclo de relações que se estabeleceram durante um ano lectivo, com alunos e com colegas, instala-se um sabor de saudade, de nostalgia. Há um sentimento de perda em alguns dos laços que se criaram durante o ano. Porque há perdas que são irreparáveis...
07 junho, 2004
Um outro olhar sobre a terra

"A Terra vista do céu"
É este o nome que tem a exposição fotográfica que se encontra na Praça do Comércio (já agora um parêntesis para dizer que fica mesmo bem aquela esplanda em plena praça!), da autoria do francês Yann Arthus-Bertrand.
São fotografais absolutamente espectaculares. A não perder mesmo.
Fica o link para o site, onde é possível ver muitas mais fotografias do que as que estão nesta mostra.
Para aperitivar ficam três imagens.
06 junho, 2004
Futebolada

Sob o pretexto do encerramento do ano lectivo realizou-se, no passado dia 4, uma jogatana de futebol entre professores e alunos (10º K e João Flávio do 11º I).
Os professores ganharam por 6-4. Marquei três golos.
26 maio, 2004
O escândalo
Com um ordenado destes só pode ocorrer uma verdadeira revolução ao nível do fisco.
23 maio, 2004
Posturas e "pecados"
Por vezes é mesmo assim: assumimos, na nossa vida, posturas, atitudes, iniciativas, porque achamos que são as mais correctas, mas custa-nos imenso mantê-las. Apetece-nos imenso “pecar”… A gestão deste equilíbrio é, simultâneamente, trágica e sedutora. Porque somos humanos.
16 maio, 2004
Uma pedra...
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra."
Carlos Drummond de Andrade
12 maio, 2004
Fronteiras
Por vezes, não é possível escolher um dos lados. Por isso, coabitam os dois.
É estranho, mas não temos que nos sentir, necessariamente, mal com isso.
09 maio, 2004
Mistérios
“El alma de Almada el impar. Obra gráfica 1926-31” é o nome da exposição patente no palácio Galveias. A merecer uma visita.
O Luís Gaspar, um dos comissários da exposição, comentava: “ainda não veio cá ninguém da Câmara”. Um autêntico mistério - que nem o Almada desvendaria!
08 maio, 2004
What a wonderful world
"I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
And I think to myself what a wonderful world.
I see skies of blue and clouds of white
The bright blessed day, the dark sacred night
And I think to myself what a wonderful world.
The colors of the rainbow so pretty in the sky
Are also on the faces of people going by
I see friends shaking hands saying how do you do
They're really saying I love you.
I hear babies crying, I watch them grow
They'll learn much more than I'll never know
And I think to myself what a wonderful world
Yes I think to myself what a wonderful world."
Louis Armstrong
07 maio, 2004
Adversidades
Por isso, a nossa revolta é imensa, do tamanho da nossa incompreensão. E é legítima a nossa indignação.
Ao longo desta semana convivi com adversidades de diferentes tipos. E não foi nada fácil lidar com isso. Porque as palavras, os gestos, as atitudes que consegui partilhar me pareceram infinitamente pouco. Que foram.
06 maio, 2004
Lições de vida
Há já alguns anos que tenho vindo a prestar, em regime de voluntariado, apoio informático a esta instituição. É um trabalho que faço com muito gosto.
O ano passado foi a primeira vez que estive presente nos Jogos da Primavera. Hoje voltei a estar presente nesse evento que teve, desta vez, como lema “Rock in Elo”.
A participação e a presença são muito diversificadas: associações semelhantes que vêm de todo o país, escolas, forças sociais, instituições. Logo aí nos espanta o modo como uma instituição desta natureza mobiliza pessoas, e se relaciona com os que lhe são mais próximos. De tal modo que dei comigo a comentar para o Fróis: “As escolas nunca hão-se conseguir fazer nada com esta dimensão!”
Depois há uma atmosfera de festa que é contagiante. Há nos rostos daquelas pessoas, a maior parte das quais deficientes, uma alegria de vida absolutamente invejável.
Fico a olhá-los e penso: às vezes não é necessário muito para se ser feliz.
Fica o link para o endereço do Elo Social.
05 maio, 2004
Uma janela aberta
Une fenêtre ouverte
La mort n'est jamais complète,
il y a toujours puisque je le dis
puisque je l'affirme
au bout du chagrin
une fenêtre ouverte
une fenêtre éclairée.
Il y a toujours un rêve qui veille,
désir à combler,
faim à satisfaire,
un cœur généreux
une main tendue
une main ouverte
des yeux attentifs
une vie, la vie à se partager.
04 maio, 2004
Para a Vanda
Eu era feliz e ninguém estava morto."
Álvaro de Campos
Se fosse possível emoldurar-te com alguns adjectivos eram certamente estes que escolheria para ti: efémera, tímida, genuína e simples. São, certamente, suficientes.
Retenho, na noite da tua partida, a inocência e a simplicidade que tão bem se conjugavam na tua imagem.
Fica bem.
02 maio, 2004
O dia delas
E expressar todo a meu respeito e consideração por aquilo que, tão laboriosa e dedicadamente, só elas tão bem sabem fazer. Ainda bem.
Prazer e realidade
Gostava muito de continuar por aqui. Mas vou ter que zarpar para ir preparar uma reunião sobre - imaginem só - o combate ao insucesso escolar. Uma pessoa mete-se em cada uma!!!
Até breve. Eu volto.
27 abril, 2004
Sonhar
é uma constante da vida..."
António Gedeão
Sonhar é uma forma de pensar...
25 abril, 2004
O meu 25 de Abril

"Não discutimos Deus e a virtude. Não discutimos a Pátria e a sua história. Não discutimos a Autoridade e o seu prestígio."
António de Oliveira Salazar
A notícia chegou já tarde, próxima daquela hora do crepúsculo em que o pôr-do-sol tinha por hábito acariciar o rio Geba, proporcionando-nos fins de tarde únicos, excessivamente esplendorosos: “tinha acontecido um golpe militar em Portugal e o governo tinha caído”.
O serviço militar tinha-me apanhado a meio de um atribulado curso de Filosofia e, numa gélida noite de Dezembro de 72, a notícia chegou abruptamente: mobilizado para a Guiné. Assim, no dia 25 de Abril de 74 eu não estava na cadeia, Manuel Alegre. Mas encontrava-me, certamente, no meu posto. Jabadá, algures no interior da Guiné, passou a ser um cárcere de uma outra natureza, a partir de Janeiro de 73.
Situada à beira do rio Geba, Jabadá era uma aldeia de tamanho médio. Na orla das tabancas, espalhavam-se, em espaços irregulares, os postos do aquartelamento. Era aí que vivíamos, com uma constante sensação de insegurança a escorrer-nos pelo corpo, pois sentíamos que a nossa vida se encontrava sobejamente desprotegida. E nem o invólucro criado pelas fiadas de arame farpado, que envolviam todo o perímetro do casario, atenuavam aquela sensação.

Naquela noite, cheguei junto do Silva, o capitão, e disse-lhe: “Não volto a sair para a mata. Para mim a guerra acabou.”
Naquele tempo, e com a nossa idade, não discutíamos Deus porque havia demasiadas coisas para viver, e ainda não tínhamos aprendido a ser ateus. Mas discutíamos, ao nosso modo, a Pátria e a Autoridade. Fomos apanhados, em plena flor da idade, por um sistema político que, para defender as então “colónias” portuguesas, enviava para África os seus jovens.
Tínhamos então 21/22 anos e nada havíamos feito para merecer tal castigo. A maior parte de nós possuía uma formação política absolutamente estéril. Pouco conseguíamos vislumbrar por detrás de siglas como MPLA, UNITA; PAIGC, etc. Mas, em matéria de Pátria, estávamos conversados: Cabo Verde, Guiné, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Timor não nos diziam absolutamente nada. Não eram a nossa terra, não eram - isso tínhamos a certeza - a nossa Pátria. Por isso, não podíamos nem tínhamos que as defender. Sentíamos que não era legítimo hipotecar a nossa vida por algo que não nos pertencia.
Assim, cada passo que se dava no interior da mata era vivido como um autêntico jogo de roleta e representava um passo a menos no regresso a Lisboa - como o pôde constatar o Malheiros. Na mata, à nossa volta, reinava uma intranquilidade constante que só podia ser colmatada com a proximidade do aquartelamento, apesar de toda a insegurança que aí vigorava. Mesmo os bombardeamentos de bazooka e morteiro de que, por vezes, éramos vítimas durante a noite, não conseguiam roubar-nos essa nesga de segurança e aconchego. O arame farpado ou um abrigo não eram meros adornos.
Mas as ordens de operações impunham-nos o constante patrulhamento da mata, com incursões em locais distantes situados no interior da floresta - ora de dia, ora de noite, ora dia e noite. O Terreiro do Paço e Bissau comungavam um mesmo desígnio: “acabar com os turras”.
Rapidamente intuímos que a nossa maneira de discutir a Pátria e a Autoridade era permanecer o mais próximo possível do aquartelamento, esquecendo as ordens de operações. Não estávamos ali para apanhar turras; muito menos para ganhar uma guerra, para ganhar medalhas, ou para ganhar o que quer que fosse. Salvar a pele e regressar sãos a casa eram o mote do nosso quotidiano. Por isso, fazíamos tudo o que pudesse salvar-nos, principalmente através do boicote das missões de que éramos incumbidos. O Silva, que coabitava connosco, - formado e promovido num daqueles cursos de aviário, que serviam para formar capitães de modo célere - não imaginava o que se passava, tão ciente estava de que comandava uma companhia composta por leais e dedicados oficiais e praças. E Bissau e Lisboa ficavam demasiadamente longe, para saberem o que se passava no terreno.
Senti, nessa noite, que o Silva tinha deixado de ser comandante da companhia quando ousei dizer-lhe: “não volto a sair para a mata”. Ele olhou-me com os seus tão característicos olhos esbugalhados, fez aquele trejeito de cabeça que nós tão bem conhecíamos (e que nos levou a apelidá-lo de “Tolinhas”) e disparou energicamente: “Mas não podes fazer isso! Ainda não recebemos ordens para acabar com a guerra”. Retorqui-lhe, num tom muito peremptório: “Para mim a guerra acabou!” – e virei-lhe as costas.
No dia 25 de Abril de 74 eu estava em Jabadá, na Guiné. Nesse dia, o pouco que soubemos sobre o que estava a suceder em Portugal, foi suficientemente grande para intuirmos o que se seguia. Nos dias seguintes as notícias foram chegando a pouco e pouco, clarificando as indefinições iniciais. A Revolução dos Cravos tinha mudado radicalmente o regime político. De facto, a guerra tinha acabado. E eu não voltei a sair para a mata.
Tínhamos conseguido sobreviver. O tão desejado regresso a casa estava assegurado.
23 abril, 2004
O regresso ao Peter

A ideia foi da Cristina. Mas foi o Ricardo que a formalizou através de e-mail. Assim, no ano passado, ainda mal tinha desabrochado a primavera, chegava às nossas caixas de correio mais ou menos isto:
Asssunto: TGIF
Texto: Às sextas feiras, a partir das 18h30, no Peter – ali mesmo à beiro rio – para dois dedos de conversa, acompanhados por uma cerveja ou um gin.
Thanks God it’s Friday (TGIF). É uma americanice, mas é mesmo assim.
Levámos a sério o convite e lá nos fomos encontrando, ao longo do ano, numa espécie de ritual de fim de tarde das sextas-feiras, que, com a chegada do Inverno, se interrompeu…

Hoje, estava um desses fins de tarde de pedir Peter. Não resisti e fui até lá.
O gin e a tosta mista continuam esplêndidos.
Ali, perante aquela vastidão de horizonte, todos os pensamentos são altamente permitidos…
Aqui fica o convite: às sextas, a partir das 18h30, no Peter. Quem puder aparece...quem não puder... pode estar em pensamento...
Fotografias e webalbum

Estive, à noite, a organizar fotografias. A pouco e pouco a ideia foi crescendo: vou ter que fazer um webalbum. Que é, neste caso da fotografia, uma maneira simpática de partilha. Ficam, para aperitivo, dois exemplares, dos Jardins Garcia da Horta...

Quando estava a tentar descobrir a nome desta flor só me lembrava de glicínia. Porque será? Depois pensei: mas é uma flor típica da Madeira... Lá tive que ir à Internet para descobrir o nome e, claro, encontrei. É como costumo dizer: "se existe, está na Internet!"
Aqui fica então a estrelícia, acompanhada de uma outra árvore florida - cujo nome desconheço, mas que hei-de descobrir - que tão bela companhia faz à Torre Vasco da Gama.
22 abril, 2004
Alterações ou mudanças?
Há coisas que estão a mudar, repito. Umas são menos visíveis que outras. Mas, nem por isso, menos importantes. Porque a visibilidade das coisas não é certamente um bom critério de medição...do seu valor.
Mas, é mais fácil falar de mudanças visíveis. Passei a fazer a pé uma parte do trajecto para a escola. Saio de casa, e vou, à beira rio, até ao metro na Gare do Oriente. Eu e a minha inseparável máquina fotográfica. Deixo aqui duas molduras do que hoje encontrei pelo caminho.
Àquela hora - seriam certamente umas 9 horas, mas não estou certo disso - o rio tinha uma serenidade altamente perigosa... À minha volta um enorme espaço vazio…Caminhava e não tinha pressa de chegar... Apetecia quedar-me ali eternamente...
Em relação à escola decidi (bem, não tenho a certeza se é uma decisão!) que vou passar a abandoná-la mais cedo. As 13h30 são o limite da minha permanência. Mas não é fácil fazer isso, como hoje se constatou...
E.. ainda a propósito de mudanças... também vou cortar o cabelo...
21 abril, 2004
Uma outra música
E hoje, durante um dos intervalos, ainda houve um bocadinho de Sérgio Godinho...
20 abril, 2004
Saudades de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim."
Mário de Sá-Carneiro
Dúvida
Hoje, dia 19 de Abril, segunda-feira, quando, no final da tarde, regressava a casa, houve músicas/letras do CD que ganharam uma nova dimensão.
O Sérgio Godinho dizia:
“Hoje é o primeiro dia
do resto da tua vida…”
E os Madredeus:
“Ai que ninguém volta
ao que já deixou…”
Cheguei a casa e senti uma imensa vontade de ir ver o rio. E fui, pois ele fica mesmo aqui à minha beira. Encontrei-o excessivamente nublado e pardo, como aqui se documenta. E pensei: é possível que tenha acabado a primavera?
19 abril, 2004
Pais e filhos
Diga-se que foi um texto que me incomodou. Ao lê-lo, pensei muitas vezes no Zé a na Luísa, nas alegrias e nas tristezas que aquele filho já lhes deu....
17 abril, 2004
Estou de volta
Viajei acalentado por sonhos, desejos e esperanças, que amenizaram estes dias primaveris. No regresso, tinha os plátanos da minha rua, que por sinal se chama Rua Ilha dos Amores, todos de verde cobertos.
05 abril, 2004
Bagagem
Na bagagem vão uns quantos livros, a saber: O Manuel Alegre com a Praça da Canção; O Herberto Helder com os Passos em Volta (lembram-se do texto "Os comboios que vão para Antuérpia"?), as Poesias Completas do Alexandre O'Neill. E quando procurava o Manuel Alegre, que não foi nada fácil encontrar na empoeirada estante, redescobri A invenção do Amor do Daniel Filipe e a Queda de um Anjo do Camilo.
A propósito de uma exposição que se vai realizar lá na escola, urge produzir um texto sobre a minha memória do 25 de Abril. Em Abril de 74 eu não estava na cadeia, como escreve o Manuel Alegre, mas quase. Jabadá, algures na Guiné, era um cárcere de uma outra natureza. É sobre isso que vou escrever.
Os livros, para além de nos servirem de mote, são sempre uma companhia. E, por vezes, dizem o que não conseguimos....
04 abril, 2004
28 março, 2004
A maratona e as coisas da vida
Mas não pensem que foi uma decisão pacífica e tranquila, pois tem estado durante todo o dia a inquietar-me... A vida tem destas surpresas: como é que há coisas na vida que não fazemos e que nos inquietam tanto? Sabem explicar-me?...
21 março, 2004
Ilações
De Espanha fica-nos a lição: não há perdão para aqueles que ostensiva e deliberadamente mentem. O princípio deve ser igualmente válido para PP ou PSOE...
E cuidemo-nos todos, pois não seremos demasiados para estarmos vigilantes...
12 março, 2004
11 de Março de 2004
Que novas tragédias se preparam? Até onde vai chegar o extermínio, em massa, de simples e anónimos cidadãos?
Há uma inquietação que subsiste: não estará o cidadão anónimo a colher a tempestade dos ventos que outros, menos anónimos e menos simples, semearam?
A nossa indignação e a nossa revolta não são certamente as armas mais eficazes para lidar com esta cambada de bárbaros.
11 março, 2004
A espuma dos dias
Na espuma destes dias, em que a ausência imperou, ficaram à tona circunstâncias,episódios, percursos e memórias: a promessa da nova escola feita pelo próprio ministro (com o inerente regozijo), o re-encontro do Pedro, Palma e Teodoro, os anos da Margarida, a adesão à iniciativa Primavera na Europa (e todos os condicionalismos daí oriundos), a minha homérica permanência no 2º lugar do torneio de ténis, e... e... e...
10 março, 2004
Uma escrita invisível
Não é fácil "alimentar" um blog, quando se tem com ele uma relação mais de intimidade que de janela aberta ao mundo. Não faço disto, ao contrário de muitos outros, um modo de estar na vida...
Assim, tenho "escrito" só para mim, sem necessitar de traduzir via teclado aquilo que me vai no peito...que vai!
22 fevereiro, 2004
Só nos faltava esta!
Santana em Presidente da República? Só nos faltava mesmo esta!
15 fevereiro, 2004
Nemesianas 2004
O Professor Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se, esta noite, na TVI, ao acontecimento.
A lei do véu
O que é que são “símbolos religiosos ostentatórios”? Quem decide onde começa e onde acaba a ostentação?
O estado tem o dever de ser laico. Não pode, nem deve, é obrigar os cidadãos a sê-lo.
Estamos perante uma medida completamente imbecil.
13 fevereiro, 2004
Citações
Jorge Coelho: “Sinto-me completamente preparado para um dia poder ser líder do Partido Socialista. Não tenho qualquer dúvida sobre isso” Nós também não ó Coelhone! O que é lamentável, pois mostra o estado a que o país chegou.
Júlia Pinheiro: "Ter de ser gira chateia-me”. Ela disse gira?
Luiz F. Scolari: “O futebol em Portugal é muito bonito mas muito pouco produtivo”. A julgar pelos acontecimentos mais recentes… está, de facto, muito, mas muito bonito. Boa Scolari!
12 fevereiro, 2004
A gajinha
Percebe-se, pelo que se vê, que os jornalistas interpelam Rita Blanco para que comente os jornais diários. Ela faz - faz sempre não é? - aquele ar de gozo, espelha um sorriso trocista e o ar de palhaço não se lhe descola da cara. Nunca conseguirá ter sequer um ar da gaja. Será sempre uma gajinha.
E dá para perceber que diz coisas com aquele ar de quem está sempre a dizer uma piada, de quem acha graça ao que diz.
Ela não se leva a sério. E nós muito menos.
10 fevereiro, 2004
Banda quê?
para que Portugal possa aproximar-se dos níveis internacionais.
Isto parece anedótico!
05 fevereiro, 2004
O tempo... esse grande escultor
Certamente começou o florir das amendoeiras...
27 janeiro, 2004
"Isso" passa
Foi então que o M contou que um dia destes tinha encontrado uma aluna toda radiante porque o namorada lhe oferecera um ramo de flores. A reação do M:
- Deixa lá que isso passa-lhe!
As idades da morte
O modo como tanta gente soube superar a doença do clubismo foi um gesto lindo. Só é lamentável o preço que foi necessário pagar por isso.
O traste
Este personagem é mesmo um traste. Não foi ele que esteve envolvido naquele caso da filha do ministro?!?!Foi, foi.